A Culpa É Das Estrelas 2
1 Capítulo 1
Notas iniciais
"Eu aceito, Augustus. Eu aceito."
…
5 anos depois…
Hoje faz exatamente 5 anos que Augustus Waters morreu. Cada dia da minha vida passa mais devagar sem a presença dele. Eu me sinto sozinha, perdida, e não vejo razão para os meus pulmões continuarem em sua luta contra o maldito câncer.
Os médicos dizem que eu sou "um milagre do Falanxifor", já que eu sou a paciente de uso contínuo mais longo. Gostaria que o Falanxifor funcionasse em todos, assim, eu ainda teria o Gus ao meu lado, e uma praga como o câncer não assolaria o mundo.
Meus pais? Eles tentam ser gentis, me apoiar, mas é meio difícil fazer algo por uma garota de 22 anos com um namorado morto. A única coisa que me deixaria feliz seria envelhecer ao lado de Augustus Waters.
Duas coisas impossíveis.
Hoje o dia começou como todos os outros. Acordei, me desliguei do BiPAP, me liguei ao Felipe e assisti a um pouco de TV na cama. Não estava com fome, como sempre, aliás. Minha mãe entrou no quarto me desejando bom dia, com uma bandeja de café da manhã com um prato de ovos mexidos, um pão com manteiga, uma maçã extremamente vermelha e um copo de um suco bem amarelo.
Comi com muito esforço, enquanto minha mãe lia um livro para o trabalho, vez por outra dando uma olhadinha em mim. Ela havia terminado a faculdade no outono e conseguira um emprego na assistência social da cidade.
Meu pai estava no trabalho, como sempre no horário em que eu acordo. "O sono combate o câncer", e eu nunca durma menos de 10 horas, sempre com a droga do BiPAP e sua/minha respiração de dragão. Dormir essa quantidade de horas não me permitia ver meu pai antes do escurecer.
Odeio o câncer. Odeio o BiPAP. Odeio não conseguir respirar sozinha. Odeio o fato de Augustus Waters ter morrido antes de mim.
Mas eu tento seguir em frente. Vez por outra visitando o Isaac e jogando jogos para cegos com ele, ou indo ao parque no qual o Gus fez aquele cômico discurso ensaiado e tentou me tocar pela primeira vez. Ainda fico pensativa vendo lindas crianças escorregarem por entre os "Ossos Maneiro".
Ganhei um carro, o que facilita minha "vida". Digo "vida" porque ando por aí como um zumbi; sem vida própria, sem alma, com sede de uma vida mais saudável do que a minha própria. Nunca estive tão mal com minha vida e meu câncer.
Peter Van Houten vem tentando ser meu amigo. Ele me mandou os 3 primeiros capítulos do seu mais novo livro, sem nome definido previamente. Ele está contando a minha história. Nossa, na verdade. Minha e do Gus.
Depois de terminar o café da manhã, minha mãe me ajudou a me conectar a um cilindro de oxigênio, se certificando de que ele estava cheio, e a descer as escadas (Não, sério. Por que o quarto da doente tem que ser no andar de cima?).
Ao chegar na sala, fui obrigada a me sentar, extremamente cansada. Assisti um pouco de TV, largada no sofá como sempre. Após uma breve passada nos canais da TV a cabo, percebendo que não passava nada de interessante, coloquei na MTV, que exibia clipes musicais no Top 20.
De repente, o apresentador anuncia que a 1º posição era a música preferida do Augustus. Quando o clipe começou, senti meus olhos marejarem lágrimas de dor, e não pude evitar derramá-las.
Sempre me fazia as mesmas perguntas: por que tudo precisava me lembrar dele? Me lembrar que ele não está ao meu lado para compartilhar momentos como esse? Me lembrar de como o mundo era cruel? De como o câncer leva a tudo e a todos?
Eu tinha que superar aquilo. Ele havia morrido, e eu, ainda estava "viva", mesmo que não por muito tempo.
Limpei minhas lágrimas, me recompondo. Me levantei do sofá e fui ao jardim. Nunca senti tanta falta daquele balanço nostálgico. Ao menos, me poupa de mais uma triste lembrança do Augustus.
Me deitei na grama, sentindo os raios solares batendo em minha pele e esquentando-a. O calor da radiação se espalhando pelo meu corpo fazia eu me sentir melhor, mais viva, mais completa.
Levantei depois de aproximademente 30 minutos, indo até a casa do Isaac. Precisava conversar com alguém, esvaziar a cabeça.
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