Notas iniciais
Oh Gosh! Dante!!!

Sim, se divirtam com ele hohohoho Apesar do capítulo não ser todo alegre assim

CAPÍTULO XII

O fato era que não conseguia dormir aquela noite, não depois de tudo que vi e senti. A impressão de que Vergil alcançaria uma força sem tamanho era intensa e eu sabia que ele não falharia. Também sabia que estávamos prestes a chegar a algo nunca antes imaginado, mas mesmo assim, tinha medo. Medo de falhar, talvez...

Não... Não era medo de falhar. Pensei aflita e teimando em não acreditar naquilo: era medo de perdê-lo.

Suspirei e levantei incapaz de dormir. Olhei lá fora e vi a lua brilhar fracamente por entre as nuvens. Sem pensar duas vezes, decidi fazer algo que há tempos não fazia, mas que perseguia meus pensamentos: visitar Dante novamente.

Sabia qual seria a reação de Vergil se soubesse daquilo, mas ele não saberia. Seria meu pequeno segredo. Troquei de roupa rapidamente e pulei a sacada de meu quarto com certo cuidado, pois meu machucado era fresco e a ferida causada pelo demônio ainda latejava por debaixo da calça que havia colocado.

Demorei e já era madrugada quando alcancei a loja Devil May Cry. As ruas estavam desertas e um vento frio despenteava meus cabelos soltos. Olhei para cima e vi que a janela do quarto de Dante estava aberta. Escalei rapidamente a parede e com um pulo cheguei ao chão de seu quarto.

Estava escuro e Dante continuava deitado, mas ao ouvir meus passos ele ergueu-se da cama com rapidez e apontou sua espada que repousava ao seu lado, encostada na parede, em minha direção. Ele não sabia quem era, mas sentia minha presença.

Continuou parado e apenas encarando meu vulto pela escuridão. Caminhei lentamente até o botão para acender a luz do quarto e disse enquanto fazia isso:

- Desculpe despertá-lo assim.

- Taria? – o mestiço respondeu sem esconder sua surpresa ao ouvir minha voz, pois ainda não havia acendido a luz. – É você?

Quando a luz banhou o lugar pude ver que Dante ainda apontava sua espada em minha direção, mas ao invés de ameaçador, seu olhar era de choque e surpresa.

- Nunca imaginei te ver novamente.

- Eu não vi aqui lutar, Dante – respondi calmamente.

Ele abaixou sua guarda e levantou-se da cama. Não se preocupou em vestir-se apropriadamente em minha presença, afinal de contas, Dante não se comportava como o irmão.

- Por que veio aqui? Sentiu minha falta, depois do nosso último encontro?

- Talvez... Nosso último encontro não foi exatamente amistoso, não é mesmo?

Dante riu e sentou-se na beirada da cama. Eu fiz o mesmo, sentando-me em uma cadeira na sua frente.

- Sabe... Eu não sei por que veio aqui, mas eu sinto sua falta.

- Infelizmente, nós dois seguimos caminhos distintos.

- Você está tão diferente. E isso também foi um elogio! – disse com um sorriso.

Não queria afirmar, mas sentia falta do jeito de Dante. O oposto de Vergil em todos os atos.

- As pessoas mudam.

- É... Eu sei disso como ninguém. Pode parecer estranho o que vou dizer, mas você lembra meu irmão. Esses dias eu acabei o encontrando, o que me surpreendeu porque achei que estivesse morto, mas isso não vem ao caso. O que quero dizer é que você tem o mesmo olhar frio... O mesmo olhar de que lhe falta algo na vida e que ninguém pode lhe dar.

Calei-me ao ouvir aquelas palavras. Talvez ele estivesse certo e eu realmente fosse parecida com Vergil. Contudo era estranho ouvir aquilo de seu irmão, pois Dante não sabia que eu não só lhe lembrava Vergil, como também estava com ele todo esse tempo. Seria um choque para ele descobrir isso.

- Como pode afirmar isso se não me vê há tanto tempo?

- Não sei. Algo em seus olhos... Lembra tanto ele. Mas esquece! Eu ando pensando coisas estranhas desde que reencontrei meu irmãozinho! E pelo seu olhar, eu posso garantir que veio aqui porque sente saudade do meu jeito! Aposto que onde está morando não ri muito, não é mesmo? – piscou para mim.

- Eu suponho que seja isso – ri com a piada.

- Que mundo triste! O que está aprontando que precisa fugir de mim assim?

- Talvez esteja querendo transformar o mundo – respondi tentando parecer normal.

Dante ergueu uma das sobrancelhas.

- Não tente mudá-lo – disse sério, mas logo em seguida continuou com o tom jocoso:

- Engraçado ver você assim, quieta... Se eu me lembro você trabalhava em uma boate...

- Há muito atrás. E o que isso tem a ver? Eu trabalhava no bar!

- Sim, sim, eu sei! Mas não era séria assim quando te conheci!

— Dante, não comece...

- E agora você aparece no meu quarto no meio da madrugada! Vou ter que concordar que isso é a visita que qualquer homem pediria!

- Você realmente precisa agir assim?

- Ficou sem graça? – respondeu maliciosamente.

- Dante... Nós éramos amigos e...

- Eu sei – ele me cortou. – É que você está muito atraente desse jeito.

Eu ri do mestiço. Já havia me esquecido do olhar malicioso que ele olhava qualquer mulher que passasse por perto.

- Eu não vou cair nessa. Desculpe... Eu vim aqui para conversar, mesmo por que... – me calei.

- O quê? Tem outro, não é? Sabia! – disse fingindo tristeza. – As melhores sempre têm!

– Dante... Eu realmente queria te contar mais sobre minha vida... Mas eu não posso.

- Você veio escondida ou é impressão minha?

- Escondida. A pessoa com que moro não iria gostar de saber aonde vim.

- Você poderia se abrir para mim. Afinal de contas, apesar de todas as diferenças, continuamos amigos e parece que você precisa de um agora.

- Talvez esteja certo. Tenho minhas dúvidas, sabe? E sinto que falta algo em mim, mas você não pode me ajudar.

- Tente – ele disse, mas agora deixara de usar seu tom usual e parecia realmente estar preocupado comigo.

Suspirei profundamente e disse antes que me arrependesse:

- Talvez eu esteja grávida – na verdade aquilo não era a única coisa que me preocupava, mas precisava me livrar de algum problema. Não era um demônio para aturar tudo e não sofrer... Meu lado humano ainda era forte e eram nestes momentos que sentia isso.

Dante me olhou sem esboçar qualquer reação, até que finalmente disse sem graça:

- Bem... Eu não sei bem o que dizer. Talvez devesse falar parabéns, é o que todos dizem, pelo menos...

- Eu não tenho certeza, ainda.

- Quem é o pai?

Sabia que ele perguntaria isso.

- Eu não sei – menti.

Dante percebeu isso, pois ergue uma das sobrancelhas e disse:

- Não sabe? Você não é dessas...

- Dante... Eu não quero falar disso.

- Você está escondendo alguma coisa de mim. Odeio isso! – ele não estava irritado, mas sim chateado.

- É melhor assim.

- Você não quer esta criança, por isso está assim?

- Eu não sei se é o certo. Ás vezes, eu me sinto feliz, mas quando paro para pensar não sei se quero trazer alguém para este mundo. Alguém como eu.

- A criança pode nascer humana, você sabe disso.

- Eu duvido – disse com um sorriso desanimador.

- Você... Você dormiu com um mestiço? – Dante perguntou curioso.

- Eu já disse que não quero falar sobre isso.

- Eu queria muito te ajudar, mas não sei o que dizer por que você não se abre...

Eu me levantei e caminhei até ele, passei a mão no cabelo bagunçado e disse:

- Você já ajudou me ouvindo. Eu só não quero machucá-lo...

Ele se levantou e beijou carinhosamente minha testa. Depois me olhou e disse pausadamente:

- Algo me diz que quando sair por aquela janela eu não vou mais te ver.

Não havia lágrimas em nossos olhos, mas eu sabia que ele estava desapontado, assim como eu também sofria.

- Talvez... Quem sabe o que nos aguarda?

Eu caminhei até a janela e disse antes de pular:

- Espero, Dante, que me perdoe no futuro.

Desapareci pela janela antes que Dante dissesse qualquer coisa.

Minha visita a Dante tornou-se meu segredo. Um segredo que não esperava contar para Vergil. Ele não me perdoaria e poderia arriscar tudo que havia construído pelo simples encontro que tive com seu irmão gêmeo.