A Culpa Ainda É Das Estrelas
3 Nathan
Notas iniciais
Chegando em casa, o jantar já estava pronto, e todos jantamos juntos. Até parecíamos uma família feliz. Quando acabo de comer, vou para o quarto e me jogo na cama. Pego o celular que está no bolso da minha calça e mando uma mensagem para Hazel:
“ Acho que vou para o próximo Grupo de Apoio para conversarmos novamente”
“Não acha que é tortura demais ir para as reuniões só para ver um câncer ambulante chamado Hazel?”
“Talvez. Mas você é a mais próxima de um amigo que eu tenho, afinal, você não virou a cara por eu estar numa cadeira de rodas”
“Talvez seja pelo fato que eu carrego um cilindro de ar pra todo lugar que eu vá”
“Talvez seja. É melhor eu ir dormir. Boa noite”
“Boa Noite”
Deixo o celular em cima do criado mudo e me aninho entre as cobertas e começo a refletir. . Ás vezes culpo Julieta por não conseguir mais amar as pessoas. Mas seria egoísta da minha parte culpá-la, ela está morta. Mas quando conheci a Hazel, ela me lembrou muito July, seu sorriso, sua voz, seu senso de humor seco... Mas não quero que ela também se vá. É precipitado dizer que a amo, mas sinto que temos algo em comum, algo forte.
Depois de algum tempo, concluo que será bom convidá-la para tomar um café, assim posso clarear minhas ideias. Como não estou com sono, retomo a leitura do livro que está no meu criado mudo. Mesmo que não pareça, sou apaixonado por livro, e eles foram minha principal companhia enquanto estava internado ou de cama. Depois de cerca de uma hora e meia lendo, sinto meus olhos pesando. Deixo o livro no criado mudo e apago a luz .Pego no sono rapidamente, e sou acordado pela minha mãe.
–Nathan querido, o almoço está pronto.
–Já? Por que você não me acordou?
–Sabe que eu tenho dó de te acordar, e você parecia muito cansado ontem. Vá lavar o rosto e venha almoçar tudo bem? — ela me ajuda a sentar na cadeira de rodas e sai do quarto.
Lavo o rosto, troco de roupa mas antes de ir até a cozinha, ligo para Hazel, que atende quase em seguida:
–Alô?
–Oi Hazel, é o Nathan!
–O..Oi Nathan!
–Então, eu queria saber se você quer ir tomar café comigo hoje.
–Café? Pode ser... Que horas?
–15:00 no café perto do Grupo de Apoio.
–Combinado, até lá
Até.
Desligo e deixo o celular em cima da mesa e vou até a cozinha, onde meu prato já está feito e todos estão se servindo. Começo a comer lentamente a salada.
–Mãe, hoje eu e uma amiga lá do Grupo de Apoio queríamos ir no café perto da igreja onde têm as reuniões.
–Uma amiga? Isso é muito bom. Que horas vocês combinaram?
–15:00
–Claro, esteja pronto ás 14:45 está bem? Não criei você para se atrasar.
–Claro mãe
Continuamos a comer em silêncio, sou o último a terminar, e meu pai e minha irmã já sairam para trabalhar, e resolvo ajuda minha mãe com a louça. Quando terminamos, tomo um banho e me arrumo para sair. Coloco uma calça jeans, uma camiseta verde escura e uma jaqueta de couro preta, pego meu celular e a carteira e coloco-os no bolso da jaqueta. Penteio meu cabelo pela milésima vez, passo meu perfume predileto e vou para a sala, onde minha mãe me espera sentada no sofá, com as chaves do carro em mãos. Ela abre a porta de entrada para mim e me ajuda a entrar no carro. No caminho, ela me pergunta sobre Hanzel e eu falo tudo que eu sei sobre ela, o que é bem pouco. Quando chegamos no café, mamãe me ajuda a sair do carro e escolhe uma mesa no lado de fora confortável para mim.
–Tchau mãe. — dou um beijo na bochecha rosada dela com dificuldade.
–Tchau querido, se divirta
Ela entra no carro e vai embora. Quando já não consigo ver se carro, tiro o celular do bolso e vejo as horas: 14:55. Minha mãe me ensinou a sempre ser pontual.
Alguns minutos depois, avisto um carro parando na frente da cafeteria, e Hazel sai de dentro dele, com seu carrinho que carrega o cilindro de ar. Aceno para ela me ver e rapidamente ela chega até mim. Sua mãe está com ela, e a ajuda a posicionar o carrinho perto de sua cadeira. Sua mãe não diz uma palavra, apenas beija a testa de Hazel, como minha mãe faz. Depois que o carro se vai, ela me encara, e eu a encaro de volta, começamos a gargalhar, fazendo que todos à nossa volta nos olhem.
Notas finais
Tá, agora que eu mostrei que tenho senso de humor, vou falar sério.
Espero que tenham gostado desse capítulo! -qq
Uma boa semana para todos Õ/
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