A Culpa
9 Capítulo VIII
De longe avistei a mansão que encontrei Alice pela primeira vez, ela estaria lá. Assim que abri a porta da entrada vi de longe um vulto, que não era de Alice. Talvez fosse do senhor que ela dissera. O estranho tirou uma espada, mas a sombra me impedia de ver completamente seu rosto. A pequena Alice talvez tivesse notado o perigo e agarrou-se em minha cintura.
- Alice? – olhei para baixo e tentei tirar suas mãos da minha cintura. Ela queria me proteger do homem, mas me segurando daquele jeito só dificultava a situação. – Querida, pode me soltar?
- O que você está fazendo? – o estranho perguntou com um tom ameaçador.
- Eu a quero pra mim, não a machuque!
- Vamos com calma! – soltei a menina e encarei o homem ao longe, sem ainda conseguir distinguir sua face.
- Quem você pensa que é para tentar me atacar? Se tentar me atingir não terá sucesso.
- Não sou eu quem está invadindo a casa de alguém. – o estranho saiu das sombras e notei seu rosto, era idêntico ao de Dante.
- Não pode ser... Gêmeos? – perguntei surpresa.
Ele sorriu e disse:
- Ah! Vejo que conheceu Dante.
- Sim. Podemos dizer que vagamente, já que ele... — o encarei e completei seriamente – Você também esconde a verdade sobre sua origem como seu irmão faz?
Talvez o estranho tivesse notado meu desprezo ao falar aquela frase, pois o que ele disse mostrou sua opinião sobre o irmão.
- Sou filho de Sparda, mas não nego isso como ele.
- O mito deixou frutos no mundo dos humanos – ri sem acreditar muito no que estava acontecendo.
- O que quer?
- Com você? Nada. Não preciso conhecer outro filho de Sparda – olhei para Alice que me encarava curiosa. – Eu não posso ficar aqui – sussurrei para ela e caminhei para a porta.
- Acho que você não vai a lugar algum.
Virei meus olhos e olhei para o homem mais uma vez, sem me intimidar.
- Perdão? – estava ouvindo mal ou o irmão de Dante estava me ameaçando? – Entendi... Você quer que eu fique aqui pra cuidar dela! – falei ironicamente.
- Não me irrite garota! Eu não sou tão bonzinho quanto meu irmão.
- Oh! Isso eu já percebi. Mas quem disse que espero encontrar uma cópia de Dante? – segurei firmes minhas adagas.
- Vamos ver se sua ironia consegue mantê-la viva. – o homem me ataca tão rápido que quase fui atingida. Ele era muito mais ágil e disciplinado que Dante. Sabia que não teria muita sorte naquele combate. No segundo golpe fui atingida na barriga. Cai no chão sentindo meu estômago revirar.
- Não a toque novamente Vergil! Ela é minha! – Alice gritou para o homem chamado Vergil.
Levantei-me com esforço e retirei a espada do estômago, jogando-a longe.
- Como suspeitei – sorriu.
- Ela é um meio-demônio mesmo? – Alice perguntou com os olhinhos brilhando.
- Obviamente. Ainda sem saber da força que tem. Ela é nova.
- Ótima explicação! – fingi – Já fez o teste que queria comigo? – Aquilo tudo me irritava profundamente. Sabia que precisava treinar exaustivamente para me igualar a qualquer um dos meio-demônios que havia encontrado. O problema é que estava ficando sem tempo, precisava evoluir rapidamente. Não podia perder tempo com lutas sem significado com o irmão de Dante.
- Sim e vi que você tem grade potencial, mas não sabe como usá-lo. Vejo que Dante não te ajudou com isso, sempre preocupado com seu ego.
- Aonde você quer chegar com isso?
- Ao mesmo lugar que você. – respondeu me olhando fixamente.
- Disso eu não tenho certeza. Você não me conhece ou será que o irmão de Dante, Vergil, consegue ler mentes também?
- Não leio mentes – falou secamente. – Mas posso fazer você chegar onde quer.
E onde seria? – estreitei meus olhos. Era impossível que o homem soubesse de minha história, a não ser que tivesse informantes ou algo do tipo, levando em conta todos os acontecimentos, não era uma idéia descartável.
- Você quer poder, não é? – sorriu. — Posso te dar isso que tanto quer.
- Claro. Você sente meu lado demônio almejando tanto poder. E você quer uma marionete.
Como poderia confiar em alguém que havia acabado de conhecer. Tão diferente de Dante, muito mais decidido...
- Não preciso de marionetes.
- O que você ganha com isso? Não me parece o tipo de pessoa altruísta.
- Somos muito parecidos, não vê? Talvez existam outras coisas que nos una. Só quero uma companhia na busca do que preciso. Diga-me, por que quer tanto poder?
- Porque me tiraram tudo que tinha – respirei profundamente e completei sem receios – Vingança.
- Como eu disse, somos parecidos. Somente eu posso te ajudar, assim como te entender.
Fechei os olhos por alguns instantes, sentindo a força do lado demoníaco de Vergil, incalculável para mim. Olhei para Alice mais uma vez, ela estava sorrindo, como se mostrando que aquilo era possível. Entre Dante, que era tão diferente de mim e que, cedo ou tarde, iria abandonar; ficar sozinha sem saber qual o próximo passo e o estranho a minha frente, filho de Sparda, preferi confiar em meus instintos, e meus instintos diziam para segui-lo.
FIM
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