A Culpa é do Destino

4 Capítulo 4 - Uma saída ao cinema.


Notas iniciais
Bom, demorei para postar o capítulo. Devo desculpas mas tenho motivos! As aulas voltaram e já tive 7 trabalhos, por isso não sobrou tempo para a fic. Mas aí está um novo capítulo, e o próximo já está sendo escrito também. Boa leitura e espero que vocês gostem! ;)

Adormeci.

[...]

Acordei às cinco da manhã, tomei um banho rápido e ajeitei meu cabelo. Desci para tomar café, mas eu não estava com fome (como de costume), então, fiquei esperando meus pais terminarem o deles para me levarem para o colégio. A última coisa que eu faria na minha vida seria algo para prejudicar meus pais. Nem que isso curasse meu câncer, ou que eles estivessem me obrigando a fazer isso para me curar do câncer. A única coisa que eu tenho na vida, além dela mesma, são meus pais. E eles têm a mim. O tempo passou. Peguei minha bolsa, e fui para o carro. O dia estava chuvoso, triste, faltando algo. Mas como dizia em um quadro de “encorajamentos” do Gus: “Se você deseja o arco-íris, deve esperar a tempestade passar”. Mais pensamentos. Mais Gus. Mais pensamentos sobre Gus. Minha mãe interrompeu meus pensamentos entrando no carro.

— Oi, filha! — ela parecia feliz. Mas como poderia estar assim num dia desses?

— Oi, mãe. — respondi entediada.

— Aconteceu alguma coisa? — ela olhou para mim estranhada — Você está bem?

— Não aconteceu nada não... — olhei para a janela do carro, com gotinhas de chuva descendo pelos vidros — Eu só queria saber o que foi aquilo ontem.

— Aquilo... — ela desentendeu.

— “Você é normal, só tem câncer.” — a respondi em seguida, ela ficou sem reação e ligou o carro, pensando numa resposta para a minha pergunta.

— Não foi minha intenção te magoar, filha. — ela passou a mão no meu cabelo — Saiu sem querer.

— Entendi. — falei, enxugando uma lágrima solitária que corria em meu rosto, como as gotas na janela. Acho que mamãe não percebeu. Fomos a caminho da casa de Kaitlyn, minha mãe a buscou e depois nos levou para o colégio. O clima era mais estranho dentro do que fora do carro. Era mais cinza dentro do que fora. A única palavra que saiu da boca de minha mãe depois de nossa conversa foi “beijo”, tão baixo que mal dava para se ouvir. Kaitlyn e eu saímos do carro, e entramos no colégio. Era o primeiro lugar no meu dia em que não estava tudo tão cinza, até porque os uniformes eram em tons de azul e amarelo, super chamativos. Me sentei em um banco qualquer, ao lado de minha amiga. Ficamos numa conversa sem rumo, esperando o primeiro sinal tocar. Eu simplesmente odiava aquele colégio. Ou era o colégio, ou as pessoas. Quase certeza de que eram aquelas pessoas, com olhos arregalados em direção a mim. Minha vontade de levantar e dizer que eu era normal e só era doente, era maior do que tudo e do que todos, mas permaneci quieta, sentada, na minha. O sinal tocou e entrei na sala, dessa vez me sentando um pouco mais afastada de Kaitlyn. Augustus sentou próximo de mim.

— Bom dia, Hazel Grace. — ele sorriu.

— Bom dia, Augustus. — o respondi sorrindo também. Ele preencheu o silêncio.

— Como foi com sua mãe depois que saí da sua casa ontem? — ele riu de lado. Aceitei isso como uma coisa boa, mesmo não sabendo se era ou não.

— Ah, foi tudo bem. Mas hoje não está. — lembrei de minha mãe. E dos meus pensamentos de hoje, sobre não magoar meus pais. E magoei um deles, e meus olhos se encheram de lágrimas.

— Por quê? — Augustus pegou uma cadeira e sentou-se junto a mim.

— Porque sim. — me virei para ele, e suspirei — Tudo isso, essa vida de... — parei de falar.

— De? — perguntou. Ele parecia estar interessado.

— Nada. Esta frase não tem fim, Augustus. Eu não sei do que é feita minha vida, tantas pessoas, entre elas médicos, enfermeiros. É tedioso, mas é a minha vida. Vida de tudo e nada.

— Não entendi nada do que você está dizendo. — ri para ele.

— Ah, meu Deus! Esqueça. — rindo mais uma vez. Mas, para interromper as nossas risadas, um professor gordo e baixinho entrou na sala, fazendo com que Augustus se afastasse de minha carteira. A aula foi bastante tediosa, como aquele dia, e aquelas pessoas. Eu não via a hora de acabar todo aquele tédio. Aquele dia... E graças a Deus, o sinal tocou para irmos embora. Saio da sala de aula junta à Gus.

— E aí, Hazel Grace, o dia está lindo não? — ironizou, com uma voz bem boba.

— Que cantada ridícula. — revirei os olhos e dei uma risada. Ele ri de volta para mim, e aceito isso como um... Bem, como uma coisa boa. — O dia está horrível. — suspiro.

— Não foi uma cantada... Olhe bem para o céu, Hazel Grace. — ele me pediu, apontando para o céu cheio de nuvens. Paramos num lugar afastado do resto do colégio. — Ele não está horrível. Está como sempre foi, e talvez sempre será, todos os dias.

— Como assim? — desentendi — Ele está nublado, cinzento e...

— Ei. — interrompeu — Ele está como sempre foi. Infinito.

— Oi? — ainda não entendia.

— Sua cor, seu jeito de estar em um dia, não muda seu tamanho. Talvez ele não fique lá para sempre, mas ele é enorme, e por enquanto, considerado infinito. E sim, hoje ele está cinza e tudo mais. Mas continua lá.

— Ui. — respondi — Filósofo. Mas não entendi nada. — rimos, e antes que ele possa começar qualquer outra frase, eu pergunto — Augustus será que você não quer vir ao Grupo de Apoio amanhã, comigo?

— Claro. — ele responde bem rápido.

— Eu sei que é chat... — raciocino — Oi? Você disse claro?

— Disse sim. Por quê? — ele sorriu.

— Quando eu geralmente faço essa pergunta para alguém, ela inventa um compromisso falso.

— Eu gosto de estar ao seu lado, Hazel Grace. — corei. Ok, ele era lindinho e tudo mais, mas não eu não tinha nem um pouco de vontade... Vontade eu tinha. Eu não havia coragem, coragem que é me faltava. Coragem de ver que Augustus Waters me aceitará como eu sou, com um satélite dentro dos pulmões, até porque ele só tem um “quase nada de câncer”, e para não parecer egoísta, eu conseguiria conviver com ele, mas não sei se ele comigo. Estou avoada.

— Pensamentos? — perguntou.

— É...

— Poderia saber sobre o que é?

— Ahhh... Câncer. — ele fez uma expressão decepcionada, e eu sorri para ele, que sorriu de volta. — É... Vamos para casa? — sugeri.

— Ok.

— Ok. — respondi. Fomos para a casa dele, porque o clima na minha não estaria nada bom. Ele me levou em seu carro, viemos rindo por causa de suas manobras radicais no meio da avenida. Chegamos e entrei na casa dele, avistei seus pais na sala, assistindo alguma coisa qualquer na televisão. Eles não nos notaram, então descemos até o quarto de Augustus e me sentei no sofá, um pouco ofegante. Gus sentou-se ao meu lado.

— E aí, animada para o grupo de apoio amanhã? — indagou.

— Falando assim parece até a minha mãe. — suspirei e sorri.

Paramos de falar por alguns segundos, o silêncio já cobria o quarto todo, porém os olhares continuavam. Mas como o silêncio ia durar mais de um minuto ao lado de Augustus Tagarela Waters? Ah, é mesmo, esqueci.

— Bom, Hazel.

— Me chamando só de Hazel? — ri — Gostei.

— Grace.

— Decepcionada. — emburrei-me.

— É...

— Gus! Você me chamou aqui para que mesmo? — perguntei.

— Não sei. — ele respondeu. Achei engraçado. — Você quer fazer o que?

— Ah... Podemos ir ao shopping, assistir um filme... Que tal? — sugeri.

— Ótima ideia. — ele disse rapidamente.

— Vá para o carro, Gus. Enquanto isso, vou avisar para minha mãe que vamos sair, ok?

— Ok. — ele respondeu.

Fomos até a porta e segui para minha casa. Andar cansa... Cheguei e entrei.

— OI MÃE! — gritei e minha mãe veio correndo em minha direção.

— O que foi filha, você está bem? — gritou ela do outro lado da casa, desesperada, correndo.

— Melhor do que nunca, mãe. — respondi — Passei para avisar que vou para o shopping, acompanhada de Gus. Beijo.

— O que? — perguntou — Como assim ir para o shopping agora? Filha, não que eu queira acabar com seus planos, mas você sabe que...

— Eu sei que estou bem, mãe. — a interrompi. E mesmo que pareça estranho, ela me deu a permissão para sair, contanto que eu mantivesse contato com ela a qualquer minuto. Aceitei a proposta, dei tchau para ela e fui para o carro com Augustus. Entrei no carro e o vi todo sorridente, bobo.

— Vamos? — indagou.

— Vamos.

Como todo o mundo já sabe, Augustus não dirige nada bem. Entre freios cá e acolá, chegamos ao shopping. Não era o maior de todos, mas era bem aconchegante. Gus estacionou o carro perto de uma das saídas e entramos.

— Que tal irmos para a bilheteria? — perguntei. Ele fez que sim, então fomos. Deixei Gus escolher o filme, porque da última vez ele parecia bem entediado com o filme do cãozinho.

A Morte de Um Demônio! — Gus exclamou.

— Que?

— Como você me deixou escolher o filme desta vez, escolho este.

— É... Tá. — suspirei e respondi. Aquele filme não era um dos meus preferidos, mas como eu deixei a criança escolher...

Ele comprou nossos bilhetes, e fomos logo comprar a pipoca. Gus pagou uma pipoca gigante para nós dois, mas realmente eu não estava com fome. Fora os doces e o refrigerante que ele também havia pegado, o coitado mal conseguia segurar tudo aquilo sozinho. Entreguei nossos bilhetes para o bilheteiro, e entramos para a sala. Ela estava lotada, cada assento havia uma pessoa com os olhinhos brilhando para assistir aquele filme. E eu, a “quase namorada” de Gus, com sono, sem vontade de assistir aquele filme. Sentamos-nos um ao lado do outro, no canto da sala de cinema. Eu fitava Augustus a cada momento. Logo um barulho alto na sala me assusta. São os malditos avisos pedindo para desligar o celular e tudo mais. Sei que prometi para minha mãe deixar o celular ligado também, mas é uma sala de cinema, sinceramente, isso é proibido, por isso não me importei, e sei que minha mãe me “perdoaria” depois disso.

Notas finais
O que acharam? Mandem críticas, reviews, e tudo mais. Beijinhos e até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.