Depois do encontro arrebatador que tive com a Hazel Grace fui direto para a casa, queria acompanhá-la até a sua casa mas deduzi que seus pais gostariam de passar um tempinho com ela. Afinal a Hazel Grace não é só minha (bem que eu queria) mas essa é a verdade, eu não conseguia parar de pensar em duas coisas:

Na morte, nos meus dias contados e na ansiedade ruim de estar no “corredor na morte”, no meu caso a morte tem dias para se concretizar e isso de fato acaba comigo. Também não paro de pensar na Hazel Grace, em como estou perdidamente apaixonado e como infelizmente não vou poder ficar olhando para aquele belo rosto por muito tempo. Eu também andei pensando assim, que logo que chegasse ao céu, pediria para Deus para me eleger Anjo da Hazel Grace, também do Isaac e dos meus pais. No caso olharia pelo meio pulmão da Hazel, e seria os olhos de Isaac, e simplesmente confortaria os meus país.

Não deixo de pensar em como a vida está sendo canalha comigo em me passar a perna tão descaradamente, e como o universo está sendo injusto comigo. Eu gostaria que em partes minha vida fosse como o Preço do Alvorecer e eu fosse o Max Mayhem, que o universo fosse uma TV tela plana e que Deus como jogador conduzisse nossa vida desse modo. Infelizmente a vida não é uma fábrica de desejos, e se fosse certamente não teria a menos graça.

Eu sei que tudo que eu fiz durante esses dias foi pensar, e isso estava ficando chato, mas é isso que eu sei fazer, pensar coisas impossíveis e insanas. Pode me chamar de uma máquina de pensamentos.

Liguei para a casa de Isaac, a mãe dele atendeu, assim que eu disse alô ela já passou para o Isaac.

– Eaí Gus, foi visitar a Hazel? – perguntou.

– Sim eu fui, e eu te falo uma coisa meu caro, foi ótimo vê-la melhor. – falei.

Isaac fez um breve silêncio.

– Você está nojentamente clichê esses últimos tempos, falar com você aumenta a minha glicose, por favor da um tempo. – disse Isaac, mas com um tom cômico, ele estava brincando, é claro.

– Como estou morrendo, e sou seu melhor amigo, você tem o dever de me agüentar clichê.

Isaac deu risada.

– Ansioso para ir a Amsterdam? – perguntou.

– Sim cara, e muito.

Ficamos em silêncio.

– Quando você vai... – disse Isaac.

– Vou o que?

– Não sei como te perguntar isso. – falou Isaac.

Conhecendo a mente poluída do Isaac, eu já havia deduzido o que ele queria dizer.

– Você sabe Gus, você é um homem, com hormônios agitados, gosta a Hazel e...

Fiquei quieto.

– Gus, fala alguma coisa seu filho da mãe! – disse Isaac.

– Eu sou um garoto com dezessete anos de idade, não tenho uma beleza suprema, tenho uma perna, e sou um virgem infeliz, e tenho um amigo que não para de tirar uma comigo por causa disso. Eu sou um cara de sorte.

Isaac começou a gargalhar.

– Olha aqui Isaac, pode achar engraçado, mas eu me guardei para alguém especial.

– Que papo de garotinha de treze anos. – disse Isaac. – Porque não vem aqui ver seu amigo maneiro?

– Acho que você nutre uma paixão intensa por mim Isaac, você não consegue ficar sem mim.

Isaac bufou e disse logo em seguida:

– É sério seu filho da mãe, a estou me sentindo só dentro dessa grande imensidão escura que é ser cego.

– Você está mexendo com o meu psicológico, não me faça chorar.

Desliguei sem dar tchau, fui até a cozinha e disse:

– Vou pegar o carro.

Meu pai concordou com a cabeça enquanto assistia algum jogo de basquete. Saí de casa e peguei o carro, fui dirigindo do meu jeito perigosamente e cheguei a casa de Isaac em seis minutos. Estacionei em frente a caixa de correio e dei uma buzinada.

Graham saiu correndo em minha direção.

– Isaac, é o Gus de uma perna só! — gritou.

Abaixei para que ficasse do mesmo tamanho que Graham e disse para ele apontando o indicador:

– Está zuando a minha anormalidade garotinho?

– Não senhor! — disse ele sorrindo, mostrando sua banguela. Depois ouvi a voz da mãe de Isaac dizendo:

– Graham e Gus entrem!

Graham saiu correndo na frente, enquanto eu tentava correr com a velha prótese. Quando entrei a mãe de Isaac secava um prato, ela sorriu e disse:

– O Isaac está te esperando no quarto nele.

Sorri para ela e logo fui ao quarto e Isaac, a porta estava aberta, ele estava sentado em uma poltrona de veludo vermelha.

Olhando para o teto cara? — perguntei.

Isaac enclinou seu corpo para a frente pegou uma bengala apoiou-se para se levantar.

– Chegou rápido, veio dirigindo perigosamente? — perguntou.

– Sim eu vim arriscando o pouco da vida que ainda me sobra. Quer que eu te dê conselhos ou algo assim? — perguntei.

Isaac sentou-se na poltrona novamente, sentei a poltrona de coro ao lado dele. Ele me deu seu celular mostrando um áudio que ele mandou para a Monica.

– Não acredito que mandou um áudio pra ela. — disse.

– Graham me ajudou, e quis mostrar pra ela que não estou totalmente inútil.

Fiquei quieto, ouvi o áudio:

Monica, bem sou eu, Isaac. O cara cego que você deixou na mão, o cara que chorou feito um idiota por causa de uma garota vadia como você, eu estou mandando essa mensagem para você porque acordei com um ódio apocalíptico de você, decidi não descontar o meu ódio nos troféus e nas almofadas do Gus e sim diretamente em você. Acho que por tudo que fez comigo já ganhou um lugar reservado no quinto dos infernos. Valeu pela atenção e espero que passe sua vida infeliz destruindo corações de cegos como eu.

Fiquei quieto, de surpresa pois Isaac foi bem ofensivo com esse áudio.

– Você foi bem corajoso mandando esse áudio, enfim cara virou um grande homem! — disse dando um soco de leve em seu braço.

– Eu só acho que isso não é o bastante para descontar minha raiva. — falou Isaac.

– Vamos lá meu chapa, quer fazer uma ameaça terrorista no nome dela, colocar fogo em sua casa, mandar um exame de gravidez falso pra a mãe dela. — sugeri.

– Algo que consiga feri-la! — disse Isaac — Algo que eu possa dar risada antes de dormir!

– Eu prometo que vou pensar algo bem maneiro, confie em mim Isaac, sou um cara tão perfeito quanto diabólico.