A Culpa É Das Estrelas - Um final alternativo
2 Capitulo 27
Quando chegamos ao shopping, me senti contente ao ver que ele ainda estava vazio, assim eu poderia sentar em um dos bancos a cada 10 minutos sem que ninguém ficasse me encarando, e se perguntando o porquê eu andava com aquele cilindro.
Fui direto à livraria, procurei por livros que faziam parte do gênero que eu gostasse, mas depois de um tempo, meus pulmões reclamaram, então decidi procurar outro dia quando estivesse me sentindo melhor. Sai da livraria e sentei-me bem em frente a ela, o Shopping estava mais cheio, o ar estava repleto de som de risos de crianças, e eu me surpreendi que nenhuma delas veio ao meu encontro para perguntar o que era aquilo que eu carregava.
Deixei minha mente vagar no tempo, e me lembrei daquela vez em que estava sentada e veio uma menininha ao meu encontro, eu não me importava com as perguntas de crianças, elas eram tão inocentes.
Mamãe e papai estavam vindo até mim, eles haviam passado em uma loja de conveniências e em uma loja de roupas.
– Mas já? Não achou nenhum livro que gostasse? – Minha mãe perguntou quando não notou nenhuma sacola de compras em minhas mãos.
– Não, na verdade, eu me senti cansada e decidi voltar aqui outro dia.
– Tudo bem – Disse ela. – Já se passa do meio dia, vamos almoçar.
Caminhamos até a praça de alimentação. Me sentei em uma das mesas mais próximas ao restaurante, peguei o cardápio e vi um prato chamado Penne a La Vodka — Não era um prato vegetariano- um prato típico do nordeste dos Estados Unidos, o nome dele chamou minha atenção devia ser delicioso, então decidi pedi-lo.
Meus pais não disseram nada em relação ao prato, pensei que eles não me deixariam come-lo por conter Vodka ou fariam alguma pergunta pelo meu gosto vegetariano, mas era apenas uma refeição e acredito que eles estavam me poupando com perguntas sabendo que estava em meu estado terminal. Em vez de me repreender, decidiram pedir o mesmo prato. Ele realmente era esplêndido...
Após a refeição papai pagou o almoço, e fomos direto para o carro.
Mamãe me ajudou a colocar o cilindro no banco ao meu lado, e logo entregou em minhas mãos, um pacote embrulhado. Quando abri, havia um lindo vestido listrado em preto e branco – era muito bonito, para conseguir imaginar eu vestida nele -. Olhei para ela surpresa, ela não comprava mais minhas roupas, nunca acertou muito bem o estilo que eu gostava, além do mais, eu nunca tive alto estima para querer me vestir bem, depois da descoberta da doença.
– Onde que eu vou usar isso? – Perguntei surpresa, apontando para o vestido.
– Não sei, mas você saberá quando usá-lo – ela disse abrindo um sorriso. Provavelmente era porque eu não havia reclamado do presente.
– No meu enterro? – Disse por fim.
Ela me olhou desapontada e me arrependi automaticamente por ter dito aquilo. Meus pais sabiam que eu não chegaria a minha fase adulta, mas eu não precisava os lembrar disso.
Abri um sorriso, tentando voltar atrás e disse – Humm, eu já sei! Eu posso sair com Kaitlyn, faz um bom tempo que não a vejo, aquele dia foi o último em que nos falamos.
Ela abriu um sorriso, mas percebi em seus olhos, que ainda estava chateada com o meu comentário. Papai deu a partida.
Peguei meu celular, conectei os fones e coloquei The Hectic Glow, para tocar.
***
Ao chegar em casa, fui direto à caixa de correio, não havia nem um dia completo que eu enviara o e-mail para Lidewij, mas eu estava muito ansiosa, então preferi pelo menos checar se tinha algo. E realmente tinha, mas não era a carta que eu esperara, em vez disso havia um pacote escrito “Para Hazel Grace” o endereço do remetente era da casa do Gus. Fui direto para o meu quarto, deitei em minha cama, e o abri, dentro havia uma carta e um livro. Peguei a carta e comecei a lê-la...•.
Hazel Grace
Depois do dia em que veio aqui, eu e meu esposo criamos forças e fomos ao quarto do Augustus, ficamos lá por algum tempo contemplando o quarto da forma em que ele deixou, mechemos em algumas coisas, mas, ainda assim, deixamos da mesma forma que estava, e continuará assim. Percebemos que ele estava lendo um livro, que infelizmente não conseguiu terminar. Então chegamos à conclusão de que ele gostaria que esse livro fosse até você. Sentimos sua falta, e queremos que saiba que você ainda faz parte de nossa família apesar da morte dele, e que você sempre será bem vinda em nossa casa.
Mr. e Mrs. Waters.
Após ler a carta, peguei o livro dentro do envelope — Ele estava exatamente da mesma forma de quando fui ao quarto do Gus procurar pela carta — Havia uma folha dobrada na pagina 138. Comecei a folhear as paginas, até que a letra de Gus em uma delas chamou minha atenção, era uma pagina em branco, que ele havia escrito.
Querida Hazel
Espero que após ter partido para o meu infinito – Eu sei que você não acredita nisso, mas... O.K.- Você venha até aqui procurar por mim de alguma forma. Eu só quero que você saiba que sinto muito por tudo o que está acontecendo, sinto que meu fim está muito próximo, nem vou conseguir terminar esse livro, e isso é uma droga, por isso pulei algumas paginas e já sei o final “Mayhem sobrevive” isso não é um espetáculo?! Queria poder reverter tudo isso, mas não há como. Aceite suas escolhas, assim como eu aceitei as minhas, pois delas eu tive a maravilhosa oportunidade de te conhecer, nos veremos em breve... Te amo.
“ Aceite suas escolhas” ele disse a mesma coisa na carta endereçada ao Van Houten, talvez ele não tinha a total certeza em que a carta voltaria a mim, afinal o Gus não era muito fã do Van, depois da nossa viagem.
Fui até a sala e me juntei aos meus pais, assistimos TV, eu não estava prestando muito atenção para ser sincera, minha mente estava em algum lugar distante, mas eu queria estar perto deles, enquanto podia.
– Mãe, o Isaac vai vir aqui amanhã – Falei. Eu devia ter avisado na hora que combinei, mas havia esquecido.
– Jura? Que horas? – Ela perguntou, me observando.
– Antes do almoço. Tudo bem? – Perguntei.
– Claro! – Ela exclamou. — Preciso pensar o que eu farei para amanhã.
Sua empolgação me acalmou, eu tinha marcado sem ter falado nada com ela.
As horas passaram rápido naquele dia, fiquei lendo o livro que havia ganhado dos pais do Gus, e durante as paginas havia alguns comentários que ele havia escrito do tipo “Mate esse bundão” e outras baboseiras. Agora eu entendia de onde os sobrinhos dele haviam aprendido aquela palavra.
Deitei-me cedo, para receber o Isaac no dia seguinte.
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