A Culpa É Das Estrelas

1 Capítulo Único: The fault is in our stars


Notas iniciais
Saudades de escrever hiccstrid. Depois da temporada de Corrida até o Limite, entrei num estado negação: eu não vi essa temporada, vou ignorá-la. Gente eu odiei, sinceramente. É a minha opinião, é claro, mas eu odiei. Então passei por um período tentando pensar em ones e veio essa ideia assistindo pela quinquagésima vez A Culpa é Das Estrelas. Não tem nada a ver com o livro, é no mesmo universo de HTTYD. Espero que vocês curtam, até as notas finais...

A culpa está em nossas estrelas

Eu sou uma pessoa bem estranha.

Até eu admito que sou, afinal, não tem ninguém melhor no mundo para falar sobre mim do que eu mesma. E sei que eu sou bem estranha. Não há pessoas nesse mundo que me entendam tão facilmente e não consigo me abrir para os sentimentos com tanta facilidade. Sou uma pessoa de diversas emoções e de diversas expressões complicadas e rodeadas de frequentes mudanças.

Talvez apenas uma pessoa nesse mundo me entenda tão bem. Que não acharia estranho eu conversar com as estrelas todos os dias em busca de conselhos.

De fato sou estranha, mas a culpa é delas. Das brilhantes e distantes estrelas.

Sou Astrid Hofferson, uma viking da Tribo Hooligan. Quando eu tinha 19 anos, adotei uma rotina em minha vida. Todas as noites eu ia até uma clareira na floresta observar as estrelas. Ninguém, além de mim, a conhecia. Pelo menos era o que eu achava até aquela noite.

Havíamos voltado para Berk após nossa temporada no Domínio ter chegado até o fim. Voltamos a exercer nossas funções na vila, quase como se tivéssemos voltado a era de caçada de dragões. A diferença é que eles nos ajudavam a cumprir nossas tarefas com mais rapidez e efetividade.

Normalmente eu cuidava da defesa das fronteiras, o que envolvia patrulhas com Soluço e os pilotos, o que não contribuía para os meus devaneios internos.

As coisas estão cada vez mais confusas, eu disse no interior de minha mente.

Gosto de confessar as coisas para as estrelas às vezes, ou quase sempre. E realmente as coisas estavam cada vez mais estranhas. Não era segredo para mim que eu gostava do Soluço, mas para todos os outros isso era, até mesmo para ele. Ninguém podia saber que eu podia me apaixonar. Era uma guerreira e tinha que manter esse meu jeito.

Mas é claro que com ele era completamente diferente. Eu não conseguia ser indiferente com ele, ser dura, carrancuda. Ele arrancava o melhor de mim, um lado desconhecido para a maioria das pessoas. Um lado amoroso, carinhoso e doce. Lado este que nem eu mesma, Astrid, sabia que possuía até conhecê-lo melhor.

Ele era diferente de qualquer pessoa que eu já tinha conhecido. Um diferente bom.

Admito que muitas vezes não resistia ao impulso de beijá-lo. Claro, eu tinha 15 anos, algumas coisas não estavam tão claras para mim quando esses impulsos não foram controlados. Eu não tinha conhecimento do quão importante a relação que tinha com Soluço era.

Então, aos poucos, escondi esse sentimento que poderia destruir nossa amizade. Não sabia o que ele sentia, mas também não queria ficar longe dele. O que eu sentia se clareou e eu passei a entender a importância daquele sentimento em minha vida.

E ali, deitada na grama e olhando para as estrelas, com os meus 19 anos, deixava que os meus sentimentos se acalmassem. Que o que eu sentia finalmente se esclarecesse. Enquanto confessava para as estrelas a realidade.

Eu o amo.

Confessei tudo a elas. Eu era estranha, as coisas estavam confusas, ele era diferente e eu o amava.

De repente escutei um barulho entre as árvores e me levantei em um pulo, com meu machado em mãos. Sempre o levava comigo, não podia estar sem armas dentro da floresta à noite e sozinha. Estreitei os olhos para ver melhor entre as folhas das árvores.

E foi então que ele apareceu. Quando viu que eu estava armada, ele levantou as mãos.

— Você me pegou — ele disse com um sorriso.

Eu odiava aquele sorriso, porque o amava. Era um sorriso tão lindo e seus olhos eram tão lindos que não conseguia não sorrir também. Abaixei o meu machado rapidamente.

— Desculpe, não sabia que era você. Você me assustou, não esperava que estivesse por aqui. Claro que não te machucaria — eu disse a Soluço.

— Mas me lembre de nunca ficar na mira do seu machado novamente — ele riu. — A propósito, o que você está fazendo aqui sozinha na floresta, senhorita?

Sorri. Senhorita. Olhei para estrelas.

— Falando com elas, elas sempre me ouvem — eu disse.

— Nunca conversei com as estrelas antes, interessante — o observei encarar as estrelas. — Imagino que seja um hobby seu.

— Faço isso nas horas vagas — eu ri.

Deitei-me novamente na relva da clareira. Soluço se deitou ao meu lado e voltamos a observar as estrelas.

— Elas são especiais, sabem tudo sobre mim, tudo que eu sou. Elas não me julgam, não acham que eu sou alguém que eu não sou. Na realidade, a culpa é delas eu ser assim.

— Então eu devo agradecer a elas por essa pessoa tão especial — ele disse.

Eu sorri e me virei para encarar seus olhos. Ele estava tão próximo a mim que senti como ser meu corpo pudesse entrar em combustão. Como se estivesse nas nuvens, pois conhecia a sensação de voar. Ele havia me mostrado isso.

— O que você pergunta para elas? — ele disse em um sussurro.

— Se eu te dissesse, muitas coisas mudariam. E eu não quero que isso mude.

— Eu gosto de mudanças, Astrid. Você me conhece o bastante para saber disso.

— O que você perguntaria a elas?

— Perguntaria o que uma pessoa sente por mim. Se ela me ama como eu a amo. Se ela também sente, toda vez que me vê, uma sensação boa, de tudo estar no lugar. Que sente que o mundo faz sentido quando está perto de mim como eu me sinto quando estou perto dela. Perguntaria as estrelas o que ela mais pergunta a elas e por que isso faria tudo mudar.

Eu sorri, aproximando minha mão de seu rosto. E, antes que eu hesitasse, ele tocou o meu rosto com sua mão.

— Conheço alguém que pode responder suas perguntas além delas — eu disse, voltando ao tom de sussurros. — E ela responderia sim a todas essas questões e confessaria que pergunta o mesmo às estrelas. Ela questiona o porquê ele me olha como se fosse a pessoa mais incrível do mundo. Eu pergunto a elas porque é tão difícil falar sobre isso e porque penso todos os dias como isso poderia mudar nossa amizade.

— Mudar para algo melhor, milady. Bem melhor.

— Estou começando a pensar que talvez seja assim — eu concordei em um sussurro.

— Eu te amo — ele confessou.

E me beijou. E foi tão incrível como eu imaginava que seria.

Nunca estive tão próxima das estrelas como me senti naquele momento. Um gostoso frio na barriga e uma sensação de complexidade e de preenchimento de sentimentos apoderou-se de mim. Era inexplicável tudo o que eu sentia. Eu queria sorrir, gritar, chorar e beijá-lo mais e mais.

Porque eu amava aquele menino dos dragões. Amava como nunca amaria ninguém no mundo.

— Sou eu quem roubo os beijos, Haddock — eu disse com um sorriso quando nos separamos.

Mantive meus olhos fechados, apenas guardando as sensações que percorriam meu corpo.

— Devo admitir que amo os seus beijos roubados, mas esse tinha era eu quem deveria roubar — eu abri os meus olhos e nós rimos. — Mas pode voltar a roubá-los, milady, não vou me importar.

— Eu tenho certeza que você não vai.

Ele abraçou minha cintura e afundei minha cabeça em seu pescoço. Senti o seu perfume embriagante e sorri.

— Eu te amo — eu disse em seu ouvido. — Pode ser que eu não vá falar com facilidade isso, mas saiba que eu te amo, muito.

— Eu posso me acostumar com isso — ele respondeu, provocando o meu sorriso, ainda aconchegada em seu peito.

— Eu também posso me acostumar com isso — disse, me referindo aquele abraço único.

— Bom, então devo pedir às estrelas que te convençam a aceitar namorar comigo então, assim nós dois nos beneficiamos com essa relação — ele disse e podia sentir que ele sorria ao dizer isso.

Soltei uma gargalhada, apertando meus braços ao redor da sua cintura e encarei seus olhos.

— Eu tenho certeza que elas irão lhe ajudar com esse pedido. E, para todos os efeitos, a minha resposta você já sabe qual é.

— É, senhorita Hofferson. Acho que essas estrelas também me deram sorte.

*****

Dois anos depois...

Muitas coisas aconteceram nesses anos que se passaram. Tentando resumir todas essas coisas posso deixar as informações incompletas e vagas, mas terei que assumir esse risco.

Stoico morreu um ano depois dos meus relatos anteriores. Morreu como um guerreiro salvando a vida do seu bem mais precioso, seu filho, e deixando para ele Berk para ser liderada. Soluço assumiu essa ilha e não deixou que ela perecesse, já que desde que começou a liderá-la, ilha prosperava em segurança.

Embora os vikings amem uns jogos de guerra de vez em quando, sabe como é, vikings nunca mudam sua natureza suicida.

Soluço reencontrou sua mãe nesses caminhos. Ela, de certa forma, se empenhava em suprir a ausência da figura paterna na vida de Soluço, mesmo sabendo que talvez nunca pudesse o substitui-lo. Mas sabia que o filho a amava demais por tenta-lo fazê-lo sentir-se melhor.

Do mesmo modo que Stoico, que já me considerava a sua nora, Valka me acolheu do mesmo modo. Ela era uma pessoa especial e muito parecida com Soluço, doce e amável com todos, principalmente com os dragões.

Berk passou por guerras e períodos de paz. Berk continuou sendo Berk, coberta de dragões e vikings de grandes corações.

E eu continuei a conversar com as estrelas, mas com uma companhia constante depois que ele descobriu o meu pequeno segredo.

Soluço me acompanhava sempre, ficava com receio de me deixar caminhar sozinha na floresta, ainda mais com a quantidade de inimigos que Berk havia ganhado com o tempo. Sempre protetor.

Ele descobriu meu esconderijo, confessou depois, me seguindo em uma noite qualquer, estranhando o fato de eu adentrar a floresta com tanta confiança. E, desde então, me seguia pela floresta toda vez que ia para a clareira até o dia de ter coragem para falar comigo.

Quando finalmente nos declaramos e as coisas mudaram. Para muito melhor, devo acrescentar.

Soluço às vezes ficava calado e sabia que estava pensando em seu pai. Sempre que isso acontecia, eu o abraçava e ele permanecia assim por um longo tempo, apenas meditando. Foi um longo caminho até retirar de sua cabeça a ideia de que a culpa era dele. Ele nunca mais culpou Banguela e ninguém nunca mencionaria esse fato perto do líder, ou compraria uma briga que não gostaria.

E quando a sua cabeça parecia estar em outro lugar, eu fazia questão de transmitir para ele todo amor que eu sentia em um simples abraço. E íamos vivendo nossas vidas, dia após dia.

Juntos.

— No que você está pensando, senhorita Hofferson? — sua voz me despertou de meus pensamentos longínquos.

Eu encarei seus olhos e sorri, afastando-me do passado. Estávamos de mãos dadas em nosso cantinho especial, deitados na relva da clareira encontrada na floresta. Banguela nos acompanhava naquela noite, mas estava dormindo em algum lugar atrás de nós junto com Tempestade.

— Estava pensando em tudo — eu respondi, encarando as estrelas. — Em minha vida tão estranha, em tudo que vivi. Que vivemos. Em como elas me trouxeram um amor especial.

— Espero que esteja falando de mim — ele riu.

— Alguém está muito convencido hoje — eu ri.

Eu encarei os seus olhos e ele pousou sua mão em minha cintura.

— Também tenho agradecer a elas por você, a melhor pessoa que eu podia achar para minha vida. Para ficar comigo para sempre. Quem eu amo com todas as forças que tenho e as que não tenho também.

Eu fechei os meus olhos, absorvendo cada uma de suas palavras.

— Eu te amo, Astrid. Eu quero que você fique comigo o resto da vida. Eu quero que você se case comigo, porque sei que nunca serei capaz de amar outra pessoa no mundo que não seja você. Nunca. Astrid, você quer se casar comigo?

Encarei seus olhos como se quisesse ter certeza do que havia escutado. Eu sorri e deixei uma lágrima escapar de meus olhos. Ele a enxugou carinhosamente.

— Você já sabe a minha resposta — eu disse em um sussurro.

— Mas eu adoraria escutar — ele sussurrou de volta.

— É claro que eu aceito, senhor Haddock — eu disse.

Eu o beijei na falta do que dizer. Eu o amava tanto que não conseguia agradecê-lo por tudo que fazia por mim. Eu sabia que ele era o único que poderia me fazer feliz, o único que eu amaria no mundo.

Se sou sentimental, se sou quem eu sou hoje, repito, a culpa não é minha. Há apenas um culpado aqui. E a culpa é das estrelas. A culpa estava em nossas estrelas, que adotamos como nossas confidentes, como nossas companheiras.

E que sabia exatamente o amor que nutríamos pelo outro em nossos corações.

Notas finais
E aí, gostaram? Então, explicando um pouco mais o meu sumiço e outras coisas. Sobre a 3ª temporada de Soluço o Líder de Berk, saibam que eu tenho toda a história na minha cabeça. Até anotei as ideias. Mas falta mesmo é escrever tudo. E como eu não quero que saia uma coisa mal feita, vou trabalhar com calma na fanfic. É a última né, tem que fechar com chave de ouro. Mas eu tenho um trabalho agora maior, quero dizer, que exige uma maior atenção. Meu livro. Acho que muita gente sabe que estou escrevendo. Mas agora ele já está todo encaminhado. Vai ter 28 capítulos, tem capa, nome, história tudo. A Coroa de Prata vai ser postado no Wattpad quando pronto. Muita gente que posta lá consegue apoio para postar o seu livro em uma editora e eu espero conseguir um apoio também. Mas isso é para o futuro. O importante é que as coisas estão indo. Por enquanto vou postar ones. Minhas aulas começaram e estou na etapa do colégio chamada: estou te aterrorizando para passar nos vestibulares, concurso e o que você quiser. E isso que falta um ano para valer de verdade as coisas para mim. Enfim, peço desculpas a vocês pela fanfic que vai demorar para ser feita e por todo o resto. Espero que tenham gostado, comentem aí o que achou, vou agradecer bastante. E a quem favoritar e recomendar também meus anjos... Obrigada por tudo, até a próxima... Temp ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!