A Cruzada de Karynthia

1 Primeiro Capítulo - Aquela Que Conseguiu Escapar


Notas iniciais
Olá, queridos leitores.
Sim, finalmente consegui me aventurar no mundo das histórias de fantasia medieval. Já vinha com uma vontade tremenda de escrever nesse gênero e, bem, essa aqui é minha humilde tentativa.
Para os fãs de Dominante, aqui veremos mais uma protagonista determinada e que faz as coisas por si mesma, mas, devido ao contexto, será uma história bastante diferente de Dom.
Mesmo assim, espero que você, seja como for que chegou até aqui, aprecie a leitura C:

Não era sempre que o vilarejo estava tão animado assim. Argentia, um vilarejo pequeno e majoritariamente voltado à mineração, era onde eu havia nascido e vivido. Como deve-se imaginar, a população era pouca, mas éramos felizes. Normalmente não se ouvia muitos outros sons além dos homens minando ou conversando perto da mina; dos comerciantes tentando vender suas mercadorias no centro da vila; ou de minha mãe cerrando algum pedaço de madeira no quintal de casa. Hoje, porém, estávamos todos nos preparando para o pequeno festival de fim de ano, um dos únicos eventos que acontecia em nosso pequeno refúgio. Era muito gostoso trabalhar ouvindo todos conversando animados e se organizando.

Eu, ainda com meus singelos sete anos, normalmente apenas fazia as tarefas domésticas para minha mãe poder trabalhar, ou a ajudava cortando e lixando madeira e pregando as tábuas. Minha mãe era a única que trabalhava com madeira no vilarejo, fazendo pequenos barcos os quais pescadores de toda a região vinham especialmente para Argentia para encomendar. Meu pai, como a maioria dos homens, trabalhava na mina de prata, a qual nosso vilarejo construiu-se envolta, saindo de casa assim que raiava o sol e voltando somente bem depois dele ter se posto.

Eu aprendera já os básicos de como construir um barquinho pequeno, graças ao auxílio diário que dava a minha mãe, mas não gostava muito do ofício. Por isso, estava também contente por ter outras coisas a fazer durante a preparação do festival. As outras mulheres da vila precisavam de ajuda para preparar as comidas e, a parte que eu achava mais divertida, para decorar a praça principal. Estava uma atmosfera tão alegre, todas conversando entre si e compartilhando os melhores momentos que tiveram durante o ano, agradecidos.

Isto é, até que a Geysa, a anciã que era responsável pela decoração da praça, caiu de joelhos e pôs as mãos à boca, em um sinal de espanto. Todas a encaramos preocupadas. Geysa já era uma senhora, e a primeira coisa que veio a nossas cabeças foi de que ela estava passando mal. Porém, ela levantou o braço a apontou para o horizonte atrás de nós justamente quando percebi o som dos cascos, cada vez mais altos, parecendo uma tempestade se aproximando.

Virei-me junto com a maioria, a preocupação em meu rosto transformando-se em puro horror. Ninguém pensou em correr, ficamos estáticas por vários segundos, até que as flechas começaram a cair sobre nós. A gritaria era extrema, e os soldados que cavalgavam em nossa direção não se importavam que ali só havia mulheres e crianças. As flechas já tomavam várias vítimas e quem conseguia correr, corria. Corri até Geysa para levantá-la quando percebi que ninguém mais estava disposta a ajudá-la. Consegui puxá-la pelo braço e levantá-la, mas ela logo se desvencilhou de minha pegada.

— Não perca tempo comigo, criança. Corra. Ache sua mãe.

Eu teimei e fui tentar pegá-la de novo, mas uma flecha passou raspando pelo meu braço esquerdo, cortando-o um pouco.

— Vá, Safiya! Eu vou morrer aqui hoje, mas você precisa achar seus pais e fugir, se esconder! — Geysa implorava com a língua e com o olhar, até que por fim, decidi acatar seu pedido, mesmo com as lágrimas se acumulando em meus olhos e começando a escorrer por deixar nossa indefesa anciã para trás.

Enquanto eu corria, mais desesperada do que lúcida, eu me sentia péssima por ter abandonado Geysa para morrer. Era errado, eu sabia. Eu era a única que havia tentado ajudá-la mas, no final, acabei deixando-a lá. Entretanto, eu sabia que precisava pensar na minha família em primeiro lugar. Meu pai estaria fundo na mina a essas horas, mas estaria acompanhado de vários outros homens fortes e robustos por causa de seu trabalho. Não que eu achasse que eles teriam uma chance justa contra o exército que marchava sobre nós, mas minha mãe estaria em casa, sozinha com meu irmãozinho bebê, trabalhando em seus barcos. Estaria completamente indefesa. Eu simplesmente precisava achá-la, pegar meu irmão, tentar achar meu pai, e fugir.

Nossa casa era uma das mais afastadas, por causa do espaço que minha mãe precisava para montar seus barcos, por isso demorei cerca de cinco minutos para chegar até lá, mesmo correndo pela minha vida. Quando cheguei, conseguia ouvir os gritos agudos do meu irmãozinho e vi quatro cavalos parados na frente de casa. Em suas celas, vi o brasão do rei Alanus e das tropas Nortistas: uma torre alta e vermelha guardada por um leão e um lobo.

Congelei com a visão.O que queriam eles conosco? Sim, éramos um vilarejo Sulista, mas nunca nos envolvemos na guerra. Nenhum de nossos homens viravam soldados. O próprio rei Carolus, o rei do Sul, não reconhecia nossa vila como tendo qualquer importância militar. Apenas tínhamos a infelicidade de estar dentro do que Carolus denominava seu domínio, e pagávamos boa parte de nossa renda para ele em forma de impostos. Não via nenhum motivo atraente o suficiente para Alanus mandar uma tropa especificamente para cá, enquanto podia estar economizando esses homens para atacar a grande capital.

Dei um pulo quando ouvi minha mãe gritar, abandonando as tentativas de entender os motivos da invasão, e resolvi seguir o som. Espreitei-me na mata ao redor de casa até conseguir enxergá-la, prensada contra a parede de seu mais novo barco. Três homens estavam com ela lá fora, e suspeitei que o quarto deveria estar lá dentro com meu irmão. Pensei em tentar me esgueirar para dentro de casa, mas fiquei imóvel quando vi o solado que segurava minha mãe cuspir em seu rosto e xingá-la.

— Estes navios são para as tropas Sulistas, não são? Sua vagabunda traidora.

— Não são — minha mãe sussurrou. Ela já estava toda roxa e tinha alguns cortes no rosto, parecia já ter sofrido com esses homens antes de minha chegada. — São apenas pequenos barcos, normalmente para pescadores.

— Não tente me enganar, sua cadela, que vou acabar com você.

— Foi por isso que vieram aqui? Por causa dos meus barcos?

Os soldados se entreolharam e gargalharam.

— Não, não foi. Mas foi muito bom eu ter te encontrado não é mesmo? Já faz algum tempo que nós estamos na estrada, sem companhia… — Eu não entendia o que ele queria dizer, mas quando percebi a forma repugnante que estavam encarando minha mãe, tive que segurar o almoço no estômago com muito esforço.

— E, além do mais, — outro deles disse — uma traíra feito você, que trabalha às escondidas para aquele desgraçados do Carolus, merece punição.

Enrijeci na hora. Eu não sabia o que fazer para ajudar minha mãe. O que eu, uma menina de sete anos, poderia fazer contra três soldados, e um ainda dentro de casa, provavelmente com meu irmão? Graças aos deuses, ou pelo menos assim eu pensei na hora, meu pai chegara em seu próprio cavalo. Não parecia machucado, deveria ter ouvido falar da invasão e já ter saído correndo da mina antes que os soldados chegassem lá.

— Soltem-na! — Gritou, arrancando sua picareta da sela de seu cavalo.

— Olha só, chegou o maridão.

— Soltem minha esposa! — ordenou mais uma vez meu pai. Ele era um homem baixo, mas eu o considerava forte de tanto trabalhar na mina. Mesmo assim, eu sabia que ele não tinha chances com sua pequena picareta sozinho, mas o admirava muito por sua honra e coragem, pois sabia que ele também estava ciente de sua situação.

— Nazeem… — minha mãe implorava com o olhar para ele ir embora e deixá-la sofrer o que teria de sofrer.

— Safiya? — ele perguntou, mas tomando cuidado para os soldados não entenderem que estava perguntando sobre a filha dos dois, eu. Minha mãe apenas negou brevemente com a cabeça e vi um pouco de pânico se instaurar em seus olhos. Se eu não estava com ela, onde poderia estar? Se me encontrassem, o que fariam comigo? Ouvindo os gritos do meu irmão, ele então perguntou: — E Ralof, está bem?

— Está lá dentro, com um deles… — O tom de voz de minha mãe já demonstrava o quanto que ela precisava que meu pai salvasse meu irmão, e deixasse-a para trás.

— Chega, vocês dois. — Um dos soldados falou, tirando sua espada da bainha e se preparando para matar meu pai, eu sabia. — Você irá morrer, — ele disse, apontando para meu pai. — e depois de nós usarmos sua bela esposa, ela irá morrer também. E seu filho, bem, talvez nós o joguemos em algum riacho, preferencialmente um cheio de pedras.

Meu pai urrou e se lançou com sua picareta para cima do soldado, ao mesmo tempo que minha mãe gritou de dor tanto pela expectativa do que ocorreria com Ralof, tanto pela cotovelada forte no estômago que ela levou.

A luta não durou muito, o soldado que estava dentro de casa saiu e se juntou a mais um para atacar meu pai. Três contra um. Enquanto isso, minha mãe berrava desesperada pelo meu pai enquanto o quarto soldado a apalpava. Apenas usaram suas espadas para conseguir arremesar a picareta de meu pai para longe. Depois, largaram suas armas no chão para então matarem meu pai na base dos socos e dos chutes.

Caí para trás na mata de horror com a cena e sem querer chamei a atenção do soladado que estava com minha mãe. Ele veio até a beira da mata que circulava nosso quintal, mas consegui me esgueirar silenciosamente para a grama alta que ficava mais perto de minha mãe. Querendo ou não, apesar de terrível, aproveitei que os outros soldados estavam ocupados espancando meu pai para fazer minha mãe notar minha presença.

Com os olhos cheios de lágrimas, olhou-me com súplica, e eu já sabia o que ela precisava que eu fizesse. Enquanto fazia meu caminho, rápida, pela sombra até dar a volta na casa e chegar na porta novamente, fiquei ao menos contente em saber que algumas daquelas lágrimas eram causadas por me ver bem, e pela esperança de eu conseguir salvar meu irmão.

Ao entrar, vi o berço de madeira de Ralof intocado, e o pequeno ainda ali dentro. Havia parado de chorar um pouco, distraindo-se com seus pequenos e gorduchos pés, balançando acima de seu corpo. Silenciosamente, fui até ele, parando pelo mais breve segundo para admirar sua imensa fofura.

Ouvi do lado de fora um estalo alto e minha mãe aumentando o choro. Alguém a havia estapeado. De repente, o choque da percepção de que eu não conseguia ouvir mais meu pai urrar de dor me atingiu. Ele havia morrido. Comecei a tremer por perceber que estava agora sem pai, morto brutalmente, e logo ficaria sem mãe, que com certeza teria uma morte tão horrível quanto.

Ouvi a madeira ranger, e foi quando levantei meu olhar em direção à porta que dava ao quintal. Um soldado tentava entrar sem chamar minha atenção, mas era tarde, eu o havia percebido. Tentei pegar meu irmão do berço mas, com apenas duas passadas rápidas, o homem já estava ao meu lado, arrastando-me pelos braços com tamanha força que parecia que iria arrebentá-los, jogando-me e mantendo-me presa contra a parede.

— Então o pequeno menino tem uma irmãzinha? — Sua voz me enojava, e pelo sangue em suas roupas eu sabia que esse era um dos caras que haviam matado meu pai. — Você não vale a pena ser jogada em um riacho. Podemos te vender como escrava lá no extremo norte, onde eles gostam desse tipo de coisa. Você sabe como sua vida vai virar, não? Além de ter de cuidar de todas as moradias de quem te comprar, também terá outras obrigações muito sérias para com seus senhores. Mas acho que nós já podemos começar a te educar aqui…

Pela primeira vez na minha vida, mas certamente não a última, senti o maior e genuíno pânico correndo por minhas veias. Meu coração parecia um tambor e eu não sabia como meu corpo simplesmente não explodia.

— Não se preocupe, estávamos apenas nos divertindo com seus pais. O bebê não será jogado ou afogado. Eles pagam um preço muito alto por recém-nascido e crianças pequenas, quase uma pequena fortuna. São muito mais fáceis de adestrar.

— Com quem está falando? — O outro soldado, confuso, entrou dentro de casa, abotoando de volta suas calças na cintura e um tanto suado.

Foi nesse instante que percebi que eu tinha duas escolhas: ou ficar e me sujeitar ao que quer que fosse que eles iriam fazer comigo, e depois ser vendida juntamente com meu irmão, torcendo para ambos sermos comprados pelos mesmos donos e também torcer para que eles nos tratassem, no máximo, tão bem quanto as leiteiras do vilarejo tratavam suas vacas; ou, aproveitar a distração do soldado que me segurava e sair correndo dali sem nunca mais olhar para trás.

E foi aí que eu cometi o ato mais egoísta da minha vida. Porém, pensando de outra maneira, se eu tivesse escolhido diferente, poderia ter sido igualmente meu último dia de vida.

Com toda minha pequena força de criança, dei uma joelhada na virilha do soldado que me segurava, arrancando um grito que certamente chamaria a atenção dos demais. Para me assegurar que um deles, pelo menos, ficaria fora de meu caminho, mordi sua orelha tão forte que tive que cuspir o pedaço dela no chão enquanto corria feito um raio pela porta. Os outros já estavam em meu encalço, gritando para chamar quaisquer outros soldados que estariam por perto de nossa casa. Contudo, eu conhecia aquele vilarejo e aquela região como a palma de minha mão. Se fosse para brincar de esconde-esconde com os soldados, eu certamente ganharia.

Corri por entre as sombras das outras casas até achar a entrada da floresta, mas me deparei com dezenas de soldados já ali. Pensando rápido, joguei-me para a mata alta da floresta sem que eles percebessem que eu havia chegado e, segundos depois, os outros soldados de minha casa, mais alguns outros, chegaram arfando.

— A menina, — um deles falou — vocês pegaram ela?

— Que menina?

— A porra da menina! — gritou um. Reconheci-o satisfeita, observando sua roupa manchada de sangue e sua mão pressionando firmemente sua orelha. — A putinha que arrancou um pedaço da minha orelha!

Os soldados que já estavam lá se entreolharam, franzindo o cenho.

— Não passou ninguém por aqui, soldado — uma voz grossa que, para mim, parecia a voz do terror encarnado, falou. Percebi que os outros soldados que chegaram atrás de mim se endireitaram em respeito, até mesmo o machucado.

— C-comandante Ivar! — ele falou, um pouco constrangido. — Nós a seguimos, senhor. Ela veio nessa direção, tenho certeza.

— Está me acusando de incompetência, soldado? Está me chamando de cego? Abestado, abobado? — o olhar que deu para o soldado conseguiu arrepiar até a mim. — Todas as pessoas que tentaram fugir para a floresta estão aqui. — Ele apontou e pude ver muitos de meus vizinhos e amigos, amordaçados e amarrados uns aos outros. A maioria eram mulheres e crianças, mas havia também alguns homens.

— D-de forma alguma, senhor. — Ele abaixou o olhar.

— Quem exatamente era essa menina? Ela não pode ter vindo para cá sem nenhum de meus homens terem percebido.

— Era uma menina pequena senhor, não poderia ter mais de oito anos — outro falou, agora que o soldado machucado parecia estar emocionalmente rebaixado e derrotado. — A encontramos naquela casa dos barcos. Achamos que ela pode ser a filha do casal, pois ela queria pegar o pequeno bebê que encontramos lá.

— Pequeno bebê? E onde ele está?

— Deixamos lá, senhor. Viemos todos correndo atrás da menina, já que ela mordeu a orel-

— Basta! Dois de vocês, vão lá buscar o menino agora! Não vou perder de ganhar uma fortuna no bebê por causa da ineficiência de vocês com uma menininha! — Dois soldados prontamente atenderam o pedido do comandante e foram correndo atrás de meu irmão. — E os pais dela?

— Mortos, senhor.

— Muito bem. Iremos fazer uma patrulha pela floresta e, se não a acharmos, deixarei uma pequena parte da tropa aqui para acampar até acharmos ou ela viva, ou seu cadáver. Uma menininha não conseguirá viver na selva sozinha por muito tempo. — Um sorriso cínico e doentio esboçou-se em seu rosto. — Iremos bloquear todas as saídas das estradas. Logo chegarão o resto do pessoal para habitar esse vilarejo e tomar conta de mina. Ela não terá como sair da floresta, e então a acharemos e puniremos.

— Sim, senhor.

— Você, você e você, — falou apontando para alguns soldados em específico. — levem essas pessoas para o acampamento. Logo vamos ver quem conseguimos vender e quem nos sobra matar. — Gargalhou, mas parou abruptamente e, carrancudo, virou-se para o soldado que eu machucara. — E você, vá limpar essa orelha de uma vez, antes que eu termine de arrancá-la para você.

— Sim, comandante! — Ele saiu mais do que depressa e, quando percebi que ele iria mandar o resto das tropas vasculhar a floresta, decidi que também era minha hora de sair dali.

—x-

Já fazia duas semanas desde o ataque, mas eu ainda ouvia as tropas fazendo ronda pela mata, então sabia que ainda não estava segura. Eles estavam cada vez mais desleixados, então eu sabia que já não esperavam me encontrar. De certo pensavam que eu havia dado um jeito de sumir, ou devia ter sido comida por algum leopardo. Contudo, eu me lembrava bem das palavras do terrível comandante. Se dependesse da vontade dele, iria disponibilizar soldados para patrulhar a floresta até o fim dos tempos.

Eu havia subido uma árvore quando eles vieram atrás de mim no dia da invasão, e continuei pulando de árvore em árvore até chegar em uma tão alta que eu duvidava que alguém conseguiria me ver através de tantas folhas. Fiquei plantada lá por cinco dias até conseguir tomar coragem de descer. Sorte minha que eu era magra e as árvores eram frutíferas, então conseguia ir catando alguns frutos lá do alto para não morrer de fome ou sede e sem cair.

Após ter coragem para descer, precisei ser realista. Consegui fazer uma pequena faca improvisada com gravetos e pedra afiada. Acabei conhecendo a floresta tão bem quanto um dia eu conhecera Argentia. Dormia e caçava apenas nas partes mais seguras da floresta, onde não havia muitos gatos do mato ou leopardos, os piores predadores da região. Caçava apenas pequenos gambás e coelhos, e bebia e me banhava ocasionalmente no pequeno rio que, se seguido, levaria-me de volta para meu vilarejo.


Eu estava extremamente sozinha e ainda sofria com o que havia acontecido. Não conseguia me perdoar por não conseguir ajudar meu pai ou minha mãe, Geysa, e, principalmente, por ter escolhido salvar a mim ao invés de enfrentar o perigo com Ralof. Mas a floresta e seus sons eram acolhedores. Eu estava me tornando, a cada dia que passava, mais unida à mata. Conseguia disfarçar meus sons com os sons de sua fauna, meu cheiro com o cheiro de sua flora. Os soldados, bem, não saberia se um dia iriam me deixar fugir dali, inclusive duvidava, mas eu me sentia cada vez mais confortável com a ideia de me unir por completo à floresta para sempre.

Notas finais
Muito obrigada a todos que leram até o final deste primeiro capítulo. Espero não ter cometido muitos erros e espero ter agradado com esse início. Logo as coisas vão começar a tomar rumo.
Por favor, caso tenha gostado, deixe um favorito e um comentário com sua opinião e críticas. *-*
~Aella