A Crazy Love
9 Apenas um amigo
Notas iniciais
POV Austin
Apenas uma semana se passou, mas foi tempo o suficiente para muita coisa mudar. A loja estava mais conhecida na cidade, mais e mais clientes frequentavam a loja. Ao que parece as pessoas de Miami adoram trocar de colchões. E tudo isso era apenas sinônimo de trabalho tanto para mim quanto para meus pais.
E era por isso que eu quase não deixava a loja durante as tardes. Eu realmente nunca reclamei do trabalho, não era algo ruim, eu gostava, mas eu via Ally cada vez menos. Passamos a nos ver apenas durante as aulas e eu me perguntava se era melhor assim, pois evitava que meus pais pegassem em meu pé em assunto de garotas.
Ally e eu não tínhamos nada sério. Beijos, sorrisos, carinhos, mas nada muito sério porque eu não sabia se era o Ally queria, ou até mesmo o que eu queria.
POV Ally
A semana que se passou sem dúvidas foi muito estranha. Eu não via mais Austin durante as tardes e acabei criando coragem para perguntar o que havia acontecido. Sua explicação foi algo que já havia passado por minha mente, a loja dando bastante trabalho.
No entanto, eu conhecia Austin o suficiente para saber que não era apenas aquilo. Mesmo assim, decidi aceitar nisto por enquanto.
O dia mais estranho foi definitivamente quando me perguntaram o que Austin e eu temos. Nem eu mesma sei, mas uma garota decidiu me perguntar. Talvez estivesse tentando ver se tem chances de investir em Austin. Afinal, tenho certeza que são muitas.
Ela perguntou “Ally, você e Austin estão namorando?” e é claro que eu não tive reação, demorei um bom tempo para apenas dizer “Nós... Estamos juntos”. Ótima reposta, eu sei.
Balancei minha cabeça tentando tirar o que aconteceu dela, mas até que não era tão estranho isso ter acontecido, as pessoas sempre foram curiosas assim.
Olhei para todas aquelas pessoas na praça e suspirei. Estava dando um tempo entre todas as aulas que eu e Felipe, que me ajuda nelas, tínhamos hoje, e eram muitas.
Aquela praça nunca parava, é impressionante. Percebi isso ainda mais quando uma bola brilhante atingiu meu pé e saiu rolando ao meu lado. Olhei assustada para o lugar de onde veio e reconheci imediatamente o sorriso do irmão de Austin... Ethan.
O sorriso do garoto sumiu totalmente ao me ver pegar a bola com a intenção de devolver para ele. Achei estranho e ele não parecia feliz de me ver. Me aproximei e estendi o objeto abrindo um pequeno sorriso. Ethan pegou rapidamente e me olhou como se estivesse com medo. O garoto murmurou alguma coisa que talvez tenha sido um “obrigado”.
No segundo seguinte ele já estava correndo para longe de mim. Com suas expressões para mim não era difícil constatar que: ele não gostava de mim, nem um pouco. E o pior de tudo é que eu não entendia o porquê disso, já que eu quase não o conhecia e nem ele a mim.
Fiquei mais uns poucos minutos apenas pensando no ocorrido, mas cheguei ao fato que não adiantaria nada isso.
Voltei para a loja e não tinha quase ninguém lá. Felipe e meu pai provavelmente estavam em algum lugar dessa loja. Aproveitando isso peguei meu caderno com muitas músicas inacabadas, que estava na parte de dentro do balcão.
Assim que abri o caderno na página que queria alguém entrando na loja me fez o fechar novamente. Olhei surpresa para a pessoa. Fazia muito tempo que Austin não pisava na loja. Seu sorriso despreocupado fez meu coração acelerar.
– Que cara assustada é essa? – Austin brincou de aproximando do outro lado do balcão.
– Por ver você. Faz tanto tempo que não vem aqui – lembrei e ele deu ombros. Eu poderia estar exagerando um pouco, afinal foi apenas uma semana.
– Estava com saudades dessa loja – falou e riu ao ver minha reação. – De você também garota – sorriu se inclinando sobre o balcão. – Está tudo bem? – Austin disse ao analisar meu rosto.
Era melhor não falar sobre Ethan, ele não entenderia isso, se nem mesmo eu estava entendendo.
– Está sim – garanti.
Austin abriu a boca para falar algo mais quando meu pai apareceu no nosso lado e grudou seus os olhos em Austin.
– Tudo bem por aqui? – ele perguntou desconfiado e eu segurei a risada.
– Sim. Este é Austin Moon, estuda comigo. Austin este é meu pai, Lester – apresentei. Eu poderia falar que Austin trabalha a poucos metros de nós, mas meu pai não precisava saber disso por enquanto.
Os dois trocaram um aperto de mão rápido.
– Parabéns pela loja, senhor, é linda – Austin falou simpática e ao ouvir aquilo eu sabia que ele já havia conquistado Lester.
– Gostou mesmo? Já viu tudo? – meu pai falou com um sorriso simpático já puxando Austin para o meio da loja.
O loiro riu e foi sem reclamar. A partir daí os dois pareciam ter começado uma conversa que não tinha fim. As primeiras perguntas eram coisas como “gosta de qual tipo de música?” e “toca algo?”. E assim eu fui esquecida por um tempo.
Lester mostrava uma parede só com seus álbuns preferidos quando Felipe terminou de dar sua aula e veio me fazer companhia sentando ao lado do balcão.
– Quem é? – ele perguntou apontando para Austin assim que se sentou ao meu lado.
– Meu amigo — respondi rapidamente e ele arqueou as sobrancelhas.
– Amigo? – repetiu.
– Amigo – concordei sem o olhar e então ouvi sua risada divertida.
– Tudo bem então – conseguiu falar assim que parou de rir. Revirei os olhos, mas não falei mais nada sobre aquilo.
Nós dois conversamos por mais alguns minutos, Felipe era um bom amigo. Meu pai e Austin voltaram e o loiro imediatamente olhou para mim de forma significativa. Imaginei que ele deveria ir embora ou algo assim então fui salvá-lo de meu pai.
– Já volto – avisei Felipe e ele apenas assentiu.
Fui até os dois e meu pai parou de falar para me olhar.
– Pai, preciso de Austin novamente – falei sorrindo para Lester e ele estreitou os olhos.
– Tudo bem. Adorei te conhecer, garoto – disse estendendo a mão que Austin apertou com um sorriso.
– Eu também adorei conhecê-lo – o loiro garantiu.
– E eu estou de olho em você dois – meu pai falou assim que peguei o braço de Austin e comecei a puxá-lo.
Abaixei meu rosto envergonhada e Austin só riu concordando sobre o olhar observador do meu pai. Começamos a andar em direção a porta, mas acabei percebendo que dessa vez era Austin que observava alguém.
O loiro tinha um olhar nada legal sobre Felipe, que também nos olhava. Austin tinha o que? Ciúmes?
– Chega Austin, já conheceu todos – falei rindo e o empurrando para fora como em todas às vezes. Naquele momento já não importava o que havia acontecido com seu irmão.
– Mas, e aquele... – eu tinha certeza que ele se referia a Felipe, por isso, o cortei no meio da fala.
– Só um amigo – disse antes que completasse. Austin estreitou os olhos para mim, mas não insistiu mais nisso, por enquanto.
– Obrigado por me chamar, eu realmente preciso ir – falou parando de andar. Já estávamos na parte de fora da loja.
– Tudo bem – concordei e ele sorriu se aproximando.
Austin beijou apenas minha bochecha e eu, infelizmente tinha que concordar que isso era o certo, ainda estávamos na frente da loja.
– Nos vemos amanhã? – perguntou.
– Nos vemos amanhã – concordei e ele abriu um lindo sorriso.
Enquanto observava Austin se afastar percebi que com ele as coisas mudam de forma rápida e louca.
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