Notas iniciais
Oi pessoal. Espero que gostem e por favor comentem, porque é algo mais simples do que eu costumo escrever e preciso de opiniões sinceras se precisar melhorar algo!

POV Ally

O dia parecia estar colaborando hoje, em minha opinião, isso era bom. Na última semana havia chovido todos os dias, mas hoje deu uma trégua, justamente o dia que começa as aulas do meu último ano na escola. E este é aquele momento em que você não sabe se odeia as aulas ou as adora, já que é o último ano.

Parei de tentar resolver esse desafio e me concentrei em terminar o café da manhã. A casa estava silêncio, para falar a verdade, a casa sempre é silenciosa. Sendo que as únicas pessoas que moram aqui sou eu e meu pai, não tem motivos para barulho.

- Está nervosa querida? – meu pai, Lester perguntou sorrindo. Fiz uma careta e dei ombros.

- Não muito. Acho que nada vai mudar esse ano – falei com quase certeza. Nenhum ano mudou, porque mudaria agora? Eram sempre as mesmas pessoas, com as mesmas opiniões de sempre. Se a pessoa entrava no colégio não gostando de alguém, ela morria com sua opinião.

No meu caso, eu ainda estou tentando descobrir se as pessoas gostam de mim ou não, às vezes, com a falsidade fica mais difícil.

- Não sei. As coisas têm que mudar em algum momento. Talvez esse ano – meu pai encorajou e concordei ainda não acreditando muito.

Terminei de comer rapidamente enquanto conversávamos. Lester ficaria cuidando da loja de manhã enquanto eu iria para a escola. Havíamos combinado que durante a tarde, seria eu que ficaria na loja enquanto ele sairia.

- Tchau pai – falei me levantando e pegando minha bolsa. Ele me abraçou e me desejou boa sorte. Saí de casa e comecei o caminho tão conhecido.

A loja que eu tanto falo é a Sonic Boom. Uma loja de instrumentos musicais. Um negócio muito diferente e surpreendentemente lucrativo. Lester tem a loja faz quase uns seis anos, desde quando eu tinha 11 anos. E desde quando ela foi criada eu adoro trabalhar lá. Vendo os instrumentos, mas também dou várias aulas de muitos instrumentos.

A loja fica apenas um quarteirão longe de casa. Nossa casa não é muito pequena, mas também não é o contrário disso. A casa tem três quartos e isso sempre foi o suficiente.

O caminho conhecido que estava percorrendo não era o do colégio e sim o de Trish. A garota, mais conhecida por ser minha melhor amiga, mora apenas uma rua depois. Isso sempre foi perfeito, porque não precisávamos de muito esforço para nos encontrarmos.

Quando chegava na casa dela já vi um carro estacionado na frente. Carro de Dez. Já estava até mesmo com saudades dessa rotina. Dez, um ruivo divertido é meu amigo e também de Trish e é o único que tem um carro. Por esse motivo todos os dias antes da aula ele nos busca. Isso porque o ruivo é um cara muito legal, e também porque Trish pode ter o ameaçado um pouco. A casa de Dez também não muito longe, por isso garoto nem se importava e ainda aproveitava para roubar comida de nossas casas.

Assim que bati na porta foi Dez que abriu. Ele segurava um bolinho na mão e sorriu ao me ver. Como imaginei, pegando comida.

- Oi Ally. Vamos? – ele falou passando por mim e eu o olhei confusa.

- Vamos logo, assim ele para de roubar meus bolinhos – Trish apareceu e também passou por mim. Uma ótima recepção. Acenei para os pais de Trish e fechei a porta.

- Bom dia para você também – falei sorrindo divertida quando enquanto entrava ao lado de Dez.

- Bom dia. Desculpa, é que Dez já começou o ano roubando meus bolinhos – Trish reclamou.

Eles são uma dupla e tanta. Dez divertido e parecendo uma criança. Trish irritada e bem, parecendo uma criança também.

- Bom dia – Dez sorriu alegremente.

- Preparados para o último ano? – perguntei.

- Não.

- Sim.

A ordem foi, Trish e Dez. Um pouco previsível, por isso ri divertida.

- Porque não estar preparado? É o ultimo ano – Dez exclamou e eu não entendi se aquilo era bom ou não.

- É verdade, é o ultimo ano – Trish lembrou e gritou feliz.

- Vocês não poderiam ser mais estranhos – garanti e ouvi a risada dos dois.

- Obrigada amor – Dez piscou e gargalhou em seguida.

Não entendi o sentido daquilo, sempre soube que aqueles fios laranja faziam mal para sua cabeça. Ao que parece que vai ser um longo ano.

POV Austin

Miami não era nada diferente de Jacksonville na minha opinião, o mesmo clima e a cidade parecida. Afinal, as duas cidades são da Flórida. Então, talvez as coisas não mudem tanto assim. Em Jacksonville nunca tive muitos amigos, talvez aqui seja igual.

- É bom estar em Miami novamente – minha mãe falou enquanto eu me levantava da mesa.

É bom citar que meus pais, Miami e Mark, já moraram aqui. Na verdade, eu nasci aqui, mas quando tinha uns cinco anos nós fomos para a outra cidade. Portanto, nem lembro nada de Miami. Mesmo assim, gosto de pensar que nasci aqui.

- Não me lembro de nada, então é melhor eu ir para a escola – avisei e peguei minha bolsa de cima do sofá.

Nós havíamos mudado faz um pouco mais de uma semana então algumas coisas estavam até que começando a ficar organizadas. Meus pais daqui a pouco iriam acordar meu irmão Ethan e depois os três iriam para a loja, motivo de voltarmos para Miami.

Meus pais queriam abrir um negócio e a primeira coisa que pensaram foi uma loja de colchões. Os dois também trabalhavam com isso em Jacksonville e como sempre foi um ótimo investimento decidiram abrir uma loja em Miami.

- Boa sorte – meu pai desejou e eu agradeci.

- Juízo – minha mãe falou enquanto eu pegava a chave de um dos carros. Tínhamos dois, um meu e um dela. Havia ganhado o meu quando fiz 17 anos.

- Sempre tenho – garanti arrancando uma gargalhada dos dois.

Revirei os olhos e segui para fora. Entrei no carro e comecei o caminho que havia aprendido há pouco tempo para a escola.

Em Jacksonville eu não tinha muitos amigos, mas em compensação tive muitas namoradas. Não do tipo, uma garota por semana apenas para quebrar seus corações. Mas, sim do tipo, várias namoradas, nenhuma dela foi um relacionamento sério.

Desviei meus pensamentos disso quando cheguei no meu mais novo colégio. Estacionei o carro em uma das várias vagas vazias e saí observando todos que estavam no pátio. Mesmo não fazendo nada, atraí os olhares de algumas garotas. Pelo visto este ano vai ser longo.

POV Ally

No momento em que saímos do carro, muitas pessoas viraram para nos observar. Isso não era novidade. Estudo há muito tempo neste mesmo colégio com Trish e com Dez. Por esse motivo as pessoas nos consideram populares, mesmo que nós mesmos não aceitássemos esse cargo.

Todos os anos eram praticamente a mesma coisa. As pessoas me achavam popular e ao mesmo tempo falavam mal de mim. Em minha cabeça isso nunca fez muito sentido.

- Parece que não perdeu seu cargo de popular – Trish riu ao ver algumas garotas acenando para mim.

- Você sabe que eu não gosto disso – bufei irritada.

- Nós sabemos. Por isso mesmo ainda somos amigos. Não acho que continuaria falando com você se gostasse mesmo de ser popular – Dez analisou e eu ri.

- Fico feliz em saber disso – disse com sinceridade e nós três nos viramos para nossos armários que ficam lado a lado.

- Dawson – alguém exclamou feliz e eu nem mesmo precisava virar para saber que era a louca, ou seja, outra amiga.

- Oi Kira – adivinhei e virei para abraça-la. Dez e Trish também receberam abraços alegres da garota.

- Quanto tempo não os vejo – a garota reclamou.

Kira é uma garota que é um pouco do oposto de cada um de nós. Talvez seja por isso que nos damos tão bem.

O colégio é divido em duas parte. Uma sede apenas para o ensino fundamental e outra para o ensino médio. Quando Trish, Dez e eu ainda estávamos no ensino fundamental, Kira entrou. Inicialmente ninguém falava com ela, e isso continuou até nós três decidirmos falar com a garota.

Acabamos descobrindo que Kira é uma das garotas mais ricas da cidade, mas não gostava de demonstrar isso. Kira é muito espontânea e divertida, mas assim como todos os outros sabe quando parar com as brincadeiras.

- Mas, é claro, você passou as férias inteiras viajando – Trish acusou.

- E não nos levou – Dez estreitou os olhos e garota riu.

- Desculpa! Prometo que da próxima vez peço ao meu pai para levar vocês – ela prometeu e eu revirei os olhos.

- Você sabe que eles estão brincando – sussurrei e ela sorriu.

- Mas, seria divertido – Kira disse animada pela ideia e eu concordei.

- O que não é divertido é ter aula agora – choraminguei e os três concordaram.

- Sua aula é a mesma que a minha? – Kira me perguntou entregando sua folha de horários.

- Não. Eu estou com Trish. Você está com Dez – avisei e a garota olhou desapontada para o ruivo.

- Não me livrei de você – Kira disse falsamente triste.

- E eu me livrei – Trish fez um sinal de vitória enquanto Dez olhava com uma cara de entediado para as duas.

- E por trás dessas palavras vocês demonstram o quanto me amam – ele como se tivesse toda a certeza disso. Dez puxou Kira para longe de nós e só tive tempo de acenar para os dois.

*****

Nunca imaginei que uma aula de biologia poderia ser tão cansativa. Os meus dois primeiros horários eram dessa aula, assim como o de Trish. Não havia nenhum aluno novo da turma desse horário, por esse motivo o professor não demorou a passar conteúdo. Podemos afirmar que biologia não é uma das minhas aulas favoritas, mas temos um horário planejado e depois há três aulas específicas, livres para escolher.

Trish já tinha dormido faz tempo, assim como metade da sala. Já eu, estava mais preocupada em escrever frases aleatórias em meu caderno. Um ótimo jeito para se passar o tempo, pois logo essas duas aulas tinham acabado. O sinal bateu e Trish pulou assustada com o resto da sala.

Ri me levantando e ela fez o mesmo. Outra aula entediante vinha pela frente. Nosso horário era divido em três aulas, intervalo de 20 minutos e depois mais três aulas. Mas, é claro que todos se aproveitavam das trocas de salas. Trish e eu não encontramos Dez nem Kira enquanto íamos agora para aulas diferentes.

A terceira aula foi ainda mais entediante porque nenhum dos três tinha essa aula comigo. Se metade das aulas do primeiro dia já haviam sido dessa forma eu já imaginava como seria o ano. Mas, na verdade, eu estava muito enganada.

*****

Demorei um pouco para encontrar Trish, Dez e Kira naquele refeitório enorme. Comecei a andar entre as mesmas tentando encontra-los.

- Oi Ally, quer sentar conosco? – uma garota perguntou chamando minha atenção. Eram três garotas e dois garotos esperando que eu sentasse com eles.

- Desculpa, não posso agora, estou tentando achar meus amigos – falei dando ombros e a expressão da garota não foi nada legal.

Dei três passos e uma garota entrou em meu caminho. Ela tinha uma folha em sua mão e sorria a todo segundo.

- Oi Ally – ela disse sorridente. Todos sabiam meu nome?

- Oi – respondi sorrindo minimamente.

- Você quer entrar no time das lideres de torcidas? – ela perguntou esperançosa. Respirei fundo pensando calmamente na pergunta.

- Eu acho que não, tenho muita coisa para fazer esse ano. Mas, posso pensar melhor – falei sorrindo simpática, mas ela sabia que aquilo era praticamente um não.

A menina deu ombros e virou se afastando de mim sem nem mesmo agradecer. Ok. Olhei e envolta e encontrei meus amigos em uma mesa na área mais afastada. Agradecia por isso, estava precisando de um pouco de paciência.

- Oi – murmurei me sentando ao lado e Trish. Nós duas ficamos de frente para Dez e Kira.

- O que aconteceu? – Dez perguntou curioso enquanto comia uma fruta.

- Me convidaram para as lideres de torcidas – informei. Os três trocaram olhares e então começaram a rir escandalosamente. Ao que parece, ser líder de torcida não combina comigo.

- Dizer que você iria participar disso é dizer que Trish trabalha bem – Dez disse e então começou a rir. Trish não reclamou, pois sabia que era verdade. A garota já trocou de emprego algumas vezes, no momento, trabalha em um restaurante perto da Sonic Boom.

- E eu já passei dois anos nas lideres de torcida, posso dizer que não é algo que você se encaixaria – Kira garantiu ainda rindo.

- Eu imaginei – falei balançando os ombros.

- Enfim, tenho uma coisa importante para contar – Kira avisou e se debruçou na mesa para chegar perto de mim. – Tem um garoto novo na escola. Ele está no nosso ano e teve a primeira aula com Dez e comigo – ela contou. Dez concordou enquanto eu ficava confusa.

- E o que tem isso? – perguntei franzido a testa.

- Também não entendi – Trish falou e Kira revirou os olhos.

- O cara chegou atraindo atenção de todos os lados, mas não falou com ninguém. Todas as garotas estão falando que ele é perfeito – Kira revelou.

- E esse garoto deve estar adorando toda essa atenção – falei e ela deu ombros.

- Não sei. Ele não fala com quase ninguém. Só falou com Dez – ela disse apontando para o ruivo que terminava de comer sua fruta calmamente.

- Ele não estava entendo os horários, só expliquei isso. Parece ser um cara legal – Dez disse e eu ri. Uma ótima conclusão depois de só explicar o horário.

Nós desviamos do assunto do garoto novo e Trish logo começou a reclamar de seu trabalho fazendo nós rirmos.

- E eu vou ter que ficar na loja o dia inteiro – informei.

- Poxa, nem vou poder te fazer companhia – Trish disse fazendo uma careta.

- Eu também não, prefiro ficar em casa – Dez riu e eu revirei os olhos.

- Também te amo – falei sarcasticamente e olhei esperançosa para Kira.

- Desculpa, vou sair com minha mãe – ela explicou. Os pais dela são separados e ela morava com o pai, por isso nem insisti.

- Você não vai para a escola? – Trish perguntou curiosa.

- Não, hoje vou ficar só na loja – respondi e ela assentiu.

A tal escola é uma que eu vou com muita frequência. Nela frequentam crianças de poucos meses até uns 10 anos. Eu sou voluntária na escola e ajudo em algumas aulas. Sempre gostei de fazer isso porque era nessa escola que eu ficava quando meu pai ia trabalhar e eu não podia ficar sozinha. Por isso me tornei uma das voluntárias de lá.

Faltava alguns minutos para as aulas específicas começarem e eu já tinha certeza para qual ir. Sem dúvidas a de música.

- Pessoal eu já... – comecei a falar enquanto me levantava, mas Kira me cortou.

- Ally? – ela sussurrou atraindo minha atenção e apontou para o lado. Olhei e um pouco longe de nós um garoto andava para fora do refeitório.

O garoto era bem maior que eu e loiro. Lindamente loiro. De longe dava para perceber sua expressão um pouco perturbada. Eu ainda acompanhava seus movimentos quando o garoto parou antes de chegar a saída. O loiro sabia muito bem o que procurava, pois seus olhos vieram diretamente para mim.

Mesmo alguns metros longe, era possível sentir a intensidade de seu olhar. Sentei novamente e o vi virar com um sorriso no canto da boca. O garoto continuou seu caminho para longe. Aquilo tudo aconteceu em segundos, mas foi o suficiente para me deixar atordoada com a reação do garoto.

- Uau – exclamei fazendo Kira gargalhar.

Não sei porque, mas queria ver aquele garoto novamente. Não apenas por ser bonito, mas descobrir o motivo de seu olhar, de seu sorriso. Ou, simplesmente, vê-lo novamente.

POV Austin

Por que eu sorri para aquela garota? Acho que por ter gostado de seu olhar observador em mim. Mas, na verdade, fui eu que a vi primeiro. Como estava em uma mesa afastada, e sozinho, vi quando chegou e várias pessoas a pararam no meio do caminho para falar com ela. Vi também o seu desconforto, mas isso não me tirou da cabeça que ela provavelmente seria patricinha preocupada com a fama.

Observei a garota que tinha prendido minha atenção. Ela se sentou com a morena e o ruivo da minha primeira aula e com mais uma garota de cabelos enrolados. Parei com a observação a menina, mas queria descobrir porque ela tanto me chamava atenção. O porquê dessa vontade de prender minha atenção nela e nunca mais tirar.

No entanto, isso não podia acontecer, afinal, tinham mais matérias para dividir minha atenção. Como não conhecia nada acabei escolhendo História e Geografia para ver as aulas. Até que prestei bastante atenção nelas, mas agradeci quando acabaram. Saí da escola para minha casa sem ver mais a garota que tanto prendeu minha atenção.

POV Ally

No momento em que cheguei do colégio meu pai já estava saindo. Ele não falou muita coisa, apenas me entregou a chave da Sonic Boom e se despediu. Eu almocei rapidamente para abrir a loja no horário certo.

Nós temos apenas um funcionário que me ajuda com as aulas. Ele dá suas aulas em uma das salas existentes lá, uma delas é apenas minha. Passo bastante tempo lá, escrevendo algumas músicas, ou tocando piano.

Esse funcionário tem 19 anos. Ele chama Felipe e já trabalha lá faz quase um ano. O garoto apareceu na Sonic Boom perguntando se precisava de alguém para trabalhar lá e meu pai o agradeceu pelas três horas seguintes. O motivo é o número de aulas estarem crescendo e eu já não dar conta de tudo. Agora Felipe divide as aulas comigo e às vezes vende algumas coisas.

- Ally, vou subir para a primeira aula. Você dá conta de tudo aqui? – ele perguntou atencioso e eu sorri assentindo.

- Boa aula – desejei depois de concordar.

Felipe subiu com um garoto para quem daria aula. Eu não fiquei muito tempo sentada porque logo chegaram alguns clientes. Ajudei-os e logo chegaram mais alguns, assim o tempo foi passando. Felipe passou por mim com mais uma criança e eu só sorri para os dois.

Quando finalmente a loja ficou por um tempo sem movimento já era quase quatro da tarde. Sentei em um sofá perto da porta de entrada e me concentrei em ler uma das letras que estava escrevendo recentemente.

POV Austin

- Austin pode ir conhecer o lugar, já ajudou bastante – minha mãe falou batendo em minhas costas.

Desde que cheguei do colégio estava ajudando meus pais com a loja. Nós tínhamos que montar bastante coisa ainda, mas uma boa parte já estava pronta. A loja já estava toda pintada. O nome da loja na fachada já havia sido colocado, faltava apenas tirar a lona que a cobria, faríamos isso ainda hoje.

Já tínhamos até mesmo funcionários, duas pessoas que foram transferidas da outra loja para nos ajudar por um tempo, até conseguirmos outros funcionários e daí se eles quisessem voltar, eles voltariam.

- Ok. Vou ficar aqui na praça mesmo, vendo as lojas – avisei enquanto andava até a porta.

Passei por meu irmão que estava desenhando em algumas folhas, sentado no chão. Ethan tem apenas 5 anos e nós três dividiríamos horário para cuidar dele, já que ainda não achamos uma escola para deixar o garoto.

O menino sorriu para mim mostrando todos seus dentes, alguns que tinham acabado de nascer. Sorri de volta e baguncei seus cabelos que já estavam um pouco grandes. A maior, e talvez única, diferença em mim e nele é que os olhos de Ethan são quase azuis. Mas, nas outras coisas, somos praticamente iguais, mesmo com a diferença de idade sendo tão grande, afinal eu havia acabado de fazer 17 anos e ele tem apenas 5 anos.

Saí da loja e olhei em volta. As lojas eram todas distribuídas em volta da praça, consideravelmente grande. No meio dela eram distribuídas algumas mesas e cadeiras e tudo em volta decorado. Entre as lojas, além da nossa de colchões, tinha vários restaurantes, lojas de roupas, de eletrônicos. Eu fiquei olhando de fora delas, mas não entrei em nenhuma.

Andava distraído quando vi um nome que realmente chamou minha atenção. Por que uma loja chamaria Sonic Boom? Passei na frente dela determinado em também não entrar, mas, não aconteceu muito bem desse jeito.

Olhei rapidamente dentro da loja e vi alguns instrumentos, vi também uma garota, no entanto, só me dei conta disso quando já tinha dado dois passos. Voltei os passos e olhei curioso. Mesmo vendo tão rapidamente, eu tinha a impressão de já ter visto essa garota.

Fiquei alguns segundos observando a garota lendo algo, sentada distraidamente perto da porta. Finalmente lembrei-me da menina que chamou minha atenção na escola. Era ela mesma. Definitivamente, eu tinha que entrar nessa loja. Não só por causa dela, como também por causa daqueles instrumentos perfeitos.

Entrei na loja sem fazer barulho e meu queixo caiu quando pisei para dentro. A loja era toda decorada com base na música. Instrumentos em todos lugares, ou seja, o paraíso.

Voltei a olhar a garota ao mesmo tempo em que seu olhar se ergueu para mim. Ela me olhou confusa e não disse nada. Esses segundos de silêncio me fez perceber o quanto aquela garota era linda. Já considerei muitas garotas bonitas, mas essa é... Uau.

POV Ally

Aquele garoto era ainda mais bonito de perto, se fosse possível. Ele me olhava curiosamente enquanto eu o olhava confusa. O que ele fazia aqui?

- Hm, precisa de ajuda com algo? – perguntei quando me dei conta que ele deve ter entrado na loja com algum objetivo. Ele demorou um pouco para responder, como se não entendesse minha pergunta.

- Na verdade, só achei interessante e entrei – ele revelou e eu assenti. O garoto já é lindo e para completar tem a voz perfeita.

- Então vai ficar só olhando? – adivinhei e ele riu. Agora, eu já não duvidava o porquê de todas as meninas do colégio estarem o olhando de manhã.

- Acho que sim.

O garoto loiro, que eu ainda nem mesmo sabia o nome, se afastou um pouco indo animadamente em direção as guitarras. Balancei a cabeça e voltei minha direção novamente para a minha folha. No entanto, logo voltei a acompanhar seus movimentos.

Ele parecia encantado com a bateria, mas não a tocou. A verdade é que não pode tocar os instrumentos aqui na loja, mas como não tinha ninguém...

- Se quiser tocar – falei chamando sua atenção e indiquei a bateria. Ele me olhou incrédulo e sorriu quando percebeu que eu falava sério. O loiro sentou pegando as baquetas que estavam do lado.

Ele não tocava nada mal e não me arrependi de deixa-lo tocar, porque deixou tudo em seu lugar como antes atenciosamente.

- Toca bem – falei sincera. Nem eu mesma entendia porque estava dando atenção para ele, normalmente eu brigava com qualquer um que tocasse. Esse garoto deve convencer todos com esse jeito.

- Obrigado, toco desde pequeno. Mas, sou melhor com uma guitarra – ele sorriu e se aproximou. – E você, toca algo? – perguntou curioso.

- Piano – disse e ele sorriu um pouco surpreso.

- Isso é legal – ele falou animado e eu ri – Eu te vi hoje de manhã – ele confessou e eu concordei.

- E eu a você. Está gostando do colégio? – perguntei simpática e ele me olhou pensativo.

- Até agora, estou. Já me enturmo mais — ele afirmou e sorri assentindo. – Austin Moon – falou e eu franzi a testa, logo depois entendi que era seu nome. Um nome bem apropriado, lindo.

- Ally Dawson – sorri e ele fez o mesmo. Quando Austin abriu a boca para dizer alguma coisa alguém entrou na loja. Na verdade, era uma criança. O garoto entrou cuidadosamente e olhou em volta.

- Oi? – chamei-o com um sorriso, aquele garoto era realmente muito fofo.

- Austin – o menino exclamou alegremente quando viu o loiro ao meu lado. No entanto, quando me percebeu também, não pareceu muito feliz.

- Estava me procurando? – Austin perguntou indo para o lado do menino. Só então fui perceber que os dois se pareciam muito, provavelmente irmãos.

- Sim. Podemos ir? – o menino perguntou já o puxando pela mão.

- Claro – Austin pareceu um pouco relutante ao concordar. Ele me olhou e deu ombros. Era estranho, mas eu havia gostado tanto de sua companhia.

- Então, até uma dia, Austin – falei e ele sorriu ao ouvir a frase.

- Até, Ally – gostei dele falando meu nome. Austin foi puxado para fora pelo irmão.

Acho que nós poderíamos ser bons amigos. Meio cedo para falar isso mas, eu realmente esperava falar com ele mais uma vez.

Notas finais
Comentem!Beijos.