A Coroa e o Coração
4 O Último Abraço antes do Trovão
O pátio de pedra do Palácio Real, que antes ecoava apenas o som de fontes e pássaros, agora vibrava com o retinir de armaduras e o bater rítmico de centenas de botas. O Reino dos Países Baixos estava em movimento. Fileiras de soldados com uniformes azuis e detalhes dourados se organizavam sob o olhar atento dos generais, enquanto cavalos relinchavam, impacientes para a longa jornada que os levaria à fronteira com a França.
No alto da escadaria principal, Drake Brooke não parecia mais o jovem sorridente que tomava café na manhã anterior. Ele vestia sua farda de combate, uma peça imponente que realçava seus ombros largos, com a capa vermelha presa por broches de leões dourados. Ao seu lado, Analis Lioncort mantinha a postura ereta, mas seus olhos, fixos no marido, traíam a angústia que apertava seu peito.
Drake virou-se para ela, esquecendo por um momento os soldados e o protocolo. Ele segurou o rosto de Analis com ambas as mãos, polegares acariciando a pele pálida da princesa.
— Eu voltarei antes que as tulipas da próxima estação comecem a brotar — prometeu ele, a voz baixa e rouca de emoção. — Cada passo que eu der em direção ao campo de batalha será pensando no caminho de volta para os seus braços.
Analis fechou os olhos por um segundo, absorvendo o calor das mãos dele. Quando os abriu, havia uma mistura de amor profundo e uma tristeza que ela tentava esconder com coragem.
— Não ouse me deixar esperando por muito tempo, Drake Brooke — ela sussurrou, a voz embargada. — Meu coração não foi feito para bater sozinho neste palácio. Leve este lenço com o brasão da minha família... que ele seja o seu amuleto contra o aço inimigo.
Ela entregou a ele um tecido de seda fina, bordado à mão. Drake o beijou e o guardou junto ao peito, sob a proteção da armadura. Ele a puxou para um abraço apertado, um refúgio de silêncio em meio ao caos dos preparativos de guerra. Foi um abraço longo, onde as palavras não eram mais necessárias; o toque dizia tudo o que o futuro incerto tentava roubar.
O Rei Robert aproximou-se, montado em seu cavalo branco, com o semblante fechado. Ele olhou para o filho e para a nora, sentindo o peso de enviar o herdeiro para o perigo.
— É hora, Drake — anunciou o Rei, sua voz ecoando com autoridade. — O exército está pronto. O povo espera que seus líderes mostrem o caminho.
Drake deu um último beijo demorado na testa de Analis e, com um esforço visível de vontade, soltou suas mãos. Ele montou em seu garanhão negro com agilidade. Do alto da sela, ele olhou para ela uma última vez, um olhar cheio de promessas e carinho.
— Pelo Reino! — gritou o Rei Robert, desembainhando a espada.
— Pelo Reino! — rugiu o exército em resposta.
Drake incitou o cavalo e começou a descer a rampa em direção aos portões, liderando seu regimento. Analis permaneceu imóvel na escadaria, observando a mancha azul e vermelha se afastar, até que a poeira levantada pelos cascos obscurecesse a visão do homem que ela tanto amava. A guerra havia começado, e o silêncio que ficou no palácio era o mais ensurdecedor que ela já ouvira.
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