A Coroa e o Coração
14 O Beijo de Vidro e a Fuga
O silêncio da biblioteca foi subitamente quebrado pelo som da respiração pesada de Robert. Ele olhou para Analis, e toda a resistência que construíra ao longo de meses desmoronou como um castelo de areia atingido pela maré. Em um movimento impetuoso, movido por uma solidão que o esmagava e por um carinho que transbordara, o rei envolveu o rosto de Analis com as mãos e a beijou.
Foi um beijo desesperado, um misto de conforto, luto e uma paixão proibida que ambos tentavam sufocar. Por alguns segundos, o mundo lá fora — a coroa, a memória de Drake, o julgamento da corte — deixou de existir. Havia apenas o calor um do outro no frio da madrugada.
No entanto, a realidade voltou como um golpe de aço.
Robert afastou-se bruscamente, tropeçando nos próprios pés. Ele levou a mão à boca, os olhos arregalados, transbordando horror e culpa. Ele olhou para o retrato de Drake sobre a mesa e depois para Analis, que permanecia imóvel, com os lábios ainda entreabertos pelo choque.
— Não... — sussurrou Robert, a voz falhando miseravelmente. — O que eu fiz? Que tipo de monstro eu me tornei?
— Robert... — Analis tentou se aproximar, estendendo a mão, mas ele recuou como se o toque dela pudesse queimá-lo.
— Saia! — ordenou ele, recuperando uma autoridade gélida que escondia sua dor. — Vá para os seus aposentos, Analis. Agora! Nós não podemos... isso é um sacrilégio contra a memória dele. Contra tudo o que juramos proteger.
Analis sentiu uma pontada de rejeição que a fez tremer. Sem dizer uma palavra, com as lágrimas turvando sua visão, ela deu as costas e correu pelos corredores escuros, sentindo o peso do beijo ainda marcado em seus lábios.
Naquela mesma noite, o palácio não dormiu. Robert não voltou para sua cama. Ele passou as horas seguintes dando ordens frenéticas aos seus servos e guardas. Sua mente era um turbilhão; ele precisava de distância, precisava que o ar que ele respirava não estivesse impregnado pelo perfume dela.
Ao amanhecer, quando a primeira luz cinzenta tocava as janelas, Analis foi acordada pelo som de cavalos e carruagens no pátio. Ela correu até a sacada e viu a escolta real preparada. Robert estava montando seu cavalo, vestindo trajes de viagem pesados. Ele não olhou para cima, para a janela dela.
O camareiro-mor entrou nos aposentos de Analis pouco depois, entregando-lhe um breve bilhete.
"Parto para as províncias do Norte para supervisionar a reconstrução das defesas. Não sei quando retornarei. O Conselho cuidará dos assuntos cotidianos sob sua supervisão parcial. Por favor, não me procure. Preciso encontrar o caminho de volta para o homem que eu era antes desta noite."
Analis viu a carruagem partir, levando consigo o único homem que a fazia sentir-se viva novamente. O palácio, que já era silencioso, agora parecia um mausoléu. Robert fugira, deixando-a sozinha com a culpa de um beijo que, embora proibido, fora a única coisa real que ela sentiCapítulo 14: O Beijo de Vidro e a Fuga
O silêncio da biblioteca foi subitamente quebrado pelo som da respiração pesada de Robert. Ele olhou para Analis, e toda a resistência que construíra ao longo de meses desmoronou como um castelo de areia atingido pela maré. Em um movimento impetuoso, movido por uma solidão que o esmagava e por um carinho que transbordara, o rei envolveu o rosto de Analis com as mãos e a beijou.
Foi um beijo desesperado, um misto de conforto, luto e uma paixão proibida que ambos tentavam sufocar. Por alguns segundos, o mundo lá fora — a coroa, a memória de Drake, o julgamento da corte — deixou de existir. Havia apenas o calor um do outro no frio da madrugada.
No entanto, a realidade voltou como um golpe de aço.
Robert afastou-se bruscamente, tropeçando nos próprios pés. Ele levou a mão à boca, os olhos arregalados, transbordando horror e culpa. Ele olhou para o retrato de Drake sobre a mesa e depois para Analis, que permanecia imóvel, com os lábios ainda entreabertos pelo choque.
— Não... — sussurrou Robert, a voz falhando miseravelmente. — O que eu fiz? Que tipo de monstro eu me tornei?
— Robert... — Analis tentou se aproximar, estendendo a mão, mas ele recuou como se o toque dela pudesse queimá-lo.
— Saia! — ordenou ele, recuperando uma autoridade gélida que escondia sua dor. — Vá para os seus aposentos, Analis. Agora! Nós não podemos... isso é um sacrilégio contra a memória dele. Contra tudo o que juramos proteger.
Analis sentiu uma pontada de rejeição que a fez tremer. Sem dizer uma palavra, com as lágrimas turvando sua visão, ela deu as costas e correu pelos corredores escuros, sentindo o peso do beijo ainda marcado em seus lábios.
Naquela mesma noite, o palácio não dormiu. Robert não voltou para sua cama. Ele passou as horas seguintes dando ordens frenéticas aos seus servos e guardas. Sua mente era um turbilhão; ele precisava de distância, precisava que o ar que ele respirava não estivesse impregnado pelo perfume dela.
Ao amanhecer, quando a primeira luz cinzenta tocava as janelas, Analis foi acordada pelo som de cavalos e carruagens no pátio. Ela correu até a sacada e viu a escolta real preparada. Robert estava montando seu cavalo, vestindo trajes de viagem pesados. Ele não olhou para cima, para a janela dela.
O camareiro-mor entrou nos aposentos de Analis pouco depois, entregando-lhe um breve bilhete.
"Parto para as províncias do Norte para supervisionar a reconstrução das defesas. Não sei quando retornarei. O Conselho cuidará dos assuntos cotidianos sob sua supervisão parcial. Por favor, não me procure. Preciso encontrar o caminho de volta para o homem que eu era antes desta noite."
Analis viu a carruagem partir, levando consigo o único homem que a fazia sentir-se viva novamente. O palácio, que já era silencioso, agora parecia um mausoléu. Robert fugira, deixando-a sozinha com a culpa de um beijo que, embora proibido, fora a única coisa real que ela sentira em um ano.ra em um ano.
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