A Coroa e o Coração
1 O Brilho de uma Manhã de Sol
A luz do sol matinal banhava a sala de jantar do Palácio de Verão, transformando os detalhes em gesso e ouro em um brilho caloroso. Através das janelas abertas, o perfume das tulipas recém-colhidas misturava-se ao aroma de café fresco e pães quentes. O Rei Robert Brooke já estava à cabeceira, observando com um sorriso discreto a entrada do filho e da nora.
Drake Brooke mantinha uma mão pousada protetoramente nas costas de Analis Lioncort enquanto a conduzia até a mesa. O príncipe parecia radiante, e a princesa, vinda das terras inglesas, trazia no rosto uma alegria que parecia iluminar todo o castelo.
— Bom dia, meu pai — cumprimentou Drake, puxando a cadeira para que a esposa se sentasse.
— Bom dia, Majestade — disse Analis, com uma reverência graciosa antes de ocupar seu lugar.
O rei inclinou a cabeça, os olhos brilhando de satisfação.
— Bom dia, meus filhos. É um prazer ver que o descanso lhes fez bem. Analis, querida, como tem sido sua adaptação ao nosso clima? Espero que as brisas da Holanda não sejam tão frias quanto as de sua terra natal.
Analis soltou uma risada cristalina, servindo-se de um pouco de geleia.
— Pelo contrário, Majestade. O calor que recebi nesta corte aquece mais que qualquer lareira inglesa. E Drake tem sido o guia mais paciente do mundo.
O príncipe olhou para a esposa com uma adoração óbvia, segurando a mão dela sobre a mesa por um breve instante.
— Ela aprende rápido, pai. Ontem passamos a tarde na biblioteca e Analis já consegue distinguir perfeitamente os nomes de todas as províncias do nosso reino.
— Ora, não o escute, Majestade — brincou ela, balançando a cabeça. — Ele apenas ignora meus erros de pronúncia porque é um marido muito gentil.
Robert soltou uma gargalhada robusta, o som ecoando pelas paredes de mármore.
— A gentileza é uma virtude, mas o amor de Drake por você, Analis, é o que realmente o torna cego aos seus pequenos erros. Fico feliz em ver essa harmonia. Um reino precisa de líderes que saibam sorrir um para o outro antes de enfrentar o povo.
— O senhor tem razão — concordou Drake, servindo o chá para a princesa. — Com Analis ao meu lado, as obrigações da coroa parecem muito mais leves.
— E as minhas também! — acrescentou a princesa, trocando um olhar cúmplice com o marido. — Estávamos planejando um passeio pelos canais esta tarde, se o rei nos permitir a ausência.
O rei Robert levou a xícara de café aos lábios, observando a felicidade dos dois. Era uma cena perfeita, um quadro de paz que ele esperava que durasse para sempre.
— Devem ir, com certeza. Aproveitem cada segundo deste sol. A juventude e o amor são tesouros que devem ser celebrados todos os dias.
Os três continuaram a conversa entre risos e planos para o futuro, sem saber que aquela era, talvez, uma das últimas manhãs de paz absoluta que teriam naquelas terras.
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