A Coroa
9 Capítulo 8: Isso fica somente entre nós
Notas iniciais
A vida é como um rito de passagem.
Você vai rir, você vai chorar,
muitas vezes vai pensar em desistir,
ou procurar um 'caminho' para continuar.
Mas no fim, vai perceber que tudo o que passou erá preciso.
E que a vida, a vida é boa
como todas as coisas boas, ela se acaba.
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*Maxon precisava me segurar para que eu não corresse até ela e a abraçasse fortemente e implorasse para que ela voltasse para nós. Aspen desmaiou assim que a viu chegando no colo de Maxon ainda no cavalo naquele estado. Ela estava morta. Não havia volta... Ela se fora*.
*Estávamos eu, Maxon, Aspen, Marlee, Sílvia, mamãe, e os médicos naquele quarto, junto com o corpo de Lucy*.
–Eu não devia ter deixado-a ir...
*Sílvia implicava com ela mesma andando em círculos pelo quarto até que eu escuto oque ela disse e pergunto para ela*.
–Calma... Lucy era a funcionária que pediu para ir urgentemente à Carolina na noite do baile?!
–Sim...
–Por quê não me avisou?!
–Desculpe-me Majestade...
*Dessa vez as lágrimas desciam sem parar. Era minha culpa. Eu a tinha deixado ir. Se ela tivesse ficado no palácio...*.
*Me encosto na porta e me assento no chão chorando descontroladamente. Até que Maxon me chama até do lado da cama que Lucy estava. Me levanto rapidamente limpando o rosto e corro até ele*.
*Olho para o rosto de Lucy. Ela havia levado 3 tiros*.
*Maxon desabotoou a blusa de Lucy e ficamos boquiabertos. Havia um corte feito, provavelmente, à faca, bem ao meio de sua barriga. Um corte em forma de estrela... Nortistas?! Como assim?! Eles tinham um acordo conosco! Eles estavam do nosso lado! E nós caímos no papinho deles! Eles mataram Lucy com que objetivo?!*.
–Queriam nos abalar... E conseguiram. Mas, como eles sabiam de Lucy?
–Já havia algum tempo que estava notando alguns erros... Janelas mal limpadas, eles pareciam estar nos observando!
–Quem?
–Alguns funcionários. Na noite do baile, enquanto os guardas ainda não haviam chegado, um grupo de funcionários estava do lado de fora do salão, porém de olhos fixos em mim e em Maxon. Eles já podiam estar aqui nos observando há muito tempo! Não é de hoje que percebo que as janelas estão meio sujas...
*Digo me lembrando das janelas e da noite no Salão das Mulheres pouco antes do baile começar*.
–Então já conseguiram oque queriam. Hoje alguns dos funcionários desapareceram. Mas se oque diz é verdade, na verdade eles fugiram do palácio.
*Sílvia diz*.
*Volto a chorar fazendo um carinho nas bochechas de Lucy. Sua pele e suas roupas estavam todas sujas*.
–Foi minha culpa Lucy... Eu sinto muito.
*Digo soluçando enquanto me ajoelho ao lado de sua cama segurando sua mão*.
–May não pode saber, vai ficar muito abalada...
*Mamãe dizia tentando ao máximo não olhar para Lucy. Sua camisa, a cama, tudo estava cheio de sangue*.
–Pobre May. Vamos dizer apenas que Lucy teve que ir para Carolina ficar com seus parentes.
–Duvido que ela acredite.
–Ela terá que acreditar, afinal, de qualquer jeito ela nunca mais vai poder ver Lucy.
*Nesse momento a porta se abre e Kriss aparece. Me pergunto “como Kriss entrara aqui” ou “como ela sabia do ocorrido”. Olha Lucy e começa a passar mal. Se encosta por poucos segundos na parede e logo corre até perto dela desesperada*.
–Ai meu Deus! Ela está morta!
*Kriss fica sem reação ou expressão, como quando sofríamos o ataque dos rebeldes durante a seleção*.
–Calma Kriss...
*Sílvia tenta acalmá-la, sendo que ela mesma não podia suportar tamanha perda. Sílvia podia ser dura e séria, mas ela sempre foi uma boa amiga*.
–Lucy?
*Aspen pergunta já voltando à realidade após ter apagado ao ver Lucy morta. Agora, já mais consciente do que havia acontecido ele se assenta na cama em que havia sido colocado, e vê uma multidão em volta de uma das camas*.
–Não... LUCY!!!
*Ele se levanta e corre até a cama, afastando os outros com as mãos, e quando chega ao pé da cama e olha Lucy, quase desmaia de novo*.
–Não, não, não...
*Ele chega mais perto do rosto de Lucy e lhe dá um beijo na testa. Ele se esforçava para não chorar, mas era impossível*.
–Volta, volta Lucy!!!
*Ele a abraça forte ainda inconformado, então alguns soldados aparecem da porta do quarto, andam até Aspen e o seguram, o distanciando um pouco de Lucy. Aspen lutava contra os soldados, pois queria ficar o mais perto de Lucy possível*.
–Eu te amo Lucy! Volte para mim! Não nos deixe!
*Os soldados percebem que era impossível que ele ficasse no quarto e o levam para fora, fechando a porta, mas ainda era possível ouvir seus gritos do lado de fora*.
*Olho para Kriss e me lembro que ela era uma rebelde nortista, mas não via mais o colar com o símbolo dos nortistas com ela. Me levanto e toco no ombro de Kriss e a chamo para um canto no quarto, afastado de todos e ela me segue*.
–Oque houve com seu colar?
–Não sou mais nortista. Me cansei. Viu oque fizeram com Lucy? Não posso me misturar com gente assim.
*Estava meio desconfiada, mas acredito em Kriss, porque sei que ela nunca faria mal a ninguém*.
*Eu e ela voltamos a nos juntar com os outros e volto a avisar*.
–Ninguém pode saber do que aconteceu. Ninguém. Só não deixem de avisar ao pai de Lucy...
*Olho mais uma vez para Lucy, sem acreditar que aquilo tinha acontecido, e saio do quarto junto com Kriss e decidimos dar uma volta pelo jardim para melhorar o nosso ânimo*.
*Assim que nos assentamos num banco no jardim, começo a chorar de novo, e Kriss me abraça*.
–Eu não acredito que isso aconteceu... Por quê???
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