A Coroa

5 Capítulo 4: Jornal Oficial de Illéa


*Kriss estava bem natural num vestido longo azul. Ela estava assentada numa mesa no canto do salão junto à uns desconhecidos de minha parte. Já esses não estavam tão arrumados quanto os outros...*.

*Eu estava assentada numa mesa junto a Maxon, mamãe, May, Gerard e Lucy. Marlee, Sílvia e Mary estavam na mesa ao lado da nossa, caso precisássemos de algo*.

*May havia se apegado tanto a Lucy que é como se fossem irmãs. Acho que foi meio minha culpa. Depois que me tornei rainha tenho estado muito ocupada. Minhas entrevistas para o Jornal de Illéa, os assuntos reais incluindo a separação das castas*.

*O processo da separação estava num processo já bem avançado. Decidimos começar separando das castas inferiores para depois as mais superiores. Inferior e superior não eram bem as palavras que eu usaria. São mais as palavras que o rei Clarckson usaria. Por mim, desde sempre, as castas sempre foram feitas para não dar esperança ao povo e mostrar que eles sempre vão ser daquele jeito (principalmente os da casta 7 e 8). Sempre demonstrando desigualdade. Sempre mostrando as diferenças. Com a separação das castas mostraríamos a todos que somos todos iguais*.

*Gavril estava presente, junto com sua equipe de filmagem. Seria ali a gravação do Jornal desta noite. Eles estavam arrumando tudo com a ajuda de alguns funcionários do palácio*.

–Está tudo tão lindo Meri... queria ser a rainha.

*May disse pra mim*.

–Você está igualzinha a uma rainha hoje May. Está mais linda do que eu.

–Eu sei que não estou Meri.

–Todos concordam comigo.

–Eu concordo com America. Você está divina.

*Maxon diz e todos em nossa mesa concordam*.

*Sílvia coloca a mão em meu ombro e me informa que já estava tudo preparado para a entrevista para o jornal. Eu e Maxon nos levantamos e fomos nos assentar em nossos tronos*.

*O jornal começou e as luzes iluminaram Gavril. Ele agradeceu a presença de todos e começou a resumir tudo oque aconteceria esta noite. Enquanto ele explicava percebo Kriss me olhando fixamente. Fico tentando imaginar com que motivo ela estaria me olhando mas Gavril me faz uma pergunta*.

–E a separação das castas?

–Antes de tudo, eu queria contar um poema à vocês que não fala muito sobre isso, mas fala sobre oque as castas geram entre nosso povo e ninguém percebe.

*Gavril atende ao meu pedido e me entrega o microfone. Pego o microfone*.

– Essa cova em que estás,

Com palmos medida,

É a conta menor

Que tiraste em vida,

É de bom tamanho,

Nem largo nem fundo,

É a parte que te cabe

Deste latifúndio.

Não é cova grande,

É cova medida,

É a terra que querias

Ser dividida.

É uma cova grande

Para teu pouco defunto,

Mas estarás mais ancho

Que estavas no mundo.

É uma cova grande

Para teu defunto parco,

Porém mais que no mundo

Te sentirás largo.

É uma cova grande

Para tua carne pouca,

Mas a terra dada,

Não se abre a boca.

*Termino o poema e passo a interpretá-lo para as pessoas*.

–O poema conta que a terra só é dada àqueles que tem poder, que podem cultivá-la e ampliá-la. Já os que não podiam tirar proveito da terra, por falta de dinheiro, só recebiam a terra como cova quando morriam. E isso mostra basicamente e resumidamente oque acontece com as castas. Os das castas dois, três, eles têm dinheiro e olha oque ganham. Eles ganham muito. E olhe oque os das castas cinco, seis, sete, oito ganham, quase nada. E o pior é que eles são a maioria da população. Então há muita desigualdade com as castas e é isso que eu queria mostrar a vocês. É por isso que estamos desfazendo as castas. Para mostrar a todos que devemos ser iguais e tratados igualmente. Ter os mesmos direitos e condições de vida.

*Todos no salão prestavam muita atenção em minhas palavras. Devolvi o microfone para Gavril e a entrevista acaba. Maxon e eu voltamos para nossa mesa e nos assentamos em nossas cadeiras*.

–Belo discurso Meri.

*May disse assim que me assentei e sorri*.