A Coroa
4 Capítulo 3: Declarações
–...um rei sem seu reinado é como uma fechadura que se abre com qualquer chave, inútil e totalmente descartável.
*Após um pequeno discurso, Maxon volta a se assentar em seu trono, e era minha vez. Me levanto e me direciono até o meio do pequeno palco que ali tinha. Ajeito o microfone na altura da minha boca*.
–As pessoas preferem mentir pra si mesmas do que encarar a verdade. E quando você percebe, lá vai você, fingindo que não se importa, fingindo que não sente. Eu tive que tropeçar pra aprender como se anda.
–As pessoas mudam basicamente por duas razões: Porque aprenderam demais ou porque sofreram o suficiente.
–Cada sonho que você deixa para trás, é um pedaço do futuro que deixa de existir. Não desista dos seus sonhos. Eles servem para continuar te fazendo ter fé naquilo que você acredita. Então se você acredita que daqui pra frente tudo vai ser melhor, que tudo vai ser como você sempre quis, não perca as esperanças.
*Todos os convidados, de suas cadeiras, se levantam e me aplaudem de pé. Do alto do palco me viro para Maxon e começo a dizer algumas palavras que aquietaram os convidados, os fazendo se assentar para ouvir oque eu tinha a dizer*.
–Nunca consegui enumerar todas as coisas que eu gosto e as que você me faz sentir. Primeiro, porque são muitas. Segundo, porque algumas não tem nome. Somos extremamente felizes porque acreditamos no amor, porque de início não vemos nada de empecilho, não vemos distancias, sejam de idades ou sejam das diferenças, nós apenas vivemos aquele presente que a vida parece nos dar. Não quero que venha em um cavalo branco e seja perfeito, quero apenas que seja meu e me ame da mesma forma que te amo e que...
*Todos os convidados estavam atentos a mim. Todos sorriam. Eles sentiam meu amor por Maxon. E agora tinham certeza disso, mas continuo minha fala*.
–Não sei por que, mas, eu nunca pude imaginar que um dia eu acordaria, olharia em volta, e descobriria que eu era uma rainha, e que meu príncipe encantado chegou. E pode ter certeza de que essa tal príncipe encantado é você Maxon. Sempre foi e sempre será. Aconteça oque acontecer, saiba que pode contar comigo para qualquer coisa e eu te ajudarei da melhor maneira possível. Eu te amo Maxon.
*Maxon se levanta e corre até mim. Me abraça tão forte que quase caímos para trás. Em meu ouvido sussurra: Eu te amo mais. Ele segura o microfone e começa a falar*.
–Já que minha esposa falou um pouco sobre oque ela sentia por mim, acho que eu devo falar um pouquinho também.
*Sorrio e ando até meu trono me assentando. Logo Maxon começa a falar*.
–Eu queria começar com uma história. Eu não tive tempo de decorá-la por completo, mas posso contar um pouco dela a vocês. A história se chama Estrelas em greve.
– Todas as noites, as mulheres se punham diante da televisão para ver as novelas. Os homens cochilavam no sofá e a criançada brincava com os computadores. Ninguém tinha tempo de olhar o céu.
–Sem plateia, as estrelas decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A Lua, solidária com as amigas, aderiu ao protesto e também se escondeu.
–Foi um fuzuê no mundo inteiro. As galinhas, que dormiam com a estrela-d’alva, perderam o sono e deixaram de botar ovos. As corujas pararam de piar. Os tatus não saíram mais das tocas. Os grilos silenciaram. Os anjos da guarda, que desciam à noitinha para ninar as crianças, perdiam-se no caminho. As damas-da-noite não abriram mais suas pétalas. No escuro, o vento não enxergava nada e não sabia para onde soprar. Os poetas caíram em desânimo e a produção da poesia imediatamente cessou. Os agricultores ignoravam se era ou não a época certa de semear. As marés, desorientadas, subiam e desciam à deriva.
–Então os homens descobriram que aquilo tinha a ver com o sumiço das estrelas. Chamaram os melhores astrônomos, mas eles não souberam explicar o ocorrido. A coisa estava realmente preta.
–Até que, numa noite, um homem saiu de casa e se pôs a contemplar o céu na escuridão. Lembrou que a mãe lhe ensinara a posição do Cruzeiro do Sul. Outro se juntou à ele e recordou as histórias de lua cheia, quando aparecia o lobisomem. Um velho ouviu a conversa dos dois e veio contar que, em criança, tinha visto o cometa Halley. Apareceu uma mulher e disse que só cortava os cabelos na lua minguante. Outra mulher falou que, havia alguns anos, vira uma estrela cadente e fizera um pedido. O marido ouviu-a e disse que o pedido era ter o amor dele para sempre. Outro homem contou que lhe nascera uma verruga no dedo, porque, quando garoto, apontara para as Três-Marias. Aos poucos as pessoas foram saindo de casa e cada uma tinha sua história para contar sobre a Lua e as estrelas.
–Quando estavam todos na rua olhando o céu vazio, as estrelas, que os observavam do fundo da noite, apareceram de surpresa, acendendo-se ao mesmo tempo. Foi lindo: parecia uma chuva de gotas prateadas. Em seguida, despontou a Lua, com seu brilho magnífico, como um holofote.
–Aí todos entenderam o motivo daquela greve. E, imediatamente, decidiram em consenso: podiam ver televisão, dormir no sofá e brincar com o computador todas as noites. Mas, de vez em quando, iriam dar uma espiadinha no céu para ver o show das estrelas.
*Maxon termina a história mas decide acrescentar outra coisa*.
–Eu quis contar essa história porque desde que America se mudou para o palácio, pela Seleção, sempre a vejo observando as estrelas, debruçada a sua janela e depois me olho e vejo que quase nunca reparo nelas, porque sempre estou muito ocupado e... A America me fez um homem menos enrolado no trabalho, ela sempre me ajuda com os problemas que surgem e eu agradeço muito a ela, porque agora, todos os dias, à noite, eu desço para o jardim, me assento num banco e as admiro. Além disso, eu amo America porque em todos os momentos ela esteve ao meu lado não se importando com as diferenças, com nossos defeitos. Eu te amo America.
*Com o fim de suas palavras dedicadas a mim, corro até ele com dificuldade por causa do salto e do vestido longo, mas chego nele e o abraço. Com isso, todos aplaudem como nunca. Um som alto que ecoava por todo o palácio*.
Fale com o autor