A Cor Que Vejo Em Você.

25 Dois dias, uma felicidade.


Notas iniciais
Bom pessoal, por me sentir em completa dívida com vocês decorrente de todo o tempo que fiquei sem postar, adicionei mais um capítulo a Fic. Então, tecnicamente, este é o penúltimo de verdade.

O novo dia que surgiu seria de grande felicidade. Era o dia em que Kouichi e Mei finalmente se casariam e viveriam em sua nova casa, como um casal. A morena já estava sendo preparada, enquanto o rapaz, na casa de seus avôs permanecia completamente calmo.

-Ah! Sakaki! Como você consegue ficar desse jeito! Hoje é o seu casamento! – Dizia Naoya andando de um lado a outro já devidamente trajado.

- Eu sei. Por que está tão nervoso? – Indagou o moreno.

- Você não sabe o que pode acontecer?! Esses momentos são decisivos! Sabe, ela pode ir para o local errado, ou pode desistir de casar com você! Ou mesmo o bebê pode nascer! E se nascer, nós não estaremos lá para escolher o nome! Se for um menino tudo bem, mas e se for uma menina?! Os outros garotinhos vão querer dar em cima dela!

Sakakibara soltou uma enorme gargalhada. Era o noivo e seu padrinho estava mais ansioso que ele. Realmente havia com o que se preocupar, mas definitivamente não era com a dúvida da noiva comparecer a cerimônia.

Misaki já estava com sete meses de gravidez e o bebê já poderia nascer. Embora ele acreditasse que não, aquela altura do campeonato tudo poderia acontecer. Em suas visitas a médicos juntos com sua breve futura esposa, ouvira muitas histórias bizarras sobre nascimentos. Aquilo o deixava apreensivo.

Penteou os cabelos mais uma vez e então se dirigiu até o carro levando juntamente seus avós. Naoya estava com seu carro, o que o deixava preocupado. O amigo estava muito inquieto. Mas confiava nele, não era a toa que seria seu padrinho.

Chegaram ao lindo sítio que seria a cerimônia de casamento. Toda a ornamentação era simples e discreta, bem ao estilo de Mei. Tudo estava perfeito, os convidados já os esperavam nas cadeiras que ficavam de fronte ao local da cerimônia e ele se dirigiu até o altar.

Olhando nervosamente para o relógio, ele se preocupava com o pequeno atraso da noiva e ali, sentia-se muito amedrontado. Talvez agora que estava onde seria declarado marido de Mei para sempre, a realidade se fez presente. Seria marido e pai em pouco tempo, isto não era algo fácil de lhe dar.

Olhando para todos os lados, não percebeu quando uma bela menina gestante apareceu no fim do tapete vermelho. Todos a olharam e sorriram, seria aquele o momento.

- Relaxa Sakaki. A noiva não desistiu. – Afirmou Naoya direcionando seu olhar a frente e foi aí que viu sua Mei caminhar em sua direção.

Com um lindo vestido branco de corte reto,tomara que caia com uma fita de cetim branca abaixo do busto possuindo um fino bolero de renda, tendo o cabelo preso em um coque e um lindo coroa de prata sob sua cabeça, Mei caminhou em direção a Kouichi. Ela sorria de maneira que muitos antes não haviam visto.

Mas Kouichi sim. Ele havia visto aquele sorriso por várias vezes e estava feliz por ser o motivo do mesmo. Sentiu os olhos enxerem de lágrimas e não as conteve quando ouviu Teshigawara chorar.

Assim que a noiva aproximou-se dele, o rapaz segurou sua mão e a encaminhou até o altar. Depois beijou sua testa e virou-se para frente, onde o homem que lhes daria a benção estava preparado para falar.

- Estamos aqui reunidos em sagrado matrimônio... — Eram inúmeras palavras, mas um único significado: Pertenceriam um ao outro para sempre.

Ao lado de Teshigawara no altar, estava Mayumi muito sorridente. O rapaz por um momento imaginou como as coisas teriam sido de ele não houvesse insistido em ficar com ela. Certamente ao seu lado seria sua Akazawa.

- Gostaria que você estivesse aqui... – Balbuciou ele, perdendo-se em seus sentimentos.

- O que disse?! – Indagou Mayumi o olhando.

- Nada. Não disse nada. – Ele respondeu e concentrou-se na cerimônia.

*

Algumas semanas depois, já morando em sua nova casa, os recém casados juntamente com Teshigawara e Mayumi, preparavam o quarto do pequeno bebê. Pelo estado de gestação avançado, Mei ficou apenas com a parte da comida, que ela agora sabia fazer.

Enquanto estava à beira do fogão, pois se aproximava o horário do almoço, a jovem sentiu dor em suas costas. Foi rápida, então não se pronunciou. Ao longo do tempo a dor aumentava e ela começava a sentiu fortes contrações em seu útero.

Mayumi que estava próxima a ela percebeu sua expressão de desconforto e resolveu perguntá-la sobre o que havia acontecido.

- O que foi Mei?! Está me parecendo desconfortável. Sente-se bem? – Analisou a menina.

- Sim eu só... É que minha barriga pesa muito e estou com dores nas costas. – Revelou.

- Ah! Por que não me disse antes? Venha, vamos para o quarto. – Disse a morena puxando a grávida pela mão.

- Espere Mayumi, eu preciso terminar o almoço.

- Deixa comigo Mei! Eu mesma faço isso! – Disse prestativa Mayumi.

Assim que chegou ao quarto a morena de cabelos longos preparou a cama para que a outra se deitasse. Mei logo o fez, colocando travesseiros confortáveis em suas costas. Quando já estava deitada, sentiu outra forte dor. Fechou os olhos com força e Mayumi se preocupou.

- Mei está tudo bem mesmo? Não quer ir ao médico? – Preocupou-se a menina.

- Não eu estou bem. Sabe, quando estamos grávidas sentimos várias dores. Todas por motivos diferentes. – Riu-se a menina e a outra juntamente com ela.

- Bom, então eu vou descer e terminar a comida. Depois venho aqui ver como você está.

Ficando sozinha no quarto, Mei tentou se acalmar. O intervalo das dores estava aumentando. Estava completamente suada e nervosa, sentia seu corpo quente. Procurou pensar em uma maneira de relaxar e logo a encontrou.

Levantou-se para tomar um banho de ducha gelada e quando terminou colocou um vestido leve, de cor azul e flores brancas. Voltou a deitar-se na cama e observou o dia do lado de fora. Algo estava muito diferente, o céu estava mais azul e as nuvens pareciam ainda mais fofas. Era um lindo dia, como ela nunca antes havia visto.

Novamente sentiu uma forte dor em seu frente e procurou controlar sua respiração. Misaki ainda não estava com os nove meses de gestação e seu médico achava pouco provável que o bebê nascesse antes do tempo.

Mas a natureza é diferente da ciência e Mei teve certeza disso quando sentiu algo escorrer por sua perna.

Apavorada, olhou para baixo. Viu sua cama encharcar. Uma nova dor se formou e ela obteve a certeza: seu filho iria nascer. Com dificuldade levantou-se da cama e caminhou em direção ao quarto onde Kouichi e Naoya trabalhavam e brincavam ao mesmo tempo.

Sem querer o segundo a viu na porta e logo tratou de se comunicar com ela.

- Mei! Veio ver se estamos fazendo um bom trabalho?! – Brincou o loiro.

- Não vale amor! Então para ser justo terei de ver se você está fazendo um bom trabalho na cozinha. – Brincou também o moreno.

Mais uma vez uma forte dor se formou no ventre de Mei e ela lentamente baixou o corpo para frente. No mesmo instante os rapazes correram até ela.

- Mei o que está acontecendo?! – Questionou Kouichi preocupado.

- O que está sentindo?! Diga! – Indagou Naoya apavorado.

- Meu filho vai nascer. A bolsa estourou. – Dizia calmamente enquanto fazia uma nova careta de dor. – Vai nascer!

Diferente do que a menina imagina, os rapazes ficaram em estado de choque. Nenhum deles se moveu ou mesmo piscou mediante as palavras dela.

- Ai. – Disse Mei.

- Ai. – Disseram os dois.

- AI. – Disse Mei.

- Ai. – Disseram mais uma vez os dois.

- AAAAAAAAAAAAAAAAI! – Gritou a menina cravando suas unhas em Sakakibara.

- AHHHHHHHHHHHHHHH! – Gritaram os rapazes juntamente com ela.

- Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! O que vamos fazer?! O que vamos fazer?! — Gritava Naoya completamente nervoso. Pelo menos ele tinha alguma reação, porque Kouichi não esbanjava qualquer uma.

- Levar-me para o hospital, talvez?! – Indagou a menina em meio à dor.

- Sim! Sim! Hospital! As chaves do carro?! Não sei onde estão! – Gritou o loiro com as mãos na cabeça.

- Está na mesa da sala, Naoya. – Disse Mei ofegante.

- Está bem, eu vou ate lá! – Correu o rapaz.

- O que está acontecendo Mei? — Questionou Mayumi preocupada.

- O bebê... Vai nascer... – Balbuciou Kouichi.

- E você fala com essa calma?! Vá pegar a bolsa, rápido! – Disse a menina e o rapaz pareceu acordar de seu transe. – Venha Mei, vamos para o carro.

A morena dirigiu a menina do tapa olho até o carro de Naoya que estava completamente nervoso do lado de fora. Kouichi foi até o quarto e pegou a bolsa do bebê que estava pronta e depois pegou a bolsa de Mei, que também estava pronta.

Fechou a casa completamente e correu até o carro, onde encontrou Teshigawara auxiliando Mayumi. Quando o loiro viu que o moreno se aproximava, imediatamente lhe estendeu a chave.

- Você dirige, estou muito nervoso!

- Não posso dirigir, estou em estado de choque!

- Dirija você Kouichi! Sabe que eu sou estabanado!

- Naoya o carro é seu! Posso ficar nervoso demais e esquecer de como dirigir!

- Se não calarem a boca e entrarem nesse carro agora eu juro que mato vocês! AHHHHH! – Disse Mei completamente transformada pelo trabalho de parto.

Os três sem exceção ficaram espantados olhando para a menina que sempre fora tão meiga e calma. Percebendo que eles não a ouviram, decidiu gritar mais uma vez.

- Eu mandei entrar no carro AGORA! – Nem precisou repetir. Os dois correram para o carro e Naoya acabou indo para a direção.

- Seja o que Deus quiser! – E deu a partida no carro pisando fundo no acelerador.

Em poucos minutos chegaram até o hospital e os dois rapazes foram até a recepção. Falaram ao mesmo tempo e a recepcionista teve que pedir silêncio aos dois. Mei foi atendida e levada para a ala da maternidade onde daria a luz.

Já vestida adequadamente e com uma equipe de médicos a seu dispor, Mei recebia as instruções para dar a luz enquanto Sakakibara segurava sua mão com força, fazendo-se presente, mostrando que estaria ao seu lado.

Ele estava muito nervoso, mas se manteve calmo por sua Mei que estava sentindo muitas dores e precisava se preocupar com muitas outras coisas.

- Vamos lá senhora Sakakibara, força para colocar esse bebê para fora! – Incentivou o médico e então ela fez.

Com toda força que possuía empurrava o bebê para fora. Enquanto fazia tal coisa, apertava a mão de Kouichi, que a seu lado dava-lhe palavras de incentivo para que ela continuasse.

Longos minutos se passavam e a mãe já se encontrava exausta. Por um momento achou que não mais conseguiria até que olhou para os olhos castanhos de seu amado Kouichi. Naquele instante pareceu que tudo parou ao seu redor e só havia os dois ali.

Ele sempre lhe dava forças para acreditar, para seguir em frente. Mesmo quando tudo parecia atrapalhado, mesmo quando as esperanças haviam se perdido, ele estava com ela, sorrindo, a amando, ajudando-a.

Fechou os olhos mais uma vez e reuniu suas ultimas forças. Sem gritar ou balbuciar qualquer som, ela empurrou o bebê para fora e quando abriu os olhos viu seu marido olhar para baixo. Um novo som ecoou no quarto e um sorriso lindo se formou em seus lábios. Ele se virou para sua esposa, chorando e lhe disse:

- Nasceu Mei. É uma menina. É uma menina Mei! – Disse ele completamente feliz. A enfermeira pegou o bebê e o limpou, depois o trouxe para perto de sua mãe.

- Bem vinda ao mundo meu amor. – Disse Mei carinhosamente para a filha que no mesmo instante parou de chorar.

- Como ela se chamará?! – Questionou a enfermeira.

- Misaki. Sakakibara Misaki. – Afirmou a mãe ainda olhando para a filha que tinha os olhos e cabelos castanhos como o pai e sua tia que há anos havia morrido. O nome era em sua homenagem.

- Ok mamãe. Agora você precisa descansar. – Disse o médico e Kouichi beijou a testa de sua esposa.

- Ficarei com você no quarto.

- Hai. – Respondeu a menina e fechou os olhos, exausta pelo esforço.

Na sala de espera Naoya andava de um lado a outro roendo a unha enquanto Mayumi o olhava sorrindo. A menina se questionava como seria quando ele fosse pai. Provavelmente desmaiaria na hora do parto.

Minutos depois, Kouichi chegou com lágrimas nos olhos e os dois amigos foram em sua direção.

- E aí?! E aí?! – Questionou o loiro.

- Nasceu.

- Ah! – Explodiram Naoya e Mayumi de felicidade.

- É uma menina. É linda. – Disse o papai completamente bobo.

- Então puxou a mãe. – Brincou o loiro abraçando o amigo. – Meus parabéns papai! — Depois foi à vez de Mayumi abraçá-lo e dar-lhe os parabéns. – Agora vamos até seu bebê por que como é uma menina precisamos ficar de olho. – Brincou o loiro e eles se dirigiram até o berçário.

Pelo vidro puderam ver a pequena Misaki quietinha em sua incubadora. Mexendo os bracinhos, lentamente ela abriu os olhos para depois fechá-los. No mesmo instante Teshigawara sentiu-se completamente apaixonado.

Kouichi mexeu em seu celular mandando uma mensagem. Mesmo que não estivesse ali, aquele era um momento que queria compartilhar com todos, inclusive com Izumi, mesmo que ela estando longe.

“Agora já sou pai e é uma menina. Minha linda filha se chama Misaki. É uma pena que não esteja aqui para ver.” Enviou a mensagem e poucos minutos depois recebeu a resposta.

“Parabéns papai! Essa criança será muito feliz tenho certeza! Como Mei está?! Mande-me uma foto de sua mais nova princesa!” Respondeu.

“Pessoalmente minha filha é mais linda e Mei está bem.” Enviou uma nova mensagem juntamente com a foto.

“Misaki é linda! E quanto a voltar para Yomiyama... Quem sabe?!” Respondeu.

Kouichi sorriu satisfeito com a réplica e voltou a olhar sua filha, que novamente abria os lindos e pequeninos olhos castanhos. Mesmo que sua história estivesse feliz, havia outra que precisava ser também.

Notas finais
O que me dizem desses dois dias importantíssimos? E quanto a Izumi?! Será mesmo que a ruiva volta?

Beijo.