Jacob me encarava com escárnio. Entre uma fumada e outra seus olhos deslizavam vagarosamente pela extensão de meu corpo, me analisando, estudando. Aquilo além de estar me deixando extremamente constrangida, me fez sentir raiva. Raiva do destino que tive, desse maldito caído que eu precisava salvar. Jacob estava me deixando nauseada, entre uma fumada e outra passava a língua nos lábios como se quisesse capturar o máximo que pudesse daquela droga. Pela forma de olhar, de falar e se portar, percebi que aquele seria um desafio e tanto para mim. Um filme todo passou-se em minha cabeça, com milhares de finais. E nenhum deles eu consegui prever um final feliz, um final onde eu sairia ganhadora. E claro, consequentemente ele também.

Quil e Claire deram alguns “tapas” como eles mesmo disseram naquele cigarro caseiro que Jacob fumava, e aos poucos seus ânimos iam se exaltando. Apenas Jacob Black permanecia compenetrado em me indagar com os olhos, e à devorar as outras garotas que passavam ao seu lado. Claire iniciou uma pequena discussão com Quil por ele ter paquerado a garçonete. O que era engraçado, pois Quil parecia querer deixar claro que entre eles não existia nada, além de sexo casual. Claire parecia ser uma ótima garota, e Quil também, mas ainda não podiam ser considerados como caídos. Eles não tinham o mesmo olhar perverso que normalmente os caídos continham.

— Calem a boca. – vociferou Jacob revirando os olhos – Vocês me entediam.

— Desculpe-nos ó grande Rei da Balada. – ironizou Quil.

— Só calem a boca um minuto, vocês me deixam com dor de cabeça com toda essa melação.

— Talvez seja por causa de toda cocaína que você cheira. Ou estou enganada Jacob? – revidou Claire.

— Quil, faça-me o favor de educar melhor sua puta. – disse ele enquanto tragueava mais uma vez. Seu olhar era frio e sem nenhuma emoção, ou remorso pelo que havia dito.

— Achei que por ser sua prima você ainda tivesse um pouco de respeito por mim.

Claire levantou e saiu de lá bufando de raiva, mas não antes sem jogar um copo de bebida na cara de Jacob. Quil continuou a bebericar sua bebida como se estivesse acostumado à aquela cena. O caído levantou lentamente e limpou seu rosto e pescoço molhado.

- Pelo visto, não conseguiu aliciar nenhuma puta hoje a noite, não é cafetão? – falou Quil com desdém.

- Não ainda não, mas a noite não terminou ainda. – respondeu Jacob – Mas como sou Jacob Black, não preciso nem estar vestido de cafetão para fazer isso. – disse ele apontado para a fantasia, enfiando as mãos nos bolsos e olhando ao redor – Quem saber eu pegue a sua.

Jacob saiu de perto da mesa que estávamos e adentrou a multidão, sumindo por entre ela. A festa continuava agitada, e cada vez mais os ânimos das pessoas pareciam estar elevados. Nos cantos mais escuros da boate, casais amassavam-se como se aquele momento fosse o último de suas vidas. Olhei para Quil, que continha raiva e decepção no olhar. Entornou sua bebida e também levantou do sofá, me deixando sozinha lá.

- Me desculpe Renesmee, mas preciso salvar alguém. – ele disse.

- Claro.

Logo entendi de quem ele falava. Era claro que Jacob faria alguma coisa para atingir tanto Claire como Quil, seus únicos amigos fieis eu presumia. Era aquele tipo de amizade, de amor que me deixava confusa. Como as pessoas ainda conseguiam se relacionar, ou até mesmo nutrir qualquer tipo de sentimento por um crápula como aquele? Realmente a raça humana era uma espécie estranha de se observar.

Algum tempo passou e senti a necessidade de ajudar Jacob, mesmo que ele não estivesse em apuros. Pois eu sabia que era mais fácil ele meter alguém em apuros, do que ele mesmo entrar. Pedi passagem para o homem de preto que guardava a entrada e me embrenhei por entre a multidão de corpos suados e extasiados. Eu sabia que precisava urgente de um plano de aproximação, Jacob poderia intransponível mas ele tinha uma falha, que eu precisava o quanto antes descobrir. Após andar pela festa, aos poucos ia me acostumando com o contato humano. E qual seria o melhor lugar para isso, senão um lugar lotado onde ninguém tem a intenção de lhe encostar?

Passei perto do bar e vi Claire conversando alegremente com outro cara. Fiquei feliz por ela, algo dentro de mim dizia que ela merecia ser feliz. Era nessas horas que eu queria ter meu arco e flecha de volta. Não tão longe do bar, estava Quil conversando com uma mulher loira, mas seu olhar insistia em permanecer protetoramente em cima de Claire. Eles se amavam, só não sabiam. Ainda.

Senti um hálito quente de cerveja passar por entre meus cabelos, enquanto mãos grandes apertavam fortemente minha cintura.

- Olá doçura, vejo que está sozinha.

Me virei rapidamente, assustada outra vez com o repentino contato humano. Seus cabelos loiros ondulados desciam até os ombros, os olhos estavam tão fechados que eu mal podia ver a cor deles. Uma mancha roxa sobressaia à sua camiseta, enquanto um cheiro azedo saía de sua boca. Ele estava bêbado. Tentei me desvincilhar de seu aperto uma vez, mas ele insistia em me manter próxima de si.

- Por favor me solta. – insisti, agora tentando me desvincilhar de seus beijos.

- Mas você está sozinha, não está? – ele disse sugestivamente.

- Eu não estou... – antes que eu pudesse terminar, seu olhar voou acima de minha cabeça e logo eu estava livre de seu aperto.

- Claro que não está. – respondeu rapidamente e empurrando algumas pessoas saiu dali.

Respirei aliviada por estar livre, e passei as mãos em meus braços para tirar aquele calor que vinha do corpo dos humanos. Eles sempre foram mais quentes que nós, e agora eu entendia quando os convocados voltavam de suas missões e consistiam em reclamar como o calor humano pinicava por dias. Pensei em procurar por Claire, afinal ela fora única pessoa amigável dali, porém quando girei meu corpo trombei com uma estrutura grande e macia dando alguns passos para trás.

Jacob estava novamente com as mãos enterradas nos bolsos, e não parecia ter se abalado com meu encontrão. A boca em linha reta, contrastava com os olhos duros e possessivos. Os suspensórios agora pendiam ao lado do quadril, a camisa estava aberta em mais alguns botões, ainda molhada e que agora grudava em seu peitoral definido. Senti a garganta secar, e um misto de confusão de apossar de mim. Realmente eu precisava urgente de um plano, fugir de Jacob como eu estava fazendo naquele momento, não iria ajudar em nada no meu sucesso. Ele podia ser muito intimidador, mas eu teria que aprender a lidar com aquele seu jeito.

Voltei à passos largos para a mesa e me sentei encolhida, os braços arrepiados de frio e pavor. Na minha cabeça algumas coisas rodavam me deixando ainda mais apavorada. Eu precisava achar um lugar para dormir, eu precisava de dinheiro, de comida e precisava parar de ter medo de Jacob. Enquanto eu pensava nisso, Jacob acomodou-se tediosamente à minha frente acendendo outro cigarro mal feito e tragueando longamente.

- Quer? – ele ofereceu para mim. Apenas neguei com a cabeça, eu estava nervosa demais para conseguir pronunciar qualquer coisa. – Melhor, sobra mais para mim.

Jacob recostou-se no banco acolchoado e apontou o cigarro para mim.

- Renesmee, então? – assenti novamente. – Interessante. Nome diferente.

- Obrigada. – falei receosamente, a única palavra que consegui arrancar de minhas cordas vocais.

- É nova aqui? – perguntou novamente.

Apenas assenti outra vez.

- Interessante. – Jacob respondeu e me olhou da mesma forma que havia olhava para as outras garotas da festa, como se eu fosse um pedaço de carne. Repugnante. Eu estava começando a perder o medo, e a ficar enojada.

- Deixa ela em paz Jacob. – Claire chegou com uma bebida amarelada nas mãos, ela ainda parecia estar revoltada pelo ocorrido de antes. – Senão lhe jogo outro copo nessa linda carinha que Deus lhe deu.

Ri absorta em meus pensamentos, e recebi um olhar curioso de Jacob.

- O que foi?

- É que parece que quem lhe deu essa cara está mais para o Diabo, do que Deus.

Claire explodiu numa risada escandalosa, e aos poucos eu fui perceber o que havia dito. O rosto de Jacob antes frio e duvidoso, agora transmitia um ar engraçado mas ao mesmo tempo tempestuoso. Me arrependi naquele mesmo momento de ter dito aquilo, mas havia sido algo involuntário. Era claro que eu não estava chamando Jacob de feio, mas quando eu quis dizer aquilo, a primeira coisa que me passou na cabeça era de que por Jacob ser daquele jeito, ele só poderia ter sido tocado pelo Diabo. Até porque se Deus tivesse feito aquele rosto, certamente Jacob não seria um caído hoje. Dessa vez não consegui reunir forças para me desculpar ou tentar explicar, e achei melhor por ficar quieta.

- Ui, essa doeu Jacob. – comentou Quil que estava atrás de mim. Logo ele ignorou a carranca de Jacob e dirigiu-se a mim e a Claire – Estão com fome meninas? Estou pensando em passar num drive thru, numa lanchonete e comer algo.

- Não Quil, acho que irei embora. Essa festa já deu o que tinha que dar. – falou Claire – Quer uma carona para casa Renesmee?

- Não sei. – respondi.

- Como assim não sabe? – indagou Quil.

- Eu...Eu não... Eu não tenho nenhum lugar para morar ainda.

- Você pode ficar no meu apartamento enquanto não encontra um lugar para você. – sugeriu Claire, ignorando Jacob que ria debochadamente – Eu moro sozinha, então pode ficar o tempo que quiser, será bom ter um companhia.

- Eu agradeço. – sorri para ela.

Jacob levantou-se, cumprimentou Quil com um aperto de mãos, acenou com a cabeça para Claire e veio até meu lado.

- Estou indo nessa, tenho duas vadias me esperando lá no carro. Não posso perder tempo.

Meu caído, ficou a centímetros de mim com um sorriso irônico nos lábios. Novamente me olhou como se eu fosse uma espécie a ser analisada.

- Foi um prazer lhe conhecer, Renesmee. – falou meu nome arrastado. Jacob deu as costas para mim e sumiu na escuridão da boate. Um arrepio subiu do final da minha espinha até parar em meus ombros. Céus eu precisava de um banho relaxante.

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Claire foi muito gentil e me cedeu o quarto de hóspedes de sua casa. Após um banho de mais de uma hora, deitei exaustivamente na cama macia. Minha cabeça girava com o turbilhão de pensamentos, e meu corpo proclamava por um descanso de semanas, devido o furacão de sensações e sentimentos que eu havia provado aquela noite. Tentei teimosamente tirar Jacob de minha mente, mas seus negros olhos frios e calculistas estavam presentes em casa pensamento. Me desviam de qualquer progresso que eu pudesse ter. Agarrei com força o colar que meus pais haviam me dado, rapidamente uma calma se instalou em mim, relaxei meus músculos e quando estava quase pegando no sono uma batida na porta me fez despertar.

- Sim?

- Desculpa te acordar agora Renesmee. – Claire colocou a cabeça para dentro do quarto.

- Não, sem problemas. – sentei na cama para ouvir o que ela tinha à dizer.

- Eu só queria me desculpar por hoje a noite. Pelo o que você presenciou.

- Oh, claro. – eu não sabia muito o que responder.

- Sei que você ficou bastante assustada com Jacob. – Claire tinha no rosto um semblante decepcionado.

- Ele... Ele é sempre assim? – me permiti perguntar. Eu precisava que ela me dissesse que não, que ele estava somente passando por um momento difícil, ou que estava apenas muito bêbado. Mas Claire apenas riu fracamente.

- É pior.

Notas finais
Oiiii genteem, estou muito feliz por estarem lendo e comentando. Só tenho a agradecer *O*
Estou adorando escrever essa fic, e espero que vocês estejam gostando de lê-lá. Por favor, caso não gostarem de algo, POR FAVOR ME FALEM! IAUHSUAHSUIAHIUSHIUAHSIUA

Beeijos e até o próximo capítulo!