A Convocação

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JACOB POV

Rolei na cama e senti um corpo quente ao meu lado, levantei devagar pois eu sabia que minha cabeça já iria começar a girar. A noite passada havia sido uma loucura, com muita maconha,cocaína e sexo. Chacoalhei Cécile, a francesa bolsista que dormia esparramada em minha cama. Loira, Cécile tinha os cabelos lisos que escorriam até metade das costas, sua bunda era pequena assim como seu corpo mignon, mas não deixava de ser extremamente gostada. E que fazia malabarismos com a boca que deixaria até um eunuco de pau duro. Cécile era o tipo de garota que eu gostava de transar, pois ela não queria saber de compromisso no outro dia, ela queria apenas o mesmo que eu. Sexo.

– Vamos Cécile. – falei sentindo meu corpo cansada reclamar por um banho.

– Me deixa Jacob. – ela rosnou deitada.

– Não. – peguei suas roupas do chão e atirei em cima da cama – Quero tomar banho.

A francesa andou pelada pelo meu quarto, colocando a roupa e catando suas coisas. Rapidamente arrumou os cabelos e limpou a maquiagem borrada. De dentro de sua bolsa tirou um comprimido para dor de cabeça e o engoliu sem tomar água. Veio até mim, e me beijou rapidamente nos lábios.

– Me ligue quando quiser Jacob! – disse Cécile batendo a porta do quarto ao sair.

Tirei minha cueca e entrei no box do banheiro, ligando a água na temperatura mais gelada possível. Era só assim que eu conseguia acordar depois de uma festa, e era só desse jeito que eu conseguia esquecer um pouco a vontade de fumar e cheirar. Devia ser quase meio dia, pois o sol entrava quente pela janela do banheiro, e dentre uma hora, mais um semestre em Stanford iria começar. Me enrolei na toalha preta e sai do box. De frente para o espelho notei o roxo de minhas olheiras, e um chupão em meu pescoço. Cécile iria me pagar, ela sabia como eu odiava aquilo. Era coisa de adolescente de 13 anos, e eu já havia passado dessa época há muito tempo. Quando voltei ao meu quarto, minha meia-irmã Emily me esperava sentada na cama, enquanto lixava tediosamente as unhas.

– Emily, saia do meu quarto. Quero me trocar. – falei secamente abrindo a porta para ela sair. Eu não estava de bom humor.

– Apenas se troque e vamos para a aula. – disse ela sem prestar muita atenção em mim.

– Emily não me faça te arrancar á força daqui. – minha paciência estava se esgotando, e ela sabia como eu ficava quando isso acontecia.

– Por favor Jacob, sem encenação, o mastro no meio de suas pernas não me interessa. – Emily olhou debochadamente para minha cara. Se não fosse minha meia-irmã, certamente já a teria tratado com uma vagabunda.

Mas Emily era diferente das outras garotas, ela tinha lá seus 23 anos e se auto intitulava assexuada. Eu não entendia a mente daquela garota, era gostosa, rica, mas não gostava de sexo. Ela não gostava, porque havia algo que ela gostava mais que tudo, que era dinheiro. Na verdade Emily sempre teve tudo o que quis, seu pai era um bem sucedido fazendeiro e quando sua mãe separou-se e depois se casou com meu pai, bem, dinheiro era algo que não iria faltar em sua vida. Entretanto ela era o tipo de garota que gostava mais de saber que tinha, do que realmente ter. Digo isso, pois quando ela queria tinha qualquer cara á seus pés, até mesmo os casados, — com quem ela mantinha longos casos. Era isso que me intrigava nela, se intitulava assexuada mas que transava pelo prazer de saber que o outro tinha dinheiro.

– E então, preparado para mais um semestre de aula? – ela perguntou enquanto me observava me trocar.

– Você quer dizer, de matação, pegação na sala dos professores, maconha e cocaína nos fundos da universidade? – falei sarcástico. Ela mais do que ninguém sabia que aula era a última coisa que eu fazia naquele recinto. Ia mesmo apenas para agradar o amargurado do meu pai.

– Não seja tolo Jacob, seu pai uma hora irá descobrir. – Emily se jogou na cama e ficou olhando para o teto – Quem dormiu aqui essa noite?

– A intercambista, porquê? – perguntei concentrado na tentativa de encontrar uma camisa que cobrisse o chupão.

– Não gosto do cheiro dela. É fedida. – disse sinceramente. Esse era o ruim de conversar com Emily, ela era irritantemente sincera. Mily tinha essa esquisitice – ou olfato apurado, como ela costumava dizer – que ela sentia o cheiro de todo mundo, e se ele não agradasse à suas narinas, não agradaria ela. Segundo ela, pessoas “fedidas” não eram boas pessoas ou faziam coisas errada, não lembro bem ao certo pois acho isso a maior besteira do mundo. Apenas uma vez ela disse que meu cheiro era terrível. Como se eu me importasse com aquilo.

– Claro, ela cheira a vadia. – dessa vez foi minha vez de ser sincero – Pouco me importa se meu pai irá descobrir. Quero mais é que ele esqueça que eu existo.

– Jacob, ele é seu pai. Faz quantos anos que já estão nessa guerra? Cinco anos?

– 20 anos. Exatamente há 20 longos anos.

Há 20 anos, uma guerra entre meu pai e eu começava. E o motivo dela, foi a morte de minha mãe — mais precisamente seu assassinato — já que segundo meu pai, eu era o assassino. Minha mãe morreu na noite em que me trouxe à vida, e meu pai simplesmente rejeitou o fato dela ter partido, e de que daquele dia em diante ele teria que cuidar de uma criança sozinho. O que na verdade era mentira, pois enquanto meu pai passava dias e noites trancado no escritório de advocacia, eu era criado pelas empregadas e babás. Quando mais novo eu não compreendia a repulsa que ele tinha por mim, mas fui entender na minha pré-adolescência. Aquilo havia me marcado profundamente, pois a única pessoa que estava ali para me dar amor e amparo, simplesmente me renegou. Agora eu era obrigado a fazer faculdade e seguir seus passos, para futuramente herdar as empresas Black Advocacia.

Desci as escadas e encontrei meu pai tomando seu cafézinho diário depois do almoço, com minha madrasta ao lado. Meu pai e Susan juntaram as fortunas quando eu tinha 10 anos, e a partir daquele dia minha vida virou um inferno. Billy insistia em dizer que Susan era minha mãe, e que eu devia obedecer suas ordens, só que veja bem, eu mal acatava as dele, quem dirá de uma mulher interesseira como ela. Para completar o pacote, Susan trouxe Emily junto, na época com 13 anos, uma garota mimada e fútil.

– Bom dia filho, dormiu bem? – perguntou Susan com um sorriso amigável no rosto.

– Quantas vezes terei que te lembrar que não sou seu filho.- falei grosseiramente, as vezes só de olhar para o rosto daquela mulher me dava vontade de vomitar.

– Desculpe, foi apenas uma expressão. – disse ela envergonhada – Maneira de falar.

– Não se desculpe Susan, — disse meu pai escondido pelo jornal – Jacob está rebelde ultimamente.

– Não sou mais criança para estar rebelde. – lancei um olhar frio para meu pai.

– Mas está agindo como tal. – ele disse secamente.

– Foda-se. Eu vou gastar um pouco do dinheiro de vocês naquela universidade inútil.

Bati a porta de casa e entrei no carro de Emily, que me esperava na frente de casa mascando vagarosamente um chiclete. Botei meus óculos de sol, e puxei um baseado da mochila acendendo-o em seguida. O conversível de Emily estava sem o teto, me possibilitando de fumar despreocupadamente o caminho todo. Encostei a cabeça no banco e aumentei o volume do som, logo sentindo a droga fazer efeito. Aquela era minha válvula de escape toda vez que me desentendia em casa.

– Por mim eles podiam morrer. – falei.

– O que você disse? – perguntou Emily tirando alguns cabelos que insistiam grudar em seus olhos.

– Nada.

– Fiquei sabendo que Claire brigou contigo. – disse ela enquanto intercalava olhares entre mim e a estrada.

– Claire é uma patricinha que se acha. Ficou irritada só porque disse que ela era a puta de Quil. — ri sozinho – O que não deixa de ser verdade.

– Lindo falar isso da sua prima Jake. – Emily me reprimiu.

– Grande bosta, Claire me irrita com sei jeitinho de boa samaritana. Ela trouxe uma garota para nossa mesa ontem. – falei enquanto lembrava da jovem pertinente sentado à minha frente.

– E qual o problema?

– Nada, ela só é pobre e não tem onde morar.- ri novamente sozinho, já tinha me esquecido como aquela droga fazia efeito rápido – A garota não abria a boca para falar nada, e quando o fez disse apenas merda. Aposto que na cama é frígida como um iceberg.

– E você não vai tirar a prova? – perguntou ela divertida. Emily sabia como eu gostava de tratar as garotas inocentes.

– Não,aquela alí não me atraiu nem um pouco. Sem contar que vagina é o que não falta nessa universidade. Quem sabe eu brinque um pouquinho com ela, só para ver sua cara no outro dia de assustada, seria divertido. – falei enquanto imaginei aquela ruiva sendo enxotada de minha casa com as roupas nas mãos.

Chegamos na Universidade de Stanford, onde o pátio já estava lotado de estudantes. Avistei Seth, Paul e Quil ao longe e acenei para eles que me cumprimentaram também. Se não fosse as veteranas e meus amigos, estudar naquela universidade seria um estorvo. Mais ao longe vi Céline preparar o bote para cima de um veterano, e Emily sumir entre os corredores para se encontrar com um de seus casos, o professor de cálculo dois. Soquei o braço de Seth ao me aproximar dos três.

– E ai cara, como foram as férias? – perguntou ele de braços cruzados enquanto fazia reconhecimento das garotas dali.

– Regada de vadias, drogas e rock and roll. – esbocei um sorriso pretensioso nos lábios.

– A vampira estrangeira atacou de novo? – perguntou Paul enquanto ria do roxo no meu pescoço.

– Sim. – falei desgostoso.

– Da próxima vez diga pra ela que tem outro lugar pra chupar. – comentou Quil divertido.

– Ela já sabe cara! – ri.

A sirene de início as aulas tocou, e nos dirigimos para o prédio onde os novatos tinham aula. Seria um ano inteiro, tendo aula de diversos assuntos, para então depois disso, decidir para qual curso seguiríamos. Era óbvio que o meu havia sido estipulado por meu pai e eu sabia que se não fizesse Direito, provavelmente seria deserdado. E aquilo era algo que eu não queria ver acontecer. Felizmente eu tinha dinheiro suficiente para pagar os trouxas para fazer provas e trabalhos para mim, me restando apenas marcar presença nas aulas.

Olhei meu cronograma de aula, e segui juntamente com Seth e Quil para a aula de introdução a sociologia. No caminho perguntei como Claire estava, e Quil apenas respondeu que ela queria minha cabeça numa bandeja de ouro. Na verdade pouco me importava, só não queria perder Quil meu companheiro de farra. Adentrei a sala e fui direto para o meu lugar de sempre, só quando eu vi a ruiva frígida estava sentada em meu lugar foi que meu sangue ferveu. Na boate não tive a chance de reparar nela por causa da escuridão, mas agora eu via claramente seu olhos chocolates que brilhavam á luz do sol. Os cabelos ruivos e ondulados puxados para um lado, seu colo subia rapidamente, devia estar nervosa, pois não parava de mexer no colar em seu pescoço. Aproximei-me de Claire que estava sentada ao seu lado e então disparei.

– O que ela faz aqui? – perguntei esperando que meu ar ríspido á fizesse sair da classe.

– Renesmee passará esse semestre como ouvinte. – disse Claire ainda ressentida comigo.

– Saia. – olhei para a garota e esperei seus movimentos, mas nada. – Você é surda por acaso garota? Eu disse pra sair.

O monstrinho do lago Ness finalmente havia olhado para mim, por um seguido pude jurar que choraria, mas não, ela simplesmente largou o colar e deixou de transmitir qualquer reação facial.

– Não. – disse por fim.

– Como? – perguntei incrédulo, afinal, ninguém nunca havia me desafiado daquela maneira.

– Você é surdo por acaso garoto? Eu disse não.



RENESMEE POV


Acordei com Claire abrindo a porta de meu quarto e jogando algumas peças de roupa em cima da cama. Tinha uma calça jeans destonada, uma regata turquesa e um cardigan preto. Novamente ela entrou em meu quarto trazendo consigo dois calçados, um all star e uma sapatilha, optei pela sapatilha. Eu ainda não tinha conhecimento de como se amarrava um tênis. Coloquei aquelas roupas e me senti estranha, afinal não era acostumada a ver e usar tantas cores, e muito menos aquele tipo de roupa. Em Eros, os cupidos usavam túnicas brancas, e alguma vez ou outra saia e blusa em celebrações mais especiais.

– Então, onde você mora? – perguntou ela sentada na ponta da cama, observando me arrumar.

– Bem, não tenho casa. – falei com sinceridade, porque na verdade eu não sabia o que responder.

– Você é órfã? – Claire perguntou, transmitindo compreensão em seu rosto. Vasculhei por alguns segundos na minha mente, o que era uma pessoa órfã, e lembrei de um dia que flechei uma criança que estava prestes a ser adotada. Aquela flecha abriria caminhos para o relacionamento com seus novos pais.

– Sim, sou órfã. – respondi rapidamente.

– E cadê seus pais adotivos?

– Eu não tenho. – disse e lembrei de meus pais verdadeiros. Lembrei de seus rostos, e não gostei de suas expressões. Até pareciam que eles sabiam o que eu estava fazendo, no caso mentindo.

– Ó Deus, você não foi adotada. – ela concluiu e eu neguei com a cabeça – Eu sei como é, você chega aos 18 anos e eles não podem mais te sustentar. Por isso te mandam embora.

– É, isso mesmo. – concordei. E logo me imaginei sendo expulsa da casa de meus pais, algo realmente triste. Fiquei pensando em quantas pessoas não tiveram que passar pelo que eu estava inventando passar.

– Então significa que você não tem casa, comida, emprego, ninguém. – disse ela pensativa.

– É. – falei enquanto fechava o último botão da calça.

– Pois então teremos que providenciar tudo isso para você! – Claire levantou num salto e me puxou quarto a fora – Fiquei sabendo que a biblioteca de Stanford está precisando de alguém que fique no turno da noite arrumando, limpando e atendendo alguns alunos. Posso conseguir esse emprego pra você. Não será muito, mas é o suficiente por enquanto para pelo menos se alimentar. E enquanto não arranja nenhum lugar para ficar, poderá ficar em meu apartamento.

– Claire eu nem sei o que dizer. – falei impressionada com seu ato benevolente.

– Vou falar com meus tios, eles contribuem todo ano com verbas para reformas e compra de livros novos para a faculdade. Aposto que eles conseguem colocar você dentro das aulas como ouvinte. Não prometo nada, mas creio que seja o máximo que consigo alcançar à seu favor.

Me senti tão grata por ter Claire ao meu lado, naquele mundo onde muitos não estendem a mão nem mesmo para levantar o outro do chão. Abracei Claire quando chegamos à porta de seu apartamento, mas rapidamente à soltei ao perceber que eu havia abraçado ela porque senti a necessidade de seu abraço. Sorri internamente, contato humano até que não era tão ruim assim.


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Já na Universidade foi um pouco mais complicado receber a mesma ajuda que recebi de Claire. Foi difícil fazer o reitor acreditar em mim e em Claire, afinal a história que eu estava expondo era que meu orfanato pegou fogo e perdi todos meus documentos no incêndio. Me senti duplamente falsa, por estar mentindo tanto para Claire, como para o reitor. Mas vi que mentir seria necessário se eu quisesse atingir meus objetivos. Como Claire já havia ligado para seus tios, alguns minutos depois da história do incêndio, o telefone do reitor tocou e ficou por uns 15 minutos conversando com a pessoa da outra linha. Ao final da ligação, ganhei um sorriso e um aperto de mão do reitor. Eu era a nova bibliotecária do turno da noite. E poderia assistir as aulas que eu quisesse, mas eles precisavam logo de alguns documentos meus para identificação.

– Depois da aula faremos sua documentação. – disse ela feliz por ter conseguido – Falarei com um amigo meu, ele é ótimo em falsificar documentos. Já que providenciar os verdadeiros demoraria muito tempo.

– Obrigada Claire, do fundo do meu coração. Nunca imaginei que conheceria alguém como você.

– Desde que você não me fure os olhos, será um prazer tê-la como amiga. – falou enquanto nos dirigíamos até a primeira aula.

– Meu Deus Claire, porque motivos eu faria isso? Só O Senhor pode tirar a visão de alguém, não eu. – falei espantada com a hipótese que ela havia levantado.

– Você é engraçada. – disse ela rindo, e eu fiquei sem entender qual era a graça.



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Sentei ao lado de Claire, e aos poucos a sala foi enchendo de alunos. Alguns entraram quietos e logo sentaram, já outros gritavam e riam alto, sem contar que trocavam olhares confusos ao me ver sentada lá. Algumas até cochicharam, e riram baixinho.

– Tem algo de errado comigo? – perguntei à Claire.

– Não, é apenas um bando de curioso. Afinal você é carne nova no pedaço. – falou ela com um sorriso malicioso nos lábios vermelhos de batom.

Senti meu coração acelerar aos poucos e o nervosismo fazer minhas mãos suarem. As reações humanas eram muito esquisitas, eu estava nervosa por ser o centro das atenção e consequentemente minhas mãos começaram a suar. Isso raramente acontecia com os celestiais, todos era muito centrados e corretos, não se abalavam por pouca coisa, mas desde aquela noite na boate onde Jacob parecia ter me visto, eu estava experimentando sensações puramente humanas.

Peguei no colar dado de presente por meus pais, e rezei internamente por alguns minutos. Foi quando aquele cheiro amadeirado adentrou o local e parou à minha frente, tapando o sol que estava da janela e refletia em meu colar.

– O que ela faz aqui? – Jacob perguntou para à minha frente, com as sobrancelhas juntas e o lábio repuxado. Aos poucos eu conseguia identificar as expressões humanas, e Jacob estava claramente com nojo. Aquilo me irritou por dentro.

– Renesmee passará esse semestre como ouvinte. – disse Claire ainda ressentida com Jacob.

– Saia. – Jacob cravou aqueles olhos negros em mim, e pareceu esperar minha saída – Você é surda por acaso garota? Eu disse pra sair.

Sua voz estava tão ríspida, e seu rosto contorcido em ódio que por um momento senti vontade de chorar e voltar para casa. Mas lembrei de meus pais, e imaginei como estariam orgulhosos caso eu voltasse com minha missão cumprida. Enchi os pulmões de ar, e fiz algo que eu esperava fielmente não me arrepender depois.

– Não. – disse encarando seu rosto.

– Como? – perguntou ele incrédulo. Jacob cruzou os braços no peito e fez os músculos ressaltarem, ele queria que eu me sentisse intimidada e acatasse suas ordens. Eu estava tão feliz por Claire ter me ajudado, por finalmente estar conseguindo me entrosar com os humanos e a imagem de Jacob parado à minha frente me fez esquecer de Bella e Edward. Jacob havia destruído minha sensação de realização, e acabei por entrar em seu joguinho baixo.

– Você é surdo por acaso garoto? Eu disse não. – vociferei.

– Você não sabe com quem está se metendo garotinha. – a última palavra, Jacob falou arrastada, me irritando mais ainda. Eu já era uma adulta e não estava ali para brincar.

– Muito menos você. – respondi ainda sentada no lugar que ele queria. Uma olhada rápida pelo local, me fez perceber o acomodamento do restante dos estudantes. Todos estavam de olhos vidrados em nós, intercalando cochichos.

– Não me interessa quem você é. Você irá sair desse lugar agora, ele é meu. – Jacob apoiou as duas mãos na mesa e seu rosto ficou próximo do meu. Senti seu hálito quente e doce bater em meu rosto, diferente de seus negros olhos que me queimavam, presumi que se pudesse Jacob já teria pego em meu pescoço.

– Eu não sei de onde você tirou isso, até porque não vejo seu nome escrito aqui. – falei desentendida e procurando seu nome pela mesa. Pude ouvir algumas risadas ecoarem pela sala, e novamente senti vontade de chorar. Mas fui salva pela voz do homem que entrou na sala carregando enormes livros.

– Sente-se Jacob, a aula irá começar. – disse ele.

O caído, me fulminou e estampou nos lábios um sorriso perverso. Deu meia volta e sentou duas carteiras à minha frente, cruzou os braços e estirou as pernas em cima da mesa. Meu coração pode enfim parar de bater descompassado, vagarosamente soltei o ar de meus pulmões e olhei para Claire que apenas sorriu solenemente.

O sinal bateu anunciando o fim da aula, e Jacob voou para fora da porta, enquanto dois garotos o seguiam – Quil era um deles. Claire me mostrou onde ficava a biblioteca, e me deixou lá para conversar com o bibliotecário gerente.

– Vou deixar o número do meu telefone contigo, quando terminar seu expediente me ligue e virei te buscar. – Claire beijou minha bochecha – Boa sorte.

– Você é a nova funcionária? – perguntou um senhor grisalho, vestindo uma camisa branca com um calete e calça marrom.

– Sim, sou eu. – ele estendeu a mão e o cumprimentei – Renesmee.

– Prazer Renesmee, eu sou o Sr. Hugo. Farei um tour pela biblioteca lhe mostrando como deve trabalhar aqui. Qualquer dúvida que tenha, você deve recorrer à mim.

– Sim senhor. – respondi com um sorriso amigável.



JACOB POV


Assim que a aula terminou, voei escadaria abaixo e fui para trás do prédio principal. Chegando lá, puxei o baseado de meu bolso e o acendi. Eu iria me encontrar com o traficante de cocaína apenas tarde da noite, então o que me restava naquele momento era aproveitar aquele baseado. Eu sentia meu sangue ferver, minhas mãos coçavam para esmurrar a cara de alguém, e meu pênis precisava urgente de um consolo. Aquela ruiva havia me desestabilizado completamente. Ouvir ela falar não com tanta veemência, ativou o pior dos monstros dentro de mim. Eu queria estrangulá-la, partir seu corpo em pedaços, torturá-la pelo simples fato de me ter feito passar vergonha na frente dos outros. Alguns minutos depois Seth, Paul e Quil apareceram aos risos.

– Jacob Black intimidado por uma garota. – falou Paul debochado, ele adorava tirar onda com minha cara – É o fim dos tempos.

– Se você não calar a inútil da sua boca Paul, será o fim dos tempos para sua cara bonitinha. – disse secamente. Não me importaria nenhum pouco de socar a cara dele, mas eu sabia que se fizesse isso arranjaria briga pro ano inteiro e ficaria sem meus companheiros de balada. Por isso respirei bem fundo, e deixei a essência da maconha invadir minhas entranhas e aliviar toda aquela tensão.

– É, aquela garota te pegou desprevenido Jacob. – disse Quil acendendo outro baseado.

– Pegou á todos desprevenidos. O acontecimento já rola solto na universidade. – falou Seth chutando algumas pedras do chão.

– A questão é, você irá deixar passar Jacob? – indagou Paul mais contido.

– Não sei, estou pensando ainda. – soltei uma baforada – Aliás, vou pensar mais tarde, não quero estragar o resto do meu dia.

– Claire me disse que ela está trabalhando na biblioteca a noite. – disse Quil.

– Se ela for do jeito que Seth e Quil à descreveram, acho que farei uma visita para ela á noite. E mostrar-lhe como são confortáveis as prateleiras de livros antigos. – falou Paul malicioso.

Por mais que minha vontade fosse de matá-la, primeiro eu deixaria bem claro quem era o rei daquele lugar. Joguei a bituca do baseado no chão e esmaguei com o pé. Olhei o horário em meu celular e sai andando.

– Vai aonde Jacob? – perguntou Quil.

– Lembrei que preciso pegar alguns livros antigos. – disse sarcasticamente.

– Mas você nunca pegou nenhum livro! – comentou Seth.

– Exato.

Notas finais
MUAHAH MUAHAH MUAHAHA e agora, o que será que irá acontecer no próximo cap?? TCHAN TCHAN TCHAN!

Bom, só quero agradecer a todas que comentaram pedir um favor, PLEASE, BEM DE QUERIDAS, REPASSEM MINHA FIC PARA LEITORAS QUE GOSTEM DE JAKENESS *o*

Espero receber muitos comentários >.

Espero que tenham gostado do cap, ele ficou bem grandin mesmo.

Beeeijos anjinhos :)