A Convocação
5 Choques
Notas iniciais
(francês) Arrêter = pare (português)
RENESMEE POV
Já fazia algumas horas que eu estava trabalhado no meio de dezenas de prateleiras, recheadas de livros. Me senti maravilhada lá dentro, pois em Eros não tínhamos livros para ler, digamos que não era um hábito dos celestiais e muito menos necessário. Justo quando nossa função era zelar pela vida das pessoas, e não perder nosso precioso tempo vasculhando livros. A biblioteca de Stanford era tão grande, que Sr. Hugo não havia dado conta de mostrar-me toda ela. A idade já acometia seu magro corpo, então ele instruiu-me conhecer sozinha aquele mundo colorido.
Á noite, pelo que me disse Sr. Hugo a biblioteca era menos movimentada, me poupando de trabalhar demais. Ele disse que nas horas vagas, eu poderia pegar alguns livros para ler, e que aos poucos eu iria aprender como era trabalhar naquele antro de conhecimento. Olhei para o relógio da parede e constarei ser 22 horas, e felizmente a biblioteca fechava as 23 horas. Eu havia começado trabalhar ás 19 horas, e já sentia meu corpo reclamar por descanso. Sentir aquilo estava sendo completamente novo: cansaço, raiva, carinho. Não éramos acostumados a sentir isso, tanto porque em Eros não vivíamos tais situações que nos levavam á esses extremos. A saudade de casa bateu forte em meu peito, e reprimi uma lágrima que insistiu cair. Lembrei-me das palavras que meu pai dizia-me quando mais nova, e até parecia que ele sabia o que eu iria passar.
“Você precisa ser forte Renesmee. Nem sempre as coisas cairão do céu, nem sempre as pessoas serão boas, nem sempre tudo acontecerá como você previu. Mesmo que esse não seja nosso objetivo, você também precisa viver.”
Bem, se passar pelas dificuldades que eu estava passando era viver, certamente viver não era exatamente uma coisa boa.
- Já vai Sr. Hugo? – perguntei ao ver meu novo chefe – já que agora eu respondia diretamente á ele, e não mais a Deus – arrumar suas coisas, colocar alguns livros dentro de uma bolsa e pegar seu casaco.
- Por favor, Renesmee, não sou tão velho assim. Hugo está ótimo. – sorri em consentimento – Sim, estou indo. Ainda preciso pegar leite no mercado para meus filhos. Logo seu expediente acaba, assim você pode ir embora, que os seguranças do campus fecharão a biblioteca.
- Obrigada Sr...quer dizer, Hugo. Espero ter feito tudo certinho hoje. Que Deus lhe acompanhe.
Hugo sorriu largamente para mim, fazendo pequenas rugas formarem ao lado de seus olhos, tossiu algumas vezes e já na porta, deu-me tchau. A biblioteca poderia acomodar confortavelmente uns 200 alunos, mas agora com apenas dois deles ocupando uma mesa, aquele lugar tornava-se um pouco assustador. Nem todas as luzes estavam ligadas e havia poucas janelas, impedindo a luz do luar de entrar no recinto. Coloquei o cardigan que Claire me emprestou, e empilhei alguns livros na seção retirar. Esse era um dos meus deveres lá dentro, separar os livros que foram reservados naquele dia e que seriam retirados na manhã seguinte.
Caminhei entre as mesas vazias recolhendo folhas, cadernos e canetas esquecidos pelos estudantes. Peguei o mapa feito á mão pelo Sr. Hugo para eu localizar-me lá dentro, e segundo suas instruções eu devia deixar as coisas esquecidas em um armário intitulado pertences. O armário ficava no final de um dos corredores, coincidentemente era no corredor “M”, onde a fiação estava com problema, e as luzes funcionavam quando queriam. Nunca tive medo do escuro, até porque esse era um temor que dês de crianças eramos condicionados e repugnar. O escuro simbolizava o mal, o inferno, e de maneira alguma poderíamos temer ele. Mas conforme eu ia me aproximando do armário e as luzes não funcionavam – me levando consequentemente para dentro da escuridão – os pelos de meu corpo se arrepiaram.
Engoli seco quando cheguei em frente ao armário e precisei forçar minha visão para encontrar a fechadura. Um vento gélido bateu em minhas costas e um leve tremor acometeu meu corpo. Quando eu consegui por fim guardar todas as coisas e trancar o armário, escutei alguém respirar em meu pescoço e rapidamente me virei. Não encontrei nada, não havia ninguém a minha frente, a não ser aquele imenso corredor negro. Aos poucos meu coração ia se acalmando, mas para minha lástima, vi a sombra de alguém passa à alguns metros a minha frente. Estatelei no lugar, sentindo meu corpo gelar e meus pés formigarem. Eu estava pela primeira vez provando do terror humano. Vários livros foram derrubados das prateleiras, e escutei algumas cadeiras serem arrastadas ao longe.
Tapei os ouvidos com o som estridente que elas faziam no piso, e reprimi um grito. Não, aquilo simplesmente não podia estar acontecendo comigo. E então, tudo rapidamente parou. Não ouvi mais nenhum barulho estranho e mais nenhum livro foi derrubado, me aliviando imediatamente. Pude então soltar o ar preso em meus pulmões, mas ao dar um passo a frente pensando em voltar ao centro da biblioteca, o mesmo hálito quente de antes fez cócegas em meu ouvido novamente. Ele estava de volta.
-Buh! – disse a voz rouca.
Sem pensar duas vezes botei meus pés para correr. Atravessei algumas prateleiras á passos largos, meus pulmões já queimavam da repentina corrida que tive que dar, e meu coração se pudesse certamente sairia pela boca. Um enorme bolo formou-se em minha garganta, e quando o conforto de finalmente estar vendo algumas luzes assolou meu ser, fui fortemente prensada contra uma das prateleiras, derrubando alguns livros ao meu redor.
Espremi os olhos, eu não queria ver o rosto daquele que estava me perseguindo e atormentando. Minha maior vontade era gritar, mas parecia que eu não tinha forças suficiente para pronunciar nada, então me fiz de cega, surda e muda. Sem contar que uma de suas mãos apertava meu pescoço, ficando difícil até mesmo cogitar algum tipo de pedido de socorro. Por alguns instantes o cheiro que emanava do corpo que me prensava, nublou meus pensamentos. Era um cheiro bom demais, almíscarado, que amoleceu meu corpo. Inspirei um pouco, mas ligeiramente me penalizei pelo pecado que eu estava cometendo, afinal eu estava sendo maleável com aquele homem cruel. Abri os olhos certa do que iria encontrar a minha frente, e de que seria preciso ser muito forte para enfrentar o que provavelmente estava prestes a acontecer. Entretanto, meu coração deu um solavanco ao ver quem estava me prensando na prateleira, e segurando minha vida em suas mãos. Lembrei-me da aula horas antes, e de quando imaginei ele apertando meu pescoço, até sufocar-me; certamente estava ali para se vingar. E a julgar pela forma que estava agindo dês de o primeiro momento em que nos conhecemos, Jacob seria capaz de qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo.
Aqueles olhos negros derramaram-se em mim como o manto negro da noite. Em seus lábios um sorriso sarcástico, e em seus olhos apenas divertimento. Vasculhei em minha mente onde eu poderia ter errado, pois era claro, Jacob terminaria comigo, e minha missão chegaria ao fim. E por um momento, eu desejei que ele fizesse isso mesmo.
- Peguei você. – ele disse ainda ostentando aquele sorriso diabólico, e a mão em meu pescoço. – Te assustei direitinho.
Engoli o bolo que formou-se em minha garganta, e me segurei ao máximo para não chorar. Estava ficando difícil de respirar quando seu corpo grande prensava fortemente o meu, e sua mão em meu pescoço limitava a entrada de ar em meus pulmões.
- Jacob... – tentei falar, mas minha boca estava seca demais para isso.
- Diga docinho. – sua outra mão acariciou meus cabelos – Você pode pedir o que quiser.
- Está...me...machucando. – consegui finalmente pronunciar. Jacob soltou um risada irônica, e afloxou um pouco o aperto. Mas não soltou meu pescoço.
- Sabe, você foi muito desobediente hoje Srta. Renesmee. – ele falou a centímetros de meu rosto, me permitindo sentir o seu hálito quente – Pensei que talvez pudesse lhe ensinar boas maneiras.
- Não era minha intenção. – comentei na tentativa de livrar-me de sua vingança.
- Não era o que parecia.
A mão que estava em meu pescoço desceu lentamente pelo meu colo, roçando meu seio esquerdo, indo parar em minha cintura e traçando o caminho de volta, parando dessa vez em meu rosto. Instintivamente meu corpo reagiu ao seu toque, senti minha pele formigar por onde sua quente e grande mão passeou, e os bicos de meus seios endurecerem. Castiguei-me internamente por ter tido aquele destino, e por estar respondendo tão humanamente á um toque dele. Jacob olhou-me luxuriosamente e sorriu.
- Parece que alguém aqui gostou disso. – disse ele se divertindo da minha situação.
- Por favor... – ele calou-me com seus dedos, e franziu o cenho. Olhou-me curiosamente e tracejou com o polegar o desenho de meus lábios. – O que você...
- Quieta, eu quero apenas...
Jacob não terminou de falar e juntou meus lábios com os seus. Sua mão voou para minha nuca, e trouxe-me para mais perto de si. Uma estranha e eletrizante corrente passou em nossos corpos, e eu senti um choque ao receber sua boca em cima da minha. Arregalei os olhos diante de tal ato.
“Meu Deus, meu caído estava me beijando. E era o primeiro beijo de minha vida.”
Amaldiçoei Jacob por ter feito aquilo, e por ter tirado o direito de algum celestial que futuramente seria o merecedor de tomar meu primeiro beijo. Bree Tanner apareceu em minha mente com aquela conversa sobre comida e sentir falta dos garotos da terra, e presumi que ela também tivesse passado por isso. Aceitei meu destino naquele momento, mas torci internamente para eu não terminar da mesma forma que ela terminou, com uma bala no pescoço.
Os lábios de Jacob eram macios e quentes, e por um pequeno espaço de tempo me deliciei com o gosto que vinha de sua boca. Eu estava atordoada, pois eu nunca tinha beijado e não sabia o que fazer. Aquilo era completamente novo para mim, e quando eu estava fechando os olhos para entregar-me à aquele beijo, outro choque percorreu nossos corpos. Arregalei novamente os olhos e lembrei-me quem era a pessoa á minha frente.
- Mas que por...- ele sussurrou olhando-me estranhamente, e finalmente afastou-se de mim. Passou agressivamente as mãos em seus cabelos, e me olhou com ódio. Cogitei que ele também estivesse surpreso com o que acabara de fazer e acordou para a realidade.
- O que você...- Jacob apontou um dedo em minha cara, evitando-me de continuar a falar.
- Escuta aqui garota, você já não é muita coisa. E se continuar me desafiando, ou se intrometendo em meu caminho, eu iria fazer você ser um nada. Está entendido? – ele perguntei e eu continuei catatônica, não sabia muito bem se minha reação era por causa da ameaça, ou por causa do beijo, e sinceramente, achei melhor não descobrir – Eu perguntei se você entendeu?
- Si...Sim. – respondi.
- Ótimo. Meu trabalho aqui já está feito.
Jacob deu-me as costas e andou em direção á saída, sem antes derrubar vários livros das prateleiras. Céus, mais uma vez eu precisa de um banho relaxante.
Terminei de arrumar a biblioteca, e os seguranças do campus tiveram que me esperar. Já que tudo o que eu tinha arrumado, meu caído havia desarrumado. Peguei o telefone fixo da biblioteca e liguei para Claire que prontamente me atendeu e mandou-me esperar na entrada do campus que passaria lá para me pegar.
Enquanto esperava Claire, o vento gelado batia em mim e eu só conseguia pensar em como Jacob era quente, e como seria reconfortante ter ele me abraçando para me aquecer naquele momento.
- MAS QUE PORRA É ESSA RENESMEE?- me recriminei pelos pensamentos.
Meu Deus, falei meu primeiro palavrão. Espero que o Senhor não tenha escutado.
JACOB POV
Afastei-me daquela biblioteca o mais rápido que pude. Maldita garota de cabelos vermelhos cacheados, olhos verdes e boca convidativa. Perdi completamente a sede de vingança quando suas esmeraldas cravaram em mim, e seu cheiro indescritível invadiu minhas narinas. Ela estava assustada, mas parecia estar acima de tudo curiosa para saber o que eu iria fazer. Seus lábios foram como um ímã para mim, e quando vi já esta me deleitando com seu toque suave. Seu lábios pareciam seda, e instintivamente senti vontade de provar o resto da pele de seu corpo, só para saber se ela seria tão deliciosa como seus lábios eram.
A resposta de seu corpo ao meu toque, excitou-me de uma forma que nenhuma outra mulher havia conseguido fazer. Mas aqueles choques, aqueles malditos choques haviam sido algo fora do normal. E o pior de tudo, não foi apenas um, mas sim dois choques. No primeiro eu até que não dei bola, tanto porque eu estava tão envolvido entre seus lábios que mal o senti. Entretanto o segundo choque parece que aconteceu para me acordar, e me fazer ver quem eu estava beijando e desejando.
- Garota estúpida. – falei comigo mesmo dentro do carro, enquanto eu dirigia para casa.
Enquanto pensava naqueles seios e no seu aroma angelical, olhei para o meio de minhas pernas, e constatei que eu estava em ponto de bala. Maldita hora que eu resolvi me vingar daquele encosto.
- Seu traíra. – dessa vez falei para meu membro que insistia querer sair para fora da minha calça jeans. Peguei meu celular e liguei para Cécile, no segundo toque a mesma atendeu manhosa, como um gato – Estou passando aí gatinha.
Ela riu divertidamente no telefone e desligou. Seria difícil me concentrar em alguém naquela noite, quando a ruiva de olhos esmeraldas habitava todo meu ser. Quis me dar um soco na cara, quando constatei que seu cheiro havia impregnado em mim. Felizmente Cécile era o tipo de garota que conseguia me fazer esquecer do mundo, ela era como uma bengala para mim. Eu iria me “apoiar” na intercambista francesa essa noite, até que ela gritasse ARRÊTER*. E bem, se Cécile não funcionasse – o que era praticamente impossível – eu sempre poderia recorrer a minha amiga mais antiga, a Ína. Mais conhecida como cocaína.
Renesmee sairia da minha cabeça naquela noite, nem que fosse preciso sofrer uma overdose.
Notas finais
E então, o que acharam desse colapso do Jacob? Estranho não? Será q ele ta mudando?
Uma coisa que provavelmente deixará vocês beeem curiosas, é que um outro "ser" irá aparecer na fic...e bem, problemas a vista :P Jacob que se cuide! IUAHIUSHAIUSHIUAHSUHAUSH
Beeijos gente, só tenho agradecer aos comentários que estão deixando(apesar de ser pouquinhos), mas fico mto feliz que esses pouquinhos estejam gostando e acompanhando. Obrigada do fundo do coração ♥
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