Notas iniciais
Espero que gostem dessa história de coração, tanto quanto eu. Estou colocando meu bebe a disposição de vocês, aproveitem e leiam com carinho. ♥ ♥

A Contadora de Histórias.

Luz. Eu preciso de luz. Abro as cortinas rosa claro para que os raios solares invadam meu quarto. Perfeito, claridade. Destravo as trancas da janela e sinto o ar puro do campo adentrar-me o corpo, me delicio com a sensação calma que o canto dos pássaros me proporciona. Minha camisola florida levanta com o vento lá fora, resolvo me trocar. Visto meu vestido branco com uma laço azul anil na cintura. Calço as sapatilhas claras e prendo o cabelo com uma fivela de borboleta.

Arrumo minha cama e desço as escadas, à medida que me aproximo da cozinha noto o odor de ovos e pão recém saído do forno.

— Mamãe, eu quero dois ovos – peço educadamente ao chegar na cozinha.

— Bom dia pra você também filha – cumprimenta minha mãe me repreendendo pelo não uso dos bons modos.

— Bom dia mãe. – reviro meus olhos rindo. Pego os pratos e os distribuo em três sobre a mesa.

Meu pai chega em casa após tratar os animais do sítio. Um sorriso radiante ocupa sua face, contudo, um ar pesaroso insiste em o acompanhar. Permaneço em silêncio, beijo sua bochecha e mamãe serve a mesa. Comemos comentando as notícias locais, que por sinal são poucas, tanto que o ambiente volta a sua quietude habitual.

— Querida, Cristal, preciso de um minuto da atenção de vocês – pede meu pai com seu sorriso de antes, aquele tão feliz e triste ao mesmo tempo. A atenção e redirecionada à ele assim como pedido, ele parece empolgado, engole a comida e continua. – Recebi uma proposta de emprego numa outra escola, — meu pai é professor de biologia no ensino médio – é uma escola ótima! Nos dará uma renda alta e ... vendendo o sítio, os animais, as cabeças de gado, dará uma fortuna exorbitante! Poderemos viajar, ter as férias nos nossos sonhos, ter uma casa mais confortável... – eu o interrompo enquanto ele continua sua lista de possíveis sonhos.

— Papai, onde é exatamente, essa escola? – há muito receio no meu tom de voz.

— Na capital – responde duramente.

Minha mãe parece assustada, todavia ela entenderia essa proposta, assim como entende minha situação. Ela quer aceitar e ter uma vida melhor assim como meu pai, porém, mesmo que eu concorde, eu não quero deixar o sítio, não quero viver na cidade repleta de pessoas modernas, esnobes, exibidas e ignorantes. Um lugar cheio de crianças birrentas e mimadas que nunca precisaram trabalhar um segundo sequer na vida. Crianças sem juízo que não precisaram amadurecer cedo. Agora já estou até pondo a culpa nelas pela minha vida ser o que é, mas eu amo minha vida, aqui. Não lá, entre as tecnologias. Eu prefiro enterrar meu pensamento num livro a passar um dia inteiro em frente à uma tela. Prefiro viver entre o esterco das galinhas e brincar com os porcos do que andar como uma "riquinha" sem poder nem molhar as mãos. Eu prefiro muito mais um contato humano através de um abraço, ao invés de se relacionar por um ... aparelho celular!

Eu amo minha vida no jeito rural que ela é.

— Pai eu não quero ir – minha voz se embarga em lágrimas.

— Filha nós precisamos do dinheiro, nós vamos ir – meu pai tenta me acalmar.

— Pai eu não quero ir! – o meu tom de voz se aumenta.

— Querida, nunca haverá uma proposta a esse nível novamente, nós vamos aceitar – diz minha mãe compreensiva, segurando minha mão.

— Eu não vou ir! — quem parece a criança mimada agora Cristal?

— Cristal! — berra minha mãe se levantando sem paciência. Ela baixa seu olhar firme sobre mim e fala fazendo pausas entre as palavras. – Faça suas malas.

Notas finais
O que acharam? Comentários? Críticas?