A Construção da Muralha
5 Visão
Bran acordou suando frio e com o coração batendo acelerado sentou na beira de sua cama, não conseguia se lembrar mas sabia que estava sonhando com algo ruim, sentia que alguém muito próximo estava correndo perigo em algum lugar distante. Foi até a janela e abriu-a viu que estava escuro ainda, deitou e rolou por um bom tempo até mergulhar no sono novamente, o sonho voltou só que agora mais lúcido, via seu tio sentado em um trono de gelo rodeado pela escuridão, por um momento parecia que Brandon estava no mesmo local, sentia o frio trespassar-lhe a carne e chegar até seus ossos, havia algo de errado Cleon o via mas não falava com ele, sua pele era branca os olhos azuis parecendo uma semente de pêssego-céu e sua mão negra que por causa da escuridão parecia que nem as tinham. Escutou um sussurro dizendo "Brandon, Brandon, me ajude estou preso, preciso sair daqui". De repente acordou com sua mãe o olhando.
– Filho! Está na hora de você se levantar, metade do dia já se passou.
– Vai indo na frente, desço em seguida. — Bran não se lembrava de ter dormido tanto, parecia que acabara de fechar os olhos.
Após a refeição foi praticar leitura na torre do meistre com Perssus, lá ficou sabendo da carta que chegou mais cedo com a notícia do ocorrido com seu tio, ficou assustado por saber disso pois havia sonhado com seu tio em perigo. Como o intendente já estava com o meistre a muito tempo e ouvira muitas histórias dele, Bran resolveu contar-lhe sobre o sonho. Perssus não pareceu surpreso, virou e disse:
– Certa vez o meistre comentou comigo sobre videntes verdes, falou que eles podiam ver o futuro, passado e o presente, alguns dizem que os videntes são raros de se encontrar e o sangue dos primeiros homens tem poderes inimagináveis. Esse acontecimento pode ter alguma influência sobre seu sonho.
– Você está falando que eu sou um vidente verde?
– Pode se dizer que sim e não, pode ser só coincidência, de tempos em tempos aparece um dizendo ser um vidente verde, mas na hora de provar se mostra só mais um que confundiu um sonho revelador que teve uma única vez com sonhos que podem mostrar uma vida toda ou muitas vidas.
– Queria ser um vidente, seria legal não é?
– Pode ser que sim, mas histórias dizem que os videntes tinham vidas infelizes e monótonas, ficavam presos em suas visões e sonhos sem saber distinguir realidade e não realidade, quando alguém descobria seus dons era pior ainda, muitos os procuravam pra saber o futuro e uma vez e outra alguém querendo descobrir se algum ato poderia ter mudado seu passado. Morriam sem ninguém à seu lado por ter uma vida mais extensa do que os demais.
– Será que todos os videntes são assim? Desse jeito eu não gostaria de ser.
– As histórias citam poucos videntes, acho que existem muitos que somem por vontade própria na floresta e ninguém nunca mais vê, acho que foi só um sonho ocasional.
Depois da conversa foi ao patio treinar suas habilidades com espadas e arco e flecha, Bran não gostava das espadas mas as flechas pareciam parte de si, se fechasse os olhos e disparasse acertaria o alvo do mesmo jeito.
Sua construção do dia era um forte com os detalhes sempre visíveis, os riscos onde cada pedra foi encaixada com outra, o terraço tinham estacas pontiagudas, e tudo feito com neve e gravetos, o fosso desse forte era seco com estacas no fundo e ponte levadiça, tinha um orifício onde deveria ser a entrada, mas não havia como entrar por causa do tamanho e que por dentro era sólido para não desabar, ouviu um reboliço no portão principal e foi ver. Quando chegou ouviu sor Jorah conversar com um homem já de idade, ele estava perguntando:
– O que estava fazendo perto dos muros do castelo? Você não parece ser nortenho, deve ser de umas das companhias dos outros reis, que decidiu ficar fazendo baderna por aqui.
– Estou aqui por único motivo que não é destinado a você.
– No momento eu diria que é para mim esse assunto e você já deve saber o por que.
– Jorah o que está acontecendo? — Perguntou Tricya.
– Encontramos esse homem ao redor do castelo minha senhora, e tenho quase certeza que ele é o responsável pelos acontecimentos atuais da vila, muitos tem vindo reclamar disso ultimamente.
– Estou ciente desses acontecimentos, vamos ver o que ele tem a dizer. Seja qual for o motivo que está aqui pode dizer pra mim. — Disse Tricya ao estranho.
Eu estava de pé atrás de minha mãe e ele não falou uma única palavra, só fez um gesto apontando na direção dela, quando percebi que ele estava apontando pra mim todos já estavam me olhando.
– Como assim? O que você quer comigo?
– Tem muita coisa que quero de você e não tem como falar tudo agora, vai levar tempo e desempenho de sua parte, mas posso adiantar um pouco fazendo uma pergunta, você teve algum sonho que realmente aconteceu antes de saber que tinha ocorrido ou no momento em que ocorreu?
– Sim, essa noite sonhei com meu tio e de manhã chegou uma carta falando sobre ele.
– Brandon não fale sobre sua vida com esse estranho, Jorah prenda-o e você vai me contar que sonho foi esse.
Eu e minha mãe fomos para o salão privado, chegando lá contei sobre o sonho e a conversa com Perssus, ela ficou pensativa por um estante e mandou buscarem o homem das masmorras, quando ele chegou minha mãe perguntou:
– Como devo chama-lo?
– Já fui chamado de mago, bruxo, feiticeiro, macumbeiro, domador de artes das trevas, mensageiro do além e de um nome muito comum... Vidente verde.
Todos ficaram boquiabertos por um momento que pareceu uma eternidade, quando decidi quebrar o gelo.
– Então podemos te chamar de vidente? Ou tem um nome normal?
– Butbahul, ao seu dispor.
– Temos muito o que conversar Butbahul, mas não hoje, providenciem um quarto quente e alimento para ele, quero-o disposto responder todas as minhas perguntas a primeira luz do sol.
Quando saíram do grande salão o sol já se escondia no horizonte, Bran olhou para seu lado e viu que escuridão seu filhote de lobo gigante caminhava com ele, se passara pouco tempo mas o lobo cresceu um tanto quanto rápido, não sabia se ficava preocupado, com medo ou tranquilo por causa dos acontecimentos. De uma coisa tinha certeza, mudanças grandiosas estavam por vir.
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