A Construção da Muralha
4 Mistérios
A alvora chegava devagar, do sol só se via uns fios parecido com gumes de facas, os dias estavam ficando mais curtos e as noites longas demais, Rodrick quebrou o jejum com Cleon e os outros seis reis e seus fieis conselheiros, havia sopa de aveia com pão amanhecido, apesar de ter cozinheiras que vieram com as companhias, essa manhã não tinha pão quente devido o frio da noite que se passou.
O bacon estava crocante quase torrado, vinho quente condimentado com cravo e especiarias, alguns preferiram cerveja com limão, o pato e pombo com sementes de mostarda vermelha por cima estavam derretendo na boca de tão assado, havia também fatias de presunto cru, ovos de casca vermelha cozidos, algumas ameixas secas e pedaços de maçã. Após o termino da refeição Rodrick disse:
– Todos já devem saber as notícias dos batedores, elas não são boas.
– Temos que pensar em estrategias. — Disse Nymeros Martell, como todos em Dorne ele era um homem robusto de pele bronzeada que brilhava parecendo que tinha acabado de mergulhar em óleo corporal, ombros largos, cabelos e olhos negros. — Os vagantes brancos estão longe isso é certo, mais nunca é cedo demais pra nos protegermos.
– Eu digo que devemos cavar alguns fossos e para o caso deles conseguirem passar colocaremos estacas bem pontudas e o principal de tudo, temos que ficar atentos. — O mais novo de todos os reis, com apenas dezoito dias de seu nome o pai do jovem, belo e surpreendente Barristan Tully o deixou, a partir desse dia ele mostrou ser capaz de governar como nenhum outro Tully havia governado antes, hoje com vinte e cinco dias de seu nome se mostra mais maduro que todos, sendo o primeiro a responder meu chamado.
– Essa é boa, um menino que ainda escuta histórias da velha ama quer dar ideias em uma guerra? — Lan Lannister, não era segredo que os donos da montanha mais rica de Westeros nunca tiveram amor pelos Tullys, e Lan era o pior de todos, seus cabelos dourados caídos até os ombros, os olhos tinham as mesmas cores de um entardecer, um amarelo laranjado, difícil de distinguir, ninguém jamais viu um sorriso, nem que seja de canto de boca sequer, sair de seus lábios vermelhos, foi o ultimo a responder meu chamado isso o deixou mais furioso com os Tullys, pra ser mais claro com Barristan. Lan era estupido, imprudente, não pensava nas palavras antes de falar um ato perigoso quando se está em meio de mais seis reis.
Ainda que uma dupla desses reis já eram velhos de guerra e tinham um bom tempo que não viam um pouco de sangue em seus machados de guerras, Ólliver Baratheon e Olivar Arryn os dois são amigos dos Tullys e acham o jovem Barristan incomparável, Lan deveria ter cuidado com esses dois por esse motivo, gostavam muito de beber e o tamanho deles não negavam o gosto por comida, o único gosto que superava esses dois era o de guerrear, matar, ver sangue em seus instrumentos mortais.
– Tome cuidado com sua língua rapaz. — Olivar disse. — Já estrangulei muitos por menos que isso.
– Vamos todos nos acalmar, estamos aqui como aliados e não inimigos. — Quando se referiam aos Arryns e Baratheons, falavam dos irmãos separados do berço, mais os nomes Ólliver e Olivar não era mais que coincidência, Ólliver é irmão mais velho de minha amada Tricya. — Esses tempos já serão difíceis para todos nós juntos, imagina se estivermos em guerra interna.
– Só estou me contraindo um pouco, vocês não tem senso de humor? — Disse o Lannister
– Nesse momento o que menos temos é sorrisos para distribuir por ai, enfim, a ideia de lorde Tully não é de se jogar fora, mas precisamos de mais, quanto mais nos prevenirmos, melhor.
– Pensando nisso lorde Stark, tenho uma solução, quando a noite cair rodearemos o acampamento com tochas, vai ser demorado? Sim, mas homens é o que mais temos então sera um tanto quanto rápido. — Enfim se manifestou Sulivan, O Astuto, o lorde Tyrell era famoso por sua calma, sempre ouvia todos falarem, pestanejarem pra depois dar sua opinião e muitas delas indispensáveis. Seu conselheiro era seu primogênito, um jovem com cabelos loiros, olhos azuis, seguia seu pai em todos lugares.
– O fogo pode cegar as sentinelas, e nisso os Outros podem se aproximarem sem serem vistos. — Nymeros disse.
– Já pesei nisso, construiremos torres de cerco, colocaremos vigias durante o dia todo e noite que é o principal e com a luminosidade das tochas será fácil ver os vagantes se aproximando, alguém concorda comigo?
O primeiro a levantar a mão foi Barristan, depois dele veio Ólliver, Ollivar, Lan e todos os outros.
– Todos concordamos. — Não era a toa que Sulivan era chamado, O Astuto, suas ideias são ótimas, no passado tive alguns conflitos com os Tyrell que ajudou a provar isso. — Pensou Rodrick.
Quando terminou o conselho Rodrick foi direto à tenda de meistre Kylos, havia chegado um corvo de Winterfell. Depois de ler a carta lorde Stark ficou pensativo pelo detalhe do lobo, tinha letra de meistre o que apontava que Perssus, o intendente havia escrito a carta, mas no final, uma letra que Rodrick reconheceria de longe que dizia:
"Volte logo meu amor estou com medo, preciso de você do meu lado, entendo que possa demorar por ai, mas com toda essa ajuda vai acabar logo, oro todos os dias para que essa maré de horrores passe logo. Te amo e te espero com muita saudade."
Ao sair da tenda Rodrick parou de súbito, o crepúsculo estava caindo e uma lua amarela e cheia aparecendo no horizonte, soube de imediato que deveria pegar sua armadura e ajudar todos durante a vigília. Enfim, o inverno chegou.
Quando Rodrick se virou para ir a sua tenda ouviu de súbito um longo Aaaaaaaaaaauuuhhh, seu coração parou por um instante e voltou a bater com outros sons dos vigias em suas torres tocando o corno de guerra. Após chegar na linha de comando com os comandantes disse:
– Os batedores não viram eles a mais quinhentos quilômetros daqui?
– Parece que alguns passou despercebido. — Disse Lan
– Chame os batedores, precisamos de uma palavrinha com eles. — Ordenou Olivar à seu intendente, que na realidade era um de seus muitos bastardos que ele mantinha escondido no ninho.
– Já estão aqui senhor.
– O que diabos vocês nos falaram hoje antes do romper da alvorada?
– Dissemos eles estavam longe senhor, não foi visto nenhum vagante entre o acampamento e os primeiros avistados, e mesmo assim o número era muito pequeno. — O chefe dos batedores era um homem carrancudo, estatura baixa mas nas reuniões ele se mostrou o melhor entre todos.
– Então o que eles fazem aqui? Perto da nossa companhia.
– Lamento senhor, não sei te explicar.
– É um número pequeno, podemos conte-los. — Falou Barristan
Realmente a quantidade era muito inferior ao total que se somava aos nossos homens, mas algo estava errado em tudo isso, Rodrick olhou para o seu lado direito e faltava alguma coisa ali ou...alguém, Cleon não estava ali, enquanto ia a procura de seu leal irmão os guerreiros já haviam abatido todos vagantes, quando suas lanças com pontas de obsidiana perfuraram a pele gélida e branca dos Outros, eles derretiam como gelo quando entra em contato com água quente só restando os olhos azuis e as mãos negras.
Um alvoroço na mata deixou Rodrick inquieto, havia uns buracos pequenos onde começaram a cavar os fossos mas seu garanhão saltou-os sem problemas, chegando mais perto ficou estupefato com o que viu se tratava de alguns vagantes levando seu irmão, não desistiu e continuou correndo mas de repente surgiu uma névoa e impediu sua visão, quando a neblina dispersou não havia rastros, pegadas, neve remexida, nada, seu irmão tinha sumido com a névoa.
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