Notas iniciais
Parte I de V
Para SophieQueen, minha amiga secreta e autora que fez minha adolescência muito feliz com várias fanfics. Enjoy it!

Meu despertador era o hino do condado. Ou seja, as chances de levantar já de mal humor triplicavam por causa daquela musiquinha miserável que insistia em interromper sonhos felizes.

Não me leve a mal, eu era parte da realeza, longe de mim reclamar. Eu tinha uma casa – me recuso a dizer castelo – tinha comida farta todos os dias, uma família que me amava, mesmo que com superproteção e tinha amigos mais do que incríveis. Mas assim como Annelise em Barbie A Princesa e a Plebeia, eu sentia falta da minha liberdade.

Não que eu fosse a Barbie de qualquer filme, eu era Isabella Marie Swan, filha do Conde Swan e próxima na linha de sucessão no condado de Forks. Forks era parte de Dwyer’s Kingdom, um país minúsculo esquecido pela geografia que ficava ao leste do Reino Unido.Eu também era Isabella Marie Swan, recém formada em Relações Internacionais pela Oxford University. Mas no meio disso tudo, eu era só eu, Bella. Impedida de sair na hora que bem entendesse e obrigada a assumir um posto que nunca pedi. Eu amava meu país e estava feliz com a ideia de trabalhar na embaixada, tinha planos junto ao parlamento para expandir o turismo local e fazer Forks e Dwyer’s Kingdom lugares conhecidos e amados. Mas os planos do Conde Swan, ou melhor dizendo, meu pai Charlie, eram outros.

E assim eu acordei mais uma manhã amaldiçoando cada dia supostamente perfeito.

Eu sequer tinha tirado o pijama quando ouvi batidas na porta. Pelo ritmo, já sabia que era minha pessoa preferida no mundo.

“Bom dia, maninha!”, o sorriso de Seth era meu sol particular. Depois que mamãe morrera quando tinha somente 3 anos de idade, meu pai casou-se novamente com Sue Clearwater, filha do Visconde de Clearwater – ou vôEff, como ele era conhecido por mim e por Seth. Não se falava sobre aquilo, mas Seth era na verdade filho de um camponês pelo qual Sue era apaixonada quando jovem. Meu pai então assumiu Sue e o bebê em sua barriga, o criando como seu próprio filho, o que não demorou muito para fazer com que ele e Sue desenvolvessem um amor mais forte do que todos que eu já tinha visto. E assim, eu ganhei uma madrasta incrível e um irmão que eu amava.

“Bom dia, bro.”

“Ei, Bells... o que houve?” Seth me conhecia melhor que qualquer pessoa no mundo, mesmo com nossa diferença de idade de três anos, muitas vezes ele era mais maduro do que eu.

“Nada, não se preocupe. Acho que estou com fome, vamos descer?”

Ótimo, comecei a preocupar as pessoas por perto. Me faltava um café da manhã pra esse mau humor passar. E talvez um shot de tequila.

Quando cheguei na sala, meu pai, Sue e Rosalie estavam tomando café e rindo, musiquinhas de Natal soando no fundo.

“Bom dia, Bells!!!!”

“Tem algo de errado aqui, Rosalie está animada demais.” semicerrei meus olhos desconfiada enquanto colocava leite quente e chocolate na minha caneca preferida. Um calendário digital na parede indicava que faltavam 16 horas para o solstício de Inverno.

“Você é muito mal agradecida, mocinha. Arrastei minha bunda para cá nesse frio logo cedo para programar o melhor final de semana da sua vida e sou recebida com desconfiança?” Rosalie olhou por cima do copo de suco de laranja com a maior cara cínica. Eu sabia que ali tinha.

Rosalie e eu crescemos juntas desde que eu me lembro por gente. Ela era filha do braço direito de papai, o ministro Hale e sua mãe, Dra. Lilian Hale era uma das maiores cirurgiãs plásticas do Reino Unido. Onde eu era comedida, Rosalie era furacão. Sempre tomando a frente e resolvendo os embates que eu preferia simplesmente deixar para lá.

“Que tipo de final de semana estamos falando?” mordi a isca e esperei qualquer reação de meu pai. Ser parte da realeza era estar nas capas dos tabloides com notícias falsas e ter cada passo policiado. Eu evitava sair à noite ou até mesmo namorar, não era certo submeter pessoas comuns a isso e os nobres eram nada mais que babacas reais.

“Estou falando de Londres e um festival de bandas muito bom.” Rosalie quase quicava na cadeira com tanta empolgação.

“FESTIVAL DE BANDAS? AH NÃO, TEMOS QUE IR!!” Seth se empolgou ainda mais que Rose e aparentemente eu não tinha escolha.

“Vamos lá, Bells! É seu último fim de semana antes de assumir seus deveres reais. Um pouquinho de diversão não vai te fazer mal!”.

Para minha surpresa mais absurda, Charlie concordou com Rose:

“Minha filha, vou lhe ser sincero: eu não sei dizer quando você poderá se divertirdessa forma novamente. Vá, eu sei que você estará bem e segura com Rosalie e Seth, basta que Felix fique a distância caso precise. Você só tem 23 anos, Isabella. Use sua liberdade com responsabilidade!”

Seth e Rosalie encaravam como se estivessem vendo um disco voador. Eu mesma estava custando a acreditar. Tinha a benção de Charlie e um passe livre para uma noite fora. Eu concluí que já que estava indo para o inferno, podia muito bem fazer o serviço completo. Troquei um olhar com Rosalie que dizia “party and bullshit” e sabia que nada de bom poderia vir daquilo. Ou poderia?

~ ~ ~

Me equilibrei em saltos Jimmy Choo novinhos em folha, presente de aniversário três meses atrás e conferi mais uma vez o que tinha escolhido para usar naquela noite. Troquei então os saltos por minhas Doc Martens favoritas e coloquei um casaco preto de couro sintético – consciência antes de tudo, sendo nobre ou não – por cima do vestido prateado que Rosalie insistiu que eu usasse e me senti mais como eu mesma. Jeans, botas e jaquetas, aquela era eu. Sabia bem que viriam inúmeros eventos, jantares e reuniões onde meus saltos seriam obrigatórios, então hoje me permitiria ser mais de mim do que nunca. Batom vermelho e um pouco de delineador e eu estava pronta pra beber e ouvir boa música com as pessoas que eu amava. A tela do celular acendeu com mais uma mensagem de Rose e depois de borrifar uma nuvem do meu perfume favorito, peguei minha bolsa e fui até a porta do quarto de Seth para chamá-lo.

“Uau!! Quem é esse gato e o que fez com meu irmãozinho?” Seth estava um arraso, com seus jeans rasgados, Converse preto e camisa dos Beatles – o que eu gostava de chamar de uniforme de rock star adolescente para irritá-lo.

“Quem sabe o que podemos encontrar noite a fora não é mesmo?” Ele sorriu e me lembrei do dia que um Seth de apenas 14 anos veio no auge do nervosismo me contar que gostava de meninas e de meninos. Fiquei emocionada pela confiança depositada em mim e mais emocionada ainda quando nossos pais demonstraram apenas apoio e amor a nosso garoto.

“Pois vamos adiantar porque Rose já está louca nas mensagens!” Empurrei meu irmão porta a fora e depois de gritar um adeus a Charlie e Sue, entramos no carro preto que já nos esperava na calçada. Rosalie tinha taças de champanhe esperando por nós e DuaLipa cantava na rádio sobre novas regras que deveríamos seguir. Eu declarei iniciada a última noite de Bella Swan.

Notas finais
Keep calm e vamos a parte II!