A Complicated Love
13 Nostalgia
Estava descendo as malas do quarto para a sala quando Mike me ajudou terminando de descê-las. Já estava tudo pronto para irmos para Agoura. Desde o dia em que eu pedi um tempo para Chester eu não tenho contato com ele e hoje vou voltar a vê-lo. Mike estava com um sorriso infantil no rosto, era como voltar a juventude pra ele.
M: Amor, já está tudo pronto, podemos ir.
MK: Ainda não, falta ligar pro Joe e pro Chaz pra saber se eles estão prontos e se vão conosco, pode fazer isso por mim, amor? Vou por as malas no carro. – ele saiu pela porta.
Não acredito que ele me pediu isso, estou me aguentando a semana toda para não falar com ele e meu próprio marido me pede pra ligar pra ele.
Resolvi ligar para o Joe primeiro.
J: Alô? – ele atendeu com voz de sono.
M: Oi Joe, é a Mel. Ainda está dormindo? Não vai com a gente pra Agoura? – eu ria enquanto falava.
J: Vou sim, Mel. È que eu estava esperando você ligar. Já está tudo pronto, só vou levantar e me arrumar, até vocês chegarem aqui eu já estarei arrumado. Já confirmou com o Chaz?
M: Vou ligar agora para ele, já estamos indo para aí, se apronte logo.
J: Ok, beijo.
M: Tchau.
Desliguei, respirei fundo e liguei para o Chester.
C: Alô? – Estremeci ao ouvir sua voz rouca.
M: Chester, sou eu Mellissa. O Mike me pediu para te ligar pra perguntar se você já está pronto e se vai com a gente. – Falei rápido, estava muito nervosa.
C: Não, eu vou depois. Tenho que passar para ver os meus filhos hoje. Mas chego lá de tarde.
M: Ah, ta bom. Eu aviso ao Mike. Tchau
C:Mel, espera! – eu gelei quando ele disse isso, como estava com saudade.
M: Fala. – fui fria, seca.
C: Como você está? Estou com saudade... – disse triste.
M: Estou ótima, nunca estive melhor. Agora tenho que desligar, estamos saindo, depois nos falamos. – desliguei.
Respirei fundo, tentando me livrar do turbilhão de emoções que tomaram conta de mim. Como eu estava com saudades, aquela voz, o desespero adolescente no falar, tudo nele me fazia sentir saudade. Esse fim de semana vai ser uma tortura, estar com ele, mas não poder fazer nada, vê-lo e não poder tocá-lo. O fato de ele ter ficado com a Talinda já não me trazia tristeza ou ciúmes, eu o entendia. Peguei minha bolsa e saí. Desci de elevador até o estacionamento e Mike estava dentro do carro me esperando, então fomos para a casa do Joe.
Chester:
Ela desligou. Foi fria como nunca tinha sido antes, não esboçou sentimento, não falou com carinho e nem me chamou de Chazzy, como sempre fez. Acho que ela ainda está assim pelo que aconteceu entre mim e a Tali, eu continuo ficando com ela, mas eu disse que não quero voltar. Pelo menos não agora, disse que preciso pensar e ela entendeu.
Não pensei que a Mel me fazia tanta falta, eu não paro de pensar nela nem um segundo sequer. Talvez eu consiga algum tempo com ela nesse fim de semana, nem que seja pra conversar.
Resolvi deixar isso de lado por enquanto e ir ver meus filhos, estão todos na casa da Talinda então vou até lá. Peguei minhas coisas no aparador e saí, fui para o estacionamento, entrei no carro e liguei o rádio. No Caminho para lá, começou a tocar uma música que me fez pensar de novo no que estou passando: One More Night, do Marron 5
You and I go hard
At each other like we're going to war
You and I go rough
We keep throwing things and slamming the doors
You and I get so
Damn dysfunctional we stopped keeping score
You and I get sick
Yeah, I know that we can't do this no more, eh
Você e eu vamos com força
Um no outro como se estivéssemos indo para a guerra
Você e eu somos rudes
Continuamos jogando coisas e batendo as portas
Você e eu ficamos tão
Disfuncionais que paramos de contar o placar
Você e eu somos doentes
Sim, eu sei que não podemos mais fazer isso, eh
A letra foi direto na ferida, era exatamente tudo que estava acontecendo, resolvi prestar atenção, aumentei o volume e fiquei escutando. Era como se ela fosse feita pra mim.
But baby there you go again, there you go again
Making me love you
Yeah I stopped using my head, using my head
Let it all go
Got you stuck on my body, on my body
Like a tattoo
And now I'm feeling stupid, feeling stupid
Crawling back to you
Mas querida, aí vai você de novo, aí vai você de novo
Me fazendo te amar
Sim, eu parei de usar minha cabeça, usar minha cabeça
Deixei tudo para lá
Tenho você presa no meu corpo, no meu corpo
Como uma tatuagem
E agora eu me sinto estúpido, me sinto estúpido
Rastejando de volta para você
So I cross my heart and I hope to die
That I'll only stay with you one more night
And I know I said it a million times
But I'll only stay with you one more night
Então faço uma promessa que espero cumprir até morrer
Que só ficarei com você mais uma noite
E eu sei que disse milhões de vezes
Mas só ficarei com você mais uma noite
Fiquei ouvindo e uma dor foi surgindo de mansinho no meu peito. Era culpa, remorso ou até mesmo arrependimento, não sei explicar, mas talvez eu estava caindo na real, minha vida está mesmo uma bagunça, apaixonado pela mulher do meu melhor amigo e me enganando, alimentando esperanças com ela, mas nada disso adianta, eu nunca vou tê-la comigo e ela tem o Mike e não vai deixá-lo por mim, e eu preciso pôr isso na minha mente.
Mike:
Estava muito animado por rever minha família, já faziam meses que não via meus pais, e meu irmão. Nem acredito que o Jay vai casar, nossa! O tempo passa muito rápido, ontem éramos jovens escolhendo o que fazer na faculdade e hoje ele está formado e se casando, meu Deus.
Estava animado e louco pra chegar, mas a Mel parecia distante, seus olhos fitavam a estrada, não disse uma palavra desde que saímos da casa do Joe. Talvez esteja só cansada, ou distraída mesmo, não sei.
A viagem estava sendo agradável, o trânsito estava bom e o dia estava lindo, fresquinho e ensolarado,adoro dirigir assim.
Finalmente chegamos, a casa dos meus pais era a mesma na qual eu cresci, porém com algumas modificações, depois que minha música começou a dar retorno, dei dinheiro aos meus pais pra reformarem, e ficou linda, toda branca, com dois andares como sempre foi, mas papai fez mais dois quartos e ampliou o jardim e a garagem. Acabou virando a casa mais bonita da rua, o dinheiro dava pra comprar uma casa nova, mas ali é a vida deles, não largam esse lugar por nada.
Mellissa:
A viagem estava sendo tranquila, eu estava olhando pela janela e longe dali, só ouvia a conversa de Joe e Mike ao longe, mas se me perguntassem sobre o que eles estavam falando eu não saberia responder. Chegamos à casa de Donna e Muto, e logo avistamos o carro de Jason na entrada. Mike quase saltitava de emoção, estava louco pra rever a família e abraçar o irmão mais novo. Descemos do carro e logo Jay veio abraçar Mike.
JÁ: Mano! – gritou ele vindo em direção a Mike.
MK: Vem cá moleque, deixa eu te dar um abraço! – abraçou forte o irmão – Parabéns cara! Nem acredito que você vai casar.
JÁ: Nem eu ainda, mas estou muito feliz, ela é incrível e eu estou muito apaixonado. – disse sorrindo bobo.
J: Oh, que fofinho!!! – disse Joe, rindo.
JA: Só podia ser você, né Joe. – cumprimentando ele.
M: Não vai falar comigo não, pirralho?
JA: Claro que vou cunhada, saudades de você – me abraçando. – Mas cadê o resto do povo?
MK: Brad, Dave e Rob não puderam vir, mas te mandara um abraço e os parabéns pelo casamento, e o Chaz chega mais tarde. E sua noiva, já está aí?
JÁ: Ainda não, vou buscá-la mais tarde com os pais dela. Mas vamos entrar, mamãe esta louca pra te ver.
Fomos caminhando pelo jardim até chegar na entrada da casa, Jason entrou e anunciou nossa chegada e logo os pais de Mike vieram nos cumprimentar, os olhos da Donna brilhavam em ver o filho, era notório o amor dela por Mike e Jason, ela é completamente apaixonada pelos filhos.
D: Ah, meu querido, que saudades de você! – dizia ela enquanto acariciava o rosto do filho.
MK: Também senti saudades mamãe, estava louco pra rever vocês. Como a senhora está? – disse envolvendo a pequena senhora em seus braços.
D: Estou muito feliz em ter minha família perto de mim de novo. Quem diria que o meu pequenininho ia se casar, tão novo...
JÁ: Mãe, eu já estou com 29 anos, quase 30. Já estava na hora de me casar, não acha? – riu.
MU: Já passou da hora, casei com sua mãe com 23 anos e o Mike se casou a primeira vez com isso também, não foi filho?
MK: Foi, mas ele tá certo. Esperou pela mulher certa, pelas condições certas pra isso... Ele está sendo responsável.
JÁ: Isso mesmo. Mas vocês devem estar cansados da viagem, vou ajudá-los com as malas e depois vocês podem descansar, mais tarde vamos ter o jantar, e depois podemos ir dançar em alguma boate, o que acham?
J: Fechou!!! To dentro, uma baladinha sempre faz bem! Muito boa a ideia, Jay! – disse alegre.
MK: Eu vou subir, tomar um banho e vou dar uma volta pelo bairro, alguém vem comigo? – perguntou.
M: Pode ir meu amor, vou ajudar sua mãe com o almoço e vou descansar um pouco.
J: Vou ficar e desfazer as malas, vou dormir um pouco antes do almoço. Acordar cedo não é comigo cara! – Rindo.
MK: Tudo bem então! – indo em direção as escadas.
Ele subiu com as nossas malas e as levou para seu quarto de solteiro, onde ficaríamos. Fui então até a cozinha e minha sogra estava pondo uma assadeira do forno, parecia bolo de carne.
M: Precisa de ajuda com o almoço, Donna? – perguntei, tinha que me distrair de alguma forma, já que não parava de pensar em Chester e a que horas chegaria.
D: Quanta gentileza, querida! – sorrindo amigavelmente – Poderia cortar esses legumes pra mim, por favor?
M: Claro! – Peguei a faca, uma tábua de carde e os legumes e comecei a descascá-los. Aquilo me dava certa nostalgia dos meus tempos de adolescente quando ainda morava no Brasil e ajudava minha mãe na cozinha. Sempre com fones de ouvido no máximo, pra não ouvir meus pais brigando ou minha irmãzinha chorando por algum motivo qualquer.
Donna cantava ao som de um rádio que tocava música cristã. Muto e Joe estavam na sala vendo o canal de esportes e tomando cerveja, e Jason havia saído depois de ajudar Mike com as malas. E minha mente estava bem distante, até que fui arrancada dos meus devaneios com um beijo no rosto. Era Mike, ele estava feliz e animado e cheirava a sabonete.
MK: To saindo, amor! Vou relembrar minha juventude – disse rinndo.
DO: Como se fosse muito velho, né meu filho? – falou da pia sem olhá-lo.
MK: Modo de falar mãe, sinto saudades desse bairro, dos vizinhos. Aqui eu não preciso de seguranças, nem andar de capuz e me esconder dos flashes, aqui eu posso ser só o Mike Kenji – sorriu.
DO: Sei disso, meu querido. Porque você não aproveita e visita os Andersons, Dona Angela sempre me pergunta sobre você, da um pulinho lá. – fala por sobre os ombros enquanto enxuga as mãos num pano de prato.
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