Notas iniciais
Alguém ai gosta de ficção cientifica? Se gossta bora ler o primeiro capítulo...?

Karla acordou sobressaltada, ouvindo o eco do choro de um bebê que se perdeu em sua mente. Eram onze e meia da noite. Ela tinha dormido no sofá da sala e tivera um pesadelo horrível, com bebês deformados dentro de vidros com formol.

Chovia torrencialmente, e a água escorria grossa pelos vidros da janela. Por um segundo ela julgou ouvir alguém forçando a porta, ergueu-se num salto apanhando a arma sobre a mesinha e olhou fixamente para a porta, esperando... Nada. Tudo quieto. Ela sentou-se e relaxou. Seus olhos caíram sobre a foto num porta retrato na mesma mesinha. Era a foto alegre de um homem segurando um bebê numa tarde de sol. Ele era alto, com profundos olhos castanhos e um rosto bonito e inteligente. Ela sorriu.

— Estou ficando paranoica. – disse como se eles pudessem ouvi-la. – Gostaria que estivessem aqui... – pegou o porta retrato e o abraçou junto ao peito.

O homem da foto se chamava Marcos e o bebê era filho de Karla, “seu pequeno milagre.” A irmã e ela o chamavam assim por causa do acidente.

Karla e Marcos trabalhavam juntos no Centro, na identificação de vírus, antídotos e doenças infectocontagiosas. O Centro era uma organização governamental criada para controle e combate de epidemias globais. E após um grave acidente químico no Centro, Karla recebera do médico a triste notícia de que ficara estéril e a possibilidade de ter filhos era remota, quase nula. Mas a Natureza se mostrou surpreendente e ela ficou grávida de modo natural, o bebê nascera de parto normal e com ótima saúde, deixando a ciência sem explicação para o fato e a paternidade de seu filho foi mantida em segredo.

Alexandre, seu bebê já estava com seis meses, mas muita coisa havia acontecido antes dele nascer, ela se lembrava...

Tudo tinha começado com a expedição espacial ao planeta Marte. Depois de anos de relutância, o governo finalmente cedera e junto com o Centro financiou um projeto caríssimo.

O dia do lançamento do ônibus espacial batizado de Descobertos, foi uma festa. E em meio a muitos balões coloridos e bandeirinhas, o ônibus comandado por cinco astronautas, partiu.

Lá no planeta vermelho além de amostras de solo, vestígios de água e uma imensidão poeirenta e avermelhada, uma estranha forma de vida foi encontrada, uma espécie de cromossomo semelhante ao humano, intacto, no solo de Marte e claro, foi trazida para a Terra em segredo.

A expedição foi considerada um sucesso, mas desde então, coisas estranhas começaram acontecer. Pessoas com doenças incuráveis eram trazidas frequentemente até o Centro e misteriosas experiências eram realizadas de madrugada mantendo tudo em sigilo. Desconfiados, Karla e Marcos começaram a investigar e descobriram que estas pessoas estavam sendo usadas ilegalmente em terríveis experiencies genéticas. Numa combinação de vírus de doenças terrestres e o cromossomo encontrado em Marte, criando um processo de mutação da cadeia de DNA. O resultado era uma vacina que havia curado as pessoas testadas e as deixado imunes contra qualquer outro tipo de doença. O fim para males sem cura tinha se tornado realidade e todos os jornais e revistas de pesquisa renomadas noticiavam que a ciência havia feito uma descoberta maior do que a própria Criação de Deus.

Um programa chamado Programa de Aperfeiçoamento da Raça Humana fora criado e anunciado como a descoberta do século. Crianças poderiam ser geradas perfeitas, sem deficiência e sem o risco de desenvolverem alguma doença degenerativa, aplicando-se pequenas doses da vacina nos pais antes da concepção e depois nas mães durante a gestação. No entanto, alguns cientistas descobriram que o Programa não era totalmente seguro e de modo misterioso foram eliminados um por um. Karla e Marcos tentaram denunciar o que estava acontecendo e foram afastados do Centro sob ameaça de morte. Depois do nascimento de seu bebê, as ameaças se tornaram mais ameaçadoras e para a segurança do dos três, Marcos fora obrigado a partir para nunca mais voltar e ela se mudou com Alexandre para a casa de sua irmã no interior, indo regularmente ao seu antigo apartamento buscando o que ainda tinha ficado. Esse foi o preço que pagaram por suas vidas.

Mas o Programa apresentou suas falhas. A vacina que eliminava as doenças também mudava a cadeia de DNA durante a gestação causando consequências desastrosas. As crianças nascidas se tornavam estéreis na adolescência impedindo a continuação da espécie, e muitas vezes acontecia a degeneração do cérebro e elas morria antes de chegarem a essa fase e até mesmo os adultos curados com a vacina, voltaram com níveis muito mais agressivos das doenças. Então crianças nascidas de mães consideradas estéreis ou que não usaram a vacina se tornaram alvo de novas pesquisas, elas cresciam normalmente e chegavam fortes e saudáveis a maturidade. O Centro criou um novo programa, A Seleção. As crianças selecionadas eram levadas para lá e submetidas a experiencia com a vacina na procura de um DNA forte o bastante para resistir aos seus efeitos para que suas falhas fossem eliminadas. Essas crianças jamais retornavam e a lista de desaparecidos ficava cada dia maior, por isso, muitas famílias davam tudo o que tinham para conseguirem passes e cruzarem a Fronteira, fugindo da Seleção. Uma geração de super soldados foi desenvolvida pelo Centro para defender e cumprir seus interesses. E o que deveria ser um sonho, se tornou um pesadelo...

Karla empiou as duas caixa de papelão ao lado do sofá, pegou o porta retrato e guardou dentro de uma delas, tinha decidido levar o resto de suas coisas e roupas para a casa de sua imã e fechar de vez o apartamento. Talvez o venderia ou alugaria. Ainda não sabia.

A chuva continuava castigando o mundo lá fora, era como se toda a água do céu quisesse limpar a sujeira da terra. O clarão de um forte relâmpago iluminou a sala e um trovão ribombou ecoando por todo o prédio, Karla estremeceu, uma estranha sensação de ameaça a invadira como se fosse um aviso e ela sentiu no ar, forte e inconfundível, o cheiro do medo.

Abafado pelo som do trovão ela não ouviu quando a maçaneta girou. A porta da sala foi aberta de supetão e um homem alto e musculoso entrou ameaçadoramente. Ela deu um pulo pegando a arma

— Parado! – gritou assustada apontando e engatilhando a arma.

O homem avançou e ela atirou duas vezes. Ele recebeu o impacto das balas sem sentir nada. Ainda mais assustada Karla viu os olhos maus e inumanos e o sangue de aspecto verde florescente escorrendo dos ferimentos. Karla recuou, mas ele avançou rápido e agarrou seu pescoço e com apenas uma das mãos começou a enforca-la. Ela tentou se livrar, sentido a garganta doer e os olhos se encherem de lágrimas, mas a mão dele parecia uma garra de aço, então, usando a coronha da arma o golpeou com toda a força na cabeça, ele cambaleou e ela correu para fora. Outro relâmpago riscou o céu e as luzes se apagaram em todo o prédio, apavorada, Karla olhou para cima e andou rápida tateando às cegas pelos corredores escuros até a porta do elevador, apertou freneticamente o botão e só então de deu conta de que não havia energia. As luzes de emergência se acenderam, piscando fracas e ela olhou pelo corredor, a forma ameaçadora vinha em sua direção com grandes passos. Sem perda de tempo, ela estourou com um tiro a fechadura da porta de serviço e desceu correndo a escadaria que dava no estacionamento do prédio lá embaixo.

Sem desistir a estranha criatura continuou sua perseguição. Implacável e andando como se fosse um robô comandado, com aquele pavoroso sangue verde brilhando e escorrendo.

Karla continuou descendo, mas no último degrau escorregou numa possa d’agua, caiu e o revólver rolou para longe. Ela tentou se levantar, mas o homem agarrou seu pé dando-lhe um forte puxão.

— Não. Fique longe de mim! – gritou e sua voz perdeu-se no estacionamento vazio.

O homem a agarrou pelos cabelos fazendo-a ficar de joelhos, ela tentou se soltar esperneando e chutando, a outra mão dele se ergueu e o clarão de um relâmpago iluminou a fria lâmina de uma faca curva, Karla arregalou os olhos respirando ofegante, sentindo que tudo terminaria logo. Então um tiro ecoou pelo estacionamento, o homem soltou a faca que resvalou no chão de maneira ruidosa e caiu de cara, atingindo na cabeça, Karla caiu junto. O rosto do homem se contorceu de um jeito não humano e ele ficou imóvel. Ela se afastou assustada e olhou a sua volta. Havia mais alguém ali. Mesmo meio oculto pelas sombras ela o reconheceu.

— Marcos!? – disse surpresa e quase sem fôlego.

Ele guardou a pistola automática e a ajudou levantar.

— Você está bem?

— Estou.

— Onde está Alexandre?

— Com minha irmã.

— Vem, temos que sair rápido daqui.

Ela o seguiu dando uma olhada para trás. Seu perseguidor se dissolvia lentamente como se fosse uma pastilha efervescente, se transformando numa possa de um líquido verde florescente, fétido e gosmento.

Notas finais
Bora ler gente? Obrigada a quem acessar e ler.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.