A Collection

2 Take a Shot


Notas iniciais
Segunda Parte.
[x] Algumas lembranças.

I see a thousand corridors
And I've walked through them all
Nowhere an open door

I'm imprisoned by my love
Who is chained by the fears
Affection turn into tears

Não era de costume ele ser apegado às pessoas, lugares, coisas...

Não tinha manias, admitia ao errar e seu maior problema era entrar em uma casa de jogos.

Parece simples. De tão simples que chega a complicar.

Suas escolhas se baseavam no que queria. Sempre procurava minimizar a influência do meio.

Ouviu muitos ditados, viu grandes caírem, pequenos se erguerem, ajudou, atrapalhou, facilitou, complicou. Influenciou e foi influenciado.

É apenas mais uma peça na aposta da vida. Mas ele sabe que até uma peça compromete a jogada. Apenas um estrategista não basta.

Tinha amigos que dava a vida. Apesar de alguns dizerem odiá-lo.

Sabia que não poderia e nem deveria culpar qualquer um por tudo que passara.

Sua infância foi de longe normal. Com menos de oito anos já era disputado entre apostadores enquanto procurava esconder o irmão. Sabia já naquela idade que o homem era capaz de tudo, menos de algo altruísta.

Com a morte súbita dos seus pais às coisas só pioraram.

Cair nas garras do governo e no sistema de adoção que fazia de tudo, menos protegê-lo lhe fez criar uma visão diferenciada.

Com 12 anos fugiu. Aprendeu sozinho, conheceu diversos lugares, andou por todos.

O brilho infantil que já não lhe restava muito se desfez por completo quando se viu entre espadas.

A partir dali sua vida era marcada por outros desafios que colocavam a prova o que mais era valioso. A vida. O dinheiro dos jogos, a faceta ágil e as habilidades trapaceiras agora usadas e multiplicadas em um mundo ainda pior.

O choque não fora tanto. Já tinha perdido o encanto pelas pessoas, apesar de algumas poucas lhe despertarem curiosidade pela ingenuidade.

Não apenas curiosidade. Começava proteger. Não queria que a mágica das coisas que acreditavam fossem destruidas.

Procura ainda nas cartas e na espada reviver aquela sensação. E conseguia, tanto conseguia como se esforçava cada vez mais.

Entre aprendizes e mestres conseguiu seu destaque. Tornava-se o melhor naquilo porque realmente amava e provavelmente fosse à última tentativa de ficar sóbrio diante dos escândalos e da loucura que estava a sua volta.

There's a part of me that just won't take the pain
There's a part of me that just wants to burst in the flames
And break all the chains

O primeiro a conhecer foi Mana.

Na época em que o delicado e fascinante rosto empunhava qualquer espada. Era admirável e imbatível. Aprendera muito com ele e muito dos seus valores e idéias foram mudados por simples atos ou frases soltas em um treinamento.

Naquele tempo, selecionar e ensinar era arte de poucos. Não era o governo. Era um grupo de homens dispostos a conquistarem e não se deixar conquistar.

Aquilo o seduziu. Viu-se diante daquela liberdade e aprendeu a dominar todas as armas que seu mestre estivesse disposto a ensinar.

Não tivera apenas Mana de mestre, mas ele foi o primeiro e sem dúvida escolhera-o a dedo em seus 16 anos com um propósito que só entenderia depois.

Gládio, Katana, Wakizashi, Nodochi, Cimitarra, Espadim foram apenas algumas das quais passava a dominar inteiramente... Espadas lendárias apresentadas da melhor forma possível.

Uma lembrança marcante dessa época vale ser lembrada...

- Manabu é um nome muito estranho para uma criatura tão bela! – O recém escolhido não sabia medir muito suas palavras. Sorria com certa malicia de jovem e com extrema curiosidade de saber por que fora escolhido.

- Não faça me arrepender. Sei que vale muito a pena... Ryouga é um nome muito comum para uma criança que conhece muito.

O tom era sereno, uma voz forte. De imediato se afastaram dali, Ryouga não conseguia formular uma questão e quando o fazia era incapaz de falar.

Mana aproximou-se de uma mesa de madeira e o mais novo manteve distância. Foi lançada em sua direção uma espada pequena, que o fez rir. Mana se pôs a falar:

- Um Gládio não merece estar na mão daquele que não lhe dá valor.

- Gládio? — Ergueu-a surpreso com o nome.

- Gládio é uma espada pequena, mas de todas as espadas que pode empunhar será a única capaz de cortar até outras armaduras. É uma espada lendária Ryouga... Conhece muito mais do que você. Foi usada por legiões Romanas. Será nossa primeira espada de treinamento.

Dizendo isso o seu Mestre pegara outra lendária e lançou-a como uma adaga. Parecia em sua direção, mas parou entre as mãos do homem¹ que surgira do seu lado e não conseguia dizer a quanto tempo. Era surpreendente. Não ouvira nada, em poucos segundos Mana lançara uma espada.

Aí se deu inicio a uma admiração sem procedência.

Take a shot
Of my poisonous blood
I've got a fever and it won't drop
As long as you're in my life
Take a shot
Of my poisonous blood

Aquele grupo foi se desfazendo. O período de paz também... O que o levou novamente a um mundo menor no Japão. As máfias e grupos mandantes. Encomenda de mortes, cobranças, sangue nas mãos com as melhores habilidades.

Odiava aquilo. Armas que qualquer um pudesse manejar, frias, impostas.

Entre o retorno aos jogos e muita confusão veio junto. Passou a atingir pessoas grandes já que crescera e não era facilmente mandado.

O trabalho independente lhe veio a calhar e jamais o faltaria.

Conheceu Yuki, um ex militar que largara tudo e estava jurado de morte no Japão. Com ele conheceu as armas de fogo. Das quais apenas de não gostar, aprendera. Nesse meio tempo um dos mandados que aceitou o fez ficar diante de Daisuke. Yuki ensinava e dava armas para ambos.

Naquela época, Daisuke divida o copo de bebida, chegaram a dormir na mesma cama, e até salvavam um a vida do outro. Era seu amigo de cabelo vermelho que lhe tirava das casas do jogo quando já tinha sido jurado de morte em todas as línguas possíveis.

A loucura que tanto conseguira equilibrar era emancipada. Nesse tempo também conhecera Isshi. Por ironia do destino havia sido capturado em uma noite que Yuki também se lembrava como uma situação cômica...

- Mas o quê esse rapaz com esse par de olhos desafiantes e lindos e um sorriso traiçoeiro quer no meu humilde lar?? – Isshi sorria, tinha sido chamado por seus homens que anunciaram a captura de um intruso que além de dar trabalho era arrogante.

Estavam no subsolo, onde Isshi já naquela época mantinha uma prisão com alguns informantes significativos para os inimigos que tinha. Não conhecia Ryouga, apesar de ter ouvido seu nome vagamente... Talvez por Yuki ou por Shun quem sabe.

- Pode me chamar de Ryouga e como te chamo?... Estava apenas curioso em saber por que um homem precisa de um exercito para manter sua vida... – Fixava os orbes estreitos diante do outro excêntrico que usava um kimono longo, provavelmente de um tecido nobre da cor vermelha. — Não se sente dependente?

- Gosto de mantê-los. Espero não estar te decepcionando Ryouga... Mas acredito que o dependente aqui não sou eu... Apenas. — Isshi captara bem o tom de sarcasmo que a pergunta fora feita além de reconhecer o nome. Aproximou-se da grade, o que surpreendera o outro, colocou o braço ali dentro e levou a mão ao rosto do prisioneiro folgado, trazendo-o suficientemente próximo e selando seus lábios mesmo entre as grades.

Foi nesse momento que passos fortes e rápidos desciam pelos degraus da escada. A voz passou a ser reconhecida por ambos.

- Escuta... O Yasu não tá fácil. Ele quase atirou em mim... Vai mesmo mudar de coroa... Ele deve ter alguma coisa com aquelas velhas ou ganhar muito bem, não é possível Isshi! – Yuki descia falando alto com certa irritação pelos planos não terem dado certo. Parou ao ver a cena e caiu no riso.

Ryouga saltou para trás e Isshi virou o rosto erguendo a sobrancelha como se estivesse incomodado com a presença surpresa.

- Pode soltá-lo Isshi... Queria te apresentar justamente ele... Mas vejo que já tomou a frente. — Entre os risos Yuki conseguiu concluir. Pelo menos uma coisa boa aquela noite tinha acontecido.

I'm a fever, I'll burn you up
So you'd better speed me out of your life

I'm the farewells that tears you apart
The deceit that sucks the life
Out of your cold heart

“Não entrar em jogos.”

Foi a uma restrição que se viu ao conhecer Hizumi. Aquele que lhe lançou lâminas.

Passava a ter certeza de que seus grandes amigos seriam aqueles que conheceriam tentando matá-lo ou algo do gênero. Nakkura era como se chamavam as lâminas.

O Japão já ficava pequeno. Alguns conhecidos e amigos se mudavam para outros países e enfrentavam os residentes para conseguir o controle.

De tudo que aprendera, de todas as pessoas das quais conviveu, só conseguia ver poder, status, certa frieza.

Aderia a um pequeno grupo de pessoas que sabiam que uma condecoração, uma posição mais privilegiada não lhes traziam nada a não ser: dor de cabeça.

Sabia que era bom e ponto. Sabia que melhorava a cada dia e não precisava de uma sala, um carro, uma casa para isso.

Alugou um apartamento, comprou uma moto e vez ou outra voltava para a cidade natal.

Tinha uma parada definida já: a casa do seu amigo de infância. Que continuara a ser seu amigo graças à posição dos pais e a influência que tinha naquele sistema todo de poder. Reno. Ele entrara nos treinamentos provavelmente ao mesmo tempo, porém as situações eram diferentes. Reno tinha uma família que o apoiava naquilo... Apesar do final trágico. Não tinha inveja do amigo, pelo contrário, adorava entrar naquela coisa e ouvir conversas, sorrisos, calor humano.

Era provável a lembrança mais vaga que tinha do que deveria ser uma família além di seu irmão... No entanto aquilo o levava a ter diversas crises...

Sempre fora recebido a abraços e beijos, exceto por Reno. Conhecera o irmão dele assim... E pedira secretamente para o pai deles não levá-lo aquele mundo. Umi poderia estudar. Conversou sobre aquilo na sua ultima visita com os pais em vida...

Foi na volta daquela viagem, já na auto estrada que o levaria a Tóquio que fora novamente atacado. Kozi. Naquele tempo a pessoa mais arrogante e orgulhosa que conhecera e ainda difícil de convencer. Fora surpreendido quando uma moto foi lançada na sua direção e ao jogar-se para não se machucar ouviu um “Errei o stake!”... Shun estava junto e o reconhecera o que fez parar enquanto Ryouga e Kozi brigavam.

Reencontrou Daisuke, conheceu Yumehito. A partir dali sua vida criou um magnetismo que jamais conseguiria explicar. Daisuke que já o censurava por conhecê-lo bem e seu novo parceiro que o encantava perdidamente.

Perdera às vezes, que roubara beijos, toques... Perdera o censo e fazia e queria cada vez mais.

Satoshi um dos amigos de Isshi e de Hizumi passava a estudá-lo melhor. Já tinha sua ficha e provocou um choque forte em Ryouga com a forma que o fizera aceitar aquela idéia. Provavelmente o único que vira suas lágrimas contidas da infância, do irmão e agora do apego inexplicável por alguém.

Só queria Yume por perto, mas aos poucos a mente pedia por mais. E sabia que conseguiria. Gostava de tratá-lo bem... Tinha aptidões de um sedutor nato. Quando era recusado procurava outros... Em outros corpos, porém com a mesma mágica.

Passava a aceitar e conhecer outros corpos não era um simples ‘atender vontades necessárias’, agora era permitir encantar, envolver e proporcionar todos os desejos. O que lhe trazia complicações, desentendimentos e o retorno de muitos a algo que só queria uma vez.

Satoshi se aproveitava daquilo. Conhecera seu irmão, conseguia mudar medicamentos, tentava transferências, mas o governo era uma máquina poderosa e estava em qualquer lugar.

Ryou ficou sob os cuidados de Karyuu a pedido de Satoshi. O gigante que o ensinou a dominar certeiramente foice, garras apesar de ter especialidade em armas e disciplina, o que de acordo com Karyuu “Era o que faltava nessa cabeça”... Além de fumar excessivamente, aceitava jogar e dava conselhos... De todos os tipos...

Duality's a sin for me
Rush to the arms of solitude
It's the only cure.

....

Notas finais
¹Gackt
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!