A Colheita de Sangue
8 Capítulo 8 - O Preço da Verdade
Notas iniciais
Dakota do Sul
— E então? Conseguiu encontrá-la? Você viu a minha mãe? — perguntou Isobel, a voz carregada de ansiedade.
Dean hesitou por um momento, evitando seu olhar. Respirou fundo antes de responder:
— Não. Era uma pista falsa. — Ele mentiu. — Quem morava lá era um senhor de 75 anos. — Completou, observando a expressão frustrada da garota. — Transexual, com uns peitões enormes que causavam arrepios.
— O quê?! Ah, você está zombando! — Isobel cruzou os braços, bufando de irritação.
— Não, não... — Dean riu, segurando-a pela cintura. Mas então, sua expressão se tornou séria. — Izzy, e se...
— E como ela é? Ela é bonita, se parece comigo? Eu posso vê-la? — Isobel o interrompeu, sem perceber a mudança no tom dele.
Dean passou a mão pelos cabelos, desviando o olhar.
— Eu não acho uma boa ideia, Izzy.
— Por quê?
— Não acho que vá te fazer bem. Vá na minha. Às vezes, é melhor manter distância de certas pessoas.
— Eu quero vê-la. Por favor... — pediu ela, os olhos implorando por uma resposta diferente.
Dean suspirou, derrotado.
— Tudo bem, mas eu vou com você. E não vou sair do seu lado. Não quero que ela te faça mal.
Isobel o encarou, confusa.
— Por que está dizendo isso?
Ele segurou seu rosto suavemente.
— Porque talvez as coisas não saiam como você imaginou a vida toda.
— Ok... E nós vamos agora?
Dean forçou um sorriso e balançou a cabeça.
— Ainda não. Acho melhor esperarmos um pouco. Que tal darmos uma volta pela cidade antes de encontrar a fera?
Cotton Ridge
Bobby dirigiu-se até a recepção do único hotel da cidade, à procura de Dean. Ele se identificou para a Sra. Brandom como agente do FBI, e a mulher logo pôs-se a falar.
— Você é parceiro do Winchester? — questionou ela, erguendo uma sobrancelha.
— Sim. Sabe onde posso encontrá-lo? — indagou Bobby.
— Ele viajou com Isobel. Para onde foram, eu não sei, nem adianta me olhar com essa cara. Mas talvez os amigos ou a família dela saibam de algo.
Bobby franziu a testa.
— Quem é Isobel? Você a conhece?
A Sra. Brandom sorriu de leve.
— Desde que nasceu. É filha de Donald Collins e irmã de Graham Collins. Ele tem um restaurante não muito longe daqui, se quiser, posso lhe dar o endereço.
— Jovem e bonita? — perguntou Bobby, tentando entender a situação.
— Sim, muito bonita. E muito boa gente. — A mulher olhou para ele com uma expressão maternal.
Bobby praguejou internamente.
— Droga! Espero que o Dean não faça nada de errado.
Mais tarde
Do carro até a varanda, Dean não estava muito seguro de que essa era a melhor opção para Isobel. Ele era totalmente contra o encontro das duas, mas a garota sabia ser convincente. Ele pensava que faria o mesmo se sua mãe estivesse desaparecida há anos.
A porta foi aberta por uma mulher mais velha, que os encarou com desconfiança.
— Isabele? — Isobel perguntou, esperançosa.
A mulher riu de leve.
— Não, querida, meu nome é Genna. E esse é o rapaz que esteve aqui mais cedo, certo?
Dean assentiu.
— Exato.
— A Isabele está? — insistiu Isobel.
— Sim, mas quem são vocês?
— Eu sou filha dela — Isobel respondeu com firmeza.
Genna hesitou. Seu olhar escureceu por um instante.
— Isabele não tem filhos... — Disse a mulher, tentando fechar a porta.
Mas Dean segurou a madeira antes que ela se fechasse.
— Não, ela não está enganada — disse ele. — E não vamos sair daqui sem vê-la.
— Por favor — implorou Isobel, sua voz tremendo. — A viagem foi longa, e eu tive que adiar vários compromissos para estar aqui.
Genna suspirou e assentiu.
— Vou ver se ela pode te receber.
Ela desapareceu dentro da casa, deixando Isobel e Dean no frio da noite. A garota virou-se para Dean, preocupada.
— E se ela não quiser me atender?
Dean colocou uma mão em seu ombro.
— Nós vamos embora. Não insista nisso, Izzy. Você viveu tão bem sem ela até hoje... — sussurrou ele.
Isobel abaixou o olhar.
— Eu preciso vê-la, Dean. Preciso conhecê-la. Eu era tão pequena e vivia com medo de esquecer o olhar dela, o sorriso... Ela é minha mãe.
A porta rangeu novamente. Genna apareceu.
— A senhora Fretcher vai te atender. Eu vou lhe mostrar o caminho.
Genna abriu a porta e seguiu pelos corredores da casa. A sala era ilusoriamente enorme, com portas de vidro. O clima do ambiente era elegante e tranquilo, e Isobel fora surpreendia quando foi por Isabele que acabara de sair de um dos cômodos. A garota andou até ela e sorriu. Havia um perfume de flores no ar e ela ficava cada vez mais nervosa.
— Oi. — Ela exclamou e Isabele não retribuiu o cumprimento.
— Você me parece um pouco mais feliz do que eu imaginava. — Informou Isabele.
— Porque? Eu deveria estar triste?
— Talvez... Você cresceu!
— Bom, eu não sou a mesma garota, com 9 anos que você abandonou. — Respondeu nervosa. Ela olhou para Dean sorrindo.
— É, mas você não mudou muito. E sabe? É muito bom ver que você é a mesma. Tenho certeza de que tudo isso é graças ao seu querido pai.
— Nem tudo é graças a ele. Eu tive que aprender a me virar sozinha porque quando eu mais precisava, você não estava lá comigo.
— Querida, não seja tão dramática. — Ela ordenou indo para a sala e sentando no sofá. — Eu vou te explicar como são as coisas.
— Segura a sua onda aí. Pense bem no que vai fazer. — Aconselhou Dean a Isabele. — Acho melhor nós irmos embora Izzy.
— Eu quero ouvir o que ela tem a me dizer Dean. — Respondeu Isobel vendo-o arfar.
— Você não deveria ter perdido o seu tempo me procurando. Eu sempre soube onde você estava, com quem você estava. Se eu não te procurei, foi porque eu não quis. Sei que é médica, sei que namorou e noivou com o filho de Thomas Walter. Ele veio aqui uma vez, e implorou para que eu fosse visita-la. Ele disse que você sentia a minha falta e que queria lhe fazer feliz.
— Mathew fez isso?
— Sim, ele fez. Eu pensei que aquele rapaz era apaixonado por você, mas soube a pouco tempo que ele te abandonou pouco antes do casamento. Você não é uma pessoa de sorte não é mesmo? As pessoas vivem te abandonando. Quem será o próximo? Esse aí? Mas eu tenho que admitir que você tem um ótimo gosto para os rapazes.
— Eu não vou abandona-la. — Discordou Dean.
— Ah, isso é muito bonito da sua parte, mas você é apenas um pobre coitado, que não tem nem onde cair morto... O xerife me contou sobre você.
— Talvez você não saiba tudo sobre mim mamãe. — Contestou Isobel. — Talvez ele seja um pobre coitado, mas ele tem algo que dinheiro nenhum no mundo compra: O caráter.
— Ninguém vive de caráter minha filha.
— Não vai faltar nada pra Isobel.
— E como pretende? Vai fazer um pacto com o reverendo e oferecerá a primeira filha que vocês tiverem?
— Então você sabe sobre o reverendo?! — Questionou Dean confuso. Isabele recuou.
— Vamos embora Dean, foi inútil vir até aqui. — Falou a garota.
— É melhor não estar envolvida com toda essa história senhora Fretcher. — Alertou Dean antes de sair da casa.
Isabele voltou para a biblioteca e sentou em uma poltrona que estava posicionada bem em frente a lareira. Respirou pesadamente e lamentou pelos anos que não esteve ao lado de sua família.
— Como ela te encontrou? — Questionou Genna a Isabele que parecia estar distraída.
— Eu já sabia que esse dia chegaria. Não por méritos de Isobel, e sim pelo rapaz.
— Como assim?! — Genna insistiu.
— Isobel está prestes a completar 24 anos. — Respondeu Isabele.
— Eles não vão machuca-la. Uriel não permitirá que algo ruim aconteça com a garota.
— Eu sei, mas é necessário que cada um desempenhe seu papel. Tudo o que eu queria neste instante era suprir as carências de minha filha, mas não sou eu quem devo desempenhar esse papel.
— Você me dá medo as vezes sabia? — Resmungou Genna. — Eu não entendo como pode aceitar toda essa baboseira calada. Deveria contar toda a verdade para sua família.
— Família? Eu não tenho mais uma família. Eles me odeiam. Principalmente Graham.
— De qualquer modo deveria procura-los.
— Para dizer o que? Que lenda do reverendo é real, e que ele tem sede pela alma de minha filha? Ou devo contar-lhes a versão angelical dos fatos? Que Isobel é preciosa para o céu, assim como Dean Winchester, e que Deus tem planos para eles?
— Você está complicando as coisas.
— Não, eu não estou. Não há saída Genna, eu preciso confiar em Uriel.
— Está certa. — Concordou a senhora. — Eu acho que faria o mesmo em seu lugar.
— Ligue para o Xerife Martin, eu preciso conversar com ele. — Ordenou-lhe Isabele.
Cotton Ridge
Mathew parou em frente ao local combinado; revirou os olhos impacientemente e olhou para o relógio.
— Está atrasado, Uriel.
— Fale logo o que quer rapaz, não tenho tempo a perder.
— Estou cumprindo minha parte no acordo, mas Isobel parece cada vez mais distante. E eu não confio em Megan, tenho medo que ela a machuque.
— Megan faz parte do time adversário, Mathew, você sempre soube. Eu disse para não se associar a ela, mas você não me escuta.
— E por que eu deveria te escutar? Você disse que se eu não me casasse com Isobel, ela sairia ilesa de toda essa maldição da cidade, e que no fim ela ficaria comigo e eu conseguiria a confiança e o respeito do meu pai. Mas as coisas parecem não estar acontecendo.
— Isso é necessário, faz parte dos planos do Senhor. — Respondeu Uriel. — Mas não se preocupe, Dean não ficará aqui por muito tempo.
— Não? Porque eu ouvi exatamente o contrário. Dean Winchester estaria disposto a largar sua carreira para se estabelecer na cidade.
— Tenha fé, Mathew! Eu sou um anjo, mentiras não fazem parte do meu dia a dia. Prometi a você e a Isabelle que a menina sairia bem, e sempre cumpro minha palavra. Isso faz parte dos planos do senhor.
— Eu espero que não minta, porque se não...
— Porque se não o quê, rapaz? Eu não preciso de sua autorização e nem de sua colaboração para fazer as coisas. Posso estalar os dedos e acabar com a sua vida. — Respondeu Uriel, vendo-o engolir seco. — Você não se importa com a garota. Está apenas preocupado com o dinheiro do seu pai.
Mathew ficou em silêncio, cerrando os punhos. Uriel sorriu de forma triunfante, ciente da verdade.
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