A Colheita de Cogumelos
1 Apenas uma Curiosidade
Minha cara amiga Morilla, Arquimaga das terras ocidentais, dominadora da magia que trespassa o véu. Hoje tenho algo a relatar sobre minha viagem.
Todos os outonos, eu passava pelas proximidades de uma vila élfica, próxima à cidadela de Qixan nas províncias do norte da dinastia do nosso colega mal-humorado, o imperador Jing. Antes eu não me importava com ela, mas algo sempre me chamou a atenção. Sabe, sou ainda atraído por mulheres mais velhas, porém, tinha algo ali diferente...
Naturalmente, elfos são povos menos "viris" na questão do povoamento, mas ali havia muitas crianças, então preferi postergar minhas responsabilidades de grande mago de Unaganedia para saber o que estava ocorrendo.
Quando vejo, no meio da tarde de outono, muitas jovens e até mesmo senhoras daquele povo alvino saindo do conforto de suas casas, carregando cestos de junco e palha, adentrando a floresta local, o mais interessante é que, com exceção de alguns homens marcados, a maioria dos elfos não as acompanhava, um comportamento muito exótico para o que eu sabia da cultura deles.
Elas forragearam toda aquela mata por horas até que o Deus Solaris desse lugar para sua irmã, elas retornavam com cestas e sacos cheios de cogumelos de uma cor amarelada bem fosca, não tinha nenhum tipo de diferença de um comum, a não ser sua copa muito fina marcada por uma gotinha vermelha em seu centro e seu caule bem pequeno.
Não entendia bem do que se tratavam aqueles cogumelos, pois, diferente de você, minha cara maga do ocidente, eu não sou um especialista em alquimia. Mas a minha curiosidade me deixou atiçado para saber sobre aquilo.
Quando adentrei a floresta, foi difícil localizar outros exemplares, as folhas das árvores fizeram do solo um tapete de fibras coloridas, era muito bonito ver quantas variedades de cores uma única árvore podia derivar em sua fase de muda, algumas tinham cores tão fortes que pareciam com o sangue venoso ou plantas menores...
Voltando ao assunto dos cogumelos, após caminhar um pouco naquela folhagem, encontrei um bem pequeno, deve ter sido deixado pelo azar ou descuido. Seu aroma era bem suave, lembrava-me um pouco a hortelã com um toque de vinho, era uma combinação que não parecia prestar...
Naquele momento em que eu estava o pegando para mim, dei-me de encontrar uma das catadoras, parecia que tinha se perdido no meio da mata, não tinha uma cesta tão farta quanto as mais velhas, acho que era pelo fato de ser muito nova. A primeira coisa que ela me fez após me encarar meio confusa foi sorrir e perguntar o que eu, um homem, fazia em tal lugar.
Às vezes eu percebo que meus feitos e meus títulos não são bem divulgados, era para as pessoas me reconhecerem assim que batem o olho, mas eu não podia cobrar isso de uma camponesa em uma vila de que nem me recordo do nome. Fiz uma pequena apresentação sobre minha pessoa para ela e respondi à pergunta dela.
Ela respondeu sorrindo enquanto fechava o recipiente com os achados, tive um pouco de coragem para perguntar a ela para que serviam aqueles cogumelos e ela me respondeu.
São conhecidos como cogumelos Táindài, ou, no que consegui traduzir, cogumelos de doçura ou amorosos. Por um momento, eu comecei a entender aos poucos o porquê daquela vila ter tantas crianças alvinas...
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