Notas iniciais
Como descrito, eu também escrevo contos (ou melhor, escrevia). Este existe desde 2014, quando eu tinha 14 anos e era muito mais criativo e voltado à Fantasia. Mais uma vez, utilizei-o em um concurso de literatura e, na categoria conto, ganhei o primeiro lugar. Quer ler uma Fantasia bem louca? Ora, deixe desbravar seu espírito aventureiro:

Há muito tempo tenho medo do escuro; não dele em si, mas do que ali se esconde. Eu sempre peço para a minha mãe apagar a luz do quarto. É nesse momento em que eu fecho os olhos e não os abro por nada neste mundo.

Sei que tudo isso é loucura. Na verdade, uma paranoia, mas nunca se sabe... Jamais vaguei pela escuridão, e o cobertor sempre foi o meu fiel escudeiro.

Entretanto, hoje, minha mãe não está comigo, deixando-me à mercê do inusitado. Eu mesmo tenho de fazer o sacrifício de apagar a luz. Para isso, preciso ser ágil: coloco-me em frente ao interruptor, penso por alguns segundos e o deslizo velozmente. Sinto, no mesmo instante, um calafrio que me percorre de cima a baixo.

Pulo com toda a vontade para a cama e me enrolo no cobertor. Fecho os olhos, torcendo para que nada de ruim aconteça. O vento parece mais forte, adentrando pelas brechas dos móveis e fissuras na porta, com um fino assovio.

Ouço um sussurro. Congelo. Tenho a impressão de que algo se aproxima. Não consigo abrir os olhos. Meus cílios se tornam, pois, uma prisão. Uma gélida mão percorre o meu cobertor e, logo depois, começa a puxá-lo lentamente. Fico apreensivo e com o coração frenético, pois a misteriosa criatura abre os meus olhos com um simples gesto de pinça.

O que vejo é assustador: uma caveira feminina. Esta é distinta:
1º – O seu cabelo ruivo continua "vívido";
2º – E há um colar rodeado de joias raras em seu pescoço. Todas elas são de distintas cores, umas esverdeadas e outras alaranjadas.

Ela segura a minha mão e tudo se altera. Já não estou mais em meu quarto, mas dentro de um imenso cubo de bordas arredondadas. A caveira me puxa e magicamente estamos pairando no ar. Mais à frente, ela põe um grande óculos em meu rosto. Agora, vejo através de suas escuras lentes o universo e suas pequenas-grandes estrelas ao meu alcance.

Olho para os lados e a cadáver ambulante já não está mais aqui. Permaneço vagando pelo vácuo e noto que consigo respirar — como é possível?

Tomo um susto, pois logo encaro um buraco negro que começa a me sugar cada vez mais abruptamente. Ele é de um roxo único, o qual nunca vi antes, e mais parece uma ilusão de ótica. Estou desorientado. Sei que não é um sonho, pois me lembro de quando e como tudo começou. Não sei para qual direção estou indo. Perco-me rodopiando.

Passam-se duas horas e finalmente sou regurgitado para fora: o buraco-negro havia finalmente chegado ao fim. O meu relógio retrocede.

Estou no ar, sobre um espelho que sobrevoa a cidade cinzenta e em ruínas tal como um jato. Ele reflete a cidade com exatidão. No centro dela, enxergo um parque exuberantemente rico com uma pequena e delicada cerca dourada o rodeando. É o ponto vivo da cidade; seu destaque. O contraste entre o cinzento conjunto de edifícios e o profuso verde do vergel deixa-me boquiaberto.

O espelho voador continuava a me levar para lá, refletindo os sonhos que rondam as mentes das pessoas que vivem naqueles edifícios em ruínas. Estou praticamente preso a esses sonhos, atravancado pelos pés, sobre um refletor. É tudo muito confuso, mas belíssimo.

Começo a descer mais e mais, até o espelho pousar na maravilhosa grama com alguns respingos de chuva ainda visíveis. O jardim mais se parece com uma mini floresta: a sua diversidade conta com palmeiras de todos os tamanhos, coqueiros carregados com os seus frutos tropicais e mangueiras. É possível ver, adiante, um campo com flores variadas e abelhas que "pulam" de flor em flor em busca de néctar. Atrás do campo, o vento sopra em uma mata-atlântica um pouco menor que a minha casa, além de uma micro área de seca.

No início do jardim, com letras em caixa alta, escrito em uma placa dourada, cintilava este nome: "Biodim".

As borboletas, de repente, começaram a me rondar como se estivessem chamando-me a alguma "bioárea". Elas voam delicadamente ao campo com flores e, depois, divertem-se sobrevoando a colina em miniatura. Ao longe, vejo um homem vestindo uma capa estampada com desenhos de chaves e estrelas com o símbolo de um portal no centro, além de uma estilosa cartola que combina perfeitamente com o seu cetro de rei.

Ele é totalmente desengonçado e estranhamente jovem, mas eu não me atrevo a dizer uma palavra sequer. É o próprio que fala em tom apreensivo:

— Vamos logo! Todos lhe esperam, e será necessário um empurrão para o levar ao novo mundo.

O mago segura a minha mão. Instantaneamente nos teletransportamos para o imenso cubo no qual eu havia estado antes. Ele me fornece um novo óculos. Quando eu o coloco, tudo se transforma. Desta vez, estou em um imenso salão. É possível reparar imensas esculturas de mármore imprensadas na parede. São pessoas. Há também objetos que literalmente voam de norte a sul por cima da minha cabeça.

Como em um show de mágica, cristais atravessam o salão, sempre mudando de parede — levitando. Vários destes saem de uma parede e vão em direção à outra, alternando-se entre si. Estou sobre um caminho de vidro, uma passarela. Sob ele, vejo apenas lava. No centro do salão, há uma fonte; não sei o que dizer. Olho para trás e um cão está acorrentado, nervoso, e a única coisa que segura a sua coleira é um cristal entalhado na parede.

O cristal começa a se movimentar, como se estivesse sendo manipulado mentalmente por alguém. O meu coração bate como um tambor; minhas mãos esquentam e me sinto como uma bomba prestes a explodir. Corro sobre a passarela em direção à fonte, com medo de cair na lava debaixo dela. O cristal está cada vez mais frenético e quase saindo da parede. O cão me olha vorazmente. Vejo que não há água na fonte, apenas cristais pontiagudos esperando a minha trágica morte. Não tenho escolha. Para onde correr? Talvez, se eu me segurasse nas paredes da fonte, poderia escapar ileso.

Assim faço e pulo. Mas, para o meu pânico, as paredes caem. Estou indo em direção aos cristais. Pairo de nuvem em nuvem, desbravando novos mundos. Perplexo, curioso, eufórico. Acabei de ser teletransportado. Quando olho para baixo, vejo o jardim e o seu formato de uma maneira melhor: as regiões do Brasil estão muito bem representadas ali.

Continuo rasgando o céu, mas não parece ter avançado muito. O chão continua distante, e o ar, da mesma forma, continua a deformar o meu rosto. As nuvens somem. A cidade no solo se transmuta em areia e se esfarela até se converter em uma praia. O jardim já não existe mais.

Por fim, a areia começa a se elevar, vindo em minha direção. A situação se inverte, pois eu não estou mais caindo, e sim a me erguer. A tempestade de areia está prestes a me atingir, contudo, desvia-se no formato exato do meu corpo. Elevo-me ainda mais, caindo de vez na cama do meu quarto, onde tudo começara.
Amanhece e o mundo volta a ser como antes. Continuo deitado sob o cobertor.

Olho para cima e não vejo o teto – apenas flores e areia. Acho que tomei muita Coca-Cola.

Notas finais
Caso tenha encontrado muitos erros gramaticais, desconsidere-os. É um texto com cerca de dois anos e foi escrito na época em que eu não dominava a Língua Portuguesa no mesmo nível de hoje. Agradeço. Agradeço. Se leu até o final, sinta-se viajado (a). O pouco de leitores que tenho é o suficiente para me sentir aliviado! Com amor, Ertam - "Eu realmente te amo muito".