A Clínica dos Poderes Disformes
7 Uma notícia
Notas iniciais
— Ok, Bonita, acho que você tem algumas coisas pra explicar. — Cherrie falou com um olhar intimidador e os braços cruzados.
— É, que lance é esse? — Sophie questionou.
— O Chefe é meu pai. — A invisível respondeu com uma grande naturalidade.
— O quê?! — Alguns pacientes perguntaram chocados, quase engasgando.
— Eu não acredito que vocês ainda perguntam as coisas pra essa menina... — Lily olhou neutra enquanto escorava seu rosto na mão, com o cotovelo apoiado no braço do sofá.
Julia riu mas não desmentiu ou confirmou a história.
— Talvez ela seja apaixonada por ele. Ou talvez eles tenham algum lance proibido. — Sophie falou olhando com um sorriso sarcástico e provocador para Julia.
— Você é idiota, menina?! — Julia falou com um tom que os outros pacientes nunca a viram usar antes. — Eu tô com cara de asilo?
— Desculpa aí, filhinha do Chefe. — Sophie continuou com o tom desafiador.
— O cara nem é tão velho assim. Tem o quê? Uns 55 no máximo? — Cherrie mencionou.
— 53. — Mary confirmou.
— Não são nem 30 anos de diferença — Sean rapidamente calculou.
— Eu não acredito que vocês estão falando isso! — Julia disse e se levantou, indo em direção ao dormitório.
— Uau, isso foi bem babaca hein? — Wayne falou claramente incomodado com a atitude das garotas e de Sean.
— Diz o babaca supremo. — Sophie retrucou imediatamente.
— É sério. A Julia vê o cara como uma figura paterna. — O rapaz franziu o cenho e se levantou, correndo atrás da amiga, deixando os outros numa situação embaraçosa.
— ACHO QUE VOCÊS FERRARAM TUDO! — Riley falou preocupada, fazendo as enormes janelas da sala tremerem.
— Cala a boca! — Cherrie gritou e se levantou emburrada, indo na mesma direção para onde Julia fora, ultrapassando Wayne com sua velocidade.
— Ok... quem quer ouvir uma piada? — Jeremy falou constrangido, tentando quebrar o clima.
— Não! — Boa parte das garotas gritaram ao mesmo tempo.
— Acho que vou indo pro meu quarto também... — Kyle foi se levantando com cuidado.
— É, eu também. Povinho mal-humorado! — Jeremy disse com uma expressão irritada.
Por fim, os pacientes foram se dissipando e sobraram na sala apenas Richard lendo seu jornal e Melinda que agora segurava Mary no colo enquanto flutuava perto do teto. Logo, Kate saiu pela porta da enfermaria e os três a olharam. Imediatamente, Mel se impulsionou para baixo em direção da garota, fazendo Mary tomar um susto, dar um miado estridente e pular no chão.
— Que bom que eu sou uma gata não um elefante! — Ela falou irritada e foi para o sofá.
— O que aconteceu na reunião? — A garota voadora perguntou com grandes olhos curiosos apontando para Kaitlin.
— Cadê todo mundo? — Kate questionou ao ver o espaço de convivência quase vazio.
— Pergunte pra adolescente gótica e pra corredora do gueto — A felina respondeu revirando os olhos.
— Nem queira saber. — Richard falou erguendo os olhos do jornal que lia.
— Tudo bem... — Kate arqueou as sobrancelhas em confusão — Ah, desculpe, Mel — sorriu envergonhada ao perceber que ignorou completamente a pergunta da garota. — Bom, não teve tanta coisa na reunião. Basicamente ele reclamou da incompetência de alguns e disse que vai transferir o escritório dele pra cá pra poder monitorar o andamento da clínica melhor.
— O quê?! — Uma voz do além perguntou incrédula.
— Julia? — Kate respondeu surpresa com o fato da garota ter estado ali o tempo todo.
— Você não cansa de andar sem roupa por aí? — Mary perguntou novamente rolando os olhos.
De repente as portas dos dois dormitórios se abriram e um monte de pacientes bisbilhoteiros que estavam do lado de dentro foram ao chão.
— O coroa gato vai ficar aqui?! — Cherrie perguntou se levantando e indo na direção de Kate num piscar de olhos.
— A gente vai ser monitorado?! — Wayne ficou revoltado.
— Então realmente teve um discurso vexatório pros inferneiros? — Sophie deu um sorriso de vingança enquanto se recostava de braços cruzados no batente da porta do dormitório.
— Parece que já receberam as notícias. — O Chefe disse, surgindo pela porta de enfermaria repentinamente, fazendo todos levarem um susto. — Reuniões com funcionários são confidenciais, senhorita Burns. Mas sei que você ainda não tem experiência com empregos, então está perdoada dessa vez — Falou com uma assustadora seriedade, mas logo em seguida deu um risinho abafado que deixou todos confusos. — É isso mesmo, eu vou passar mais tempo com vocês agora. — Ele arregalou os olhos por um milésimo de segundo sem que ninguém percebesse — Bom, como não temos muito espaço por aqui, eu vou usar uma das salas de terapia para ser meu novo escritório.
— Tá zoando, né?! — Shane se revoltou.
— A terapia é o único lugar onde eu consigo suportar esse infeliz! — O outro Shane compartilhou a indignação.
— Contanto que não seja a sala de artesanato. — Edgar falou num tom soturno enquanto seus ondulados cabelos compridos cobriam parcialmente seu rosto.
— Não se preocupem, já está decidido. Eu vou ficar na sala de cinema.
— O quê?! — A frustração conjunta ecoou pelo ambiente.
—Vocês podem usar a televisão do espaço de convivência. Isso inclusive vai ajudar a cortar gastos. — John disse e depois de se despedir foi em direção à sala mencionada, que ficava ali no segundo andar, ao leste.
— Você quer ajuda?! — Julia rapidamente foi atrás do homem que tanto admirava e ele simplesmente a ordenou que se vestisse.
A garota então voltou frustrada para o dormitório.
— Bom, agora que todos já se entenderam com o senhor Novander, eu queria fazer outro jogo com vocês.
— Contanto que eu não tome um raio congelante de novo... — Kiara revirou os olhos.
— Achei que a gente tinha superado isso! — Sophie desdenhou.
— A Sophie já aprendeu a lição né, Sophie? — Christine falou com um sorriso visivelmente forçado num tom pacificador.
— O jogo é simples. Eu só quero ouvir a opinião de vocês. — Kate tranquilizou.
— Opiniões podem ser perigosas... — Mary afirmou.
— Então vamos usar essa atividade pra treinar a nossa tolerância às opiniões alheias! — Kate respondeu empolgada — E também pra abrir nossa mente sobre diferentes pontos de vista.
— Não sei se é uma boa ideia... E se alguém se descontrolar de novo?! — Felicia perguntou aflita.
— Podemos fazer um jogo de recompensa! Quem não se descontrolar ganha alguma coisa! — Mel sugeriu animada.
— Ou melhor ainda! Quem se descontrolar sofre um castigo! — Wayne deu uma gargalhada maléfica que fez todos se afastarem dele.
— É uma boa ideia... — Kate disse e Wayne sorriu orgulhoso — a da Mel, obviamente! — Ao ouvir isso, o sereio suspirou. — A pergunta é simples. O que vocês acham da neutralização de poderes?
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