A Cinderella Story
15 Capítulo 15
Fazia um pouco menos de uma hora que Dougie havia deixado a casa de Tom, encontrando-se agora deitado em sua cama e lendo a primeira revista que encontrara em sua frente. Não sabia se tratava-se de música ou filmes. Não que estivesse prestando muita atenção também, já que realmente não estava. Sua mente não poderia estar ocupada com mais nada, exceto Juliet. O pensamento em que ela poderia estar sendo convencida por Tom tanto a amá-lo quanto a odiá-lo martelava em sua cabeça, impedindo-o então de se concentrar em qualquer outra coisa que não fosse a pergunta: “O que será que ela está pensando agora?”. Sabe, Harry tinha razão, ele realmente estava torturando à si mesmo. Querendo esquecer sobre tudo aquilo pelo menos por alguns minutos, Dougie atacou a revista contra a parede mais próxima e se levantou da cama, rumando em direção ao seu computador. Digitou algumas palavras, apertou alguns botões e, assim que clicou em algumas coisas, música começou a sair das caixas de som. E, prestando atenção para tentar adivinhar qual música era, não conteve uma risada ao ver como o destino era irônico: ‘Imagine me and you, I do, I think about it day and night, it’s only right, to think about the girl you love, and hold her tight, so happy together’. – Douglas! Dougie levantou a cabeça instantaneamente, como se procurasse a voz que chamara seu nome. Percebera, então, que vinha do andar debaixo. – Douglas! – A voz voltou a chamá-lo, agora ainda mais alto. – EEEEEEEEEUU – Ele berrou ainda mais alto, saindo do quarto e correndo até o pé da escada. – Pra que gritar desse jeito? – Sua mãe retrucou, cutucando o ouvido como se quisesse checar se ainda conseguia ouvir. Dougie abriu a boca para se explicar, mas sua mãe fora mais rápida. – Eu vou sair com sua irmã, será que você poderia fazer o favor pra mamãe e levar o lixo pra fora? – Mas tá a maior chuva lá fora, mãe! – Você não pode fazer o único favor que eu te peço, Douglas? – A mulher se esganiçou, projetando uma careta desgostosa e de poucos amigos na face enrugada. Dougie reconheceu isso como a famosa chantagem emocional. – Tá bom, mãe, tá bom – Ele disse rapidamente entre um suspiro, evitando uma discussão. – Eu levo! – Não faz mais que a obrigação – Retrucou, dando as costas para o filho e o deixando perplexo. Um ‘obrigada’ seria melhor. – Voltamos mais tarde. Se ficar com fome, tem comida na dispensa. – Certo – Ele resmungou, berrando um ‘tchau’ em seguida e se fechando no quarto com uma pancada na porta. Mas antes que pudesse encostar em sua cama, ouviu sua mãe lhe berrando novamente. – Que foi agora, mãe? – O lixo – Ela simplesmente respondeu, e, sem mais, acenou e saiu da casa. Em um bufo, Dougie tirou do guarda-roupa o primeiro agasalho que vira e se retirou do quarto. Sabia que sua mãe apenas iria encher mais o saco se não tirasse o lixo logo para fora, e que, se não o fizesse agora, iria esquecer depois. Assim que passou pela cozinha, avistou o saco preto enorme de lixo e amarrou suas pontas com força, se dirigindo em seguida para o hall de entrada. No mesmo instante, um raio cortou lá fora, iluminando parte da casa. Deveria existir uma lei para lixeiros não terem que recolher os lixos das casas em um temporal como aquele. Aliás, deveria era existir uma lei que proibisse mães de mandarem seus filhos fazer as tarefas de casa por elas ou só porque a empregada estava de férias. Se pelo menos ele fosse pago para isso... Encolhendo seu corpo contra o agasalho o máximo que podia, Dougie abaixou a cabeça que era coberta pelo capuz e correu para fora de casa. Sentiu a chuva atingi-lo com força, encharcando-o. Droga, tinha acabado de tomar um banho, agora teria que tomar outro. Devido à correria, chegou ao meio fio da calçada em menos de dois segundos. Levantou a cabeça. Um corpo se movimentava por perto das casas vizinhas, no meio da chuva, e parecia andar tão serenamente como se estivesse andando sob um sol de verão. Cada louco que havia por aí... Balançou a cabeça levemente, tentando se lembrar o motivo de estar ali, e logo se lembrou ao ver o que tinha em suas mãos. Pôs o saco sobre um tipo de cesto grande e de metal, e, quando estava para se virar, levantou mais uma vez a cabeça: o corpo que antes andava a três metros de distância de onde ele se encontrava havia agora parado de se mover, estando apenas a um metro dele. Forçando a visão, com os olhos semi-cerrados, Dougie pareceu reconhecer aquela pessoa. Não sabia como, mas por algum motivo, sabia quem era. Sentiu o coração começar a bater mais rápido e o estômago afundar. Será que era mesmo? Mas... como? Sem saber ao certo o que fazia, Dougie começou a andar em direção à pessoa parada na chuva. Tinha que saber quem era, por mais que se enganasse ao chegar mais perto. Seu sexto sentido apenas lhe dizia para ir até lá. Tudo bem que seu sexto sentido não funcionava muito bem, mas tinha de tentar. Dougie parou então de supetão, faltando apenas nove ou dez passos para chegar aonde queria. Não conseguia acreditar do que seus olhos viam. Será que estavam embaçados demais por causa da chuva? – Porque, Dougie? Dougie não sabia se sentia alívio ou desespero em saber quem era a pessoa a meio metro de distância. Como ela havia chegado até ali? E porque? E, com aquele pensamento, apenas uma coisa lhe ocorreu: ela sabia. Era a única resposta. Ela sabia da verdade agora, Tom havia lhe contado, e a garota agora viera até ali apenas para brigar com ele e lhe dizer para nunca mais a olhar na cara. – Juh? – Ele perguntou, logo se sentindo estúpido por fazer aquilo. Mas parecia querer ter certeza. – Você sabia esse tempo todo, você me viu sofrendo – A voz delicada continuou, como se não houvesse tido interrupções. Dougie sentiu uma forte pancada no estômago ao perceber que os únicos barulhos que poderiam ser ouvidos eram as gotas grossas da chuva acertando o chão, árvores e outras coisas com violência e as fungadas do choro da pessoa em sua frente. – E você nunca, nunca fez menção de me contar... Agora me responde: porque? – Juh, e-eu posso explicar – Dougie começou, sentindo a voz falhar. – Então explica, Dougie, porque eu preciso saber! – Ela berrou, interrompendo qualquer que fosse a explicação do garoto. – Você por acaso achou legal me ver chorar? Achou que seria engraçado fazer a garota mais ‘pop’ da escola de idiota? Achou que você seria popular por isso?! – NÃO! – Ele berrou de volta, sem acreditar no que ouvia. Como ela poderia pensar alguma coisa dessas? – Então foi só uma daquelas apostas ridículas que vocês fazem? “Quem cata a garotinha pop da escola”? FOI ISSO? Por isso aquele idiota do Dave tentou me agarrar também? À mim e à Samantha?! AQUILO DE ME PROTEGER FOI TUDO ENCENAÇÃO, FOI?! – MAS É LOGICO QUE NÃO! SE VOCÊ SÓ ME DEIXASSE EXPLICAR E... – ENTÃO EXPLICA! QUAL VAI SER A DESCULPA DESSA VEZ, HEIN? – NÃO É DESCULPA! – Ele voltou a berrar a plenos pulmões. Pareciam competir para ver quem gritava mais alto. E, ao ver que Juliet havia aberto a boca mais uma vez para retrucar, Dougie foi mais rápido e se precipitou. Não agüentava mais ouvir aquelas coisas. – EU NÃO TE CONTEI PORQUE SABIA QUE, SE VOCÊ SOUBESSE QUEM EU REALMENTE ERA, NÃO IRIA GOSTAR MAIS DE MIM! – ISSO É... – VERDADE! – Ele voltou a gritar, não deixando a garota terminar de falar. Agora era a vez dele. – ISSO É A VERDADE E VOCÊ SABE DISSO! A POP E O LOSER DA ESCOLA? POR FAVOR! VOCÊ NUNCA SENTIRIA ISSO QUE SENTE PELO DON SE SOUBESSE QUE ELE ERA NA VERDADE EU! – AH, VOCÊ ACHA QUE EU NÃO GOSTARIA DE VOCÊ ENTÃO, É? ACHA QUE SÓ PORQUE VOCÊ É O ‘LOSER’ DA ESCOLA, EU DEIXARIA DE GOSTAR DE VOCÊ? PELA SUA... FALTA DE POPULARIDADE?! – Juliet deixou soltar um bufo indignado, sem nem mesmo tentar conter as lágrimas que caíam em excesso agora. – POIS SAIBA ENTÃO, SENHOR DONO DA VERDADE, QUE ANTES MESMO DE CONHECER QUALQUER DON, EU JÁ GOSTAVA DE VOCÊ! Dougie não fez menção alguma em retrucar aquilo. Não conseguia acreditar no que os ouvidos escutavam. Seu peito, como o de Juliet, subia e descia rapidamente, arfando devido à gritaria. Suas sobrancelhas se franziram enquanto os olhos não desgrudavam dos de Juliet, que lutava para não chorar ainda mais. Ele queria abraçá-la, queria dizer alguma coisa, mas nenhuma palavra parecia conseguir passar pela sua garganta no momento. – Eu... ahn? – Dougie perguntou confuso, ainda absorvendo as informações que havia acabado de receber junto com a pancada no estômago que sentia ao ver a menina chorar. Juliet desviou o olhar, cruzando os braços na frente do corpo enquanto mordia o lábio inferior, impedindo que mais soluços escapassem. – Juh? Olha pra mim. Eu... eu não entendi o que você disse. – Ele se aproximou, tentando tocar os braços de Juliet, que afastou-os de seu toque na mesma hora. – Foi isso mesmo que você ouviu – Disse com dificuldade, agora voltando a olhá-lo nos olhos. Não queria ter que repetir aquilo em voz alta outra vez. – Mas eu... eu não ouvi nada – Mentiu, rindo baixinho. Riso de alegria, de alívio. Voltou a se aproximar de Juliet, agora, tocando delicadamente seu rosto. Sentiu-o gelado, se não fosse pelas gotas quentes das lágrimas. Passou as costas do polegar levemente por suas bochechas, como se tentasse enxugá-las, o que era impossível, uma vez que estava chovendo. – Você tá gelada... quer entrar? – Não! – Ela respondeu rapidamente, virando o rosto na tentativa de se desviar do toque de Dougie. Não conseguiu completamente, mas pareceu não querer fazer muito esforço para continuar. Apesar da chuva, seu toque era quente e reconfortante. – Estou bem, não estou com frio. Ao mesmo tempo em que dissera aquilo, Juliet estremeceu o corpo inteiro e abraçou a si mesma, na falha tentativa de se esquentar. Não usava agasalho, apenas uma calça de moletom e uma blusa que pensou ser de Tom, por parecer uma camisola nela. E, para piorar, a blusa que era branca já estava transparente e grudava ao seu corpo. Ambos riram baixinho por isso, mas Dougie não conseguiu conter um sorriso ainda maior ao vê-la, pela primeira vez naquele dia, sorrir para ele. Finalmente acabando com qualquer distância entre eles, Dougie passou um braço pela cintura de Juliet, enquanto a mão livre acariciava delicadamente o rosto gelado dela até seus cabelos. Ela, que passou as mãos para o peito de Dougie, fechou os olhos e mordeu o lábio inferior.Dougie, ao se aproximar seu rosto ainda mais, sorriu abertamente ao vê-la de olhos fechados, como se apenas esperasse por ele fazer o que fosse. Assim, fechou os olhos também e encostou o próprio nariz no dela, os lábios separados por uma distância de um centímetro, sentindo sua respiração falha e quente. Não iria fazer nada, queria apenas saber primeiro se ela realmente queria aquilo tanto quanto ele. E não demorou a descobrir: cansada de esperar, Juliet precipitou o rosto para frente, finalmente selando seus lábios em beijo úmido e intenso, que aqueceu todas as partes de seus corpos. Dougie a beijou como estava querendo beijar em muito tempo, como se fosse a primeira e a última vez que o faria. Ao mesmo tempo em que era algo cheio de necessidade, era calmo e gostoso. Como precisava daquilo, precisava dela... Dougie cortou o beijo, terminando-o em um selinho. Sorriu. Não tinha como não sorrir, era humanamente impossível. Sem afastar os rostos, ele a observou continuar de olhos fechados, também sorrindo. Era tudo o que precisava. – Quer entrar agora? – Ele perguntou em um sussurro, o nariz ainda encostado no dela. – Agora que eu não entro mesmo! – Juliet respondeu, abrindo finalmente os olhos e aumentando o sorriso em seu rosto. Ao ver a expressão confusa no rosto de Dougie, ela simplesmente riu e pulou sobre ele, fazendo-o segurar ela um pouco acima de sua cabeça e assistindo-a abrir os braços e voltar a fechar os olhos ao toque da chuva. – Eu aaaaaaamo chuva! – Abaixou a cabeça, passando os braços pelo pescoço de Dougie e lhe dando mais um selinho. – Sabia que eu sempre sonhei em beijar na chuva? – Sério? – Ele perguntou, observando Juliet voltar a erguer a cabeça e aproveitar as gotas de água lhe molharem ainda mais o rosto. Como ela era linda. – Bom, pelo menos um dos seus sonhos eu realizei. – Não, Poynter – Respondeu rapidamente, voltando a abaixar a cabeça e encarar Dougie diretamente nos olhos. – Você realizou dois sonhos meu, na verdade. – Dois? – Yeap – Ela levantou o dedo indicador, fazendo uma pose pensativa. Dougie teve vontade de agarrá-la de novo naquela hora; ela era tão fofa fazendo aquilo. Aliás, fazendo qualquer coisa. – Um: beijo na chuva, – ela levantou o dedo do meio. – dois: conhecer meu Don Juan. Dougie abriu um sorriso de orelha a orelha, completamente automático, assim que ouvira aquilo. Soltou um pouco os braços ao redor da cintura deJuliet, fazendo-a ‘escorregar’ para baixo e deixando seus rostos mais próximos novamente, mas ainda assim deixando-a levantada, os pés ao ar. – Hey – Ele sussurrou, encarando Juliet dentro dos olhos. Ela, que antes tinha a cabeça levantada para deixar a chuva cair em seu rosto, abaixou e passou e observá-lo também, um sorriso sincero e meigo no rosto. Dougie sorriu ao vê-la, como se não o fizesse diariamente, como se aquela fosse uma das únicas vezes que conseguia observá-la com cuidado e carinho, como sempre quis. Beijou-a delicadamente em um selinho e, sem tirar seus lábios dos dela, de olhos fechados, voltou a sussurrar: – Eu t... Tirilim. – Droga, desculpe Dougie – Juliet sorriu sem graça, se soltando dos braços do garoto e apanhando o objeto que vibrava na parte traseira da calça. Porque o maldito celular tinha que tocar justo agora? – Alo? Alooooooooou? AAAAAAALO! – O que aconteceu? – Dougie finalmente perguntou, observando agora a menina em sua frente encarar o celular com irritação e chacoalhá-lo, como se fosse ajudar. – Não tá dando sinal, merda! E eu acho que era o Tom... – V-você quer usar o telefone de casa? – Eu... – Juliet finalmente parou de chacoalhar o celular e, passando a palma da mão sobre a testa molhada para empurrar os cabelos encharcados para trás, encarou Dougie mais uma vez sem graça. – Eu posso? – Claro – Dougie respondeu em um sorriso, pensando em como Juliet era linda daquele jeito. Sim, despenteada, encharcada e sem graça, até assim ela era perfeita. Puxou a garota pela mão, abraçou-a com cuidado e colocou sua cabeça no próprio peitoral para protegê-la da chuva, apesar de já estar extremamente molhada, levando-a em direção à porta de entrada de sua casa. – Vamos. Correram pela chuva, Juliet ainda sendo inutilmente mas ainda assim meigamente protegida por Dougie, subiram as escadinhas de entrada e finalmente adentraram a casa. Juliet, assim que o fez, teve de fechar os olhos temporariamente, uma vez que a iluminação do local era um pouco forte, ao menos comparado com o escuro que fazia lá fora devido às nuvens cinzentas. Dougie lhe indicou uma mesinha ao canto da casa onde havia um telefone sobre e em seguida correu para a lavanderia pegar toalhas. Assim que limpou os pés no carpete de entrada, uma tentativa completamente falha de limpá-los, Juliet correu para onde o garoto havia apontado, agora ainda mais sem graça e envergonha por estar molhando o piso tão limpinho da casa de Dougie. Apanhou o telefone, discou os números tão conhecidos e levou o aparelho ao ouvido, tremendo dos pés à cabeça enquanto esperava alguém atender. – Tom? Tom, é a Juh – Falou rapidamente, assim que ouviu uma voz nervosa do outro lado da linha. – Você... erm, ligou? – Mas é claro que liguei, sua infeliz! – A voz respondeu, berrando tão alto que até Dougie, que voltava de uma porta dos fundos com toalhas pôde ouvir. – Você me sai do nada na chuva e não me liga pra dar explicações nem pra dizer se está bem! Aliás, você tá bem? E ONDE QUE VOCÊ FOI? – Credo, Fletcher, pára de berrar que eu não sou surda – Juliet tirou momentaneamente o telefone do ouvido, cutucando-o como se checasse se ainda funcionava. Dougie apenas riu baixinho e continuou a observar a garota, completamente hipnotizado. – Eu to bem, credo. Eu vim pra... pra casa do Dougie. Ao ouvir aquilo, Dougie sentiu os olhos arregalarem e o estômago revirar. Tom não sabia que ela estava ali? Ótimo, era agora que ele seria perseguido por Tom e ser morto. Ótimo. Bom, ao menos ele morreria feliz, com Juliet ao seu lado. Digo, isso se ela quisesse ficar ao seu lado quandoTom chegasse com uma metralhadora em sua casa para matá-lo. – Casa do Dougie? Uhm, certo. Ok. – Tom disse em um sussurro, de forma que apenas Juliet, que estava ao telefone, pudesse ouvir. Imagine o que estava passando na cabeça de Dougie. – Bom, fique aí então. A chuva tá muito forte, quando melhorar, eu... eu passo te pegar aí, certo? – Sem problemas. Após soltar mais alguns “certos”, “ok” e “não se preocupe”, Juliet finalmente se despediu de Tom e desligou o telefone. Se virou para Dougie, que não fez menção de se mexer, por ora, e apanhou a toalha em suas mãos, enxugando sem delicadeza alguma os cabelos encharcados. – O-o que ele disse? – Dougie finalmente conseguiu perguntar, observando Juliet se enrolar na toalha. – Ah, nada demais, só pra eu ficar aqui até a chuva passar e então ele vem me pegar – Ela respondeu indiferente, encolhendo-se com o pedaço de pano sobre seu corpo que parecia lhe esquentar. – Digo, se não tiver problemas em ficar aqui... tem problema? – Claro que não! – Ele respondeu rapidamente, um pouco mais aliviado. – Mas ele não... bem, não brigou com você? Sabe, por você estar aqui e tal... – Não. Porque? Ele deveria? – Perguntou divertida, tentando não rir da expressão exasperada de Dougie enquanto o mesmo soltava vários “não, claro que não” desesperados. Aproximou-se dele e passou os braços em volta de seu pescoço. – O Tom não manda em mim, e relaxa que ele não vai te matar. Eu não deixo. – E, com isso, selou os lábios em um selinho demorado. – Agora vem me mostrar seu quarto! E, puxando o garoto pela mão, Juliet subiu as escadas correndo enquanto de um Dougie atrapalhado que tropeçava constantemente nos degraus e tentava, em vão, pegá-la. Os dois chegaram assim até o quarto dele. – Uh, gostei – Juliet disse entre um sorriso, tentando se esquivar das mordidinhas e beijos que Dougie lhe dava no pescoço, assim que pararam à porta. – Me lembra o quarto do Tom por ser tão bagunçado, mas eu gostei. Dougie soltou um murmúrio de desgosto como se houvesse realmente se ofendido com aquilo. Juliet riu e seguiu em passos lentos ao redor do quarto, observando tudo com muita atenção. Pôsteres cobrindo todas as paredes, roupas cobrindo o chão e revistas cobrindo a escrivaninha. Será que essa bagunça era normal em quartos de meninos? Bom, não que seu próprio quarto fosse muito arrumado. – O que é isso? – Ela perguntou, mexendo em um boneco de cabeça grande que logo começou começar a dançar e cantar: “Oh, I feel goooooood!” ao seu toque. – Jaaaaaames! – Dougie berrou, pulando sobre sua cama e dançando ao que o boneco se movia estranhamente e continuava cantando. Assim que o objeto parou, ele se jogou de costas no colchão e chamou Juliet, que ria descontroladamente da dancinha que ele antes fazia. – É o nosso Jimmy. – Nosso? É meu também, é? – Ela perguntou, se juntando à Dougie e pulando sobre a cama com forte impulso, fazendo o corpo do garoto ao seu lado se mexesse para cima e para baixo no colchão fofo. – Não... digo, se você quiser, pode ser seu também – Dougie respondeu meigamente, rindo ao que Juliet lhe estirava a língua ao ouvir que o boneco não era dela. – Mas é da banda, sabe. Nossa mascote. Grande Jimmy! – Cara, vocês são muito estranhos – Ela soltou, rindo ao ver que era a vez de Dougie lhe mostrar a língua. Assim que parou de rir, observou o garoto lhe encarar com carinho, acariciando delicadamente sua bochecha com as costas do polegar. Sorriu. Ainda estava molhada, e aquelas roupas ainda encharcadas não iriam lhe ajudar na gripe. Mas não sentia mais frio, se sentia na verdade muito aquecida. E, assim que Dougie passou seu próprio corpo sobre o seu, fez um ótimo trabalho em aquecê-la ainda mais. Juliet ajustou gostosamente o corpo debaixo do de Dougie, passando um braço em volta do pescoço do garoto, e a mão do braço livre lhe acariciando os cabelos úmidos, puxando-o para mais perto. Assim que os rostos estavam à apenas um centímetro de distância, eles não fizeram nada além de continuarem encarando diretamente nos olhos um do outro. Apreciar a presença um do outro; ele pelo fato de finalmente ter Juliet do jeito que queria, e ela tendo finalmente seu Don na pessoa que sempre quis. Finalmente acabando com qualquer distância entre eles, Dougie selou os lábios nos dela em um beijo apaixonado. Uma mão segurando delicadamente o rosto dela, a outra escorregando entre sua cintura até sua coxa, tendo seu corpo ainda sobre o dela. Juliet mantinha uma de suas mãos ainda bagunçando os cabelos úmidos dele, enquanto a outra corria pelas suas costas, debaixo da camiseta. – Dougie, espera, eu... – Juliet cortou o beijo, a respiração ofegante, enquanto o garoto descia seus lábios para o pescoço. – O que... o que você queria me dizer? Antes, sabe, você... você ia me falar alguma coisa. Que você... bem, que você alguma coisa, já que você não completou a frase. – Ela riu fraco, um pouco sem graça e medindo bem as palavras. – O que você ia me dizer? Dougie não respondeu de imediato. Se arrumou sobre o corpo dela, acariciando mais uma vez seu rosto com as costas de seu polegar enquanto a observava. Aquele olhar de carinho e meiguice que sempre fazia Juliet sorrir, como estava fazendo agora. Ele a beijou levemente e, sem tirar os lábios dos dela, sussurrou gostosamente, fazendo o corpo inteiro de Juliet estremecer com aquilo: – Eu te amo.
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