A Cidade Escolar

5 O Aluno Transferido. (04/04)


Parte 4

Escola Sant'Angelus, após as aulas:

As ruas da Cidade Escolar estavam repletas de alunos vestidos em seus uniformes de variadas cores e estilos.

Aquilo se parecia com uma grande maratona, onde os corredores lotavam as ruas enquanto corriam, mas naquele caso eram os alunos que faziam isto.

Na escola onde Riley estudava também não era diferente.

Os alunos lotavam a saída da escola enquanto voltavam pra casa, ou paravam em lanchonetes e restaurantes próximos para comerem algo ou simplesmente matar o tempo.

Eles pareciam um exército de adolescentes trajando o mesmo uniforme.

Os garotos usavam camisas brancas de mangas curtas, calças e gravatas azuis estampadas com listras negras.

As garotas usavam camisas de mangas curtas, coletes negros, saias e laços azuis estampadas com listras negras.

No meio daquela multidão de adolescentes, os poucos professores que davam aulas na escola conseguiam se destacar entre eles. Alguns conversavam sobre o trabalho e o muito comum assunto daquele aluno travesso.

Outros conversavam sobre o local que iriam parar e beber um pouco de álcool para aliviar o estresse. E alguns simplesmente seguiam caminho para suas casas.

A Cidade Escolar era conhecida como a mais avançada tecnologicamente e cientificamente. Dentro dela foram realizadas inúmeras façanhas e descobertas que contribuíram com a sobrevivência da humanidade dentro dos Domos.

Uma dessas façanhas foi o avanço com os membros artificiais chamados 'Mecânica' que substituíam os membros perdidos de uma pessoa. Eles eram feito a partir de uma liga metálica desenvolvida pela própria Cidade Escolar, uma liga várias vezes mais resistente que o aço.

O ultimo designe desenvolvido utilizava uma substância misturada com silicone, que permitiu similar perfeitamente a pele humana, era tão idêntica que chegava a ser impossível diferenciar alguém possuía um "mecânica" de alguém que não.

Outra façanha foi a criação de câmaras detectoras que podiam prever o surgimento de um câncer antes mesmo dele surgir e também possuíam a capacidade de curar um câncer, o que antigamente não era possível.

Obviamente eles também desenvolviam armamentos militares, mas estes não vinham ao conhecimento público e eram construídos nas sombras da cidade, assim como seus compradores também eram desconhecidos.

Havia apenas um grande obstáculo que por durante mil anos a superdesenvolvida Cidade Escolar não conseguiu ultrapassar, esse obstáculo era o vírus que tomou conta da Terra.

O vírus que surgiu após a vitória da humanidade na historicamente e mundialmente conhecida Grande Guerra.

A Grande Guerra foi a maior batalha que a humanidade já teve conhecimento, onde os humanos batalharam com a raça batizada de "anjos", seres reluzentes que possuíam longas asas brancas.

Num dia eles simplesmente surgiram e começaram a destruir a Terra, levando a humanidade à beira da extinção.

Hoje em dia esses fatos são encontrados em vários lugares, mas as pessoas passaram a esquecê-lo cada vez mais até o ponto em que esse marco histórico é citado apenas em salas de aulas por professores de história.

A única coisa que humanidade ainda manteve desde a Grande Guerra foi aquilo que eles chamam de "Spirituali", energia que pode ser produzida através de um treinamento físico, mental e espiritual.

Por outro termo, essa energia também é conhecida como "energia espiritual" ou "energia da alma".

Já estava começando a escurecer quando Riley saiu da escola.

Por ironia, ele se perdeu após o término das aulas e ficou perambulando pelo lugar até encontrar a saída, mesmo depois de Arthur ter lhe mostrado a escola.

Ele parou numa lanchonete próxima e pediu um sanduíche e um copo de refrigerante, e enquanto aguardava seu pedido ele pegou um pequeno diário de aparência muito velha.

A capa de couro estava bastante desbotada, as folhas estavam bastantes velhas e as letras escritas com bico-de-pena estavam quase apagadas.

Foleou algumas páginas até parar numa que estava com a borda dobrada, foi a última pagina que leu antes e agora que ele estava com tempo livre resolveu voltar a ler.

"Dia 16 de janeiro de XX43. Obtivemos sucesso no experimento 'Excalibur', porém é uma arma que consome grandes quantidades da Spirituali de seu portador, e também parece ser altamente perigosa, não podendo ser manejada por qualquer pessoa. Durante os testes foram usados três voluntários, mas nenhum resistiu ao processo e vieram a falecer; após uma ultima tentativa, apenas uma única pessoa teve a capacidade para suportar esta ferramenta, seu nome era...".

— Ah, que droga, a página está danificada e não possível ver o nome.

Reclamou, e depois de um longo tempo tentando decifrar aquilo, fechou o diário e o colocou em sua bolsa novamente.

— Essa cidade é bem mais estranha que as outras. Seu fluxo de energia é interno, mas até agora eu ainda não consegui descobrir qual é a fonte de energia que abastece o Domo.

Ele cruzou os braços e repassou todas as informações que havia obtido do diário e da conversa que teve com Flamel, onde o professor lhe deu algumas informações e conselhos sobre como ele deveria agir dentro da Cidade Escolar.

O garoto não devia em hipótese alguma revelar seus verdadeiros poderes e técnicas, também não deveria revelar que possuía qualquer tipo de ligação com o Professor.

Se aqueles que o assassinaram realmente faziam parte de uma organização como ele pensava, eles estavam atrás de algo que não estava na mansão naquela noite e certamente não iriam desistir de encontrar o que não estava lá tão fácil assim.

Riley observava os alunos que transitavam pra lá e cá nas ruas em frente à lanchonete enquanto pensava profundamente em alguns dos assuntos escritos no diário que o Professor havia lhe dado.

Esses experimentos secretos não fazem o menor sentido e não possuem ligação alguma com o assassinato do Professor, 'Projeto Excalibur' e 'Projeto Anjos Artificiais', esses dois são de alto sigilo e mesmo assim o Professor conseguiu deixar detalhes sobre ambos para trás, mas não me ajudam em muita coisa se eu não reunir os outros diários.

Ele parecia olhar para o vazio enquanto pensava.

Antes de morrer ele me deu esse diário e me disse para descobrir a localização dos outros diários e recupera-los; ao todo são quatro diários, eu possuo um, há mais dois nesta cidade e o quarto está na Cúpula da Federação Oriental, mas isso é praticamente impossível...

Ele olhou através da vidraça para o céu estrelado ficando pensativo quanto a isso.

É incrível como algo assim realmente exista, mesmo que eu saiba que esse céu é falso, eu ainda fico admirado por ele parecer ser tão real.

— Senhor, seu pedido.

Informou a garçonete enquanto deixava o pedido do garoto sobre a mesa e se retirava.

Riley comeu sem pressa, pagou e depois seguiu caminho para o seu dormitório.

Ele havia memorizado boa parte do caminho e poderia seguir até certo ponto, a partir dali ele teria de seguir pedindo informações ou seguir os outros alunos enquanto eles se dirigiam para seus dormitórios.

Durante o caminho ficou pensativo em relação às informações que os outros diários podiam obter, segundo o Professor, se os quatro diários estivessem reunidos, Riley descobriria sobre seu passado e quem ele era, pois essa era a maior duvida que o garoto possuía.

Embora ele fosse o filho adotivo do Professor, Riley não sabia qual era sua origem e nem quem eram seus pais, ele só sabia que sua mãe havia morrido após o parto e que seu pai desapareceu quando ele tinha apenas um ano.

Todas as vezes que o garoto perguntava sobre seu passado, o Professor lhe respondia que ele ainda não estava pronto para saber, e que devia esperar um pouco mais para descobrir isso.

O Professor também revelou que após os diários estarem todos reunidos, o garoto iria descobrir algo altamente secreto e que isso o levaria a pessoa que o assassinou, mas ele deveria tomar muito cuidado, pois era uma organização extremamente perigosa que não hesitaria em apagar a existência do garoto.

Ele distraidamente seguiu pela rua errada e acabou parando em uma rua escura e sem saída. Tentou dar a volta, mas foi impedido por um grupo de garotos que bloquearam seu caminho.

Deviam ser seis ou sete garotos, todos usavam o mesmo uniforme escolar e do meio deles uma figura surgiu.

Os cabelos loiros e olhos pequenos, aquele era o mesmo garoto que Riley derrotou antes.

— Finalmente te encontrei, seu desgraçado.

Ele rosnou enquanto ficava em frente ao grupo de garotos que faziam uma barricada.

— Quem é você? — perguntou confuso.

— Já se esqueceu do que você me fez noite anterior? Seu cérebro é tão pequeno assim?

— O que eu fiz noite anterior...

Riley lembrava-se da noite anterior quando encontrou Nebrissa pela primeira vez e teve uma pequena luta com um garoto de cabelos dourados.

— Ah! Você é o molestador de antes.

— Eu não sou um molestador!

— Hm? Você parece diferente... Ah, já sei, é o seu cabelo, ele era maior antes, então por que está tão pequeno assim?

— Seu maldito... Isso aconteceu por sua culpa, por causa da minha humilhante derrota, o chefe me fez cortar o cabelo do qual eu tanto tinha orgulho.

— Cara... Seu chefe deve ser barra pesada, hein. Mas ele certamente fez a escolha correta.

— Maldito...! Fica aí zombando de mim como se eu fosse inferior a você... Isso realmente me irrita!

O loiro trincou os dentes enquanto bufava de raiva.

Ele colocou suas mãos frente ao corpo e se concentrou enquanto formava uma esfera de vento quente nas palmas de suas mãos.

— Oh, essa técnica é diferente de antes. Pois bem, vamos fazer assim, eu não irei usar nenhuma técnica em especial, irei apenas usar as mãos nuas, certo?

— Maldito! Eu quero ver você repetir isso novamente depois de eu ter arrebentado essa sua cara!

O loiro lançou a esfera de ar quente na direção de Riley causando uma explosão de ar, o que obrigou os outros garotos a colocarem os braços na frente dos rostos para se protegerem do forte vento.

Quando todos olharam para onde Riley estava, ele não estava mais lá, havia desaparecido completamente, em seu lugar uma enorme cratera foi aberta com o ataque de ar do loiro.

Ele riu, riu exageradamente enquanto se orgulhava de si mesmo.

— Viu só? Foi tão forte que nem mesmo sobraram restos.

— Cara, isso foi perigoso.

Comentou um dos garotos que formavam a barricada.

— Não é? ... Ei!

O loiro espantou-se.

Bem no meio dos garotos estava Riley, nem mesmo os outros membros do grupo notaram quando ele entrou ali, eles tentaram o capturar, mas Riley saltou para trás pousando a uma distancia de seis passos entre eles.

Ele levantou braço enquanto exibia um cinto de couro, seu prêmio que havia pego da cintura de seu oponente.

O loiro olhou para baixo e percebeu que suas calças estavam caídas, ele então rapidamente tentou pega-la, mas atrapalhou-se a acabou caindo de cara no chão.

— O que vocês estão fazendo? Peguem ele!

O loiro ordenou e os garotos de seu grupo se moveram um passo, mais pararam quando Riley mostrou a outra mão e derrubou alguns botões dourados no chão.

Os garotos olharam para seus uniformes e perceberam que todos os botões haviam desaparecido, ou melhor, estavam na mão de Riley.

— Alguém vai querer encarar?

Ele perguntou enquanto lhes mostrava um olhar sério.

Os garotos tremeram e saíram correndo rapidamente e desapareceram deixando o loiro completamente sozinho com uma expressão perplexa.

— Ah, cara, isso não é bom. Seus companheiros o abandonaram. E agora, o que você vai fazer? Ainda quer lutar?

— S-seu maldito! Você ainda vai pagar por isso! Aguarde e verá!

Avisou o loiro enquanto segurava as calças e passava pelo lado de Riley.

— Ah, eu irei esperar.

Respondeu enquanto observava o loiro desaparecer. Olhou para o cinto em sua mão e depois o jogou no chão.

Ele coçou a cabeça e olhou para o céu estrelado.

— Agora... Como é que eu vou chegar ao dormitório?