A Cidade Escolar

3 O Aluno Transferido. (02/04)


Parte 2

Em uma pequena Rua da Cidade Escolar:

Já estava bastante escuro quando a garota de cabelos negros a altura dos ombros voltava para o dormitório.

Ela tinha olhos profundamente negros assim como os cabelos e sua pele era muito clara, tão clara que era possível ver algumas de suas veias.

Passava das 21:00 quando ela finalmente saiu da biblioteca central onde estudava alguns artigos relacionados a um incidente que acorreu na madrugada daquele mesmo dia.

"A mansão da pessoa mais conhecida como 'Professor', foi misteriosamente incendiada com dono dentro, as autoridades ainda não sabem os motivos por trás do incêndio, assim como a morte de seu dono que teve a maior parte do corpo carbonizado. Legistas afirmam através das autopsias que ele já estava morto antes do incêndio."

Ela lia em um jornal que segurava próximo ao rosto.

"Foi relatado que o professor não tem parentes próximos além de um único filho, o qual herdará todos os seus bens, mas que por motivos de segurança não teve a identidade revelada."

— Que estranho, pelas informações que tenho, o Professor não possuía parentes e muito menos um filho... Isso está muito estranho.

Ela lia distraidamente enquanto seguia por uma rua pouco iluminada onde havia apenas um único poste de luz funcionando.

— Ei, mocinha. Voce não deveria andar sozinha a essa hora da noite, sabia?

Alguém a chamou enquanto saía de um pequeno beco escuro, mas a garota nada respondeu.

Ele tinha os cabelos dourados e vestia um uniforme branco; seus olhos tinham as pupilas pequenas.

— O que acha de eu te acompanhar até em casa?

— Não, obrigada.

Ela respondeu passando por ele sem dar atenção.

Ele segurou fortemente o braço da garota e a puxou para perto de seu corpo enquanto sussurrava algo em seu ouvido.

— Ei, ei, ei... Quê isso? Eu estou tentando ser legal aqui, então por que não coopera comigo, ok?

— Já disse que não, obrigada.

Ela bateu a mão do garoto e o empurrou para longe.

— Ora, vejo que é valente, então certamente vai valer a pena.

Ele estava prestes a partir para cima da garota quando uma voz surgiu próximo aos dois, uma voz que dizia:

— Não faria isso se fosse você.

A voz pertencia a Riley que também saía de um beco escuro.

Ao contrario dos outros dois, que estavam completamente limpos, ele estava bastante sujo e com pequenos pedaços de grama espalhados por seu corpo.

Quem é esse? — perguntou-se o loiro o observando. Ele está todo sujo; parece que estava perdido até agora.

— Quem é você? Ou melhor, por que eu não deveria fazer algo? Você vai me impedir por acaso?

— Depende. — ele limpou um pouco de sujeira em suas roupas — Você tem duas opções: deixar a garota em paz e desaparecer ou tentar fazer algo e se meter em uma grande encrenca. E então, qual das duas você escolhe? É claro que se eu fosse você, eu escolheria a primeira opção.

— Não fique se achando, pirralho!

O loiro mirou o rosto de Riley com um soco e teve a sensação de tê-lo acertado em cheio.

— Hehe... Parece que você é apenas mais um daqueles que só sabem falar.

— Ah, ah. De fato, por alguma razão hoje estou bastante tagarela. Mas... Isso é tudo o que você tem? Francamente, para alguém que disse tudo aquilo eu esperava um pouco mais.

Riley segurou o punho do loiro próximo ao seu rosto e o torceu com tanta facilidade como se estivesse torcendo algo feito de borracha.

— Ora seu...

O loiro rangeu ao avançar para cima de Riley com mais um soco, mas o garoto apenas se abaixou esquivando-se do golpe e antes que o loiro atacasse novamente, Riley girou o corpo e com o pé esquerdo acertou um forte chute com o calcanhar no rosto de seu oponente fazendo-o cair inconsciente.

— Ah, cara... Só acho que exagerei um pouco. Ei, você aí. Tudo bem?

— Sim, eu estou bem.

A garota respondeu.

Ela parecia avaliar totalmente o garoto, já que o olhou de cima a baixo enquanto ele e o loiro brigavam.

— A propósito... Eu acabei me perdendo no caminho, então você poderia me informar em que direção fica o dormitório masculino?

Ele realmente estava perdido!— concluiu a garota o encarando sem piscar.

— Hm... Ah, atrás de você.

A garota avisou Riley sem mudar a expressão do olhar.

Riley virou-se rapidamente e por muito pouco não foi acertado por uma forte rajada de vento quente que passou a alguns centímetros de distancia do seu rosto.

— Isso foi perigoso! Espera... Essa essência... Não há engano! É Spirituali!

As palavras do garoto chamaram completamente a atenção do loiro e da morena.

O loiro lançou mais uma rajada de vento e dessa vez causou alguns cortes nas roupas de Riley.

— Ah, cara... Eu comprei essas roupas hoje... Não tem jeito, não é? Vou querer uma indenização pelos danos materiais que você me causou.

— Eu te pago com juros quando te encontrar novamente no inferno.

Os punhos do loiro foram envoltos por uma espécie de ar, mas era um ar com aura vermelha, quase laranja, que fez com seus cabelos balançassem bruscamente.

Riley e a garota perceberam que aquilo era ar quente, pois a temperatura ao redor deles aumentou rapidamente.

Ele lançou a rajada de ar quente na direção de Riley.

Entretanto...

Hm! Ele é rápido!— notou a garota quando observou Riley desparecer completamente de sua visão.

Movendo apenas os olhos ela parecia saber exatamente onde o garoto iria aparecer novamente.

O que houve? Pra onde ele foi?— perguntou-se o loiro olhando para todos os lados, mas em nenhum deles avistou sequer sinal do garoto.

Foi somente num segundo.

Num único segundo o garoto estava ali, e então depois ele simplesmente desapareceu deixando apenas um pequeno rastro de poeira no solo.

Riley surgiu sobre o loiro e lhe acertou uma cotovelada nas costas tão forte que o obrigou a se chocar brutalmente contra o chão.

— O que foi aquilo? Que tipo de poder era aquele?

— Nada em especial. — Riley coçou a parte de trás da cabeça — Mas estou surpreso em descobrir que mesmo você sabendo manipular Spirituali não conseguiu entender o que eu fiz.

— O que você quer dizer?

— É algo simples, apenas concentrei Spirituali em minhas pernas e assim aumentei a capacidade de movimentação podendo me mover várias vezes mais rápido que o comum.

Aceleração dupla? Não, tripla... Esse cara... Quem ele é?— a garota observava a explicação de Riley.

— Agora você realmente me deixou irritado. Eu vou te matar!

— Ah, é mesmo, eu também tenho uma técnica que desenvolvi sozinho e eu a nomeei de: Disparo Big Bang.

Uma pequena esfera azul-cintilante se concentrou bem na ponta do dedo indicador de Riley.

Aquela luz cintilante foi se acumulando, mas ao invés de aumentar, ela diminuiu cada vez mais até ficar bem pequena — talvez menor até que uma bolinha de gude.

Ele então disparou contra o loiro, e num piscar de olhos atingiu-lhe o peito e o jogou para longe, o deixando inconsciente.

— Depois desse ultimo ataque é bem provável que ele não se levante tão cedo, então irei avisar a Polícia Escolar sobre o ocorrido. Ele pode até mesmo ser condenado e pode ter de pagar multa por um ato assim.

Disse a garota, o que fez Riley levar um rápido susto.

Como? Polícia Escolar? Eles até tem um troço desses aqui, é? Só espero que não sobre pra mim... Se bem que Flamel me pediu para que não me metesse em confusão.

— Compreendo. Bem, mas agora que tudo acabou bem, você poderia me dizer em que direção fica o dormitório masculino?

Ele pediu a garota.

— Eu estou indo para o dormitório feminino, o masculino fica próximo de lá, se me seguir irá encontrar facilmente a rua que levará aos dormitórios.

— Ah, obrigado, eu acho... A propósito, meu nome é Riley, e o seu?

— Não direi a você.

— Por quê?

— Não há garantias de que você também não seja um maníaco atrás de garotas indefesas no meio da noite. Você pode ser até mesmo um pervertido que invade os dormitórios femininos para roubar as calcinhas das garotas só para usá-las na cabeça.

— Isso foi um pouco cruel da sua parte, até mesmo para alguém que acabou de lhe salvar.

— Não me lembro de ter pedido sua ajuda. Aliás, eu me importaria mais com um gato morrendo em um acidente do que com você morrendo tentando me salvar.

A garoto comentou sem nem mesmo altera sua expressão calma e seu tom de voz.

— Se dissesse essas palavras para o seu namorado, com certeza o deixaria de coração partido. Bem, tanto faz, irei procurar o dormitório masculino sozinho... Então quem sabe nos vemos em outro lugar.

— Espere.

— O que foi?

— O dormitório masculino é pra cá.

— Eh?

— A propósito, meu nome é Nebrissa.