A Cidade Escolar

21 Assuntos Escolares. (06/06)


Parte 6

Escola Sant'Angelus, dia seguinte:

Todos estavam em choque quando chegaram à escola naquela manhã, o local estava completamente irreconhecível. Para todos os lados em que se olhava, havia apenas destroços e escombros completamente queimados; alguns ainda fumaçavam fracamente.

O vozerio e o tumulto ali estava incontrolável, alguns alunos tentavam entrar para ver como as coisas estavam, outros apenas esperavam sem saber o que fazer do lado de fora dos portões, alguns ligavam para a Policia Escolar e outros paras os bombeiros, então a figura de uma garota um pouco mais baixa e de cabelos vermelhos apareceu no meio da multidão enquanto segurava um megafone.

"Testando. Testando. Testando."

— Certo, parece que está bom.

Ela comentou após avaliar as condições do megafone.

"Bem, como todos aqui podem ver, a escola está num estado irreconhecível e ainda não se sabe os fatos sobre o que levou a isso, então não tem jeito... Nós não teremos aula hoje!!!"

— Por que você está informando isso tão alegremente quando há um cenário de pós-guerra atrás de você?!

O comentário de todos ali foi unanime diante da informação que a presidente do Conselho Estudantil havia dado, ela então acabou sendo golpeado no estomago pela vice-presidente e acabou ficando inconsciente, o secretario, Lytton, foi quem a levou até um local para que pudesse descansar até recobrar a consciência.

— Por favor, porte-se de acordo com seu cargo, Presidente.

Todos ali engoliram em seco após presenciaram aquela cena e o breve comentário acompanhado por um olhar assustador da vice-presidente, Riko.

"Aqui é a vice-presidente do Conselho Estudantil. Ontem à noite, nossa escola parece ter sido atacada por um grupo de delinquentes, segundo o relato do guarda-noturno. As gravações das câmeras de segurança ainda estão sendo avaliadas e não temos qualquer informação além dessa que possa nos informar o responsável por esse ato. Como a escola não está em condições para dar aulas, ela ficará fechada por tempo indeterminado. Por ora, todos os alunos devem se retirar e voltar aos seus dormitórios, vocês estão livres de seus compromissos escolares por hoje."

Assim como a vice-presidente informou, todos os alunos ali começaram a se retirar do local, alguns enviavam mensagens e e-mails para os amigos e colegas que estavam atrasados, os alertando sobre o ocorrido, outros preferiram ligar, e no meio disso tudo, um garoto estava de pé imóvel como um pedra, seus cabelos lhe cobriam os olhos e não se podia saber qual sua expressão naquele momento.

— Foi por minha causa, não foi? Eu ouvi alguns alunos comentarem sobre alguém ter visto alunos do White High vandalizando escola.

Ele perguntou a garota que acabara de parar ao seu lado naquele momento, mas ela não pareceu surpresa, parecia que já esperava por alguma pergunta dele; ela o olhou e depois olhou para o local completamente destruído e disse:

— Talvez seja, talvez não seja. O fato é que isso iria acontecer uma hora ou outra, então se culpar não vai adiantar de nada agora.

— Quantas vezes mais eu vou ter que ver tudo a minha volta ser destruído? Quantas vezes mais?

Ele murmurou, mas Nebrissa, apesar de escutar, não conseguiu entender o que ele queria dizer com aquilo.

— Bem, agora tudo já está feito e não há mais volta... Igh!

Fez Nebrissa.

— O que houve?

— Por alguma razão, senti um arrepio agora pouco... Essa sensação é... É como se...

— NEBRISSA!

Alguém gritou seu nome animadamente, a garota então se escondeu atrás de Riley que não sabia dizer o que estava acontecendo ali, ao longe à figura de um garoto com um largo sorriso no rosto vinha correndo em direção a eles.

— Minha amada Nebrissa!

— Droga, ele já me achou?

— Quem é ele?

— É o secretario do Conselho Estudantil, Lytton Fernandez, ele sempre fica atrás de mim como um cachorro atrás do dono.

— Ué? Por que você está tremendo, Madame Nebrissa?! Por que a famosa Princesa Intocável está tremendo tanto assim?!

— Você não entenderia... Ele é louco... Já me seguiu e me observou de lugares que você nem sequer consegue imaginar.

— Nebrissa, meu amor! É uma grande sorte poder te encontrar aqui! Epa! Quem é esse e por você está se escondendo atrás dele?

— Meu namorado.

—...

—...

—...

— Quê?!

— Espera, por que você também está aqui, Arthur?

— Eu vinha passando pelo lugar e resolvi te cumprimentar, mas, cara, eu já sabia que vocês dois tinham ficado muito próximos ultimamente, só não sabia que estavam namorando. Isso foi realmente uma surpresa.

— Ei! Espere um pouco aí eu não me lembro de...

— Nesse caso, terei que duelar com você pelo amor de Nebrissa.

— Por que um membro do Conselho Estudantil está querendo arrumar confusão com um aluno da própria escola?!

Lytton adotou um posição de ataque enquanto mirava Riley, mas a atenção de todos ali se voltou para o som de uma bolsa caindo fortemente no chão.

— V-v-v-vocês dois estão n-n-namorando?

A expressão de choque no rosto de Kaya mostrava que ela realmente foi pega de surpresa com aquela noticia logo cedo, ela então deu as costas e saiu correndo dali chorando enquanto gritava fortemente:

— Riley, seu idiota! Idiota! Idiota!

Arthur e Nebrissa se viraram para Riley e o olharam com total desprezo e decepção naquele momento.

— Hein? Por que vocês estão me olhando assim?

— Fazer uma garota bonita como aquela chorar... Não é nada bom para a imagem de um garoto...

— Você realmente não entende os sentimentos das mulheres... Que homem decepcionante...

— Ei! Por que é que eu acabei me tornando o culpado de tudo aqui? Lytton, não é? Você viu que eu não fiz nada, então, por favor, será que podia explicar pra eles... Ei, o que houve? Por que você está todo encolhido assim?

— Idiota! Idiota! Idiota!

— Por que até um membro do Conselho Estudantil saiu correndo como uma garota que acabou de ser rejeitada?!

— Agora ele fez o secretário chorar... Quantos corações você planeja quebrar logo de manhã?

— Você realmente não entende os sentimentos de uma garota... Que virgem decepcionante...

— Ei! Em primeiro lugar, eu não fiz nada aqui! Eu nem sei o porquê daqueles dois saírem correndo. Em segundo lugar, por você está repetindo a mesma coisa, Nebrissa?! E por que até mesmo você está usando a palavra "virgem" como uma forma de xingamento.

— Parece que a White High foi longe demais dessa vez, isso é claramente um tipo de aviso a nós, da Escola Sant'Angelus, de que ninguém se meter com eles e sai impune.

— Você já sabia que eles eram os culpados por isso, Arthur?

— Eu não sei de todos os fatos, mas parece que o Conselho Estudantil já está tomando providencias em relação a isso, eles não revelaram nada aos alunos porque sabem que há alguns que possuem um rixa com o pessoal de lá. Bem, quanto à escola, não se preocupe, ela será reformada logo, dois ou três dias no máximo.

— Hã? Não diga besteiras assim, é impossível reformar um lugar assim em tão pouco tempo.

— Não, é você que ainda não entendeu. Algo assim não passa de uma pequena brincadeira para Flamel e o diretor da escola, Cornélius Sanctus. Não se sabe como, mas uma vez eles reformaram a escola da noite para o dia apenas para suportar uma maior quantidade de alunos. Quando se trata deles, muitos dizem que nada é impossível para eles.

Riley estava admirado e ao mesmo tempo assustado com aquilo, ele já havia conversado com Flamel tantas vezes antes e nunca sequer soube quem ele era ou conhecia alguma coisa sobre ele; até mesmo Nebrissa pareceu supressa com aquilo, pois sua expressão ao escutar aquilo foi a de espanto.

— Mas e quanto a White High, eles sairão impune disso tudo?

— Eu creio que não, já que a Presidente está tendo uma audiência com o diretor para resolver sobre que providencias deverão tomar sobre isso. Quem já ouviu historias sobre eles já devem saber que eles não permitirão que algo assim saia facilmente impune.

As palavras e o sorriso que havia no rosto de Arthur deixaram ainda mais duvidas sobre quem os alunos daquela escola realmente eram e do que eles seriam capazes.

...

Enquanto todos os alunos voltavam para os dormitórios com os próximos dias livres de qualquer atividade escolar, no meio dos escombros da escola a figura de três pessoas estava presente — dois homens e uma garota.

— Honestamente, meu salario de professor não paga por horas extras e tarefas extracurriculares como essa. Por que eu tenho que ajudar a reformar a escola se foram alunos de outra escola que a destruíram?

— Meu salário de diretor também não inclui estas coisas, mas não podemos permitir que o Conselho Escolar descubra sobre isso, apesar de eu ter certeza de que também não irá passar totalmente despercebido por eles. Por ora, deixei com os membros do Conselho Estudantil a tarefa de discutirem com a White High sobre os danos materiais causados aqui.

— Ai, ai. Você certamente só quer se divertir enquanto os vê destruir tudo por lá, não é?

— A forma como você diz faz parecer que eu sou sádico.

— E não é?

— Tudo bem, confesso que estou um pouco entediado e gostaria de um pouco mais de diversão, mas como diretor, não posso passar um mau exemplo aos meus alunos, mas também não quer dizer que eu não possa brincar por trás das cortinas um pouco.

— Se me lembro bem, a presidente esse ano é Pandora Doppelseitig, certo? Tem certeza de que está tudo bem deixar esse tipo de situação ser resolvida nas mãos dela?

— Hm, ela pode ser um pouco explosiva quando realmente está irritada, mas creio que ela possa resolver assuntos assim facilmente e sem problema algum, afinal, seus feitos naquele incidente há dois foram reconhecidos até mesmo pela própria Elite Dez.

— O Demônio Escarlate, não é? Um titulo irônico para uma personalidade bastante extrovertida como a dela. Bem, não se pode julgar um livro pela capa.

— Professor Flamel, diretor Cornélius, eu preparei um pouco de chá com biscoitos, assim que terminarem podem vir se servir.

— Ah, muito obrigado, Helena, esse velho de trinta anos aqui é realmente grato por sua gentileza.

Apesar de ambos os homens estarem em cargos altos e serem bastante respeitados pelos outros professores assim como alunos, eles não se deixaram levar pelo poder da posição em estavam e também não abandonaram o habito de fazerem aquilo que bem entenderem.

Ambos estavam usando macacões para trabalhadores de construções amarrados à cintura e nada mais que uma simples camisa cinza enquanto retiravam alguns escombros do local e consertavam alguns canos de água.

Naquele mesma noite, Flamel e Cornélius ainda trabalhavam retirando os destroços e escombros que estavam sobre uma espécie de pátio circular; por sorte ainda estava intacto.

— Certo, parece que a marca de backup que eu deixei aqui ainda está intacta, isso facilita muito as coisas para mim. Há alguma coisa que você gostaria de modificar?

— Hm, como o edifício onde estou não foi atingido, não há algo que queira especificadamente, mas se me lembro bem, parece que os banheiros masculinos precisavam ser ampliados, o edifício para os clubes também estava precisando de algumas reformas já que sua estrutura estava cada vez mais fraca, e eu também acho que deveria haver uma área para que os alunos pudessem descansar após o almoço ou as atividades escolares.

— Que tal uma área arborizada com alguns bancos?

— Me parece uma boa ideia.

— Ótimo, então sem mais delongas, hora de começar o trabalho.

Flamel se agachou no centro do circulo com as várias equações e símbolos misteriosos escritos, ele então tocou com a palma das duas mãos no chão e várias fagulhas de eletricidade começaram a se espelhar por todo o lugar como se fossem parte de algum tipo de espetáculo artístico.

Inacreditavelmente todos os escombros e destroços que estavam ali começaram a se despedaçar e tomar novas formas novamente, os edifícios começaram a ser construídos instantaneamente como se estivessem sendo montados pouco a pouco como peças de um quebra-cabeça.

Era difícil de acreditar no que se passava ali, toda aquela área que estava completamente destruída agora se encontrava sendo reconstruída como se fosse apenas uma brincadeira.

Flamel não deixou que nenhum detalhe passasse despercebido por ele, e até mesmo reconstruiu todas as carteiras, quadros e ferramentas que haviam dentro da escola na noite anterior.

Ele sabia de cada detalhe minúsculo que havia naquela escola porque foi ele mesmo quem a projetou e todas as noites ele sempre vagava pela escola observando cada detalhe e guardando tudo em sua memoria.

Para ele, reconstruir e recriar tudo o que havia alia era tão fácil quanto respirar.

Assim como o diretor solicitou, Flamel utilizou uma área que estava vazia há bastante tempo para construir uma área com bancos onde os alunos poderiam se sentar para descansar após o almoço e as atividades escolares.

Ele até mesmo criou as árvores para que a área fosse bem arborizada, elas cresceram rapidamente a partir de pequenas raízes que brotaram do chão e logo se tornaram árvores adultas.

Ao terminar tudo ali, ele apenas se levantou novamente, fez alguns movimentos e vai-e-vem para que não ficasse com dor nas costas e depois limpou o suor em sua testa com a costa do braço.

Após um longo inspiro e um longo suspiro, ele puxou os cabelos bagunçados para trás como de costume e ascendeu um cigarro.

— Está pronto.

— Ora, não demorou mais que dez minutos, parece que você ainda não está tão enferrujado assim como pensei.

— Ei, por acaso está me chamando de velho?

— E você não é? Vejamos, quantos anos você tem mesmo?

— Trinta.

— Não os anos da sua aparência atual, a sua idade verdadeira.

— Não quero ter de dizer isso há um velho como você também, mas comparado a sua idade, eu sou apenas um garotinho que acabou de sair das fraldas.

— Bem, eu não sou velho assim quanto parece.

— Parece que ambos já estamos velhos demais. Me pergunto quanto tempo mais viveremos.

— Se tudo estiver fluindo corretamente, receio que não muito tempo.

— Realmente, mas se bem que já vivemos tempo demais para aproveitarmos tudo o que a vida pôde nos oferecer, agora é somente a época para auxiliar os mais novos e direciona-los para o caminho certo.

— Você fala como um professor de verdade.

— Ei, vou te chutar se você continuar com esse seu tom irônico.

— Desculpe, desculpe, mas é que faz muito tempo desde a última vez que agimos como bem queríamos.

— Você tem razão, mas nós também já fizemos tudo o que podíamos, agora só nos resta ver o que essa geração é capaz de fazer daqui pra frente.

— Você está certo, nós já concluímos nosso trabalho aqui, agora só nos resta ver ao resultado que isso nos levará. A propósito, poderia me arranjar um também?

— Aqui.

Flamel colocou as mãos nos bolsos e Cornélius apoiou-se em sua bengala bastante elegante, e assim ambos contemplaram a gigantesca escola que estava completamente reconstruída, ou melhor, estava novinha em folha e pronta para um novo dia escolar, mas o diretor decidiu que seus alunos mereciam uma folga por enquanto.

O que ele não previu, é que durante essa folga muitas coisas aconteceriam.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.