Notas iniciais
Não se trata de uma fanfic nova, pois ela já foi escrita e postada em 2019. Essa mesma fanfic foi a nossa primeira escrita em inglês, para fora do Brasil. Ela está aqui, disponível! (Acreditamos que pode ser que não faça sucesso :c) De qualquer forma, pode servir para uma futura escrita de livro sobre futuro pós-apocalíptico.

2009

O telescópio Kepler foi lançado

População — 6 bilhões de pessoas




2014

O planeta Kepler-186f foi descoberto pelo Kepler População — 7 bilhões de pessoas




2030

O homem pousa em Marte e funda a primeira colônia em outro planeta

População – 7.9 bilhões de pessoas




2070

Programa espacial Starshot alcança Alpha Centauri

População – 9 bilhões de pessoas




2124

Recursos energéticos da Terra se tornam escassos. Uma guerra por eles começa. Kepler-186f é batizado de Tanis e se torna alvo de interesse interestelar.

População – 11 bilhões de pessoas




2148

Sonda espacial Paleo-17 descobre vida em Tanis

População – 13.4 bilhões de pessoas




2174

Terra atinge estado crítico. Nave Elysium é lançada

População – 19 bilhões de pessoas




No espaço profundo, na borda do Sistema Solar, a nave Elysium viajava, com seus anéis girando em torno da estrutura da nave e garantindo gravidade artificial.

O capitão e o Tenente Payton correram, passando pelas pessoas nos corredores da nave, até a porta da Ponte e sua conexão com demais partes da nave. O capitão usava uma máscara de gás. Payton tentou chegar às portas principais e abrir elas, hackeando sistemas, tentando arrombar a rede elétrica e abrir ela, mas sem êxito. O capitão voltou a porta principal e ela estava completamente selada, assim como a porta atrás deles.

“Abre, está vazando ar.” O capitão falou para um jovem localizado do outro lado da porta, que levava para o interior da Ponte. O jovem caucasiano encarou ele.

O homem inclinou a cabeça: “Então... eu acabei de remover o ar desta Ponte.” Payton ficou surpreso com isso. O capitão o encarou.

“Se prepare para ver algo épico, capitão.” Ele disse, sorrindo para o capitão e se dirigindo para um painel. Logo ali, ele pressionou alguns botões, conforme Payton observava.

“Não!”

De repente, 4 cápsulas da Ponte são lançadas.

“Guardas, abram a-“ Payton clamou para os guardas, mas quando se virou, ele ficou sem chão.

Todo o pessoal que estava acordado, cuidando da nave, que não tinha ido para o hiper-sono, estavam desmaiados – todos eles, inclusive o capitão. O oxigênio atingiu um ponto crítico. Payton se virou para a porta e gritou com o golpe que tomou. O homem o atingiu na barriga com uma barra de metal afiada, estava de máscara.

“Agora, todos lá vão sonhar comigo.” O jovem disse terminando com um sorriso, ele arrancou a barra de metal do corpo de Payton.

“Oh...”

“M-Mas...” Payton caiu no chão, mas fez pressão contra sua ferida.

“Por que você fez isso?” O jovem cruzou os braços com a pergunta.

“Por causa de Pandorum... eu sou o Tenente Gallo, se lembra?” Ele se aproximou, olhando com ameaça.

“P-Pandorum...” Payton perdeu tanto sangue que perdeu a consciência.

“Agora, todo o pessoal da Ponte em hiper-sono vai me obedecer.” O jovem olhou para as roupas de Payton, pensando em tirar elas e usar para si mesmo.

“Ao tenente e capitão... Payton.”





Passados 123 anos deste incidente, a nave já havia alcançado o Planeta Tanis.

Uma enorme e brilhante bola de fogo cruzou os céus alienígenas do planeta, indo para a água. A Elysium ativou automaticamente seus propulsores e começou a diminuir a velocidade, por fazer uma leitura de impacto de corpo celeste, porém ela bateu com tudo na água. Parte da nave desceu pelo oceano até bater com tudo no assoalho oceânico.


800 anos depois, a nave religou e cápsulas de emergência foram lançadas pela água, trazendo os sobreviventes à superfície do planeta.




Ano 1

População: 1214 pessoas




Bower abriu os olhos. Ele havia deitado naquela noite em uma carcaça de cápsula reaproveitada, localizada dentro de uma tenda. Ele se sentou e esfregou a cabeça, bocejando. Ele teve uma visão de sua mulher, enquanto dormia, chamando por ele, mas ele tinha voltado para a realidade, ele tinha acordado.

“Hugh!” Bower ouviu um som, vindo de fora. Ele se levantou e andou até a entrada da tenda. Ele estendeu aos poucos a mão até a entrada, até o tecido da entrada, mas uma silhueta, uma sombra, enorme e monstruosa, se revelou diante dele após uma trovoada, assim foi seguido de um rugido maquiavélico, ancestral e predatório.

“Night Howls” Uma garra enorme e negra entrou na tenda, mas Bower deu alguns passos para trás.


Fora da tenda, répteis enormes de olhos azuis, quatro pernas, garras afiadas, sabres na boca e carapaças semelhantes à de tartarugas nas costas, corriam pelo campo com guepardos e pulavam como macacos, atacando as pessoas, dentro e fora das tendas. Elas rugiam, se alimentavam da carne humana. As pessoas desarmadas correram desesperadas pelo acampamento.

Um homem de cabelo negro e barba castanho-escura saiu de sua tenda e viu uma linda, caucasiana e esguia mulher de cabelos ruivos cortados na altura do ombro, correr de um dos Night Howls, solitário, mas caçando ela. Ela passa por cima de uma tora de árvore gigante no meio do acampamento, mas a criatura pula por cima sem dificuldade, procurando alcançar ela com suas presas.

A criatura foi jogada ao chão. Alguém se jogou para cima dela.

Nadia pisou no chão com os dois pés depois de ter derrubado o alien, girou uma lança ao seu lado e fincou ela bem em um dos olhos da criatura. Ele rugiu de dor. A garota se jogou ao chão para se proteger do ataque. O homem que a via correu até ela.

“Mila!” Gritou o homem.

Nadia perfura o crânio do alien com a lança e o mata. Ela puxa com força para trás. Bower se aproximou da fogueira maior do acampamento e o acendeu, afastando as criaturas da noite de volta para a escuridão, seus rugidos ainda podiam ser ouvidos quilômetros de distância. O homem ajudou Mila a se levantar e agradeceu Nadia pelo que fez.

“Te devemos essa, Nadia.” Disse Mila. Nadia assentiu e sorriu.



Depois, com o nascer do Sol, os sobreviventes praticamente nasceram das cinzas mais uma vez. Um homem tocou um instrumento, como sinal de aviso. Era uma reunião que estava sendo feita. Todos do acampamento se dirigiram até a tenda do líder da colônia.

O líder era o pai de Mila, o homem que correu para ajudar ela na noite anterior. Ele cumprimentou a todos depois que saiu de sua tenda e ficou de frente para a multidão.

“Bom dia a todos. Como prometido, estamos aqui hoje... reunidos... para falarmos sobre o futuro de Tanis. Nesta madrugada sofremos o nosso sexto ataque e agora contamos apenas 1189 pessoas vivas... não temos armas suficientes. Não temos comida suficiente para todo mundo.”

Ele foi olhando para o seu povo, conforme falava, as pessoas sujas, cheias de terra ou sangue, como se tivessem se arrastado na terra molhada ou passado dias agachados em campos de guerra nas extensas trincheiras de batalha que um dia permearam a Terra em seus anos finais. Estavam jogados, como os mais baixos na sociedade das grandes metrópoles superdesenvolvidas e futuristas das grandes nações do antigo planeta, era como Bower e Nadia pensavam, o mesmo as vezes passava na cabeça de seu líder.

“Somos os últimos remanescentes da prole de Adão e Eva, se Deus estiver de acordo. Nesse ritmo, não haverá muito mais o que fazer.”

O povo ficou surpreso com isso. Eles pensaram que ali poderia ser pior que a estaca zero, poderia ser o limbo de toda a humanidade. Bower olhava por outro lado para a situação.

“O Robert dá bastante confiança, não é verdade?” Ele brincou com Nadia, falando somente com ela.

“Bom diaaa. Eu não te vi aííí.” Nadia olhava preocupada para Bower depois do que o líder havia dito, mas Bower não correspondeu de volta no olhar, para sua amiga, continuando com a brincadeira. Ela fez uma expressão de desprezo e olhou para os lados.

“Você mente muito mal, Bower.” Disse com uma pequena rispidez.

“Tem que pôr um sorriso nessa sua cara.” Ele falou.

“Tá certo” Ela falou seca.

“Vamos lá. Eu quero idéias aqui! Precisamos de idéias aqui.” Apareceu ela da tenda e ficou ao lado de seu pai, um pouco mais para trás. Ela ergueu o pescoço e pôs as mãos na lombar.

“Vocês ouviram ele. Vocês são roboticistas, engenheiros ou o quê? Comida de bicho?” Ela perguntou em alto e bom som.

“Precisamos ou seremos todos jogados para as baratas comer.” Assentiu ela.

“Alguém?” Perguntou Robert.

Alguém levantou a mão e Robert lhe deu a permissão para falar.

“Poderíamos mover o acampamento.” Disse uma pessoa.

“Então a noite seríamos perseguidos e caçados.” Ele complementou.

“Quer saber...” Nadia chamou a atenção de Bower, que franziu o cenho para ela.

“Eu estou cansada disso. A tecnologia dentro da Elysium...” Ela lhe deu uma dica.

“O que você quer dizer com isso?” Ele perguntou.

“Ela está de baixo da água, agora.” Ele falou.

“São amostras que trouxemos da Terra, bilhões de espécies.”

“Sim...?”

“Você não se lembra, Bower!? Se aquela carga continuar funcionando, iremos sobreviver por gerações aqui. Poderemos terraformar um território do planeta e podemos até nem precisar nos preocupar com testar se a modificação que recebemos realmente funciona em Tanis.” Ela falou, como se fosse um plano. Bower percebeu seus olhos brilhando.

“E você sabe como operar ela?” Assumiu ele que ela fosse a única que conseguisse tornar isso possível.

“Eu sei, mas tenho que saber se essas amostras continuam vivas.”

Bower então levantou a mão.

“O que está fazendo?” Ela sussurrou para ele.

“Diga.” Robert viu e permitiu que Bower falasse.

“Senhor, Cabo Bower, engenheiro chefe da Ponte.” Ele o cumprimentou e bateu contingência. O povo olhou para ele.

“Diga, cabo.”

“Já estive na nave antes de todos acordar.” Literalmente, todas as mil pessoas do povoado prestaram atenção nele.

“No coração da Elysium tem uma “arca de Noé”, com centenas de espécies da Terra” Ele continuou.

“Um... zoológico?” Robert perguntou e algumas pessoas riram, mantendo o clima de más idéias que estavam sugerindo.

“Não. Um laboratório. Se estiver certo, podemos usar ele para sobreviver.”

“Eu sou geneticista”. Nadia se expôs ao povo. “Sou a última que trabalhava lá.”

“Se encontrarmos uma forma de voltarmos a Elysium, poderemos terraformar parte do planeta. Podemos plantar... cultivar...” Bower continuou falando.

“E teremos comida.” Nadia terminou.

“Está certo... e quem seria um voluntário para tentar?” Perguntou Robert.

“Eu gostei da idéia de tentarmos invadir a Elysium e ver o que tem lá, pai... mas... precisaremos de engenheiros.” Ela falou pessoalmente com ele, zombando um pouco da idéia.

“Pode apostar que estou nessa.” Disse um homem alto, caucasiano e careca, próximo deles.

Robert se virou para a multidão. Mais 4 pessoas levantaram as mãos, tirando Nadia e Bower – eram todas engenheiras.

“Pode ser uma missão perigosa, queridos.” Brincou Bower, mas ninguém respondeu. Nadia ficou mais perto dele.

“Você viu o que aconteceu da última vez, não? É melhor termos cuidado, cabo...” Ela respondeu a brincadeira dele, depois de bater com parte do abdômen na cintura dele. Bower sorriu para ela e ela devolveu com um sorriso semelhante.




A reunião terminou, mas o líder quis continuar conversando com os jovens voluntários para essa missão.

“Vocês vão ter que encontrar um jeito de entrar.” A filha de Robert falou.

“Teremos um dia para descobrir, antes do próximo ataque” Completou Robert. Mila olhou para Bower.

“Se todos colaborarmos, poderá ser possível.” Sugeriu Nadia.

“Claro, e eu vou com vocês.” Falou Robert.

“Com licensa... Nadia?” Perguntou o homem careca, com seu sotaque saindo com um “R” puxado.

“Sim... você é?” Ela se virou para ele.

“Meu nome é Leo. Acredito que possamos levar ferramentas...”

Nadia torceu um pouco a cara. “Acho que eu ainda não tenho uma idéia certa para isso. Mas, sim.”

“Sim. Sou engenheiro. Será necessário todo tipo de ferramenta.” Ele foi explicando, mas não falou qual tipo.

“Então, eu sou seu superior.” Disse Bower, se aproximando dele. “Pode me explicar qual ou quais ferramentas que são.”

Bower sorriu para ele.

“Vai depender...” Disse Leo.

“Do quê?” Nadia cruzou os braços, mas Bower perguntou com educação.

“Disso.” Ele mostrou as credenciais em seu braço, estava escrito “ENG 00004”.

“Eu sou de número 5”. Disse Bower.

“Então você não é meu superior.” Ele puxou a manga.

“Tô achando que é melhor você ignorar isso.” Bower olhou para a manga dele e depois para o rosto de Leo.

“Cara, eu não vou...” Ele encarou Bower.

“Queridos, parem com isso. Estamos sob o comando de Mila e Robert.” Disse um dos outros engenheiros, uma mulher de cabelo encaracolado.

“Sim, acredito que eu tenha parte nisso. Estou acordado há mais tempo que a maioria e sei andar pela nave.” Disse Bower, excluindo Nadia dessa.

“Vai se ferrar. Sobrou ninguém da Ponte.” Sorriu Leo, para Bower, que estava ficando irritado.

Nadia encostou em Bower e deu um pequeno empurrãozinho no ombro dele, chamando atenção dele.

“Bower... temos que ir.” A reunião acabou, ela o tirou de lá para evitar confusão.





Assim seguiram a liderança dos dois no comando da colônia. O grupo seguiu a idéia de Robert, de reunir algumas cápsulas de emergência que sobraram e madeira de árvores, para fazer uma jangada e navegar até os anéis da nave.

O povoado construiu uma pequena muralha de madeira sob os comandos de Robert, perto do litoral, para poder impedir ataques de predadores e de arruinar o progresso.

Durante a construção, uma grande e espessa criatura sem olhos, com asas de morcego e semelhante a um verme marinho, voou por cima do novo acampamento. Um dos tocadores do povoado tocou um dos instrumentos em um som bem agudo, afastando a criatura do local. A criatura de um enorme rasante por cima deles e voou para longe, parecendo uma enorme serpente voadora quando estava indo embora.

O Sol começou a se pôr...

“Está anoitecendo, Bower. O Night Howls vão começar a caçada, em breve.” Disse Nadia.

Ele estava em cima da muralha de madeira, olhando o horizonte e a floresta, de onde vinham as criaturas.

“Temos que finalizar essa construção essa noite.” Concluiu Bower.




A noite caiu. As criaturas das sombras, os Night Howls, andaram em grupos de alcatéias até as muralhas, luzes de fogueira e pessoas armadas com lanças, estacas e armas brancas patrulhavam de um lado para o outro. A mulher de cabelo encaracolado, Alex, ajeitava as falhas na muralha usando suas próprias mãos.

“Já fazem horas que anoiteceu... cadê eles?” Perguntou Leo, ajudando Alex a terminar o serviço braçal intenso.

“Espera...” Ela terminou de puxar uma corda com toda sua força.

“Estou muito entediada...” Ela sorriu para Leo. Ele viu algo se mover lá em baixo. Ele pegou uma tocha e jogou ela na direção do chão, de onde Night Howls saíram correndo para trás.

“Estão lá em baixo!” Ele gritou.

Todos na muralha sentiram um impacto bem dado. As criaturas estavam investindo e dando cabeçadas nas paredes de madeira da muralha, tentando quebrar ela. Rochas foram atiradas de catapulta na direção deles, direto para fora da muralha.

“Boa...” Comemorou sem muita vontade Leo.



Depois de uma batalha intensa e que durou a noite toda, os engenheiros conseguiram terminar a construção da jangada que os levará especialmente até a Elysium.

“Tomara que dê certo.” Mila julgou.

“E vai.” Robert assentiu.

Eles reuniram suprimentos depois de realizarem os preparativos e foram. Robert foi quem empurrou a jangada na direção do nevoeiro marinho, usando uma pequena tora, deixando eles em direção ao mar aberto.

No meio do caminho, Bower teve uma dor de cabeça. Ele se lembrou de sua noiva... na Terra... há incontáveis séculos de distância, assim como se lembrou dos carniceiros Caçadores que estavam no interior da Elysium, perseguindo os sobreviventes por incontáveis gerações.

“É na direção daquele pilar”. Apontou Nadia, para um dos engenheiros que estava navegando a jangada usando um sistema rudimentar.

“Vai ter uma espécie de tranca de ar.” Disse Bower.

“De atividade extraveicular, Bower?” Perguntou Alex.

“Isso mesmo.” Respondeu, se mantendo agachado enquanto via os anéis do tamanho de prédios se projetando para fora da água e ficando cada vez maiores, mais próximos e mais próximos ainda.

“Sim, podemos entrar por lá.” Viu o engenheiro na direção. O vento soprou forte, mas eles ficaram do lado dessa entrada de ar, semelhante a uma porta, bem forte e robusta, quase impossível de ficar no mesmo nível por conta das ondas e do vento.

Bower ficou na ponta da jangada e se aproximou. Ele saltou e se pendurou com os dois braços na beirada da porta, que parecia ter um apoio para alguém pisar do lado de fora. Ele subiu com esforço e ficou diante da porta. Ele olhou para ela e procurou falhas ou travas, mas viu um painel onde havia um leitor manual. Ele suspeitou e olhou para sua mão, acreditou que pelo fato de ser engenheiro, talvez fosse dar acesso a ele. Bower pôs a mão lá. A porta retraiu e se abriu no meio. A Elysium ainda estava viva... ela ainda respondia, de alguma forma.

“Escadas... vocês vão precisar subir.” Disse ele depois de olhar um pouco lá dentro. Ele se virou para eles e ajudou um por um a subir.

"McGrath, você é o último" Um dos engenheiros, o mais careca, pegou uma corda e subiu com a ajuda de Bower. Ele amarrou a corda em uma soltura de metal na lateral da blindagem da nave.

Bower foi na frente. Ele se virou e foi descendo as escadas de ferro, uma de cada vez, poderiam estar enferrujadas ou detonadas, mas suportavam peso humano.

"Não venham todos de uma vez." Ele advertiu.

Conforme eles iam descendo, Robert foi tendo uma tosse forte e constante.

"Pai, está tudo bem aí em cima?" Perguntou ela, já descendo.

"Sim, Mila..." Ele estava começando a descer, mas sentia a garganta arder, queimar.



Quando chegaram no fim das escadas, depois de descer por muito tempo, eles chegaram em um ponto que era muito escuro. Nadia se afastou um pouco das escadas e ouviu os sons.

Ela olhou fixo, de um lado para o outro, percebendo o ambiente e sinais que estavam se escondendo nas sombras.

Dava para ouvir sons e barulhos semelhantes a passos. Ela fixou o olhar.

"Nadia" Uma mão desceu em seu ombro e ela piscou, voltando a um estado normal de pensamentos. Bower ficou do lado dela.

"Pois é, Bower. De volta a Elysium." Ela puxou um sarro, mas Bower parecia sério, no entanto ela não soube dizer o que ou porque ele estava sério assim.

Todos desceram as escadas.

"Você vai na frente." Bower apontou, segurando uma mochila contendo suprimentos. Ela ficou mais séria, pensando que talvez ele tivesse notado algo que não era natural da nave.

"Tá certo, então..." Ela falou para os demais e os liderou. Mila e Robert foram logo atrás dela e Bower foi no meio de todos, levando consigo os suprimentos.




Os corredores estavam parcialmente acesos, ainda haviam passagens escuras e sombrias, mas eles sempre iam pelo caminho iluminado. Cabos retorcidos e metal removido do lugar estampavam as verdadeiras entranhas da nave espacial.

Mila se virou para Bower e deu um sorriso meigo para ele. Ele levantou a cabeça, em sinal de dúvida.

"Que passeio no parque, hein? Cabo?" Ela brincou com ele.

"Cuidado para não tropeçar" Ele foi nessa.

"Aqui tá muito escuro para fazer isso?" Ela foi andando de costas, ficando totalmente de frente para ele, logo ali há 2 metros de distância.

Robert olhou para sua filha e não disse nada.

"Se você tropeçar, quem é que vai te segurar nesse escuro?" Perguntou Bower, deixando o tom um pouco mais sério.

Nadia fez um sinal com a mão para Mila. O grupo inteiro parou.




Eles todos ficaram diante de uma enorme câmara, com a mesma repetição de padrões distorcidos de ruínas do interior dos corredores, para aquela gigantesca sala — somente destroços e partes inoperantes da nave. Dessa vez, as ruínas estavam preenchidas por água na parte mais baixa da nave. A água do mar cobria boa parte da estrutura logo abaixo, revelando uma câmara muito maior do que aparentava ser. Alguns locais estavam com fios estáticos percorrendo a superfície da água, gerando pequenas poças elétricas.

"Nossa, mas o que aconteceu nessa nave?" Robert deu um passo a frente e viu seu estado. Quase nenhum deles soube do que havia acontecido com a nave, fora o fato dela ter passado mil anos desativada, com todos no hiper-sono e perdido contato com a Terra — destruída há muito tempo. Quase nenhum detalhe foi passado para eles e o povoado.

Nadia e Bower se entreolharam quando se lembraram de não ter passado todos os detalhes, sobre o sabotamento que Payton havia feito e tudo que viveram há algumas semanas naquela espaçonave.

"A nave foi abandonada, como bem sabem..." Bower foi falando, mas com o pé atrás de como poderiam reagir.

"Se vocês acordaram mais cedo que a gente, então deveriam estar passando as informações cruciais para a gente." Mila falou.

"Estamos perdendo tempo." Ela continuou.

"Calma, Mila." Nadia abordou ela.

"Vai na frente!" Ela se virou em um movimento súbito e falou com Nadia, de uma forma que parecesse uma ordem ou um comando.

"Como é que é?" Perguntou Nadia a ela, com uma certa ambiguidade na sua cabeça.

Bower fechou a boca e se meteu entre as duas, que pareciam a ponto de discutir.

"Vocês piraram? Só a gente sabe o caminho." Ele falou para Mila, mas empurrou sua amiga para trás. Nadia continuou olhando fixo para Mila.

"Estou acordada há mais tempo que todos aqui. Sou eu quem dou as direções." Reclamou Nadia a sua posição e sua função no grupo.

"Ah..." Bower ergueu a mão para perto da cabeça e sentiu dor. Ela fechou os olhos e sentiu uma tontura, tendo lembranças de sua vida antes da Elysium, com mais força do que sentia antes — se lembrou de sua noiva, do motivo de ter ido viajar.

"Bower?" Mila se aproximou e segurou com as duas mãos no punho cerrado dele, no alto.

Para ela, Bower tinha tido um pequeno ataque nervoso. Sua mão ficou tênue, fina e aberta depois. Ele abaixou a cabeça e respirou fundo.

"Foi só uma dor de cabeça." Ele disse para Mila. Ela corou um pouco.

"Vamos logo, gente. Estamos perdendo tempo aqui conversando e não acho que essa estrutura toda vai aguentar a gente por muito tempo." A mulher do cabelo encaracolado falou.

"Concordo" Disse McGrath.

Robert viu Bower seguir com Mila por um tempo, de mãos dadas, antes de Mila puxar sua mão para perto de seu corpo depois que seu pai a notou.

"Hm... poucas horas para agir feito adulto" Zoou Leonard.

"Com prazer, Leonard." Nadia assumiu a dianteira depois que o grupo começou a se deslocar. Ela passou por Mila e bateu seu ombro no de Leo, antes de voltar a ficar na frente de Mila e Robert.




O grupo andou por escadas de metal, por grandes degraus, que levavam para níveis mais inferiores. Porém, o caminho que levava para a direção certa passava por um corredor que estava inundado. Luzes de emergência azul e vermelha haviam ligado e iluminavam a passagem, mas a água passava com uma certa força naquela direção, como um fluxo.

"Putz" Nadia observou e olhou para os lados.

"Que é?" Bower olhou.

"Não tem outro caminho por aqui." Els respondeu.

A mulher pensou, olhando ao redor e vendo as coisas.

"Acho bom tomarmos cuidado" Disse McGrath, ouvindo estalos abaixo deles, vindo logo das escadas de metal abaixo de seus pés.

Toda a escada em que Nadia, Bower, Leonard e Mila estavam acabou cedendo, pois estava suspensa acima de uma espécie de abismo negro sem iluminação. O quarteto caiu e soltou gritos por ajuda. Robert, McGrath e Alex pouco puderam fazer, mas nessa mesma hora que se afastaram para evitar que mais partes da escada caísse, acabaram avistando uma silheuta logo acima deles, em uma ponte quebrada, com estalos e brilhos piscantes de eletricidade estática comendo a cada segundo — a pessoa era uma figura humanoide completa, mas parecia não ter roupas, parecia despida.

O quarteto tombou no chão. Todos foram ao chão e tiveram que se levantar dos escombros.

"Cuidado" Gritou Robert, de lá de cima. Água que estava no corredor, subiu um pouco e começou a descer pelo corredor vertical em que caíram.

Nadia olhou ao redor, de um lado para o outro, procurando ver se haviam saídas e entradas, mas era um único caminho.

"Estamos em um corredor" Ela concluiu.

"Precisamos sair daqui." Leonard olhou para cima.

"Pai!" Mila viu seu pai e chamou por ele.

"Nadia, é para onde?" Bower perguntou, segurando a cabeça.

Logo acima deles, acabou havendo um blackout, justo onde estavam Alex, Robert e McGrath.

"Pai?" Chamou Mila. Ele não respondeu.

"Por ali." Apontou Nadia, para um corredor escuro. Bower encarou.

"Nossa... mas por que está tão escuro assim?" Leonard perguntou.

"É a nossa única chance." Aceitou Mila, vendo que seu pai não respondia.

"Mas e o pessoal?" Perguntou Leo, olhando de volta para cima.

"Eles terão que dar a volta." Bower disse, indo na frente e segurando firme a mochila. "Já devem estar dando a volta a essa altura." Ele continuou.

Nadia e os outros dois foram seguindo em frente, de acordo com a iniciativa de Bower.

No andar de cima, a luz retornou. Robert, McGrath e Alex estavam desmaiados. Foram nocauteados. Uma figura humanoide ficou bem próxima deles.





O quarteto se locomoveu no escuro, apenas vendo algumas luzes piscando ao longo do corredor e uma luz ao fundo. A água do mar ficava cada vez mais rarefeita a medida que continuavam, porém ela estava se aproximando, como se o mar não tivesse engolido o suficiente da Elysium.

Ao virar um corredor, de onde vinha toda a luz, Nadia deu de cara com um evento que ela esperava, mas há muito tempo. Ela ficou toda exposta para aquilo. Leonard pôs o pé e chegou a ver: Um dos mutantes pálidos, humanoide com certeza, mas sem pelos, sem barba ou cabelo, quase nú, com vestimentas tribais e uma aparência demoníaca, estava por cima de um cadáver de corpo todo aberto. Era um Caçador. Eles estavam vivos.

O cadáver estava com toda a caixa torácica aberta, orgãos estraçalhados no corpo e a criatura se alimentando dela, pegando com a boca uma ponta de intestino grosso e sugando como se fosse miojo. A criatura rosnou e olhou para Nadia e Leonard. Leo se afastou e vomitou. Logo, Bower e Mila também viram. Bower olhou e começou a sentir uma tontura bem forte.

"Estamos..." Nadia tentou falar. Mila deu um grito enorme de susto.

Mais longe, mais criaturas ouviram, dessa vez os que tinham pinturas de guerra — marcas de sangue em faixas no rosto.

"Corram!" Gritou Nadia para eles.

Bower pegou Mila pelo braço e puxou ela. "Vem."

Nadia empurrou Leonard e o deixou ereto com um empurrão em outra direção. Os Caçadores guerreiros empunharam suas lanças e foram correndo, se agachando e correndo de quatro, pulando como gorilas, rugindo como leões pelos corredores. Nadia assumiu a liderança do grupo e foi correndo pelos corredores com eles.

Leo viu uma saída, para fora dos corredores estreitos da nave e apontou.

"Para a direita, rápido." Ele parou do lado da quina de um corredor.

Um Caçador pulou da escuridão, gritando e se jogou para cima dele com tudo. A criatura mordeu a sobrancelha dele, arrancou um pedaço da cabeça, junto com músculo, espirrando sangue.

Leonard gritou de dor. "Bower..." Chamou por ele.

O grupo teve que retornar correndo, com Nadia sendo a última a retornar. Atrás dela, um caçador com pinturas de guerra pulou da escuridão e perseguiu ela. Eles estavam sendo caçados.

Mila viu Leonard, mas parou sem reação. Bower olhou para um cabo retorcido e forte na parede, ele deu uma cotovelada naquele cano e tirou parte de seu segmento, deixando vazar gás.

Bower correu até o Caçador e bateu na cabeça dele com uma porrada ao balançar o corpo de um lado para o outro. A criatura caiu para o lado, com sangue na lateral da cabeça.

Nadia chegou até Mila e empurrou ela para, deixando-a atrás dela "Siga meus movimentos." Disse Nadia, olhando Mila nos olhos para que ela tenha confiança.

Enquanto Nadia fazia um movimento rápido com Mila para proteger ela, Bower se aproximou do Caçador e deu um golpe em sua cabeça enquanto ele estava no chão, batendo forte o suficiente para causar um trauma e no mínimo nocautear ele.

"Nadia" Bower se virou jogando o segmento do cano para ela.

Nadia deu um passo a frente, pegou o cano na mesma hora que o guerreiro ergueu a lança para golpear ela e se virou, fincando o cano na boca do estômago da criatura. Não tinha como ser forte o suficiente para perfurar o corpo, mas o penetrou o suficiente para causar hemorragia. Nadia chutou ele na altura do peito, para evitar que ele a golpeasse.

"Vamos." Nadia se virou para Bower, que ajudou Leonard a se levantar.

"Vocês... nos devem muitas explicações!" Olhou Mila, julgando eles.

"Agora não é hora disso." Se aproximou Bower e puxou ela pelo ombro, fazendo ele correr.

Notas finais
É bem possível que um dia eu venha sim a escrever a sequência, apesar dessa fanfic bem provavelmente não fazer muito sucesso. Esses são alguns testes, usando filmes, de terror e sobrevivência, como “9 – A Salvação”, que servem como uma espécie de treinamento para escrita de um livro.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.