Parte III

Naoto já estava cansado de não fazer nada. Ele estudava no cursinho de manhã e a tarde trabalhava no abrigo de animais, porém essa semana ele estava de folga. Naoto era um jovem de 20 anos, alto e com um porte físico considerável, muito carinhoso e bondoso com todos ao seu redor, o que mais chamava atenção eram seus olhos azuis e sua boca avermelhada, que contrastava com sua pele clara.

– Finalmente em casa – Naoto disse jogando a mochila em um canto e se jogando no sofá.

Estava quase pegando no sono, mas algo não o deixava. A imagem de Shion vinha a sua cabeça, aqueles olhos negros e sorriso lindo, juntamente com a fofura do garotinho, que apesar de ter 19 anos, para Naoto aparentava ter apenas 15 ou 16 anos. Naoto se apaixonou por Shion no dia em que se conheceram no cursinho, seis meses atrás. Ele lembra como se fosse hoje.

– Ah Shion, o dia que eu te conheci com certeza foi o melhor da minha vida. Sua timidez não o impediu de vir até mim e perguntar onde ficava a sala 18. No momento em que vi você e ouvi sua voz você ganhou meu coração. Não resisti à sua fofura – Naoto disse para si mesmo no sofá.

Ultimamente Naoto ia ao cursinho mais para ver Shion, já que ele já tinha passado no vestibular de uma faculdade. Ele não precisava ir mais ao cursinho, mas Shion estava lá, então ele também tinha que estar. Naoto ficava feliz apenas em ver Shion, e ele podia provocá-lo com apertões, abraços e agarradas em público, coisas que deixavam Shion com as bochechas avermelhadas, e Naoto adorava o ver assim.

– Shion ficou uma gracinha hoje quando eu o abracei, todo vermelhinho daquele jeito. Um dia eu poderei abraçá-lo a qualquer hora, poderei dormir e acordar com ele e beijá-lo, poderei fazer sex...

Naoto sorriu com malícia. A imaginação dele se soltou. Os dois já estavam na cama, nus, Naoto beijava Shion intensamente, o tesão fazia com que a pele dele ardesse, assim como suas bochechas. Os dois suavam com o prazer do momento e Naoto podia ouvir a respiração profunda e ofegante entre os gemidos de Shion que aumentavam quando Naoto o penetrava. Os devaneios de Naoto se perderam em meio aos arranhões, pegadas, mordidas, chupadas e gemidos. Quando voltou a si, ele estava muito excitado e com um grande sorriso.

– Não posso ficar assim, preciso tomar um banho gelado! – Naoto refletiu olhando seu pênis sob a calça, que tinha ficado volumosa.

Quando Naoto ficava nu percebia-se o quanto seu corpo era belo e atraente. Pele lisa e clara, com os músculos aparentes coxas fortes e grossas, peito largo. Ele tinha um corpo desejável por qualquer garota, e alguns garotos também. Agora embaixo do chuveiro, com água correndo sobre seu corpo, ele parecia ainda mais sensual e atraente. Molhado, seu corpo esbanjava sensualidade, e porque não, uma espécie de hipnotismo, já que era difícil parar de olhar para algo tão lindo e perfeito.

Após o banho ele foi preparar o almoço, como morava sozinho ele mesmo tinha que preparar o que comer. Além de seu dote físico, Naoto também tinha os dotes culinários, não era um chefe de cozinha, mas fazia refeições deliciosas. Agora mesmo, estava preparando uma lasanha quatro queijos, porém seu pensamento estava em Shion.

– Será que Shion gostaria de comer lasanha? Qual será a comida favorita dele? Naoto, que tipo de apaixonado é você? Nem sequer sabe o prato favorito daquele que você diz que ama! Amor? Será que é amor o que eu sinto por Shion? Eu não achei que fosse amar outro depois do...

Naoto parou o que estava fazendo, e lágrimas escorreram por seu rosto. Naoto ainda se lembra de seu amor antigo. Ele era muito feliz, mas a família de seu namorado não aprovou a idéia do relacionamento deles, então levou o garoto para longe de Naoto.

– Será que não estou querendo suprir meu amor perdido com Shion? – refletiu Naoto enquanto voltava ao preparo de sua lasanha.

Depois do almoço Naoto resolveu caminhar para refletir um pouco sobre seus sentimentos. Ele já tinha um novo amor? Ou era só saudade do antigo amor, de quem fora separado abruptamente? Ele tinha que responder isso para poder tomar uma decisão sobre o que fazer. Ele parou enfrente uma casa antiga, porém ainda bem cuidada, mas vazia. Assim como seu coração ficou quando o garoto encantador que morava ali se mudou da noite pro dia, sem dizer pra onde ia. Seu namorado morava ali... Ele lembra como o esperava toda noite embaixo da janela, quando ele pulava para fora do quarto e os dois iam caminhar pelo centro da cidade, e depois namorarem um pouquinho. Era tudo às escondidas, mas Naoto não se importava, ele o amava, e o garotinho encantador também o amava. Mas um dia, algo muito doloroso aconteceu, o pai do garoto viu os dois juntos, enquanto Naoto ajudava o garoto a subir de volta pro quarto e lhe dava um beijo de despedida. E aquele beijo foi mesmo de despedida, porque depois daquele dia Naoto nunca mais viu seu namorado. Dois meses depois, Naoto recebeu um pequeno bilhete no trabalho.

“Meus pais descobriram sobre a gente, e mudaram as pressas pro outro lado do país, na casa de meu avô. Eu não te passarei o endereço, porque daqui 3 dias vamos nos mudar para outra casa, que eu não sei onde fica. Estou morrendo de saudades de você meu amor, eu não posso viver sem você. Quando menos esperar eu estarei junto com você de novo, vou fugir deles pra ser feliz com você, meu Naoto!”

Do seu, Akira.

Naoto guarda esse bilhete até hoje, 10 meses depois que o recebeu. Akira ainda não estava junto de Naoto. E assim passou sua tarde, olhando para casa de seu antigo amor, que ainda vivia em seu coração. Voltou para casa com os olhos lacrimejados.

À tarde e o começo de noite passaram rapidamente enquanto Naoto estava imerso em seus pensamentos. Já passara da hora do jantar, e Naoto só se deu conta por causa da ligação que recebeu. Era Shion.

– Naoto? Aqui é Shion. Eu acabei de chegar do trabalho e percebi que perdi minas chaves. Eu poderia dormir na sua casa essa noite?

Naoto ouviu aquilo, e seu sorriso foi de orelha a orelha.

– HAHAHAHA Você vive perdendo suas coisas, hein Shion? Você é muito bem vindo para dormir aqui essa noite. Estou te esperando!

A alegria foi tanta que ele desligou o telefone antes de Shion poder dizer mais alguma coisa.

Como Naoto ainda não tinha preparado o jantar, fez questão de preparar algo bem gostoso para Shion, algo que ele adorasse. Pensou em fazer um estrogonofe. Pensou, e fez.

O tempo do preparo do jantar foi suficiente para Shion chegar. Naoto ouviu a campainha e foi todo animado atender a porta. Quando a abriu, seu sorriso encantador logo encontrou os olhos negros e adoráveis de Shion.

– Você nunca aprende mesmo, Não é, Shion? — E riu levemente.

– Eu não sei como eu a perdi, lembro de tê-la colocado na jaqueta e quando cheguei em casa não achei em lugar algum!

– Ora, agora não adianta reclamar, venha aqui Shionzinho! – Pegou o garoto nos braços e o levou pra dentro.

– NAOTO-KUN, O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? PONHA-ME NO CHÃO!

Mas Naoto nem ouvia, apenas levava Shion até a cozinha com um sorriso grande. Ele gostava de provocar Shion. Colocou o pequeno garoto sentado à mesa, como se fosse um bonequinho.

– Você ainda não deve ter jantado Shion. Preparei estrogonofe pra gente, espero que esteja do seu gosto – E abriu outro sorriso encantador, que fez Shion esquecer toda a raiva e ficar com as bochechas rosadas.

– Parece delicioso Naoto-kun, e eu estou faminto! – Disse com uma fofura que apenas ele sabia fazer. Naoto se derreteu por dentro.

Naoto serviu Shion e depois ele mesmo. O jantar foi uma troca de sorrisos, risadas e esbravejamentos da parte de Shion causados por frases provocativas de Naoto. Quando terminaram foram para a sala assistir TV.

– Naoto, eu gostaria de tomar um banho!

– Claro Shion, eu pego uma toalha e uma camiseta e uma cueca minha pra você.

– C-CUECA?

– Claro! Ou você trouxe uma?

– Não, mas é que...

– Mas nada, vá tomar banho enquanto eu procuro as coisas pra você!

Sem outra saída Shion foi para o banheiro como Naoto disse.

Naoto foi até seu quarto procurar as roupas para Shion e depois às levou até o banheiro. Naoto ficou encantado com a idéia de que Shion estava ali, nu. Ele podia ver a sombra de Shion através do Box do banheiro. Era uma silhueta esbelta, assim como ele imaginava ser o corpo de Shion. Mas não pode imaginar mais que isso, porque Shion tinha desligado o chuveiro e estava saindo do Box, então Naoto saiu do banheiro e foi para o quarto.

Logo Shion saiu do banheiro, vestindo uma camisa que era larga e longa para ele e também apenas com a cueca que Naoto emprestara. Naoto ficou paralisado como que via. Ele nunca tinha visto Shion seminu daquela maneira. Além de fofo e bonito, Shion tinha um corpo muito atraente também. Algo que excitou Naoto na hora e o fez perder os sentidos, ele não podia perder a oportunidade, não essa.

–Shion, você está lindo assim!

– NAOTO! O–O QUE É ISSO DE REPENTE? – e suas bochechas avermelharam na hora.

– Estou dizendo a verdade. Eu estou apaixonado por você Shion! – Levantou da cama e pegou Shion nos braços, com força e carinho.

– N-Naoto? – Shion já não gritava mais, ele apenas estava assustado com o que acabara de ouvir.

Depois disso Naoto não deixou mais Shion falar. Segurou seu queixo com delicadeza e o beijo com toda a paixão que tinha em seu corpo. Shion queria fugir, mas logo se entregou ao beijo de Naoto. Não era algo ruim, ele não precisava fugir, seus punhos fechados contra o peito de Naoto se abriram devagar e deslizaram até as costas dele. Ambos estavam em êxtase, os desejos havia tomado o corpo dos dois. Naoto colocou Shion na parede e começou a deslizar sua mão para baixo, e a colocou dentro da cueca de Shion, e começou a tocá-lo. Shion sentiu aquilo, mas isso fez despertar do êxtase, agora ele estava confuso e assustado de novo.

– NAOTO!

Mas Naoto não ouvia, ele estava perdido em desejo, e cada vez mais tocava o pênis de Shion.

– Naoto, por favor!

Dessa vez Naoto ouviu o tom de choro na voz de Shion. Ele olhou para o garoto que tinha os olhos lacrimejantes. Naoto soltou Shion.

– D-Desculpe Shion! – Levou a mão ao rosto – Eu não queria ter passado dos limites.

– Eu preciso ir Naoto – Shion disse com seriedade, mas dessa vez não trazia o ar fofo no rosto.

– Mas você não tem pra onde ir!

– Eu fico em um hotel, mas agora eu estou indo – Shion disse mais sério ainda. Enquanto vestia suas roupas.

– Por Favor, me perdoe Shion!

– Até mais Naoto, e obrigado pelo jantar!

Saiu com Naoto atrás dele, mas isso não o impediu. Logo Shion já estava correndo na rua. Ele não conseguia pensar em nada, estava confuso. Por que Naoto tinha feito aquilo? Por que ele disse aquilo? E porque ele estava se sentindo bem beijando Naoto? Eles eram amigos, Shion nunca tinha o visto daquela forma.

Depois de correr sem prestar muita atenção pra onde ia, Shion se deu conta que estava voltando pra casa. Mas o que ele iria fazer lá? Ele tinha perdido a chave. Ele não deu atenção a isso e continuou indo até sua casa. Correu mais ainda, pra chegar mais rápido. Já podia ver sua casa, seu conforto, sua proteção. Queria deitar e dormir para sempre, queria esquecer que aquilo tinha acontecido. Era confuso demais para ele. Enfim chegou a sua casa, mas agora vai ficar parado na porta? Ele escuta alguém o chamar.

–Shion?

Ele olhou para trás e viu alguém vindo em sua direção, que aos pouco foi clareando, e enfim pode ver seu rosto.

– Você é o homem da lanchonete, não é? Você me seguiu até minha casa? O que você quer de mim? – disse Shion com tom de desespero.

– Calma! Eu sou Reiji. Você trombou comigo quando saía da lanchonete, e derrubou sua chave, eu a trouxe pra você!

– Quem deu meu endereço pra você?

– Seu chefe, Satoshi-san.

–Satoshi-san não daria meu endereço pra um estranho!

– Eu sei, eu menti pra ele que o conhecia pra poder pegar seu endereço e vir te entregar a chave!

– E porque toda essa preocupação?

– Porque eu acho que eu amo você, Shion!

Shion arregalou os olhos, e engoliu seco. Ele já estava confuso, e agora um estranho diz que o ama. Por que essas coisas estavam acontecendo com ele?

– C-COMO?

– Eu amo você, Shion!

Reiji chega perto de Shion, o traz para junto de si e o beija.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.