Notas iniciais
Eu precisaria de um espaço muuuuito maior que esse para dizer o que eu senti quando li as recomendações que recebi da Nat Finchel e da Beth! As duas fizeram elogios tão lindos a fic e a mim como escritora, que eu só posso agradecer e torcer pra ser digna e continuar merecedora de tudo isso!!!
O melhor que eu tenho a oferecer a vocês duas é o restante da fic, então os próximos capítulos são dedicados a vocês, ok?
Espero que gostem de tudo, como gostaram até agora... meu maior medo é decepcionar!!!
Beijos a todos e fiquem com o capítulo novo...

Rachel acordou com o inconfundível barulho do alarme de seu celular, programado para as oito e meia da manhã, como de costume, apesar de naquela noite ela ter dormido bem mais tarde do que na maioria delas, o que o tornava bem mais incomodo. Desligou-o, rapidamente, batendo logo os olhos no reluzente objeto que há alguns dias enfeitava sua cabeceira, e ligando o mesmo, para ouvir um som mais agradável, enquanto utilizasse os próximos cinco minutos para alongar algumas partes do corpo antes de se levantar, cumprindo o ritual de todas as manhãs.

Enquanto fazia os suaves movimentos de sempre, observava a caixinha de música: uma pequenina Torre Eiffel esculpida em ouro branco com minúsculas pedrinhas de brilhante girava dentro de uma redoma de cristal, tocando As time goes by em violino. Ela tinha chegado alguns dias depois de Rachel ter retornado de Paris, da viagem mais estranha de todas, onde ela tinha vivido um dos momentos mais lindos de sua vida e, ao mesmo tempo, alguns dos mais desconfortáveis.

O presente, sem qualquer cartão ou identificação, chegara em uma caixa que dizia apenas "extremamente frágil" e que trazia também a garantia com a descrição do produto, que era exatamente a razão para Rachel ter certeza de que se tratava de uma joia caríssima, e não de uma simples caixa de música. Ela teria achado uma ostentação, um grande exibicionismo, um homem mandar algo tão valioso para uma mulher com quem sequer tinha um relacionamento, se não se tratasse de algo tão pessoal, tão detalhadamente preparado para ser a resposta perfeita ao simples bilhete que ela havia lhe deixado.

A Torre não somente era o símbolo maior da Cidade Luz, como estivera à vista deles durante todo o jantar dos dois e enquanto eles se amavam no terraço da mais perfeita suíte em que ela já tinha pisado. Os violinos tinham sido a trilha sonora da noite e As Time Goes By era a música do filme Casablanca, de onde ela tinha tirado a frase que escrevera no recado. O extravagente presente era a maneira que ele tinha encontrado para dizer que concordava que a noite tinha sido perfeita e que eles sempre, sempre mesmo, teriam Paris e aquela linda lembrança.

Olhar para aquele presente belíssimo e ouvir aquela canção romântica tinha efeitos diferentes nela, dependendo do dia. Havia momentos em que tinha vontade de chorar de saudade e existiam outros em que a lembrança aquecia seu coração, apesar de tudo. Naquela manhã, no entanto, o que Rachel sentiu foi uma enorme vontade de se levantar de uma vez e encarar os compromissos do dia.

Desde que retornara da França, depois de um domingo inteiro se escondendo na van da emissora de TV, para evitar encarar Finn, e de ter dito a Artie que encontraria alguns amigos para jantar, só para pegar um voo comercial e não voltar com ele no jatinho alugado pela empresa, Rachel estava mergulhada no trabalho como nunca. As obrigações ajudavam a esquecer os problemas, e era disso que ela precisava, mesmo que isso tornasse totalmente incoerente o fato de ela ter colocado a pequena réplica da Torre bem ao lado de sua cama.

"Eu devo gostar de sofrer." Pensou alto, rindo de si mesma, ao constatar o paradoxo de suas atitudes. Levantou-se, quando a música chegava ao fim, e entrou no banheiro, para continuar com o ritual de preparação para o dia de trabalho.

Pouco mais de uma hora depois, entrou no escritório, cumprimentando algumas pessoas, como vinha fazendo nos últimos tempos, para alegria de alguns de seus subordinados e total desconfiança de outros, até chegar a Blaine, que a esperava segurando a porta com uma das mãos e portando seu café gelado na outra, como de costume. Pegou o café e lhe entregou a bolsa, para não perder o hábito, mas sorriu amplamente, como jamais faria semanas antes, e recebeu um sorriso largo e cúmplice de volta.

"Você tá de ressaca, Rach? Porque eu to! To com uma dor de cabeça terrível." Blaine disse, se jogando na cadeira em frente à dela.

"Eu não tomei cinco doses de tequila, Sr. Anderson! Eu me contentei com meus dois deliciosos drinques... com álcool na medida certa para alguém que iria trabalhar no dia seguinte." Recriminou o amigo, mas em tom brincalhão. "Isso sem contar que você deve ter dormido um pouquiiiiinho mais tarde do que eu." Sorriu com malícia.

"Culpado!" Ele disse, colocando os braços para cima e os dois riram juntos. Eles tinham saído com Kurt e Mercedes na noite anterior, por insistência de Rachel, que não queria ficar em casa em uma das noites de transmissão de um certo programa de TV, mas ela e a amiga tinham dosado bem a diversão, enquanto o casal de gays tinha pisado fundo no acelerador!

Enquanto Rachel conversava um pouco mais com o amigo e assessor direto, e lhe passava instruções sobre alguns artigos da revista do dia seguinte que já tinha lido, a nova coluna que ela mesma estava escrevendo e eventos que precisavam ser cobertos, e recebia seus recados, novos artigos para ler e ideias para aprovar ou descartar, Finn pedia à secretária Harmony que remarcasse sua próxima reunião para meia hora mais tarde.

Eram pouco mais de dez horas da manhã e já seria a terceira reunião do rapaz, que vinha se afogando em trabalho, assim como Rachel, desde sua volta da viagem à Europa. Além de gravar o reality show de que era protagonista, ele vinha reformulando grande parte da programação de sua emissora, conversando com novos patrocinadores, comprando direitos de programas de sucesso de outros países e até negociando a criação de três novos canais afiliados ao GHShow para TV por assinatura.

Toda a ocupação tinha um propósito: esquecer Rachel e a noite que tivera com ela em Paris. É claro que era uma lembrança linda que ele ia guardar no melhor lugar de seu coração, para sempre, e que tinha sido por isso que ele fizera questão de lhe mandar uma lembrança especialmente idealizada e encomendada aos melhores dos ramos de joias e tecnologia que ele conhecia. Porém ficar pensando naqueles momentos no dia-a-dia era algo que não o ajudava a seguir em frente como ele sabia que precisava.

Contudo, se encher de trabalho ajudava, mas não resolvia. Havia dias em que bastava um minuto de trégua de colaboradores e parceiros de trabalho para que a imagem dela surgisse nítida em sua mente como um filme, toda sorrisos e gargalhadas, curvas perfeitas, olhos expressivos, boca carnuda, pele morena, cabelos brilhantes. E naquela manhã a situação estava ainda pior, a ponto de ele ter se distraído mais de uma vez durantes as primeiras reuniões e deixado de escutar o que Will falava sobre um programa infantil que eles começariam a filmar na semana seguinte, e o que Boris perguntava sobre o merchandising de uma nova marca de tênis na nova série para jovens.

Suspirando fundo e se jogando pesadamente em sua cadeira, frustrado por não controlar seus pensamentos, pegou o celular, pensando em ligar para ela. Podia perguntar como ela estava, questionar se ela havia recebido seu presente, apesar de saber muito bem que sim, pois tinha sido informado no dia da entrega, agir como se ela fosse mais uma pessoa conhecida com a qual ele não queria perder o contato. Sabia, porém, que isso tudo seria uma tolice e não mudaria absolutamente nada, então deixou o celular na mesa do escritório e voltou para a sala de reunião.

Continuou irremediavelmente distraído pelo resto de dia e com vontade de estabelecer algum contato com ela, nem que fosse por escrito. Chegou a abrir seu email algumas vezes, em intervalos de reuniões, e digitar o endereço eletrônico dela no destinatário, mas sempre que relia a primeira linha da mensagem que pretendia mandar, acabava por substitui-la por outra e mais outra, até ser chamado por Harmony, que o informava de que estava sendo já aguardado para novo encontro de negócios, e concluir que não havia mesmo o que ele pudesse dizer a ela sem ser absolutamente estúpido!

Eram mais ou menos quatro e meia da tarde quando Finn saiu de uma dessas reuniões e percebeu que, depois de um dia longo como aquele, ele precisaria de uma distração, pois ir para casa e tentar dormir seria avivar ainda mais as lembranças de Rachel, e se arriscar a fazer alguma bobagem. Ligou para Artie, que não precisava ficar na mansão onde era gravado o programa naquela noite, pois não haveria nenhuma disputa entre as meninas, ou evento no local, e convidou o amigo para beber com ele em um bar, mais tarde.

Também por volta dessa hora, a editora-chefe recebia a amiga e funcionária Mercedes em seu escritório, para tratar de algumas das reportagens pelas quais Jones estava responsável, antes que a mesma fosse fazer o seu plantão na casa onde viviam as candidatas de A chave para o coração.

"Foi bem difícil entrevistar essa Sugar!" Disse Mercedes, quando finalmente as duas pararam de repercutir a noite anterior e resolveram olhar o material que a jornalista trouxera."Desde semana passada, quando ela saiu, ela tem ido a mil festas, tirado zilhões de fotografias... inclusive nua!" Riu. "Ela não parava quieta e eu tive que ir, fora do horário da minha escala, até um estúdio fotográfico... e fazer as perguntas enquanto ela era maquiada."

"Já passou isso pro Blaine, pra ele registrar as horas extras e mandar pro RH?"

"Já, sim. E eu separei essas fotos dela, que a Lauren tirou." Mostrou as imagens. "Não tem nada melhor... ela atendeu a gente de roupão e, quando se vestiu, a gente não pode fotografar, porque era o visual que eles vão usar numa propaganda com ela."

"Elas tão boas... é interessante mostrar que ela tá correndo assim, a ponto da entrevista ter sido feita durante a preparação dela pra tirar fotos pruma campanha. Mostra como o programa influenciou na vida dela."

"Sim... concordo e coloquei isso na abertura da entrevista."

"Ok."

"A da Tina também já tá pronta. Logo que ela saiu ontem, a Sun perguntou se elas podiam conversar e ela foi super solícita. Provavelmente ajudou muito o fato de termos uma jornalista e um fotógrafo asiáticos no plantão." Riu. "E fotos dela são o que não falta... acho que o Mike nunca fotografou alguém por tantos ângulos." Seu sorriso ficou mais malicioso.

"Esta aqui está ótima." Rachel separou uma. "E... essas duas!"

"Ótimo! E aqui está o meu artigo para amanhã. Após a saída das duas, eu fiz alguns comentários sobre o que está por vir e tal..."

"Uhum..." Rachel pegou o artigo e começou a lê-lo com interesse, falando algumas partes em voz alta."Provavelmente, não haverá novos jogos... espera-se que haja mais momentos de interação... surpreendentemente, as meninas tem um bom relacionamento, dentro da casa... com a saída de Tina, ficam nesta acirrada disputa apenas três candidatas ao casamento dos sonhos..." Quando terminou esta última frase, sua voz já estava bem mais baixa, então ela suspirou. "Apenas três candidatas." Repetiu e sentiu um nó forte na garganta.

"Tá tudo bem, Rach?" Mercedes se preocupou, vendo o semblante da amiga mudar.

"Ele vai mesmo se casar com uma delas, não é?" Ela questionou, derrotada, como se tivesse a esperança de que a amiga pudesse responder que não e salvá-la daquela dor. Não é que ela não soubesse o que estava acontecendo, mas a proximidade do inevitável a atropelou como um caminhão, que ela vinha evitando ao não atravessar a rua (ou nesse caso ao não ver o programa e deixar passarem alguns artigos de suas jornalistas de confiança sem realmente lê-los).

"Eu... acho que sim." Jones respondeu, confusa, e viu uma lágrima rolar pelo rosto da melhor amiga. "Rach, pelo amor de Deus! O que tá acontecendo?" Ela ficou ainda mais aturdida, sem saber o que fazer.

"Devia ser eu." Respondeu Rachel, deixando o choro vir com toda a força. "Devia ser... eu me casando com ele... e não uma dessas... dessas... garotas idiotas!" Falava entre soluços.

"Rach, calma. Calma, por favor. Respira! E... e depois me explica isso, porque eu não to entendendo nada! Você não odeia o Finn?"

"Eu..." Soluçou de novo e a amiga se levantou, agachando na frente da cadeira dela, segurando sua mão, e pegando uma caixa de lenços de papel em uma das gavetas e entregando um a ela. "Eu odeio o Finn, por amar tanto ele que até dói, Mercedes! Eu odeio o Finn porque, mesmo depois de tudo, eu ainda o amo do mesmo jeito que eu sempre amei...ou talvez até mais. E eu me odeio... eu me odeio demais por ser tão... IDIOTA de amar alguém desse jeito... alguém que eu perdi há muito tempo e... que eu to perdendo de novo, que eu to perdendo pra sempre."

"Rachel, eu... desculpa, mas eu nunca poderia imaginar! Tudo que você me disse sobre ele... você garantiu que tinha superado... parecia ter um pouco de raiva da atitude imatura dele no passado, sim, mas... amor?"

"Eu nunca superei, amiga. Mas... eu engavetei! Eu queria acreditar que tinha superado e nada melhor pra isso do que fingir pra todo mundo... fingir pra mim mesma. Eu espero que você entenda..." Fez uma pequena careta de pesar.

"É claro que eu entendo, Rach. Eu só... queria poder fazer alguma coisa..."

"Você pode!" Interrompeu. "Que se dane esse seu plantão! Eu vou pedir ao Blaine que mande qualquer jornalista pra lá, porque eu preciso mais da minha melhor amiga do que da minha mais competente funcionária hoje." Deu um sorrisinho. "A gente vai lá pra casa e eu vou te contar tudo... todos os detalhes do passado e do presente... tudo sobre mim e o Sr. Finn desgraçado Hudson."