A Chave Para O Coração
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Espero que curtam esse capítulo!
Bjs!
p.s.: o visual da Rachel que eu descrevo está no meu orkut (finchelouca)
Blaine achava que aquele seria simplesmente um dia normal na sua sina de primeiro assistente de Rachel Barbra Berry. Ele acabara de receber a usual mensagem do motorista da empresa, lhe informando que havia acabado de deixar a morena na porta do edifício onde se localizava a editora, e já se levantara, tirando do frigobar que havia embaixo de sua mesa o frappuccino light dela, como todas as manhãs, e se preparando para abrir a porta do escritório para ela.
Rachel apareceu logo depois, como sempre não dirigindo a palavra a ninguém e provocando várias reações em seus funcionários. Havia, é claro, quem a achasse uma arrogante, temperamental e mesquinha, e provavelmente este grupo era o da maioria. Existiam, porém, os homens que suspiravam por sua beleza única e discreta sensualidade, e as mulheres que admiravam e invejavam seu visual, particularmente caprichado naquela manhã, em que optara por um vestido preto Herve Leger ajustado ao corpo, Peep-Toes de Miu Miu e uma linda bolsa rosa de Reed Kakroff.
Também não foi diferente sua atitude com o assistente, de quem tomou o copo de frappuccino, sem pedir ou agradecer, praticamente jogando sua bolsa em cima dele. Porém era muito cedo para que ele pensasse que se tratava de apenas mais um dia. Afinal, não existe nada assim tão ruim que não possa ficar ainda pior.
"Sobre o People Choice Awards... o que você tem pra me dizer?" Ela perguntou, sentando-se.
"Sobre a cobertura do evento, reunião com equipe às dez. Sobre seu vestido, eu mesmo irei buscá-lo, ainda hoje, no ateliê de Hummel e deixarei no seu apartamento. A respeito do cabelo e da maquiagem, Roz Washington estará em sua casa no horário solicitado." Ele respondeu prontamente.
"Você ligou pra aquela... ai, como é mesmo o nome dela? Aquela do escândalo..."
"Miriah Cloney... sim... na verdade, liguei para a agente dela. Disse a ela que, se Miriah quiser dar sua versão dos fatos, temos interesse em entrevistá-la. Ficou de me dar uma resposta até o final da tarde."
"Se a resposta for positiva, mande Nial entrevistá-la. Diga a Kurt que não quero mais vestir preto, mudei de ideia... tenho usado muito. Peça que me arrume uma cor mais alegre... ele deve conseguir ainda hoje e, se não conseguir, você pode buscar amanhã." Blaine revirou os olhos, pois, no dia seguinte, teria aula na pós-graduação depois do expediente, e ela deveria saber, uma vez que fora a revista quem o obrigara a fazer tal curso. Mas é claro que ela não lembrava ou não se importava! "Reagende a reunião com a equipe do PCA para as dez e quinze, e diga à Mary Helen que ela deve estar na casa de Patrick Duval às três da tarde para entrevistá-lo. Ela já está mais ou menos informada sobre como deve ser... só está esperando a confirmação."
"Patrick Duval dando uma entrevista em casa?" Ele perguntou, extremamente surpreso.
"E venha comigo à sala do Jacob." Ela disse, se levantando e caminhando em direção ao escritório de um dos jornalistas, sem responder a pergunta dele.
Ele caminhou atrás dela, não ousando desobedecer ou mesmo questionar suas ordens. Encontraram Jacob Ben Israel trabalhando, e ele ficou tão surpreso em receber a editora-chefe em seu pequeno escritório quanto Blaine ficara ao saber que eles iriam até lá. Ela jamais ia pessoalmente à sala de quem quer que fosse!
"Oh! A nossa grande líder e o seu vassalo." Jacob falou e não era ironia. Ele estava entre os poucos que a admiravam. "Fiquem à vontade!"
"Jacob, eu estou te mandando embora." Ela disse, sem introduções. Jacob e Blaine a olharam totalmente chocados.
"Er... hum... perdão?" Jacob conseguiu falar, de algum modo.
"Eu pedi mil vezes que você entrevistasse Patrick Duval para sua coluna e você não entrevistou. Está demitido." Disse, como se fosse a coisa mais simples e óbvia.
"Eu já te disse que é impossível. Duval não mostra a casa dele, de jeito nenhum... e minha coluna é sobre as casas das celebridades!"
"Isso é muito interessante, porque eu acabei de falar com ele e ele vai nos conceder a entrevista. Mary Helen irá à casa dele... e a casa de todos os famosos a partir de agora, é claro, já que a coluna não é mais sua." Continuou falando, mas já se encaminhando para a porta. "Eu vou te dar alguns dias para achar um outro emprego... e você pode até dizer que se demitiu, ok?"
Com isso, sem mais nenhuma palavra e sem dar qualquer oportunidade para que Jacob defendesse seu lado, ela saiu da sala do jornalista e voltou para a sua. A notícia rapidamente correu o escritório, fazendo com que aqueles que já a consideravam uma bruxa lhe dessem ainda mais apelidos relacionados, e com que muitos ficassem com medo de serem demitidos também. Blaine estava assustado com a frieza com a qual ela tinha lidado com a situação. Mesmo de uma chefe que não sabia o nome dele e que não fazia questão de ser simpática ou mesmo educada com ninguém, ele não esperava tanto.
O resto do dia correu normalmente para Blaine e Rachel, mesmo que ele percebesse, do local onde ficava sua mesa, que de certo em certo tempo alguém voltava a comentar a demissão do pacato Jacob, considerado, até então, um dos jornalistas mais competentes da revista. A não ser pelo momento da reunião com a equipe que daria a cobertura jornalística ao PCA, Berry permaneceu sentada em sua cadeira de trabalho, inclusive na hora do almoço, quando solicitou a Blaine que pedisse uma salada com peito de frango grelhado e um chá gelado em um restaurante próximo.
No final da tarde, no entanto, Blaine se espantou ao ver uma nervosa Mercedes entrar na sala de sua chefe, sem sequer pedir para ser anunciada. Temeu o sermão que viria depois, pois era papel dele evitar esse tipo de interrupção no trabalho de Rachel, então entrou imediatamente atrás da jornalista, a fim de tentar pelo menos se explicar.
"Código rosa fúcsia... brilhoso, purpurinado, fosflorescente, em letras gigantes e... AGORA!" Ele ouviu Mercedes falar e viu a outra garota levantar os olhos e olhar bem para ela.
"Srta. Berry... digo, Rachel..." Afirmou, nervoso. "Ela foi entrando... eu tentei..."
"Está tudo bem, Blaine." Ela assegurou, acertando o nome dele pela primeira vez na vida. "Pode ir." Disse, e o rapaz saiu, deixando as duas melhores amigas sozinhas.
"Vamos Rachel!" Mercedes falou, em tom de ordem.
"Amiga..." Falou, cansada, porque, conhecendo Mercedes como conhecia, sabia que o código invocado naquele tom era sinônimo de sermão. "A não ser que tenha acontecido alguma coisa realmente muito grave com você, a gente conversa depois, ok? Eu tô cheia de trabalho e explodindo de dor de cabeça."
"Não aconteceu nada comigo, Rachel. Mas, se eu fosse você, levantaria essa sua bunda magra de branco da cadeira e sairia para tomar um café comigo, agora! A não ser que queira ouvir aqui mesmo o que eu tenho pra te dizer." Ameaçou.
Em pouco tempo, estavam em um café perto do escritório, sentadas frente à frente. Rachel pedira que Blaine cuidasse de tudo e lhe enviasse mensagens, se não fosse possível dar conta de algo sozinho, e cedera à ameaça da amiga, porque não queria conversar sobre coisas pessoais na redação da revista.
"Rachel, o que tá acontecendo com você?" A garota finalmente perguntou, quando as duas já tinham sido servidas de café e biscoitos.
"Como assim o que está acontecendo comigo?" Fez-se de desentendida.
"Rachel Barbra Berry, não cansa a minha beleza!" Bufou. "Eu sei que você criou esse personagem pra você: a chefe difícil de agradar, inacessível, exageradamente exigente... a pessoa antipática e superior... aquela que não se importa e até acha bom que a chamem de cobra e bruxa, porque acha que vai ter o respeito dos outros dessa maneira. Só que essa não é você! Quem te conhece, como eu, sabe que você tem um outro lado que você não deixa vir à tona e... bom, tudo bem, eu respeito isso, tá legal? Eu respeito isso, porque é um mercado difícil, ainda muito masculino, competitivo... mas DEMITIR O JACOB?"
"Qual o problema em demitir o Jacob?"
"RACHEL!" Quase gritou. "O Jacob é ótimo profissional e você SABE que ele tentou várias vezes convencer o Duval. Você SABE que esse cara só aceitou dar a entrevista, quando você ligou pra ele, porque você disse que mandaria Mary Helen, e ele não ia perder a oportunidade de tentar dormir com uma ex-modelo da Victoria Secret. Você demitiu o Jacob porque precisava descontar esse seu estresse, que parece maior do que nunca, em alguém. Ele foi só um coitado de um bode espiatório."
"Eu..." Rachel falou, sem jeito. Mercedes era praticamente a única pessoa capaz de romper as barreiras que ela criara em volta de si.
"Rach... o que tá acontecendo? Por que você tá assim... saindo do sério, perdendo o controle?" fez uma pausa, tomando um gole de café. "Isso tem alguma coisa a ver com..."
"Nem termina." Rachel interrompeu. "Isso não tem nada a ver com Finn. Eu me incomodei em reencontrá-lo, mas ele não tem todo esse efeito sobre mim." Tentava convencer a amiga, mas também a si mesma.
O fato é que, nesses últimos dias, depois de ter visitado a mansão e conversado com ele, vinha tendo sonhos estranhos. Em alguns, Uno vinha correndo em sua direção e ela corria para o cachorro, feliz, esperando ver Finn aparecer atrás do animal, mas se deparava com uma mulher linda que ficava extremamente feliz ao achar o "filho". Em outros, era Finn quem aparecia procurando o velho cão, mas ele o chamava e não deixava que fizesse festa para ela, virando as costas e indo embora. Houve até um em que o próprio Uno rosnava para ela, não a reconhecendo.
Ela, no entanto, permanecia tentando se convencer de que esses pesadelos não eram nada demais e certamente não iria ajudar no processo compartilhar informações sobre isso com a amiga.
"Então, se não tem nada a ver com Finn..." Jones fingiu acreditar no que ela afirmava. "...deve ser porque você está muito pressionada." Concluiu. "Você só trabalha, Rachel. Você não tem mais uma vida social... uma vida pessoal. Quando o Sam vem pra Los Angeles?"
"Em algumas semanas." Berry respondeu. A amiga se referira ao namorado dela, que havia ficado na Inglaterra. "Ele não está podendo deixar Londres. Não tem quem cuide de todos os processos dele agora... está procurando alguém."
"Bom... ao menos, em algumas semanas, você vai fazer um pouco de sexo... você tá precisando... não há nada melhor pra desestressar! Depois que eu comecei a sair com Shane, eu tô bem mais relaxada." Rachel riu da afirmação da amiga, apesar de concordar. "E, quando ele vier, vem pra ficar?"
"Por enquanto, não. Só vai passar uns dias comigo... trazer Prue e Piper..." Rachel tinha três gatas, batizadas com os nomes das irmãs Halliwell da série Charmed, mas só buscara Phoebe, quando fora trazer a mudança da Europa.
"É melhor que nada." A amiga deu um sorriso malicioso, para o qual a outra revirou os olhos.
Tinha razão, no entanto. Rachel tinha que admitir. Ela nunca ficara sem sexo muito tempo e provavelmente a falta dele estava agravando o seu mau humor. Suspirou pensando que, pelo menos, teria uma boa distração naquela semana, já que, na sexta, haveria a entrega de um dos maiores prêmios dados à indústria do entretenimento dos EUA, e ela estaria no evento junto com os donos da revista. Ao menos seria uma oportunidade de ver gente bonita, talentosa e elegante e, como havia sido convidada para pelo menos cinco festas pós-prêmio, também poderia tomar uns drinques, dançar, conversar... enfim, relaxar, como estava precisando.
Isso, é claro, se não encontrasse outros motivos para ficar ainda mais estressada...
Notas finais
O que acharam?
E que tal Rachel namorando Sam Evans?
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