A Change In the Wind

4 Terceiro Capítulo


Só mesmo um banho pra poder limpar toda a imundice do meu dia, apesar de ter ficado praticamente só no laboratório me cansa mentalmente estar naquele lugar. Não pelas pessoas já havia me acostumado, mas com o ambiente. Evoluir faz parte do desenvolvimento humano, não entendo porque tanto drama só pelo fato de que o colegial acabou. Acredito que nem todos estão aptos à evolução. Me joguei sobre a cama esperando que ela me afetasse de alguma forma, não dormia direito a dois dias e não sou idiota sei muito bem que o meu corpo precisa de um ‘descanso’ adequado e eu finalmente estava pronto pra ele. Ao fechar meus olhos a escuridão me abraçou, imobilizando meus membros de se moverem e nesse momento eu não conseguia pensar em mais nada, minha mente estava em plena serenidade o que é uma coisa rara... Tudo tão calmo.

Me despertei um pouco ao ouvir vozes no andar de baixo e o barulho da porta fechando, era normal Mycroft e Gregory passarem em casa mas o que me despertou totalmente não foi isso, mas sim aquela voz. Aquela... Voz! Rolei sobre a cama e tropeçando um pouco cheguei à porta, sim aquela voz eu conhecia. Era John. O amigo interessante de Greg e mesmo tendo deduzido certas coisas sobre ele ainda assim havia algo mais, algo que eu não conseguia ver e por razões desconhecidas queria descobrir... Mas o que diabos ele estava fazendo na minha casa?

Logo após pousar minha mão sobre a maçaneta, eu hesitei. Não compreendo exatamente o porquê da hesitação, estava na minha casa! Então porque eu não conseguia ao menos abrir a porta?

“Sherlock! Não seja insuportável e venha se juntar a nós.” Mycroft gritou da escada. “John esta aqui...” É claro que ele esta, disso eu sei mas porque? Só depois fui perceber o tom de Mycroft quando se referiu a John, como se a sua presença fosse mudar minha decisão de descer ou não.

Quando finalmente saí do quarto e desci as escadas, encontrei os três na sala. Greg e Mycroft estavam sentados no sofá, cada um em sua extremidade e entre os dois estavam espalhados vários DVDs. John estava em pé, mexendo em alguns dos DVDs e estava sorrindo. Ele sempre sorria, quer dizer... Eu apenas o tinha visto hoje mais cedo, mas nunca observei tanto alguém que sorrisse quanto ele.

“Ei...” Me dirigi a todos, mas apenas John me olhou. Greg sorriu quando me aproximei do sofá e Mycroft apenas acenou com a mão. “Continuam com os filmes-de-segunda-a-noite? Entediante.” Greg e Mycroft não me deram atenção, estavam discutindo sobre algum filme.

“Olá Sherlock. Eu de novo...” Ele apontou pra si mesmo e colocou uns DVDs sobre a mesinha em frente ao sofá. “Diga algum filme que queira ver, nem todos são entediantes...” Tão ingênuo. Ele se aproximou de mim.

“Você de novo, John. Não quero ver nenhum e sim, pra mim todos são entediantes.” Olhei para pilha de DVDs e realmente nenhum me interessava.

“O Sherlock não gosta de filmes...” Greg disse ainda olhando a capa de um DVD.

“Depois diz que filmes são entediantes. Acho que o entediante mesmo é você, Sherly...” Mycroft sabia o quanto aquele apelido me irritava. Peguei um dos DVDs próximo a ele e bati em sua cabeça com o mesmo. Sabia que ele revidaria, mas Greg segurou seu braço ainda lendo a sinopse de um dos DVDs.

John se sentou na poltrona ao meu lado, rindo. “Vocês transbordam amor! Então, já que não gosta de filmes, o que fica fazendo toda vez que eles vêm assistir?”

Abri a boca pra responder, mas Greg o fez por mim. “Ele fica lendo, estuda e às vezes depois do filme, assistimos algum documentário e ele assiste com a gente.”

“Oh, sim. O tipo nerd então?” John olhou pra mim e sorriu. Eu apenas me afastei e quando estava a caminho da cozinha ouvi Mycroft gritar.

“ACHEI! É esse que vamos ver hoje.”

“Qual é Mike, já vimos esse. Não vale...”

Só o que me faltava, ficar lá ouvindo aquela discussão ridícula entre os dois. E nerd? Quem fazia medicina ali era ele, não eu. Abri a geladeira e procurei pelas amostras que tinha deixado há dois dias já estariam boas agora, mas elas não estavam no local em que deixei. Ao procurar melhor vi que elas estavam em um canto com um papel em cima:

“Tire essas porcarias de perto da comida ou te faço comer cada uma delas. =]”

Senti meu sangue fervilhar dentro do corpo e quando estava prestes a jogar uma amostra na cara de Mycroft, John apareceu na cozinha.

“Hei... Err... Me desculpa pelo o que disse. Não quis ofender.” Ele não olhava pra mim e sim para o pote em minhas mãos.

“Esta tudo bem. Não me ofendeu.” Guardei o pote na geladeira entre algumas frutas que Mycroft comia. “Veio procurar algo pra comer ou o filme esta entediante como disse? Ou se cansou da companhia dos dois, o que não seria surpresa...” Me sentei sobre o balcão e ele sentou na cadeira a minha frente.

“Certo. Eu gosto de filmes, mas sou meio chato pra gostar de algum... Não, não.” Ele sorriu ao meu olhar. “Nada do que você disse, eu só vim me desculpar mesmo.” Ele deixou de fazer algo que gosta só pra vir se desculpar comigo? É ele realmente é interessante ou incrivelmente burro.

“Sem problemas, já disse que esta tudo bem.” Olhei para a sala e pude perceber que Greg e Mycroft não estavam prestando muita atenção ao filme. John olhou na mesma direção e riu sem jeito.

“Nada constrangedor se eu aparecer lá agora...”

“Certeza! Faça isso por mim porque se eu for, provavelmente vomitarei nos dois.” Rolei os olhos. John começou a rir e seu riso de alguma forma me trazia boas sensações.

“Seria no mínimo trágico se você vomitasse neles!” Ele olhou pra mim ainda rindo, mas eu desviei o olhar pegando um livro que estava sobre o balcão. “Acho que vou ficar aqui com você, se não se importar...”

“Não me importo. Mas vou logo avisando que eu não sou uma ótima companhia.”

“Me lembre de te confirmar isso antes de ir embora então...” Ele levantou e se aproximou de mim. “O que esta estudando? Ainda tem alguma prova nessas semanas?”

“Não estou estudando pra provas, eu apenas estou lendo.” Ele se aproximou ainda mais e só de sentir seu corpo próximo ao meu eu segurei a respiração. John folheou o livro e viu sua capa, ele parecia surpreso e eu só me lembrei de voltar a respirar quando ele falou comigo.

“Estequiometria? Você esta lendo por livre e espontânea vontade uma das partes mais chatas de química?” Ele disse como se fosse algo muito duvidoso de se estar fazendo.

“Não posso fazer nada se gosto de coisas interessantes.”

“Hey! Eu gosto de coisas interessantes...”

“Ohh... Imagino.”

“Não me julgue...”

“Jamais.” Sorri de lado e o olhei. Ele sorriu de volta, mas não se afastou do meu corpo, não desviamos o olhar por um longo tempo. E por um momento, eu juro ter quase me perdido em seus olhos. Seu corpo emanava calor diferentemente do meu que é sempre gelado, seu perfume era suave e gostoso de sentir, mas antes que eu pudesse decifrar mais sobre a sua essência John se afastou e eu pude sentir a brisa que vinha da janela... Novamente meu corpo havia voltado ao seu normal, frio.

“Ok. Sobre o que estequiometria fala mesmo?”

“Você não sabe do que se trata e já diz ser chato?”

“Ah, é química! E olha esse nome... ES-TE-QUI-O-ME-TRI-A. Dá até medo.” Ele disse sério e eu quis rir do seu comentário. John se sentou na cadeira em frente ao balcão.

“Você está exagerando, John.”

“Diz o nome baixinho, assim separadamente como eu fiz. Aposto que você vai ficar com medo e ir dormir com seu irmão...”

“Calado! Vai querer ou não que eu fale sobre o que es-te-qui-o-me-tri-a se trata?”

“Agora eu estou curioso para saber...”

Desci do balcão e dei a volta me sentando ao seu lado. Abri o livro e procurei um exemplo fácil para poder explicar. “Estequiometria estuda as proporções dos elementos que reagem entre si ou que se combinam. Bem simples se você for ver....”

“Deve ser a parte mais romântica da química.” Eu o olhei confuso e ele desenhou um coração entre dois elementos. “Reagem e se combinam? Bem romântico pra mim...”

“John... São elementos químicos e não seres humanos.” Apaguei o desenho que ele fez. Ele desenhou novamente em outra parte da folha, suspirei e ele pegou a borracha da minha mão.

“Não seja estraga prazeres, Sherlock.”

“Pare de estragar meu livro ou não irei te explicar nada.”

“Você deveria ser mais amável, além do mais eu fiz seus elementos se apaixonarem.” Abri a boca para dizer novamente que eles eram elementos, mas ele me interrompeu. “Ok, ok. Mas com essa descrição qualquer um pensaria isso.” Qualquer um não.

“Você multiplica a quantidade de cada elemento com a sua massa atômica, depois soma todos eles e esse será o valor da massa molecular.” Ele olhava confuso para o livro, mas logo percebeu o que eu quis dizer.

“Ohhh... sim, sim. Certo. Eu me lembro disso.” Ele disse devagar e passou sua mão sobre uma das equações.

John tinha um jeito diferente de ver as coisas, não que fosse ruim ou algo do tipo só era diferente do que eu pensava. Ele me levava para outras direções de pensamento e ele não me olhava estranho quando eu explicava algumas coisas ou se irritava com qualquer dedução que eu fizesse. Pelo contrario, seus olhos tinham um brilho que eu nunca tinha visto em outra pessoa, ele queria que eu deduzisse mais e explicasse mais e sempre que eu o fazia ele sorria. Às vezes eu acho que tirava ele do sério porque ele pegava o livro das minhas mãos, jogava o meu lápis no chão, apagava algum calculo que eu havia feito... Mas sempre prestava atenção, sempre sorria, me olhava nos olhos com aquele brilho imenso e sua presença não me cansou um só segundo.

“Como vai poder ser medico odiando tanto assim química, John?”

“Eu não odeio, só não sou muito fã dela.”

“Você precisa saber mais que os princípios básicos, sabia?” Fechei o livro e pousei minha cabeça sobre ele.

“E eu sei. Existe uma grande diferença entre saber e gostar, não acha?” Ouvi que John brincava com os lápis sobre o balcão.

“Você não sabe e nem gosta.”

“Isso não é muito legal de se dizer depois que eu passei quase 2 horas lendo esses capítulos. Só por isso não vou te atender quando for medico.”

“Eu não acredito que você se recusaria a me ajudar.” Levantei um pouco o rosto para olha-lo. “Vai fazer medicina, tem esse impulso por ajudar os outros.”

“Certo, eu vou te atender e fazer questão de sempre te dar uma injeção.” Ele sorriu satisfeito.

“Eu não me importaria...” Ergui a cabeça do livro e sorri da mesma forma.

“Imune à dor então?” Balancei a cabeça dizendo que sim e ele pegou um lápis e começou a pressionar a ponta sobre a minha mão, mas sem me machucar.

“Talvez, não posso ser totalmente imune.” Afastei sua mão com o lápis, mas ele encontrava outras partes do meu corpo para cutucar com o objeto, como o meu braço por exemplo.

“Você é imune a isso?” Antes mesmo que eu perguntasse algo ele beliscou meu braço.

“Não sabia que você era agressivo. Deveria andar de coleira!” Passei a mão sobre o meu braço e cutuquei sua testa.

“Ei, isso doeu mais do que o que eu fiz com você e não sou cachorro, não te mordi... Ainda.” Ele sorriu mostrando os dentes.

“Se você me morder... Eu mordo de volta.” Disse me afastando. “Você não vai querer isso, uma vez mordi Mycroft e ele tem ate hoje a marca.” Ele começou a rir.

“Quem aqui precisa de coleira, uh?” Revirei os olhos e ele me imitou.

“Você não é 3 anos mais velho do que eu, é 10 anos mais novo, isso sim.” Ele balançou a cabeça negativamente e sorriu, mas não pra mim. Greg estava atrás de mim e olhava para o balcão.

“Vocês estavam estudando? Oh, Deus! O que você fez com John, Sherlock? O que?” Ele pegou os ombros de John e balançava seu corpo para os lados, os dois estavam rindo.

“Não seja ridículo. Você o chama para cá e fica na sala se agarrando com Mycroft. Belo amigo...”

“Heyy! Eu só comecei a me agarrar com seu irmão quando ele já não estava mais na sala e não fui eu quem começou se quer saber...” Ele piscou pra mim. Maldito, como se eu quisesse saber.

“Garotas, parem de brigar...” Mycroft estava atrás de mim e pressionou meus ombros com força. Bati em sua costela com o cotovelo e ele se afastou. “John, você tem muita paciência mesmo, por ter ficado tanto tempo assim com meu querido irmão e não ter socado sua cara. Recorde...” Agora ele estava à frente de John, sorrindo para ele, mas ainda assim o estudando.

“Ele não é tão ruim assim quanto vocês dizem...” John olhou por cima do ombro de Mycroft para me olhar, havia um pequeno sorriso em seus lábios.

Greg fez um comentário idiota que eu nem me dei o trabalho de prestar atenção e Mycroft continuou falando porcarias para John. Os três ficaram conversando sobre filmes e outras coisas tediosas, eu apenas me sentei sobre o balcão comendo uma maça. Só acenava quando percebia que eles estavam falando comigo, estava tentando absorver tudo aquilo que tinha acontecido.

“É... Acho que já esta na hora. Se quiser, vou com você até a faculdade John.” Greg já estava saindo da cozinha, mas parou ao falar com John que estava se levantando da cadeira.

“Ah, não precisa... É perto daqui mesmo.” Ele se aproximou de Greg e seu olhar parou em mim. Saí de cima do balcão e fiquei em pé apenas encostado sobre ele, sem desviar de seu olhar.

“Tudo bem, John. Eu irei acompanhar vocês...” Nesse momento, eu e Greg olhamos para Mycroft. Greg mantinha seu olhar calmo, mas eu sabia que ele estava assustado.

“Não, Mike. Minha casa nem é longe daqui, eu vou com o John. Tá tudo bem!” Ele acariciou o braço de Mycroft e agora seus olhos já mostravam preocupação.

“Greg, aquilo...” Agora Mycroft falava baixo, apenas para Greg e olhava em seus olhos. “Aquilo não irá acontecer novamente... Eu prometo.” Ele apoiou sua mão na de Greg sobre o seu braço e eles continuaram falando baixo, eu não consegui compreender.

Quando olhei de volta para John ele estava completamente confuso. Ele me olhava querendo que eu pudesse responder sua pergunta e ao invés disso eu apenas suspirei fundo, peguei minhas coisas sobre o balcão e fui em direção à sala, acenei com a cabeça para que ele me seguisse. Joguei tudo no sofá e me virei já encontrando John a minha frente.

“Você deve estar se perguntando sobre... Aquilo.” Indiquei para a cozinha e ele balançou a cabeça, ainda confuso.

“Sim! Porque o Greg estava tão preocupado de seu irmão nos acompanhar?” Ele falava baixo, quase sussurrando e aproximou seu rosto de mim. Seu hálito cheirava a menta e eu percebi que ele tinha pegado um dos doces que Mycroft deixava perto do balcão.

“Há uns três anos atrás, aconteceu um incidente qu-” Ele puxou minha camisa pedindo para que eu falasse no mesmo tom de voz que o dele. Revirei os olhos e continuei falando baixo... “Quando Mycroft foi levar Greg até a sua casa uns caras ficaram mexendo com eles, Mycroft deve ter sido bem desagradável porque quando ele estava voltando, eles... Bateram nele.”

“O... que? Bateram nele? Quantos caras eram e não foi grave, não é?” Ele tinha aumentado o tom de voz e quando percebeu logo voltou a sussurrar. Seus olhos estavam bem abertos e ele parecia não acreditar no que eu dizia.

“Uhm, eu não sei quantos eram. Acho que uns 3 ou 4. Não... Definitivamente 3 e eram mais velhos. Depende do que você vê como grave... Nariz quebrado, uma costela fraturada e quebrou uns dedos da mão direita também. “John me olhava incrédulo, ele realmente estava surpreso com tudo que eu disse. Olhei para a escada focando em seus primeiros degraus, foi ali que o encontrei naquele dia. Nunca vi Mycroft tão frágil quanto a 3 anos atrás nesses mesmos degraus, se ele já foi nunca deixou transparecer pra mim. Me lembrei do pânico que senti aquele dia, fechei meus olhos deixando essa memoria sumir em algum lugar da minha mente.

“Não acredito que fizeram isso com ele!” John parecia distante, seus olhos se moviam por toda a sala, mas não estava procurando nada. “Vocês deram queixa, certo? O que aconteceu com esses caras? Por favor me diga que fizeram algo...”

“Digamos que Mycroft deu um jeito neles.” Sorri de lado e ele apenas me olhou, logo depois já estava sorrindo. Greg e Mycroft passaram pela abertura da sala e foram para porta da frente, John foi atrás dos dois e eu o segui, mas ao chegarmos lá nos deparamos com os dois se despedindo de uma forma não muito legal de se ver. Ouvi a risada de John só não percebi que era de mim que ele ria.

“Você faz uma cara como se nunca tivesse visto os dois assim...”

“Eu evito ao máximo, acredite.”

Ele balançou a cabeça e tocou meu braço. “Ei, você é uma boa companhia, apesar de tudo...” Deslizou os dedos devagar sobre o meu braço, quase como um carinho e eu não me contive e sorri pra ele. Mas não um sorriso qualquer, sorri de verdade e já fazia muito tempo desde que eu sorria assim se é que algum dia já tinha feito. Não sei se foi à forma com que ele disse, o tom da sua voz era calmo e eu pude sentir até um pouco de afeto -como se fosse possível- se tinha sido a forma como ele me olhava ou se era apenas por ser ele, John.

“O mesmo vale para você...” Ele olhou pra baixo e depois subiu seu olhar pra mim, mordeu os lábios como se estivesse ansioso e sorriu indo em direção a Greg do lado de fora da porta.

Acenei para Greg, John se despediu de Mycroft e assim os dois foram se afastando de casa. Greg ainda olhava em direção a Mycroft e só desviou o olhar quando já estava fora do nosso terreno. Fechei a porta, percebi que Mycroft não iria. Ainda sorria e de repente me vi respirando mais rápido que o normal, coloquei minha mão sobre o peito e aos poucos a respiração voltou ao normal. Empurrei o corpo de Mycroft até a entrada da cozinha, ele ainda parecia perdido em seus pensamentos...

“Acho que você precisa comer.”

Me afastei de seu corpo e o deixei lá, logo ele estaria comendo quase toda a geladeira mesmo. Peguei minhas coisas sobre o sofá e ao mexer no livro vi os desenhos que John tinha feito, passei meus dedos sobre eles como se estivesse desenhando-os novamente. Ele era tão diferente de todo mundo, mas ao mesmo tempo era tão comum como todos. Talvez ele só estava sendo amigável com o irmão do namorado do seu amigo, foram as horas mais interessantes que já tive com alguém. Quando comecei a subir as escadas ouvi Mycroft gritar da cozinha e então eu me lembrei.

“SEU CRETINO IMPERTINENTE! VOCÊ DEIXOU ESSA COISA NOJENTA EM CIMA DAS MINHAS FRUTAS! EU VOU TE MATAR SHERLOCK!”

Olhei para baixo e ele já estava correndo até a escada, subindo os primeiros degraus. Corri até o meu quarto e tranquei a porta bem a tempo de deixá-lo para fora, pra alguém que comia tanta porcaria quanto ele, até que estava em forma pra uma corridinha. Demorou uns cinco minutos até ele parar de bater na porta e mais dez até que ele parecesse de me difamar. Pelo menos ele não estava mais tão perdido em seus pensamentos.

Notas finais
Dessa vez eu nem demorei, ihu! Espero que estejam gostando de ler tanto quanto eu de escrever. Obrigada pelos comentários pessoal *-* qualquer sugestão, pergunta, ideia que vocês tenham, fiquem em a vontade :*