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O duplex está exatamente como Beatriz deixou há alguns meses. Ela abre a sacada, admirando a vista da qual sentia saudades. Deixa o vento tocar seu rosto, um momento de paz.

— Esse lugar tem uma história interessante. Um casal bem jovem , veio morar aqui , cheio de sonhos , esperanças e até amor. Porém com os anos eles se afastaram aos poucos. Quando ele pediu o divórcio, sua amada esposa viu seu mundo cair... Não queria viver sem ele... Então ela foi para o fundo do poço... Onde ela se reergueu e hoje é uma mulher de sucesso. Ele também está bem sucedido em sua carreira. Vivendo felizes para sempre... Separados.

— Uma boa história – Beatriz virando-se em direção a sala ainda tomada pela escuridão. Ela sorri— Só esqueceu de um detalhe.

— Qual detalhe?

— Enquanto aquela mulher estava no fundo do poço, ela conheceu alguém... Aliás, ela já o conhecia antes, mas nunca se deixou aproximar dele. Ele a fez ficar melhor, deu a ela a chance de ver sua vida por outro ângulo e a fez lembrar o porquê o amava. Mas, mesmo o amando , o traiu e o afastou de uma vez por todas. Ficando condenada a amá-lo sem poder ficar com ele... Para sempre. Algo do qual ela vai se arrepender todos os dias de sua vida.

— Oi, Bee...

Flávio se aproxima , saindo da escuridão. Ele veste uma camisa branca e calça jeans. “É como se nada tivesse acontecido”…, pensa Beatriz saindo da sacada..

— Oi, Flávio – cumprimenta Bee tentando não chorar — Onde esteve?

— Por todos os lugares... Eu tentei esquecê-la... Mas não consegui... Então voltei e fiquei acompanhando você mudar... Crescer... e viver.

— Por que nunca me ligou? – questiona Beatriz chorando — Eu fiquei esperando qualquer sinal seu. Você não tem ideia do que é não ter notícias suas...

— Depois de você ter ido embora do restaurante, percebi que não estávamos prontos. Você ainda não sabia o que queria e eu ainda vivia na ilusão do amor puro que tínhamos quando crianças.

— Eu sinto muito por aquilo.

— Eu não, pois foi bom para nos descobrirmos. Eu acabei descobrindo que não amava mais aquela menina que eu conheci só a lembrança que mantive dela. Estava obcecado por você e não suportava a verdade... Que você tinha mudado.

— Desculpe-me – pede Beatriz — Não queria que fosse assim... Que se decepcionasse assim.

— Bee... – chama Flávio tocando no rosto dela — Não estou decepcionado e nem deveria pensar assim. Eu não amo mais aquela menina... Nem a mulher que morou aqui nessa casa...

— Então isso é um adeus? – Beatriz sem acreditar — Quer dizer que deixou de me amar...

— Você se lembra do motivo pelo qual eu te chamo de Bee? — pergunta Flávio recebendo um sim de cabeça da Beatriz — Eu só não te contei um fato curioso e que se encaixa bem no seu momento hoje. Se você olhar a aerodinâmica da abelha, ela não deveria ser capaz de voar. Fisicamente, e não apenas anatomicamente, não está preparada para subir. Ainda assim o faz, desafiando a gravidade, desafiando a lógica. A abelha é uma criatura que desafia e vence as probabilidades, se tornando um milagre. O que eu estou querendo dizer é que você é assim e eu vi tudo isso por trás dos bastidores esse tempo todo. Isso me fez apaixonar por você todos esses dias. Eu amo a mulher que você se tornou e que sabia que estava aí o tempo todo.

— Eu também te amo, Flávio – declara Beatriz beijando Flávio — Eu te amo tanto. Senti tanta sua falta.

— Eu também senti a sua... Todos os dias... Até hoje... Minha Bee – revela Flávio entre os beijos apaixonados.

— Eu sinto muito por tudo – fala Beatriz.

— Eu também sinto muito por todas as coisas horríveis que disse a você. Como prova disso, quero te pedir um favor – sugere Flávio.

— Qualquer coisa – Beatriz sem pestanejar.

— Esse anel voltou para as minhas mãos – explica Flávio mostrando o anel de Jadeíta — Pela segunda vez.

— Segunda vez? — pergunta Beatriz, confusa.

— No dia em que você recebeu a ligação sobre o Hugo... Foi à primeira vez em que tentei lhe dar. A segunda vez foi... Você sabe.

— Sim – responde Beatriz se recordando.

— Como prova do nosso amor – continua Flávio se ajoelhando — Você terá que aceitar esse anel e usá-lo para sempre. Então eu lhe pergunto: Beatriz, você me dá a chance de lhe conhecer todos os dias, de dormir e acordar com você... E de amar você todos os dias até o fim de nossas vidas? Só para reforçar, serei um velho bem rabugento...

— Eu amo você, Flávio – declara Beatriz — Para sempre.

— Eu amo você, Bee... – declara Flávio a beijando intensamente — Para sempre... E muito mais.

Flávio Peixoto Wilkinson e Beatriz Gouvêa

Convidam

A casa estilo colonial amarela em arenito amarelo está iluminada com cascatas de luzes e decorada com Amarílis por toda a entrada. Um generoso tapete branco com as beiradas em dourado recepciona a todos os convidados a conhecerem a Mansão dos Wilkinson.

Por dentro ela está repleta com as mesmas flores, combinando com as velas em arranjos altos. Além de vários espelhos por todos os lugares: Na mesa de doces, no souplast e no caminho até o altar. Os lustres suntuosos, de todos os tipos e tamanhos, iluminam o caminho até ao quintal da mansão, onde a tenda para o casamento havia sido montada. Os empregados, com uniformes brancos guiam os convidados para que nenhum deles subisse as escadas que dão acesso para o andar de cima. Aquela área está proibida, já que onde os padrinhos, familiares e, claro, os noivos, estão se arrumando para o grande momento.

Em cada um dos quartos tem pessoas terminando de se arrumar, os padrinhos ficaram com um, as madrinhas com outro, a família do noivo com dois, a da noiva, com dois, o noivo com que era dele. Flávio termina de ajeitar sua gravata borboleta de tom amarelo envelhecido no espelho, sorri ao recordar de quando ele estava experimentando a sua roupa de padrinho para o casamento de Sônia. Flávio vai até sua janela e abre levemente a cortina para observar a chegada dos convidados. Lembra que em poucas horas ele se juntará com a mulher de sua vida para sempre.

No quarto ao lado, Beatriz fecha a cortina, nervosa. A quantidade de pessoas convidadas foi o dobro do seu primeiro casamento e é uma surpresa que todas tenham confirmado a presença. Ela vai para o quarto, onde o belo vestido tomara que caia branco a aguarda.

Bee sorri ao tocar na faixa esverdeada, apesar de ter provado o vestido várias vezes, ele parece mais bonito aquela vez que em todas as outras. Pega o véu que está esticado na cama e o ajeita para o lado, deitando. Fecha seus olhos e como em um passe de mágica, volta para o dia em que entrou exatamente naquele quarto, molhada, cheia de areia e com seu coração partido. Ela não conseguia se quer imaginar que um dia estaria ali, naquele quarto, se arrumando para o seu segundo casamento. Então abre os olhos, tem medo de que qualquer pensamento ruim que tivesse, qualquer dúvida se torne realidade.

— Não acredito que você ainda não está pronta – comenta Sônia da porta.Ela vem em direção à amiga com o belo vestido verde escolhido para todas as damas de honra. Em seus braços, carrega sua filha de um ano com a mesma cor de vestido que a sua — Desse jeito é capaz da Sofia acabar virando uma dama de honra no seu casamento – finaliza passando a mão nos cabelos ruivos da filha.

— Desculpe-me, amiga – responde Beatriz sentando — É que eu realmente estou nervosa com tudo isso... E se... E se...

— Tá com medo de casar e acabar no mesmo final que o outro? – pergunta Sônia.

— Não acredito que você ainda não está pronta! –Miranda entrando no quarto, interrompendo as amigas —Cadê aquele hair stylist que viria de Londres só pra te arrumar? Ele não é britânico, tem de ser pontua! Está quase todo mundo lá embaixo.

— Estamos com uma emergência aqui – avisa Sônia apontando para Beatriz que agora está com as duas mãos no rosto.

— O que foi? O vestido não era o que você imaginava? — pergunta Miranda olhando para o vestido de noiva da filha — Confesso que o achei simples demais...

— Ela está com medo de casar e... Sabe como é... O relacionamento acabar ... igual ao outro – responde Sônia.

Miranda olha para sua filha com o olhar pensativo. Então ela se aproxima, parando em frente à filha.

— Você o ama? – questiona Miranda, séria.

— O quê? – Beatriz, sem entender o motivo da pergunta da mãe.

— Você o ama? – reforça a mãe.

— Amo. Como nunca antes... Mas e se acabarmos nos separando? Igual aconteceu com o Hugo... E se não dermos certo? E se o nosso relacionamento acabar porque casamos?! Eu não sei viver sem ele, mamãe – responde Bee com lágrimas nos olhos.

— Aprenda uma coisa, filha. Nenhum relacionamento é igual. O seu primeiro casamento não deu certo e você aprendeu várias lições com isso. Agora não coloque esse casamento como referência para o próximo. Vocês demoraram dois anos até tomarem essa decisão e eu sei que esse será diferente. Ele te esperou durante dois anos para te levar ao altar, fez tudo no seu tempo, querida. Eu confio em você e no amor que sente pelo Flávio. Então confie você também em si mesma. Eu sei que você será feliz para sempre com ele.

— Obrigada, mamãe – agradece Bee sorrindo entre as lágrimas — Por estar aqui e por me apoiar.

— Que bom que está tudo bem, agora é melhor você se arrumar – responde Sônia. Ela cheira a filha e continua — Antes que essa mocinha aqui comece a fazer show.

****

O espelho reflete a jovem mulher com os cabelos castanhos presos nas laterais em um enorme véu branco de camadas, e soltos até as costas. Seu vestido tomara que caia branco, com a saia volumosa e sua enorme calda, complementa a elegância e a sofisticação da noiva. Beatriz sorri para seu reflexo e então se vira, encarando a mãe e a amiga que estavam chorando, emocionadas com a bela imagem.

— Está fantástica! – elogia Sônia, entregando o belo buquê de lírios brancos para Bee.

— Linda, minha filha. A mais bela noiva que o mundo inteiro já viu. – elogia Miranda.

— Concordo totalmente. E será uma honra pode conduzir essa jovem até o altar.

— Obrigada pelo elogio, Lorde Wilkinson – responde Bee, sorrindo para o sogro. Ela dá dois beijos na face de William e continua — É uma honra para mim você me levar até o altar.

— Como você está linda! — exclama Janet entrando com a filha, Ashley de dois anos.

— Ela está uma princesa – elogia Bee se aproximando da afilhada. Ela abraça a menina— É a mais bela princesa do mundo inteiro.

—Está na hora de todos se retirarem – avisa a cerimonialista, Aline, uma mulher vestida com terninho preto e que aparenta ter quarenta e cinco anos. Ela ajeita os cabelos castanhos curtos atrás da orelha e continua — O casamento irá começar.

Um a um passam por Bee e lhe dão um beijo no rosto enquanto lhes dizem palavras de incentivo e felicitações. Ela respira fundo e sai do quarto junto com o sogro até a sala onde seria o local de saída deles para o início do casamento.

Aline termina de ajeitar os últimos detalhes da cauda do vestido e coloca o véu sobre o rosto de Beatriz que sorri nervosa. A noiva fecha os olhos tentando projetar todo o trajeto até o altar, onde estaria Flávio aguardando sua chegada.

"Será que ele está tão nervoso quanto eu? Eu duvido o Flávio sempre foi mais racional que eu, com certeza ele está se saindo melhor que eu nesse momento. Esse algo der errado? E se eu cair na frente de todos? E se ele falar que não? Eu até entendo, demorei tanto pra aceitar me casar com ele que até eu mesma teria desistido...”.

— Ele não desistirá de você – avisa Lorde Wilkinson, como se estivesse lendo os pensamentos da nora — Eu sei como você se sente... Eu já estive no mesmo corredor que você vai passar e no mesmo lugar que o meu filho está agora. E se eu o conheço bem, ele está tão nervoso quanto você. Eu sei que está passando por uma série de dúvidas com relação ao casamento, mas me permite um conselho?

— Todos os que o senhor tiver –- murmura Bee.

— Tenha dúvidas. Permita-se tê-las todos os dias. A vida se torna muito chata quando se tem certeza de tudo, quando é tudo previsível, sem desafios. Eu sei que parece estranho isso vindo de um inglês, mas se tem uma coisa que eu amo na cultura da minha esposa é que vocês se permitem viver sem saber o que fazer. É um presente que ela deu ao nosso relacionamento e que desejo que dê ao de vocês: Dúvida. Não tenha certeza de que vai dar certo ou não... Pois assim, nós sempre teremos o zelo de cuidar para que dê certo todos os dias. O Amor sobrevive mais quando não há planos e limitações. Talvez você não entenda hoje, mas vocês ainda possuem uma vida inteira para compreender o que eu lhe disse. Espero que até lá esse presente ainda sirva para vocês, como veio servindo para mim e minha esposa até hoje.

— Obrigada pelas belas e sinceras palavras, vossa graça – agradece Bee, contendo as lágrimas.

— Pronta? – pergunta William, encarando Beatriz. Apesar de seus olhos estarem marejados de lágrimas, ele lhe dá um sorriso que a conforta prontamente.

— Pronta – afirma Beatriz sorrindo. Ela aperta o buquê em uma das mãos e respira fundo pela última vez.

— Podem abrir as portas – ordena Aline para os funcionários.

A luz solar invade a sala engolindo a silhueta de Beatriz e William Stewart-Wilkinson.

****

“Obrigado, por me conceder a honra de ter a Beatriz como minha esposa. Obrigado por não me deixar desistir em nenhum momento que seríamos eu e ela para todo o sempre. Obrigado por me deixar ser o amor da vida dela, por merecer ser amado pela mulher da minha vida. E agradeço se um dia eu não for mais merecedor do amor dela, que me tire à vida, pois não saberia viver sem a minha Bee. Por fim, agradeço por chegar esse momento que eu tanto esperei: Ser o marido da Beatriz”, reza Flávio.

O toque dos clarins faz com que Flávio abra seus olhos, um arrepio percorre toda a espinha do noivo. Ele se vira lentamente, enquanto observa a porta se abrir. Seu coração pulsa mais forte, como se fosse saltar do peito a qualquer momento. “Ela está vindo”...

O sapato dourado toca preciosamente o tapete branco iniciando assim a entrada da noiva no jardim. A Madrinha, Sônia, continua andando pelo corredor, sorrindo graciosa para todos os presentes até chegar ao altar, com seu esposo Alberto onde para em seu lugar ao lado da noiva. Uma a uma, as demais madrinhas e padrinhos entram pelo corredor, aumentando ainda mais o nervosismo do noivo que não aguenta mais esperar para ver Beatriz. Logo em seguida entram Anna e Ashley como damas de honra da noiva. A pequena garota entra jogando as pétalas de rosa pelo corredor no colo de sua mãe. Ela sorri animada para os convidados, até o altar, onde senta ao lado de sua mãe que a enche de carinhos e com orgulho da filha.

Assim que o toque é finalizado, o conjunto de cordas, órgãos e o coral iniciam a marcha nupcial, os convidados se viram em direção à entrada, aguardando ansiosa a entrada da noiva. Flávio prende a respiração, não acredita que está acontecendo. Os olhos do noivo se enchem de lágrimas ao ver Beatriz pela primeira vez, mais uma vez.

A mão de Bee aperta fortemente o sogro, tenta controlar o nervosismo em vão. Ela caminha lentamente, tentando não olhar somente para Flávio. O véu atrapalha um pouco a visão de Beatriz quando tenta olhar para o altar. Ela sorri para os convidados, enquanto força para não chorar. Não até que estivesse nos braços de Flávio. Aos poucos ela começa a enxergar Flávio e percebe que ele chora a encarando, aquilo a desarma a fazendo chorar também. Assim que seus olhos se encontram é como se o tempo tivesse voado.

Quando percebe, Beatriz está na frente de Flávio, sendo entregue pelo Duque de Wilkinson. Flávio se aproxima calmamente e tira o véu, dando um suspiro apaixonado. Ele sorri e sussurra: “Você está linda". Ela sorri de volta e segura em seu braço, virando para o padre.

— Caríssimos noivos, viestes à casa da Igreja para que o vosso propósito de contrair Matrimônio seja firmado com o sagrado selo de Deus, perante o ministro da Igreja e na presença da comunidade cristã –fala o Padre dando início à cerimônia — Cristo vai abençoar o vosso amor conjugal. Ele, que já vos consagrou pelo santo Batismo, vai agora dotar-vos e fortalecer-vos com a graça especial de um novo Sacramento para poderdes assumir o dever de mútua e perpétua fidelidade e as demais obrigações do Matrimônio. Diante da Igreja, vou, pois, interrogar-vos sobre as vossas disposições.

— Flávio e Beatriz, viestes aqui para celebrar o vosso Matrimônio. É de vossa livre vontade e de todo o coração que pretendeis fazê-lo?

— Sim – respondem os noivos. Beatriz e Flávio se olham intensamente, pois o primeiro passo foi dado.

— Vós que seguis o caminho do Matrimônio, estais decididos a amar-vos e a respeitar-vos, ao longo de toda a vossa vida?

— Sim – respondem os noivos.

— Estais dispostos a receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educá-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja?

— Sim – respondem os noivos.

— Uma vez que é vosso propósito contrair o santo Matrimônio, uni as mãos direitas e manifestai o vosso consentimento na presença de Deus e da sua Igreja.

O irmão de Flávio se aproxima e entrega a caixa com as alianças para irmão. O padre abençoa a caixa e acena para Flávio abri-la. Dentro dela, duas balas de morango, fazendo Bee olhar para Flávio, confusa.

— Foi assim que começamos, então achei apropriado quitarmos a sua dívida assim – ele desembrulha uma das balas, mostrando a bela aliança escondida, bem como a outra bala estava com a dele. Ele então entrega a caixa para o coroinha.

— Flávio Peixoto Wilkinson, repita comigo – pede o padre — Eu, Flávio Peixoto Wilkinson...

— Eu, Flávio Peixoto Wilkinson – repete Flávio olhando dentro dos olhos de Beatriz, ela está exatamente como ele sonhou a vida inteira.

“Prometo admirar o seu jeito de ser, porque é isso que a torna única e maravilhosa.

Prometo nutrir seus sonhos, porque através deles sua alma brilha. Prometo ajudar em nossos desafios, pois não há nada que não possamos enfrentar se ficarmos juntos.

Prometo ser seu parceiro em todas as coisas, trabalhando como um.

Quero dar-lhe coragem quando você desanimar, dar-lhe esperança quando você estiver descrente, quero ser sua força e escudo como me compete como homem e mostrar-lhe o caminho sempre que a estrada da vida lhe causar embaraço.

Beatriz, quero fazer você feliz, muito feliz, todos os dias da minha vida. Finalmente, eu prometo a você o amor perfeito e confiança para uma vida, que com você, nunca poderia ser suficiente. Conto, para isto, com a luz e a força de Deus”.

Lágrimas escorrem pelo rosto de Beatriz que não consegue conter a emoção. Ela queria guardar todas as palavras ditas naquele momento por Flávio e por tudo o que elas representam.

— Beatriz Gouvêa, repita comigo – pede o padre — Eu, Beatriz Gouvêa...

— Eu, Beatriz Gouvêa... – começa Bee segurando suas lágrimas.

“Quero ser sempre sua. Quero viver com você na dor e na alegria, nos momentos fáceis e difíceis.

Quero entendê-lo cada dia melhor, quero amá-lo cada dia mais, quero dar-lhe ânimo, carinho e força no caminho.

A amiga de todas as horas, a companheira de jornada, a esposa fiel. Não quero que seu amor pare em mim, mas que eu seja apoio para seu amor a Deus e aos outros.

Você é meu amante e meu professor, é minha inspiração e meu cúmplice, Eu vou te amar, te abraçar e honrar você, vou respeitá-lo, incentivá-lo e estimá-lo, na saúde e na doença, através do sofrimento e do sucesso, para todos os dias da minha vida”.

— Pelo poder concedido a mim pela Igreja e por Deus: Eu vos Declaro Marido e Mulher. Pode beijar a noiva.

Flávio se aproxima tranquilamente de Beatriz, toca nas mãos da noiva e depois em seu rosto. Ele toca seus lábios apaixonadamente nos de sua noiva, desejando que aquele momento nunca termine.

— Confirme o Senhor, benignamente, o consentimento que manifestastes perante a sua Igreja, e Se digne enriquecer-vos com a sua bênção. Não separe o homem o que Deus uniu – o Padre finalizando a cerimônia — Bendigamos ao Senhor.

— Graças a Deus – respondem os convidados, logo em seguida aclamando os noivos com uma salva de palmas.

Beatriz e Flávio assinam o livro, junto com os padrinhos que já caminham em suas posições pelo corredor. Assim que os noivos seguem pelo corredor, são recebidos por uma chuva de arroz. Eles se beijam mais uma vez, agora como marido e mulher.

****

— Uma salva de palmas para o Senhor e a Senhora Wilkinson – pede o cerimonialista para a entrada do casal no salão de festas da Mansão.

Todos os convidados estão de pé aplaudindo o casal que entram sorridentes no salão. Flávio puxa a cadeira para Beatriz sentar-se à mesa destinada a eles, onde também estão sentados todos os membros da família de ambos. Assim que os dois sentam em seus lugares, o cerimonialista prossegue com suas palavras:

— Agora começaremos com os discursos ao casal. Começando pelo Sua Excelência, Duque William Stewart-Wilkinson.

William se levanta da mesa e caminha em direção onde está o cerimonialista que lhe entrega o microfone. O sogro de Beatriz encara o jovem casal enquanto um sorriso surge em seu rosto. Ele aguarda, pacientemente, as palmas cessarem, então começa seu discurso:

— Bom, meu discurso eu já disse para a minha nora que tremia mais que árvore em dia de tempestade... Acho que seria estranho repeti-lo – informa o duque, recebendo alguns risos da platéia e da noiva — Porém, ainda tenho algumas coisas para falar a vocês. Eu já estive nesse mesmo lugar que vocês. Com a mulher mais bela que qualquer outra desse salão. E o meu sogro esteve exatamente aqui, onde eu estou e ele me disse uma frase que até hoje não me esqueço: O casamento com uma pessoa deve incluir os corvos do seu telhado. A princípio deduzi que meu sogro tenha utilizado o bar com muito afinco e tinha se enrolado com as palavras, mas não. Conforme o tempo foi passando, finalmente compreendi o que eram aqueles corvos: a dúvida, o imprevisto, a raiva, o medo, a rotina, a discussão, tudo o mais que de alguma forma nos afetava a ponto de reconsiderarmos o nosso casamento. Entretanto, todas as vezes que pensei em desistir essa frase martelou em minha cabeça e percebi que não estava incluindo aqueles corvos. Hoje posso dizer que os mantenho em uma gaiola sob vigilância constante e sou feliz. Então digo para vocês a mesma frase que ele me disse: O casamento com uma pessoa, deve incluir os corvos do seu telhado. Sejam felizes e um brinde aos noivos – finaliza erguendo sua taça.

Todos os presentes erguem as taças e bebem um gole de champanhe. Logo em seguida a mãe de Flávio levanta, dá um beijo em seu marido e pega o microfone para dizer o seu discurso:

— Boa noite a todos os presentes e aos noivos. Não tenho muito a dizer, depois das belas palavras de meu marido a não ser desejar que vocês sejam muito felizes, que se respeitem e que cuidem um do outro. O amor humano autêntico é uma entrega total da própria pessoa: alma, coração, corpo, toda a própria vida, presente e futuro. Quando duas pessoas se amam, sabem que vão compartilhar toda a sua vida. O casal é isto: um com uma para sempre. Já não são dois, mas uma só carne e uma só vida. Antes eram duas vidas independentes que, de vez em quando, coincidiam. Agora estão intimamente ligados, a vida de um é inseparável da do outro. Até nas coisas mais concretas... Beatriz, seja bem vinda à nossa família – finaliza Lady Georgiana erguendo sua taça — Um brinde aos noivos.

Um a um dos presentes na mesa dos noivos se levantam e fazem os seus discursos, emocionando não somente os convidados, mas os noivos também:

— Que este seja o destino de vocês: amar, viver e começar cada dia juntos – Edward Peixoto Wilkinson.

— Um casamento feliz se constrói com muito amor, carinho e compreensão. Que estes sentimentos estejam sempre presentes na vida de vocês! – lady Anna Peixoto Wilkinson.

— O casamento é a união de duas pessoas que se amam para sempre. Por isso, lute para que o amor cresça e permaneça, e que os laços de afeto nunca se quebrem. Se um dia passarem por momentos difíceis, olhem nos olhos um do outro e resgatem o amor verdadeiro que os uniu. Ele lhes dará forças para superar e seguir – Sônia Figueiredo Peixoto.

— Há muitos anos eu e minha filha tivemos uma conversa da qual eu nunca me esqueci e nessa conversa falei para ela o tipo de homem que eu desejava que ela se casasse um dia – começa Miranda. Ela suspira e continua — Eu desejo para você alguém que esteja do seu lado mesmo que você não note. Que lute por você e ao mesmo tempo ensine a lutar suas próprias batalhas. Desejo-te alguém que te ame sem exigir nada em troca. Que peça perdão sempre que errar e que não exija o mesmo se for você quem errou. Que olhe para você como se fosse o bem mais precioso e que a trate assim. Que nunca desista, mesmo com todos dizendo ao contrário ou a situação exija. Eu gostaria que você tivesse alguém que daria a vida por você. Que te faça feliz todos os dias de sua vida... Foram essas palavras e hoje posso dizer que o Flávio é esse homem. Bem vindo à família, meu filho. Tenho certeza que onde o Bruno estiver com certeza estará abençoando essa união.

Beatriz olha para o Flávio que está segurando sua mão fortemente. Os olhos de seu marido estão marejados de lágrimas. Ela afasta a mão dele da sua e se levanta, colocando um ponto de interrogação no rosto de Flávio. Ela sorri e caminha em direção ao microfone.

— Boa noite a todos – começa Beatriz com a taça de champanhe na mão — Eu sei que é costume o noivo fazer o discurso para a noiva, mas nós dois não somos bem um casal tradicional... Então farei o discurso , pois foi em um que nos reencontramos. Apesar daquele não ter sido um dos melhores, se não fosse aquele discurso talvez eu não estaria aqui, nesse salão olhando para o homem que salvou a minha vida. Para o homem que me fez viver e amar novamente. Eu sou grata a você, Flávio, por todos os meus dias. Por ter o prazer inestimável de acordar com você ao meu lado. Por olhar em seus olhos e me ver dentro deles, saber que eu sou a pessoa que você ama todos os dias, como se fosse a primeira vez... E por me permitir te amar como nunca amei alguém, tão plenamente. Eu sei que seremos apenas nós dois de agora em diante e mesmo assim me sinto completa, pois é você quem preenche todo o meu coração. Tenho certeza de que seremos felizes para sempre. E esse para sempre começa agora. Eu te amo.

Flávio se levanta e vai em direção à sua esposa. Ele a beija várias vezes em meio às palmas e assovios dos convidados, aquelas palavras o deixam emocionado, dando a certeza que ela o ama cada vez mais.

— Agora a primeira dança dos Noivos – avisa o cerimonialista chamando os noivos para o meio do salão.

Flávio deixa Beatriz na pista de dança e vai até o DJ, onde pede a música deles. Ele se vira com um olhar de quem estava aprontando alguma coisa, fazendo Beatriz ficar confusa. Então ela percebe que o som não é o de You've Got A Friend17, música escolhida por eles, mas sim de Time of my life18.

Ele caminha em direção a Bee dançando lentamente, a segura pela cintura e empurra seu busto o conduzindo em semicírculo até voltar para frente dele. Então a gira, fazendo sua noiva ficar de costas para seu corpo.

— ♫Now I've had the time of my life, no I've never felt like this before. Yes I swear it's the truth. And I owe it all to you.’ Cause I've had the time of my life. And I owe it all to you♫ 19— canta Flávio junto com a música — Eu sei que você esperava a outra música, mas durante esses dois anos você me fez assistir Dirty Dancing 345 vezes, então acredito que só podia ser um sinal... E como prova de que eu realmente assisti esse filme todas às vezes com você... Vou dançar essa música com você, Bee.

— Você enlouqueceu? – pergunta Bee sem acreditar que aquilo está acontecendo — Eu não sei dançar...

— Sim... De amor por você – responde Flávio se afastando de sua noiva. Ele se vira — Confia em mim?

— Cegamente, duplex – responde Beatriz, sorrindo.

Ela estende a mão para o marido que a traz para junto de seu corpo, a conduzindo no ritmo da música. Ele a gira várias vezes tirando gargalhadas da noiva. Ele se afasta um pouco dela e chama os convidados para vir ao centro do salão dançar com eles. Flávio volta para a amada e coloca os braços de Bee envolta de seu pescoço. Ela o encara, emocionada, pelo fato dele ter dançado a música de seu filme favorito.

— ♫But I've had the time of my life and I've searched through every open door. Till I found the truth and I owe it all to you.♫20— canta Beatriz encostando seu rosto no de Flávio — Obrigada, meu amor.

— De nada, meu amor – responde Flávio — Sempre estarei aqui por você.

Depois de muita dança chegou a hora de cortar o maravilhoso bolo branco de quatro andares que atraía atenção de todas as crianças da festa. Os dois nem bem cortaram o bolo e uma fila se formou para experimentar o doce que está delicioso. Em seguida outra fila se formou agora das solteiras da festa para pegar o tão sonhado buquê da noiva. Beatriz se vira e joga o buquê que cai nas mãos de sua cunhada, Anna, que sorri animada para o noivo.

A festa continuou animada por mais algumas horas, quando os noivos decidiram que era hora de ir para a tão esperada lua de mel no Copacabana Palace.

****

A porta da suíte se abriu com toda a força imposta pelo pé de Flávio que agora segura Bee nos braços. Ele caminha em direção ao luxuoso quarto com sua noiva no colo, aos risos.

— Você vai me derrubar, mocinho – avisa Beatriz fechando seus olhos fortemente — Coloque-me no chão, por favor.

— Não senhora. Prometi que a levaria até a cama e assim farei — retruca Flávio com um sorriso malicioso nos lábios.

Ele abre a porta do quarto com o pé e então respira fundo pegando impulso para jogar Beatriz na cama cheia de pétalas de rosas brancas. Ela ergue os braços, passando ao redor da cama, enquanto Bee o encara curiosa. Flávio olha para sua noiva e com um sorriso pretensioso, se joga em cima dela a fazendo gargalhar. Toca no rosto de sua amada lentamente, desejando guardar cada parte daquele momento em sua lembrança, então ele deita ao seu lado, e olha para o teto que refletia a imagem dos dois.

— Esse é melhor momento da minha vida – confessa Flávio, enquanto segura a mão de Beatriz — Eu tenho tudo o que sempre desejei, a felicidade que poucos mortais podem dizer que já sentiu na vida. E tenho o maior medo de perder tudo...

— Você não vai perder nada – garante Beatriz, deitando em cima de seu noivo — Você conquistou tudo o que tem... Você me conquistou... E eu te amo... Eu nunca vou te deixar.

— Nunca? – pergunta Flávio com a testa franzida.

— Nunca – confirma Beatriz o beijando logo em seguida.

Ele a abraça e joga seu corpo sobre o dela. Toca o rosto de Bee mais uma vez e então a beija ,enquanto suas mãos descem ,percorrendo o corpo dela sobre o vestido de noiva. Ele chega à saia do vestido, com a qual luta em vão para tentar subir.

— Seu vestido está contra mim – sussurra Flávio entre os beijos — Acho que ele não quer que eu faça amor com você.

— Então temos que resolver isso logo – responde Beatriz se levantando da cama. Ela fica de costas— Abra-o.

Flávio se levanta também segurando os ombros de Beatriz, enquanto beija lentamente sua nuca, pescoço e ombro. A mão de Flávio vai em direção ao zíper do vestido e o desce lentamente. Aos poucos, o vestido de Bee cai aos seus pés, mostrando apenas seu corpete branco e a cinta liga que usava. Wilkinson desabotoa o corpete, fazendo a noiva ficar com os seios nus. Ele a vira, forçando seu corpo a deitar na cama. Ele segura uma das pernas de Bee e beija a ponta do pé, tira a meia calça e então pega à outra perna e faz o mesmo movimento.

Beatriz fecha os olhos quando Flávio deita sobre ela e a beija na boca, depois queixo, pescoço, até chegar aos seios. Ele os toca delicadamente, passando a língua envolta do bico antes de abocanhar, enquanto o outro é acariciado por sua mão. Vários gemidos saem da boca de Bee durante aquele momento. Ele continua beijando o corpo de sua amada, até chegar a sua calcinha, onde suas mãos ávidas e sedentas a deslizam pela perna de Bee. O toque na pele de Beatriz a faz arrepiar.

Flávio se levanta rapidamente se livra de sua roupa, ficando completamente nu sob o olhar penetrante de Beatriz que alucina pelo corpo de seu marido. Ele engatinha pela cama, parando entre as pernas dela. Seus lábios a tocam delicadamente a fazendo gemer, quase que no mesmo instante. Cada vez mais sua língua se mexia por entre as coxas da jovem que se contorcia freneticamente. Ela sente cada parte do seu corpo desejando mais. Ela segura a cabeça de seu marido, indicando que ansiava por mais e ele prontamente a atende. Ele nota que ela está perto do orgasmo então a estimula mais ainda, acariciando , beijando e sugando seu clitóris. O corpo de Beatriz começa a tremer enquanto grita com o prazer máximo que sente.

Ela senta na cama, alucinada e puxa o corpo de seu marido para cima do seu, o abraçando forte, enquanto murmura para que ele a possua. Ele fica sobre ela e então a penetra, olhando dentro dos olhos dela com todo o desejo que sente. O ritmo foi aumentando e ele a penetrava cada vez mais fundo, arrancando mais um orgasmo de Beatriz.

Os movimentos ficam cada vez mais rápidos, como se os seus corpos fossem tornar um só naquele instante. Flávio beija Beatriz que já estava indo para seu terceiro orgasmo, então o loiro reduz a velocidade de seu corpo, apenas sentindo seu membro rígido saindo e entrando do corpo de Bee que geme baixinho. Ele toca sua testa suada na dela e diz:

— Com você nunca é igual, Bee... Possuir-te é o meu prazer. Goze pra mim.

Ele enfia mais forte, excitando Beatriz a ponto de fazê-la gozar mais uma vez. Ele a vira de costas para a cabeceira da cama e a penetra, se deliciando com o calor e a umidez que vinha de dentro dela. Ele a penetra mais fundo e cada vez mais rápido a fazendo gemer. As pernas de Beatriz tremiam, como se a qualquer momento ela fosse cair de exaustão, deixando Flávio cada vez mais excitado, a penetrando com toda a sua força. Ele segura seus cabelos trazendo a cabeça de Beatriz para mais perto dele. Com uma das mãos toca o sexo da esposa que implora por mais.

— Não pare, amor... Não para – sussurra Beatriz, sendo correspondida imediatamente.

— Não irei parar... Como eu te desejo Bee... Goze pra mim... Isso... Gostoso... Estou quase lá... Isso... Meu amor...

Os corpos estão em um ritmo frenético , quando ambos se enrijecem , sentindo o clímax do sexo. O corpo de Beatriz cai sobre o de Flávio, ambos exaustos. Quem olha do teto pode dizer que eles realmente tinham conseguido se tornar, fisicamente, um só.

Notas finais
17 Música de James Taylor. 18 Música de Bill Medley 19 Quando você estiver abatida / e com problemas e precisar de uma mão para ajudar /E nada, nada estiver dando certo. Feche seus olhos e pense em mim/E logo eu estarei aí/ Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias 20 Apenas chame meu nome/E você sabe, onde quer que eu esteja/Eu irei correndo/Para te ver novamente