A Certain Romance

1 Wanted Dead or Alive


Notas iniciais
Vale para todos os capítulos: a história é meio que um rascunho e está sempre sofrendo alterações, melhorias. Não estará pronta até que fique perfeita, ou, pelo menos, razoavel. Hihi c:
- Marie? — Jake perguntou enquanto eu me aproximava da mesa portando um sorriso vencedor e um papelzinho amarelo com marcas de batom. — Marie. — Concordei.

— Caralho, Dougie — Meu amigo balançou a cabeça em sinal de (falsa) reprovação. — Tem alguma garota nesse pátio que você ainda não tenha passado o rodo? — Ergui a sobrancelha. Passado o rodo?

— Passado o rodo? Jake, em que ano você acha que estamos?! — Jake riu.

— Cadê o Harry? — Danny se sentou, jogando a mochila do lado. — Não sei. — Dei de ombros. — E o Tom?

— Tá com a Melissa. — Apontou para a mesa distante em que a peguete do Tom e as amigas esquisitas dela sentavam. Jake fez uma cara estranha.

— Tom tem uns parafusos a menos, não é? Tem a Valerie se oferecendo para ele não larga da esquisitinha.

— Não fala assim dela, Jake! — Danny fez bico. — Ela é legal. — Jake sorriu malvado.

— Dougie, vamos fazer uma aposta. — Propôs. — Eu aposto que você não pega a morena de olhos azuis, como é o nome dela Danny?

— Alice. — Danny respondeu meio incrédulo. — Não vai aceitar, né Dougie?

— Jake, essa é a lésbica! Não vale.

— Claro que vale! Aceita ou não? — Olhei para o Danny, que fazia uma genuína cara de reprovação para o acordo que estava prestes a ser selado. — Aceito.

— E você, prometa que não vai estragar tudo! — Olhou ameaçador e Danny ficou emburrado. — Eu odeio vocês.

Sabia exatamente o que fazer! Era só chegar, jogar um charme, ser fofo e chama-la para sair. Como roubar doce de criancinha. E não demorou para que o momento certo estivesse acenando para mim; ela estava encostada na parede, ao lado do bebedouro lendo alguma coisa pelo celular, me aproximei e apoiei um braço na parede ao seu lado, deixando-a meio sem saída. Continuou indiferente.

— Bom dia — Dei meu melhor sorriso. — Você está radiante hoje, — Me encarou com um par de belos olhos azuis. Olhos tão bonitos que eu esqueci o quer falaria depois. — Eu Eu achei que você gostaria de sabe, sair um dia desses. — Recuperei a fala e joguei charme. Alice suspirou, sorrindo de lado, colocou o celular no bolso e eu achei que já a tinha ganho. — Não, obrigado. — Disse, cínica, tentando se desvencilhar. A deixei ir, com cara de taxo.

Como assim ela tinha me dispensado?! Ninguém me dá um fora desde quando os dinossauros andavam na Terra! Fui para casa ainda indignado e morrendo de fome. Comi e fui pensar no que fazer no dia seguinte para faze-la sair comigo e ganhar a maldita aposta.

— Meu parceiro faltou, posso sentar com você? — Perguntei sem obter resposta. Ela continuava se balançando e movendo os lábios. — Posso me sentar com você? — Perguntei um pouco mais alto.

— Gimme gimme gimme the honky tonk blues — Cantou Honky Tonk Women e sorri, passando a mão na frente de seu rosto. Ela finalmente pareceu me notar, tirando os fones e endireitando-se na cadeira.

— Meu parceiro faltou, posso sentar com você? — Repeti, paciente.

Deu de ombros.

— Rolling Stones? — Esboçou um meio sorriso. — É. — Foi breve.

— Sou Dougie. Não sei se fomos devidamente apresentados.

— Alice — Murmurou colocando os fones de novo. — Então, Alice, mudou de idéia e quer sair um dia desses?

— Não. — Suspirei e encostei, meio sem esperanças.

— Você sabe que a Marianne Faithfull nem queria ser vista com os Rolling Stones, né?

— E acabou dormindo com três deles. Mas, infelizmente, — Disse o infelizmente baixo. -, eu não sou Marianne Faithfull. Nem Anita Pallenberg.

— Quer dizer que você gostaria de alimentar Mick Jagger com uma barra de chocolate entre as pernas? — Perguntei malicioso. Alice sorriu, — Adoraria. — Riu da minha cara de besta. — Sério mesmo?

— Não, bobão! — Suspirei aliviado. — Sou mais o Keith.

— Só falta me dizer que ia gostar de ser a Ekaterina — Fez careta. — A Ekaterina não! Eu queria ser a Stephanie Seymour.

— E a Erin?

— A Erin era burra, só apanhava do Axl. A Stephanie apanhava e batia e apareceu em mais clipes que qualquer outra.

— Opa, tu curte apanhar? — Rimos. — Só do Axl Rose! Já recusei o Ron Wood por causa dos tabefes que ele deu na Ekaterina, não que ela não merecesse mãs Na real, meu sonho de consumo é o Ringo! — Eu ri e ela me olhou indignada. — Que foi? — Perguntou. — O Ringo?! Qualquer coisa, menos o Ringo! — Me deu um tapinha. — Ringo é sedução. — Fez biquinho.

— Alice e Dougie! — O professor chamou atenção. Caralho, da onde ele saiu? — É melhor você prestar atenção, Poynter. — Sorriu fraco antes de abrir o caderno de Top Gun (Onde ela conseguiu isso?) e começar a anotar as formulas que Sr. McGee passava na lousa. Tentei puxar papo mais algumas vezes, usei todos os casos esquisitos de bandas que eu tinha mas Alice só me dava respostas monossilábicas e frias.

— Você não é tão bom quanto pensa e eu não desse tipo. Se acha que vai fazer comigo a mesma coisa que fez com os 99,8% das garotas desse colégio está enganado. E como está! Cai fora, Dougie — Foi essa a resposta que recebi a minha segunda tentativa de me aproximar, na hora da saída. Alice simplesmente pegou a mochila, se levantou do banco em que estava sentada e foi embora.

E eu fiquei com uma cara de tacho brilhante. Terceiro fora que ela me deu, em dois dias. Talvez eu estivesse indo rápido demais. Talvez ela não seja como as outras Ou talvez ela seja lésbica mesmo. Ai eu tô fudido.

Fui atrás dela, decidido. Segurei em seu braço, o que fez com que ela se virasse e olhasse para mim.

— Eu quero sair com você. Sou um cara de todas as cores e sabores, — Pisquei, soando terrivelmente canalha. — e queria que você desse essa chance. Mas, não sei, talvez eu não seja seu tipo. Só não deixa pra me procurar quando for tarde demais, tá? — Sorri. Ela ergueu uma sobrancelha e então percebi a merda que tinha feito. — Não se preocupe, cara de todas as cores e sabores, eu não vou te procurar nunca. — Se virou, me deixando para trás com vontade de eu mesmo me dar um tapa na cara. Eu sou muito burro! Sou lindo porém burro, modéstia a parte.

Jogava sem parar uma bolinha na parede do quarto, pensando em como me redimir. Até a bolinha não voltar para mim e cair na escrivaninha. Bufei e arrastei minha bunda sedutora até lá, vendo que a safada tinha caído bem em cima dos dois ingressos que eu tinha, para o Maroon 5 no fim de semana. Foi aí que tudo pareceu genial e eu quis pedir a bolinha em casamento.

— Alice! — Chamei, correndo até ela. — Eu queria pedir desculpas por ser um otário ontem. E para me redimir — Levantei os dois ingressos e vi seus olhos brilharem.

— Como você conseguiu? — Perguntou impressionada. — Tenho minhas fontes. — Dei de ombros. — Vai comigo?

— Vou. — Cruzou os braços. — Porque é uma proposta irresistível. — Alice olhava para os ingressos.

— Eu sei que sou irresistível. — Alice revirou os olhos e eu ri. — Tô brincando! Eu sei que é só porque eles são VIPs e você venderia seus rins para ver o Adam. — Riu fraco, pegando um dos ingressos.

— Mas então, te pego as sete na sua casa? — Perguntei e ela acentiu com a cabeça. — Isso não é um encontro e pela segunda vez: eu vou porque é uma proposta irresistível. — Acrescentou, séria.

O resto da semana passou rápido e logo já era sábado. Tomei um banho e fiquei cheirosinho e mais bonito ainda, com uma camiseta do Maroon 5 (dã), calça jeans e All Star. Seis e quarenta e cinco eu saí de casa, cheguei em sua casa seis e cinqüenta e um, exatamente e fiquei esperando até dar sete horas em ponto para tocar a campainha. Alice abriu a porta e meu queixo caiu.

— Pontual — Falou. Usava um shorts jeans e camiseta decotada e justa do Maroon 5, além de uma maquiagem bem leve e All Stars. Pela primeira vez pude notar suas curvas e cara, que curvas. Alice percebeu que olhava para suas pernas e me lançou um olhar tipo 'eu sei que sou bonita por faça-me uma favor, garoto!' e eu corei. É, eu corei. Dougie Poynter nunca cora com garotas.

— Vamos? — Estendi meu braço, como um verdadeiro cavalheiro e ela riu. Fomos até o carro e eu até abri a porta para ela. Conversamos por todo o caminho até a casa de shows, sobre música, séries etc. E ela era muito divertida, sério.

— Por que você não gosta de mim? — Perguntei enquanto eles tocavam Shiver. — Por que me trata diferente toda vez que eu me aproximo?

— Não é você o problema; — Pausou. — O problema é o gênero que você faz. — Sorriu. — Mas, você ganhou alguns pontos depois de hoje. — Sorri de volta. Ela era bem legal!

Ouvi a introdução de Sunday Morning e toquei seu braço, fazendo sua atenção se desviar do palco para mim. Olhei para Alice e sorri de leve, recebendo outro sorriso de volta. Me aproximei e quando estava prestes a beija-la, ela desviou, corando. Logo anunciaram a última música e voltamos a prestar atenção ao show.

— Foi muito bom! — Alice elogiou, fazendo um passinho esquisito. Eu ri e a puxei para dançar no meio da rua. — O que acha que irmos... huh... Ao shopping amanhã? — Propus. — Hoje, você quis dizer. — Sorriu. — Já é meia-noite!

— Tudo bem, hoje. O que você acha de sairmos hoje?

— Eu tô muito agitada para ir dormir... — A olhei malicioso. — Não me olha assim que eu não tô pensando em sexo. — Bufei e ela riu. — Vamos tomar sorvete? — Perguntou com os olhos brilhando. — Sorvete? Aonde?

— Sei lá! Deve ter algum lugar aberto, né?

— Você realmente quer procurar uma sorveteria agora? — Perguntei. Alice mordeu o lábio inferior e isso foi muito sexy. — Tudo bem, vamos.

E não é que nós achamos uma sorveteria 24hrs? Tomamos sorvete sentados na pracinha em frente a tal sorveteria e ficamos lá, conversando, até o sol sair. E ao amanhecer, eu já achava que ela era a mulher que eu tinha pedido á Deus. — Acho que tá na hora de ir embora. — Bocejou. — Ficamos aqui por muito tempo, — Sorriu. — Foi divertido. — Completou, se levantando da mesa de xadrez onde sentamos. Me levantei também, e fui atrás dela, que encostou no carro, provavelmente esperando que eu abrisse a porta. Aproveitei para deixa-la sem saída e, finalmente, beija-la. E dessa vez, aconteceu. E eu gostei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.