A Centelha
4 Criança
Notas iniciais
As luz entrou em seus olhos sem pedir licença, podia ser clara, límpida e brilhante, porém aquela aurora não acalmou, apenas ressaltou o lugar onde estava, tornando cada vez mais irreal a situação, se perguntara se não estivera presa em um sonho, como num coma, coisa em que a gente custa a acordar.
Nada parecia certo, uma parede de vidro, outra parede de vidro, e outra e mais outra, um rapaz cansado, uma criança adormecida, uma moça confusa, e outra pessoa e mais outra e assim por diante. Ela estava em um quarto no qual duas das quatro paredes eram feitas de vidro, era possível enxergar os outros quartos através delas, repousava em uma cama de solteiro feita de concreto, um criando mudo servia de suporte para o copo d' água.
A manipuladora de plantas ainda estava tonta, havia ganhado duas injeções de sedativos, sua cabeça girava, ela teve forças apenas para virar a cabeça para o lado. Um menino a encarava, devia ter uns dezoito anos, sua pele era muito branca, seus olhos tão negros que era perigoso se perder naquela escuridão, o cabelo liso e bagunçado estava por cortar caia abaixo da sobrancelha. Suas vestias estava sujas, e na camisa azul escura havia respingos de sangue, além disso o rosto dele era magro e com traços fortes escondidos por baixo de uma barba mal feita e olheiras profundas. Ele a encarava em silêncio sem fazer qualquer gesto, apenas olhava.
Após alguns minutos Francielle sentia- se confortável o suficiente para se sentar, divagar e cambaleante chegou até a vidraça bateu forte, socando o vidro e perguntando onde estava, o rapaz olhou curioso e fez com que não escutava chegando perto da parede transparente, ela jogou seu hálito no vidro e escreveu:
– Que lugar é esse?
Ele levantou e escreveu:
– A Centelha.
– O que é? Indagou a moça.
– Logo você vai descobrir.
–Obrigada. — Escreveu de novo e depois, sentou- se ao pé da cama. Houveram pequenos estalinhos, ruídos vindos da porta de aço que destravava, ela voltou pra cama e fingindo que ainda dormia. Um senhor abre a porta, o rosto velho e enrugado sorria de forma desconcertante enquanto que seus olhos azuis brilhavam naquela mesma emoção.
Ele coloca a cabeça na abertura da porta vê a menina cochilando e depois a fecha novamente. Ela senta, fita a porta brilhante inox, que se abre de novo.
– Olá minha criança. -Disse ele ainda sorrindo. — Estava ansioso para que você acordasse.-Continuou amigavelmente.
– Por que eu estou aqui? — Questiona Francielle.
– Você está aqui para um bem maior. — Agora falava de forma seria.-Gente como você é muito valiosa pra nós.
– E se eu não quiser ? — Rebateu a proposta.
– Está fora de seu alcance criança, agora nos somos tudo o que você tem, e o que você é, esses... -Ele girou a cabeça da menina de forma violenta. — Esse são seus novos irmãos.
Em seguida o homem abraçou a menina com todo o carinho do mundo, dando um beijo em sua testa, levantou saindo do quarto quando fechava a porta Fran se preparava para acerta-lo com o copo d'água, o homem imediatamente notou e disse:
– Não vai querer fazer isso, criança.
Ela voltou ao pé da cama e se pós a chorar, encolhida escondendo o rosto.
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