Notas iniciais
Vancouver foi fundada em 1886, considerada uma das cidades mais belas do Canadá, talvez do mundo. É um dos principais centros de atração, recebe turistas de diversos países todos os anos. Conhecida por suas histórias aterrorizantes, de que há séculos atrás foi habitada por seres sobrenaturais, e que guerreiros lutavam em favor da sua pátria, bravamente esses homens enfrentavam o mal, acredita-se que foram milhares de vidas perdidas, até que com o tempo entrou em extinção a raça dos caçadores de demônios.
Além de histórias atraentes, esta cidade tem ruas agradáveis, meio ambiente conversado, sem cheiro de poluição, as mais belas praias, uma vista espetacular de montanhas nevadas. Suas estações até podem causar certo desconforto com invernos rigorosos, mas não te impedem de sair fora para ver o céu azul, as nuvens brancas e as árvores verdes, os verões também não extrapolam, nem são tão quentes. Aqui é o único lugar que você pode ir ao mar e ter a vista de montanhas nevadas logo acima. A maioria dos bairros da cidade são agitados, porém, existe uma exceção. O bairro Kitsilano se destaca por sua tranquilidade e por ser o local onde fica a ‘’ Wonderful Beach’’, praia que muitos gostariam de visitar.
O Kit fica na zona oeste da cidade, com uma grande área residencial, lojas, cafés, shoppings e restaurantes de alto nível. E é lá que a família Waylland vive há muitos anos, esta é apenas outra geração, muitas outras famílias viveram aqui. O Sr. Luiz e a Sr.ª Júlia tiveram dois filhos, Rafael o mais novo e Anna a mais velha, moram numa casa que fica meio afastada do bairro, é necessário subir um pequeno morro com uma escadaria para chegar lá, no entanto, vale a pena, a vista é maravilhosa, com paisagens lindas ao redor.
Já era por volta das cinco e meia da tarde, e é por essas horas que as pessoas chegam as suas residências, mas como é sábado a rotina muda. Geralmente, nesse dia da semana, todos saem para passear e senão, ficam em suas casas descansando. Sair para calçada já é interessante, pois se respira ar puro, e esse contato com a natureza traz paz para o interior. A tardezinha, eles costumam ficar juntos na sacada para ver o sol se pôr. E com a família da Anna não é diferente.
Anna que estava deitada na poltrona de seu pai, com os pés para cima, balançando impacientemente, resolve acabar com o silêncio na varanda:
– Papai? – Anna diz ansiosa – Posso ir amanhã à praia com meus amigos?
Luiz olha para filha com um o que quase poderia ser um sorriso e pergunta:
– Quais amigos? A Melanie e o Matheus?
Pois a resposta da filha mais velha não poderia ser diferente, desde pequena estes foram os seus únicos amigos.
– Sim, o são eles. Depois de amanhã já acaba nossas férias, a gente queria aproveitar e passar o dia juntos. Sem resposta, ela se senta na poltrona e insiste – Por favor, pai, deixa?
A senhora Júlia que estava sentada próximo ao marido, em uma das cadeiras de balanço, olha para ambos e interrompe:
– Você sabe, minha querida. Que seu pai aceitaria de boa vontade, mas ele já te disse, hoje mesmo, que gostaria que você fosse amanhã de manhã com ele num lugar... Ela dar certa pausa e continua – Vou esquentar aquela deliciosa pizza, alguém quer? Fala olhando para os filhos.
Rafael, o mais novo, que estava deitado em outra poltrona jogando no notebook, resolve falar:
– Eu quero, mãe!? Estou com tanta fome...!
Ele como quase todo menino da idade dele, 12 anos, vivia assim, meio desligado do mundo. Porém, muito concentrado num mundo não real.
Anna não entendia que lugar era esse que seu pai insistia em levá-la amanhã, desde mais cedo ele havia tocado no assunto e se negou a dar respostas as perguntas que ela fazia, e ainda mais, agora isso interromperia seu último dia de férias, mesmo assim, estava conformada em ir com seu pai, afinal eles passavam tão pouco tempo juntos, ele e sua mãe trabalhavam todos os dias e numa profissão na qual não existe férias, por que o crime nunca acaba, eles sempre estão dispostos a ir para cidade combater isso e salvar vidas.
– Se vocês me dissessem que lugar é esse ficaria mais fácil.
Os pais olham para ela indignados. Então a garota resolve de vez aceitar:
– Está certo, não vou à praia.
Ela responde chateada, levanta e sai em direção a porta da sacada.
– Ah... Não quero pizza. Boa noite mãe, pai, Rafael!? Não coma a pizza toda, não estou com fome, mas amanhã eu quero um pedaço!
– Vou pensar no seu caso, baixinha. Ele responde com um sorriso no rosto.
Anna olha e faz uma careta. Mesmo sendo 5 anos mais novo que ela, Rafael era mais alto, e não se cansava de zombar da altura da irmã mais velha.
– Boa noite filha! A mãe dela dar-lhe um beijo na testa.
E o pai fala – Amanhã você entenderá por que eu quero que você conheça esse lugar. Ah... está cedo para já ir se deitar...
Sua voz era tensa, isso só a deixava mais confusa.
– Espero que sim papai. E....Não gosto do frio, essa corrente gelada só me faz mal.
Mesmo no verão, quando chegava à noite vinha com ela o frio. E desde pequena Anna não gostava do frio, fazia-a sentir medo, insegurança. Só que não entendia a razão para isso, o frio faz ao mesmo tempo tão bem pra pele, pro cabelo.
A família Waylland mesmo parecendo ser tão normal, segredos que a maioria das pessoas desconhecesse são guardados a muito tempo de tal forma que poucos têm o conhecimento da real história e vida deles. Mas o Sr. Luiz e sua esposa tentam viver o mais longe possível desse mundo para proteger seus filhos. O que eles não esperavam é que um mal se aproxima e seus informantes os deixaram a par sobre tudo. Entretanto, eles viram que era a hora certa da sua filha saber quem realmente eles são. Existe uma sociedade secreta da qual eles fazem parte, os membros lutam pela paz de Vancouver, mantém a cidade e as pessoas seguras. Humanos vivem em perigo e não sabem disso, não conseguem enxergar o verdadeiro mal por detrás de visões mentirosas.
Anna estava indo para o quarto, sua casa era imensa e por isso se tornava assustadora, como aquelas mansões de filmes, ela pensou. Ela tinha crescido ali, seus primeiros passos foram naquele chão frio de madeira. No inverno esta casa era onde se sentia melhor, não era frio como lá fora, quando seu irmão nasceu, ela buscou outras brincadeiras, até ia para neve com ele, era tão divertido... Ela o amava, sempre o amou e iria amar. Ela sempre gostou de tirar brincadeiras com ele por que é maior que ele, à noite eles sentavam no sofá perto da lareira assistindo filmes de terror, os preferidos do irmão menor, comendo pipoca doce colorida, o que era estranho, pois estava congelando. E às vezes o pai preparava para eles um chocolate quente que só ele sabia, um delicioso, que ela adorava. No final do filme, a tradição era que eles jogassem o restante da pipoca um no outro, seu cabelo longo e escuro ficava pintado de rosa, azul, verde...Ela tentava jogar nele e na maioria das vezes não conseguia, ele era mais ativo, corria pela casa e se escondia. Hoje, olhando para a sala, podia perceber que o sofá não era o mesmo, nem a TV, porém, podia sentir um vazio do quanto naquele local tinha vivido alegrias existentes num passado distante.
Quando ela começou a subir as escadas rapidamente, o celular toca.
‘’Alô? Quem é?’’ A menina respondeu: ‘’Oi Anna, é a Melanie. E aí? Amanhã tá tudo combinado?’’ Ela pensou por um momento e respondeu: ‘’Não, não tá combinado. Meu pai não deixou... Amanhã eu tenho que ir com ele a um lugar. ‘’ Melanie responde: ‘’ Que chato então... Amiga, então vou desligar aqui, tá? Vou fazer umas compras hoje à noite ainda, você quer ir? ‘’ Nesse momento Júlia passa pela sala e Anna grita de cima da escada:
– Mãe! Vou fazer compras com a Melanie daqui a pouco. Tá bem?
– Pode ir. Mas só se for agora, já é noite e não demore muito.
– Obrigada mamãe. Chama um táxi pra mim. Ela fala ao celular: ‘’ Vou sim, passo ai em sua casa daqui a pouco. ’’ Melanie responde animada: ‘’ Oba! Quero comprar uns shorts novos! Até mais. Beijos! – Até mais Melanie! Beijos!
Anna sai correndo para o seu quarto, que é por mal sorte, o último do corredor, fecha a porta e começa a se arrumar. Ela fuça o guarda-roupa, encontra um cropped preto normal, veste uma calça jeans cintura alta e clara que ver em cima da cama, pega seu casaco preferido e sua bolsa de franja, calça uma sapatilha que encontra debaixo da cama... Ajeita o cabelo rapidamente, por sorte, ele estava lindo, com um brilho espetacular e longo...Como era preto, realçava sua cor de pele, branca como a neve, e então, ela sai apressada pela casa, chegando a sala, Rafael estava assistindo TV, sua mãe grita da cozinha:
– Não esqueça das chaves, meu amor!
– Estão dentro da bolsa, mãe! E fechou a porta em contrapartida.
Podia ver a luz do carro de cima da escadaria, o táxi já estava esperando. Desce apressadamente a escada, vestindo o casado, estava muito frio lá fora, o que era estranho, pois geralmente no mês de junho é mais quente. Fecha então o portão, em seguida entra no carro e cumprimenta o taxista: ‘’ Boa noite!’’.
Ele responde: Boa noite, moça! Pra onde deseja ir?
Ela diz: Pra casa de uma amiga, o senhor pode seguir reto nessa estrada que vou lhe mostrando o caminho direito.
Ele assentiu.
Olhando pela janela ela pôde ver um casal que ia passando de mãos dadas, pareciam tão felizes, sorrindo a toa... Será se com ela um dia seria assim!? Pensou. Nos seus 17 anos de vida, ela não tinha jamais se apaixonado por alguém, teve alguns romances, claro, aqueles que a maioria dos adolescentes vivem, não um amor verdadeiro que lhe fizesse sentir-se feliz como nunca esteve.
A casa da Melanie não era muito longe da sua, e ficava próxima ao shopping que elas iam. No caminho aproveitou pra passar um batom vinho e usar rímel, havia saído muito apressada de casa, olhando no espelho da frente do carro percebeu que seu cabelo fazia umas voltinhas nas pontas que ela adorava, e o rímel preto que estava passando realçava seus olhos verde escuro. Enfim, estava chegando. Ela falou rapidamente: Pare ai, por favor.
Ele estacionou o carro, ela o pagou, desejou boa noite, novamente, ao senhor de uns 50 anos e fechou a porta. Uma menina estava na calçada, era magra, com cabelo loiro, olhos escuros, um sorriso vibrante... Vestia uma saia longa que realçava sua cintura fina. Era Melanie e tinha mais alguém com ela, um menino alto, dono de um sorriso sincero, seu melhor amigo, desde... sempre. Quando ela chegou mais perto, Matheus a abraçou fortemente.
– Saudades da minha baixinha, disse sorrindo enquanto a abraçava, e complementou: Está mais bonita!
– Obrigada, estava com saudades de você também. Quanto tempo! Como foi de férias? Nem apareceu lá em casa, hein? Melanie veio em direção a eles e interrompeu.
–Meus amores! Também quero um abraço. Sentindo-me excluída. Ela falou olhando para eles.
– Mais é claro... Venha logo! Saudades de ti, Mel. Anna a puxou pelo braço e a abraçou.
– Foram boas, aproveitei pra caralho... Oh Ana, não deu tempo, viajei bastante e quase não parei em casa. Ele olhou para Melanie com um olhar meigo e continuou – Me abraça logo, você sabe que senti sua falta. Ela sorriu.
Os três saíram andando a pé. Falando sobre as férias, os micos que ela passou que não é uma novidade, Melanie contando do gatinho de olhos verdes que conheceu em Toronto, ele dizendo que depois ia mostrar os presentes que trouxe para elas, o que é curioso. Eles viviam juntos desde pequenos, são melhores amigos, a amizade deles passou por altos e baixos e sempre continuou forte, principalmente, o Matheus com a Anna.
– Gente, será que eu nunca vou encontrar alguém que der certo comigo!? Melanie questionava, enquanto dizia que o gatinho que olhos verdes nunca mais havia ligado.
– Por isso você tem a mim! Pra te aturar! Matheus bagunça o cabelo dela.
– Pare! Ela rir irritadamente.
– E eu quero saber é que presentes são estes... Não vai dizer? Anna pergunta curiosa.
– Pra você acho que já sabe o que é... Anna olha com expectativa. – Mas não vou confessar o que é!
– Besta! Ela lhe dar um empurrão.
O shopping ficava perto dali, se passando uns 20 minutos, eles chegaram. Os arredores do shopping estavam muito movimentados, vários carros no estacionamento, pessoas indo outras voltando com sacolas nas mãos. Não tinha muito que fazer lá fora e eles não podiam demorar muito, então entraram logo, a praça de alimentação estava lotada de gente.
– Galera, me bateu aquela ‘’ fominha’’. O que acham de um milk shacke? Uma pizza? Anna falou empolgada olhando para as mesas, se via tudo de bom, bolos deliciosos, pizzas... E ela nem havia jantado por teimosia.
– Comam vocês, estou em uma dieta. Anna e Matheus olham para ela, e ela continua: Sem pizzas, sem bolos... Sem maravilhas. Melanie responde automaticamente como se já estivesse pensando nisso.
– Sem necessidade de dietas. Você está maravilhosa.
– Se eu não fizesse dietas você não estaria dizendo isso, Matheus. Ela anda um pouco na frente deles. – Vim para fazer compras, okay? Fala olhando para trás.
– Tá bem, eu já entendi. E você, Matheus!? Vou comprar um milk shacke pra mim e batata frita.
– Já sim também. Vou contigo. Quero um pedaço de pizza e uma lata de coca cola.
Melanie segue andando em direção as vitrines de sapatos. E eles vão comprar os lanches, após pedir o que queriam, ficam esperando na fila.
– Não achei necessário ela falar assim com a gente... Poxa, ela não precisa de dieta.
Ele assentiu com a cabeça. Como ele não disse nada, ela continuou:
– Esse estresse não foi só por causa de falarmos que ela não precisa de dieta... Deve ter algo a mais.
Ele ignorou.
– Quer que eu pague pra você? Estou na frente, como ver.
– Quero sim. Ela diz seco.
Ela pega o dinheiro da carteira e o entrega. Sai à procura de uma das poucas mesas vazias disponíveis e senta. Quando ele chega, ela logo insiste:
– Tem algo que vocês não estão me contando?
– Não, Anna. Não tem nada. Ela fala sem olhar para ela, abrindo com o abridor a lata de coca cola.
– Tem sim. Conheço muito bem você.
– Se é assim então... Eu acho que a Melanie está com indícios de anorexia... Como a garota retribui com um olhar assustado. Ele continua: Eu falei com ela seriamente, disse para ela deixar de bobagem, que estava linda do jeito que estar agora e tudo que ela pensa é que não está, que tem que melhorar, quer ser a menina mais diva da escola no festival de verão.
– Own, poxa... Não pode ser possível. Quer dizer, até é possível, só que a Melanie sempre foi tão saudável... E faz silêncio, pois a amiga vem se juntar a eles.
– Hey, achei uns sapatos incríveis... Só que o mais incrível eu já roubei pra mim! Ela exclama. Mostrando a sacola a Anna. – Amiga, agora vamos procurar shorts, este verão quero ser a musa do festival! E aquela loja... a Te... está em promoção.
– Teen Fashion! Né? Vamos então! Estou precisando de short novos, u-r-g-e-n-t-e-m-e-n-t-e! Anna olha pra Matheus, com um olhar de ‘’ mais tarde a gente conversa ‘’
– E eu vou acompanhar vocês. Que pena que as garotas do colégio só podem usar a farda... Pagaria para ver Patrícia Albuquerque de shortinho. Ele diz apontando pra garota que acaba de entrar numa loja de vestidos.
– Seu idiota! Melanie grita. Mas logo a falsa irritação explode em um sorriso escandaloso.
Eles andam para a escada volante, a loja que pretendiam ir tem uma grande movimentação ao redor. Era onde Melanie e Anna mais gostavam de comprar shorts jeans, tinha vários estilos, bem diferentes, confortáveis e ainda com um preço acessível. Quando chegaram à loja escolheram diversos shorts e entraram para provar nos vestiários, sem demora, Anna levou dois e Melanie três, e foram para fila pagar. Matheus ficou esperando num banquinho. Quando saíram do shopping, chamaram um táxi, que veio rapidamente, e ambos entraram. Anna resolveu falar:
– Melanie, você está muito entusiasmada com o festival de verão.
– Estou sim. Ela respondeu seriamente, como se já previsse o que a amiga iria aconselhar.
– Você tem muita chance. Não digo isso só por ser sua amiga, você sabe disso. E não precisa de tanto esforço pra vencer essa competição não, ela olhou nos olhos da amiga. – Você tem o corpo perfeito, não tem nada que falte ou que extrapole.
O que de fato foi pura realidade, ela sempre quis ser divinamente linda como a amiga, não inveja, mas a admirava. E continuou, quando viu que a menina não iria responder:
– Não é mesmo, Matheus?
– É sim. Você é nossa... nossa diva.
E abraçou ela.
– Não exagerem seus tolos, e deixem de ser preocupados comigo. Eu estou bem, eu juro. E olhou de um para o outro. – Olha ai, moço, pode parar.
Já havia chegado na casa do Matheus, que fica bem perto da casa da Melanie.
– Eu desço aqui também. Tchau, Anna!
– Tchau Mel. Matheus a cumprimentou com um beijo na testa, como o irmão mais velho que ela nunca teve.
O taxista olhou para Anna que havia ficado sozinha no carro, e ela então falou:
– Pode seguir, minha casa fica um pouco mais a frente.
Ela teve a impressão de que o homem a olhou com cara mal, e involuntariamente, se posicionou mais próximo da porta do carro. As ruas estavam escuras, um vento frio, que balançava as árvores lá fora. Quando estava chegando próximo de sua casa, ela falou: Moço, pode parar ai! Como ele não parou, ela prosseguiu: Pare ai, por favor! Não está ouvindo!? Ele continuou, e então o homem virou o rosto pra trás, e da sua boca saiam presas. A garota que já estava se posicionando para abrir a porta do carro, já que este não estava em alta velocidade, deu um grito e abriu a porta.
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