Notas iniciais
Cara, eu estou sem ideia, só narrando fatos. Tipo, nada legal. Me avisem se estiver ruim, ok?

– Essa neve nunca vai passar.

Mary andava de um lado para outro, com seu sexto copo de café na mão. Estava começando a preocupar John, mas ela nem ligava. Mexia no cabelo, balançava a saia, jogava coisas para Quione buscar. Mas teve um momento, que ela mesma quase foi buscar.

Estavam lá a pelo menos uma hora, e isso era uma eternidade para ela. Não conseguia engatar uma conversa com John, pois quase toda a resposta que dava, ela parecia confuso. Tentou conversar de como era a vida no Instituto, como ele havia parado lá (o que não era um assunto que ele gostava), quem eram seus pais e assim por diante. Ele tentou lhe fazer algumas perguntas também, mas, por causa do TDAH, tudo o que dissesse, sendo perguntas ou respostas, eram esquecidas ou ignoradas. Por fim, resolveram ficar quietos.

Mary estava correndo até a entrada do metrô, tentando ver o tempo. Não estava muito diferente de antes. Na verdade, parecia ter piorado. E isso a deixou com tanta raiva, que chutou uma lata de lixo, espalhando seu conteúdo pelo chão.

– É bem capaz de mandarem a polícia aqui. Eles tem câmeras, sabia? — John apareceu, calmo. Ele, diferente de Mary, só havia tomado um copo de café. Ele havia censurado quase todo comportamento nervoso dela.

Mary o olhou, com as sobrancelhas franzidas. Então, procurou uma câmera, que estava no pilar ao seu lado. Levantou a mão direita e mostrou o dedo do meio para o aparelho.

– Que venham. — Ela disse, e se pôs a caminhar novamente pela estação. — Tipo, não tem como ninguém vir aqui nos buscar?

– Seria mais fácil você nos teletransportar — disse ele, com uma dose de sarcasmo e com a sobrancelha erguida.

Mary o encarou, com a expressão raivosa. Ela era imprevisível, com o humor sendo alterado o tempo todo. Isso era até perigoso. Mas ela não ligava, geralmente não fazia nada a ponto de se meter em encrenca.

– E por que você não faz uma mágica com aquele brinquedinho que você chama de estela?

– Você está com ela?

Mary se abaixou e arrancou o material, que havia deixado preso na perna até agora pouco. Por parte, pois havia se esquecido do objeto. E o outro motivo era por puro orgulho. Ela se encaminhou até ele, e deixou aquela varinha em sua mão. Ambas as mãos continuavam frias.

– Obrigado — ele disse, e começou a desenhar no chão.

Ela ficou de pé, observando-o. Era mágico aquele instrumento, gravando desenhos curvilíneos negros no chão cinzento da estação. Não era como se ele tivesse desenhando, Mary pensou. Era como se elas estivessem lá e ele somente estivesse revelando-as.

– Eles podem chamar a polícia por você estar desenhando no chão da estação. Eles têm câmeras aqui — Mary disse, com um enorme tom de ironia. John nem parou para olhar, ele só seguiu seu exemplo anterior, fazendo o gesto grosseiro para a câmera.

– Que venham — repetiu, voltando toda sua atenção para o trabalho.

Sem aguentar muito mais, Mary voltou, procurando sua loba. Ela logo a achou, e voltou para onde John estava. Ele parecia estar terminando. Ele se levantou, e deu um passo para trás, analizando o seu trabalho.

– Ótimo... Bem, está preparada? — Ele perguntou, em um tom ameno para Mary. Nem parecia que estavam gritando e destruindo coisas agora a pouco.

Ela olhava o desenho, como se ele fosse uma cobra venenosa pronta para dar o bote. Toda sua euforia havia se esvaído e só sobrara a vazia e pálida casca, que exibia seu rosto sem expressão. John tomou suas mãos.

– Ei, confie em mim. Isso vai dar certo. Eu prometo.

Mary o olhou, com pena espantada no rosto. Ela parecia se arrepender de algo, algo muito ruim. E realmente estava. Depois de ter aquele ataque de loucura por desobedecer seu pai seguido do de raiva, a culpa se instalou em seu corpo.

– Meu pai vai me matar.

– Olha, aquilo foi muito corajoso, eu agradeço bastante — John disse, usando um tom calmo e cauteloso, para não machucá-la mais. Ele hesitou, por um momento. — Por que você fez aquilo? — Sua voz saiu num murmurio.

– Eu não sei — ela sussurrou e engoliu em seco.

Não conseguia mais encarar seu rosto, aquele seu olhar cor de âmbar. O que havia feitou foi sem pensar, foi por impulso. Não se arrependia de tê-lo salvo, mas estava arrependida por desobedecer o seu pai. Simplesmente todos que viveram com Mary foram decepcionados. E, agora, ela iria continuar com o costume.

John intensificou o aperto em suas mãos.

– Vamos. Depois você me explica, ok?

– E você fala o motivo pelo qual foi me buscar. E que cuidou de mim na enfermaria.

Isso o pareceu pegar de surpresa.

– Na enfermaria? — Perguntou, com os olhos arregalados.

– Não sou idiota, John. Eu vi a sua expressão. Parecia que não dormia há dias.

Ele não a respondeu. Somente a puxou para o local onde desenhara, que estava fervilhando em um tom estranho. Era suficiente para um passar bem folgado de cada vez. Sem dizer nada, Mary se soltou das mãos de John e pulou no local, tomada ligeiramente por uma sensação aterrorizante, seguida por um duro impacto no chão gelado do Instituto.

Ela se sentou sem jeito, passando a mão pela cabeça, que latejava com o impacto da queda. Logo, John apareceu ao seu lado, pousando graciosamente. Quando olhou para cima, de onde eles haviam saido, encontrou o portal se fechando.

– Ninguém mais vai passar por lá? — Ela perguntou, franzindo a testa com a dor no corpo.

– Não, era um portal só para duas pessoas — respondeu.

John se pôs a caminhar pelo recinto, como se fosse sua casa. Ela percebeu que era um quarto. A cama com vários lençóis tinha algumas peças de roupa jogadas, juntamente com dois pares de tênis no chão e outras peças de roupa. Atrás de si, havia uma escrivaninha com alguns livros e papéis espalhados pela sua superfície. Depois de um tempo, percebeu que era o quarto de John, pelo fato de ele estar abrindo o armário e procurando alguma peça de roupa. Logo apareceu com um casaco grosso e verde escuro, e um cachecol cinza. Ele retirou as saias que ainda cobriam seus ombros e as entregou sem muita cerimônia para ela. Mary se deixou cair no chão.

– Eu também quero um casaco — ela disse, meio emburrada, mas não soava como uma criança.

– E a sua mochila? — Ela escutou-o dizer, mas não o viu.

– Eu deixei para trás, para pegar aquele seu brinquedinho.

Ele não respondeu, mas parecia continuar mexendo em algo. Mary nem deu moral, só continuou deitada lá, tentando pensar em nada. Logo depois, recebeu uma massa pesada e negra em seu rosto. Ela se sentou, meio irritada. John estava sentado, com o casaco de pele escura em volta do corpo.

– Esse serve, queridinha?

Ela só levantou uma sobrancelha e passou o casaco pelos ombros. Era de um tecido quente e confortável, na cor preta. Exatamente o que ela queria. Ela não agradeceu, só franziu a testa. Havia algo de estranho ali.

Mary levantou cambaleando, completamente chocada e desesperada. Como conseguiu esquecer aquilo? Tipo, ela poderia ter a pior TDAH do mundo, mas não tinha a menor ideia que era naquele ponto. Ela estava girando a porta da maçaneta quando John também se deu conta.

– Quione!

Notas finais
Coitadinha dela ;(
Eu tinha esquecido de mencioná-la quando eles entraram, então ela ficou lá u.u