A Caçadora

25 Oráculo


Notas iniciais
ATENÇÃO: ÚLTIMO CAPÍTULO!
Fiquem atentos ao meu perfil, logo eu posto a outra, A Semideusa.
Boa Leitura!

– Não, não e não. É muita coisa pra tão pouco tempo.

Mary havia saído do nada da sala, e foi seguida somente por John. Os outros fizeram cara feia para ela, exceto Percy. Mas, se fosse possível matar com olhares, sua namorada teria feito isso com a garota.

Ela havia ido até a entrada do Instituto, onde um Caçador de Sombras estava terminando de retirar os escombros maiores da invasão. Era estranho aquilo... Todos queriam Mary morta. Bem, quase todos, mas alguém em especial, que tinha conhecimento sobre os dois mundos, era realmente a pessoa que queria seu cadáver. Ela balançou a cabeça, com o que havia pensado. Isso era coisa para filhos de Atena, ficar se preocupando assim. Ela iria lutar e enfrentar o que viesse. Bem, quase tudo o que viesse.

Ela deixou se esquecer das preocupações por um momento, e ficou olhando John, que caminhava para lá e cá, aparentemente procurando algo ou estudando os estragos. Mas logo, pareceu achar alguma coisa. Ele caminhou para atrás dela, o local onde haviam caído, logo depois da explosão. O garoto pegou uma massa preta e suja de terra e poeira, a sacudiu e se encaminhou para a garota. Ele tinha uma expressão... Estranha.

– Aqui, mais cuidado dessa vez. Ele é o meu favorito — ele disse, e estendeu o casaco para Mary.

Ela o encarou por alguns poucos segundos antes de pegar a roupa. Estava suja, mas ela ela estava com frio. Ao invés de somente por sobre os ombros, ela vestiu os braços, também. Era mais confortável assim.

Obrigada — murmurou, olhando para o chão. Por algum motivo muito idiota, ela não conseguia sustentar seu olhar por muito tempo. — Acho que vou precisar de uma calça, também. Vestidos não são nada confortáveis para lutar, sabe?


Ele deu uma risadinha meio tímida.


– Nunca usei um vestido antes, não posso te garantir que sei como é.


Ela o olhou com uma expressão levemente divertida, e não sabia se dava risada ou gritava. Não gostou nada da sensação que estava sentindo, apesar que, bem lá no fundo (e ela odiava admitir isso), gostava dela.

–E você vai ter que arrumar a calça sozinha – disse ele, antes que Mary pudesse dizer algo. — E aliás, aposto que as minhas nem servirão em você, igualmente com as das Annie. E ela é meio vaidosa de mais...


Ele coçou a nuca, como se estivesse decidindo se o que havia falado era verdade ou não. Mary estava quase rindo, mas se esforçou para que não pudesse transparecer tanto, apesar de saber que os cantos de seus lábios estarem em um acentuado ângulo para cima.


– Eu vou ter que roubar para consegui-las, sabia? — Ela disse, num tom até provocativo.


– Mas você não parece se importar muito com isso, não? — Retrucou ele.


Ela agora riu abertamente com o modo em que foi jogada contra a parede. Era verdade. Mary não se importava nada, mas tomava o maior cuidado para roubar somente de quem já tinha muito. Uma espécie de Robin Wood egoísta.


Os dois ficaram em um silêncio estranho. Pelo menos, era assim para Mary. Ela praticamente nunca ficara antes na presença de um garoto antes. Não daquele jeito.

Mas as antigas lembranças de Mary voltaram como uma enxurrada. Mas é claro que ela já havia estado assim! Antes mesmo de entrar para a Caçada. Na verdade, fora ele o seu motivo. Nunca, mas nunca mesmo se perdoaria por ter deixado aquilo acontecer.


– Você está bem? — John perguntou, com uma até leve preocupação no tom de voz, pelo o que ela havia notado. 


Seu coração pareceu ser comprimido e drenado todo o sangue. Como ele se preocupava com ela, mesmo sendo uma garota perigosa, arrogante e violenta. Sentiu suas bochechas corarem, e, por causa do seu tom de pele, sabia que estava mais do que exposto isso.

E a expressão de John deixava isso bem claro. Ele ainda tinha um olhar preocupado nos olhos dourados, mas os cantos da sua boca estavam levemente curvados para cima, como se ele tivesse mais do que com vontade de dar risada. Mas parecia se segurar para não envergonhá-la, pois iria ficar vermelha como um balde de tinta. Apesar que ela já estava assim. E mesmo com isso, a culpa não deixava de corroê-la.

Não podia deixar aquilo acontecer, não... Ele iria morrer. Ou chegar perto disso, ou ela ia se corroer. E, apesar da casca dura, era mais do que fácil machucá-la.

Mary deu um pulo quando sentiu a mão quente e calejada de John tocar seu queixo frio, fazendo-a olhar para ele. Agora já podia sentir as mãos suar e tremerem, e mal conseguia respirar, tamanho o aperto que sentia no peito.

– O que houve? — Ele disse, com a voz suave como uma brisa de verão. O toque de sua mão era confortável, mas ela se sentia insegura, com medo. Como se alguém tivesse-lhe dando pena de morte.

Mary abriu a boca para falar, mas as palavras não lhe saíam. As suas lembranças tão... Ruins. Aqueles dias na Londres Industrial, fugindo e tentando sobreviver com tantas coisas ruins em sua volta. Não sabia se conseguiria falar aquilo.

– Mary... Olha, eu não sei o que está acontecendo — seu tom era claro, mas havia alguma leveza naquilo. Ele tirou a mão de seu rosto, mas os olhos com de âmbar continuavam a encará-la, fervorosamente. — Pra falar a verdade, eu nem te conheço. Mas... — ele olhou para o lado, com a expressão dolorida. — Bem, você me deixou meio desconcertado. Eu achava que estava tudo perdido, sabe? Sem solução. E você apareceu, espancando aquele gigante e me odiando. E daí eu pensei que tudo havia piorado — ele deu uma risada, e voltou a encará-la. — Mas estava errado. Tudo bem que pode até ficar mais difícil, mas...

O que quer que ele houvesse a dizer fora interrompido.

Um grito estridente soou, fazendo os cabelos da nuca de Mary se eriçarem. Suas mãos tremiam desconsoladamente quando ela se virou para a entrada do Instituto.

Uma garota com os cabelos negros esvoaçantes pairava a cerca de cinco centímetros do chão. Mas o que a deixava apavorada era o fato de ela estar com a boca aberta, e dos olhos saía uma luz verde. Neblina começou a preencher o local, abaixando drasticamente a temperatura. Mary já havia presenciado aquilo. Ela era um Oráculo.

Com a voz triplicada, que parecia faca riscando pedra, anunciou:

– " Numa guerra embarcas, sem final feliz.

Onde há monstros, eis demônios,

levas dois povos à raiz.

Num golpe desesperado voltarás da Morte

Mas o preço do mestiço não tem fim."

Notas finais
Bem, o último capítulo. A continuação se estende por mais três fics. A Caçadora, A Semideusa, O Monstro e O Anjo.
Olhos e ouvidos atentos! Haha
P.s.: Acharam que ele ia se declarar, é? Que ia rolar um beijo? Enganei vocês!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!