A Caçadora
3 Gil
Notas iniciais
E me perdoem por um erro. O irmão de Annie é o Percy, não o John, ok? O Percy que tem cabelos e olhos escuros, enquanto o John que tem olhos dourados e cabelos castanho.
Os passos dos adolescentes ecoavam no corredor.
Era frio lá dentro, mesmo com as roupas quentes, Mary estava tremendo. Ela via alguns vultos a frente, e seus joelhos estavam começando a ficarem bambos. Ela pensou que fosse por causa do veneno do gigante, que ela poderia quase sentir. Parecia que ele estava fervendo e congelando suas veias, tudo ao mesmo tempo. Não que ela gostasse disso.
Nenhum deles falaram algo. Mary viu que Annie estava entretida mexendo em uma espada, que até agora não tinha notado. Percy parecia bem entretido, observando uma flecha que havia pego da aljava da Caçadora, e John estava perdido em pensamentos, fitando o chão. Quando percebeu que Mary o observava, ele meio que franziu a testa, e abriu a boca para dizer algo, mas a garota o lançou um olhar tão irritado e ameaçador, que ele simplesmente franziu a testa, irritado.
Mary percebeu que o corredor que caminhavam estava cheio de quartos, alguns com portas escancaradas e outros com elas fechadas. Eram quartos simples, com uma cama de solteiro com lençóis brancos, um armário grande e negro, uma porta ao fundo e as paredes eram pretas. Ela sempre quis um quarto assim, mas quando pintou as paredes de preto, ela foi abandonada pela família adotiva. Pela quinta vez. Depois disso, ela parou de contar.
Ela colocou a mão na testa, a massageando, percebendo a dor de cabeça que sentia. Quione não parava de choramingar, e Mary começou a ficar preocupada. Não pelo fato de ela poder atacar qualquer um, se esse fosse o caso, ela iria mandar a loba atacar John, pois ele era um estúpido, mas pelo fato de ela realmente se preocupar com a loba. Ela salvou a minha vida e eu a deixo com fome?, pensou Mary.
Depois de algum tempo, eles chegaram e uma porta diferente, que estava parcialmente fechada. Havia algumas escritas em latim, mas Mary nunca teve a intenção de aprender alguma língua que não fosse inglês ou grego antigo.
Percy deu um passo a frente e abriu lentamente a porta. Mary se esticou e espiando lá dentro, observando o conteúdo da sala. Era uma biblioteca. E se tinha algo que Mary amava mais do que ficar sozinha, era ficar sozinha em uma biblioteca.
Sem esperar nada, ela entrou na sala redonda, vendo as estantes que se estendiam até o alto e longo teto, repletas de livros. Havia escadas de tempos em tempos, para poder alcançar as prateleiras mais altas, e o chão era de mármore escuro com alguns pontos como se fossem estrelas. Mas não eram, pois Mary conhecia o céu bem até demais.
– Com licença? — Disse uma voz grossa e rouca, que fez Mary congelar onde estava, e parar de analisar a sala para ver o quem havia falado. Ela viu um homem de meia idade, aparentando de 45 a 50 anos. Seus cabelos eram grisalhos encaracolados, levemente penteados para trás. Usava um terno risca de giz aberto, com uma blusa branca sem gravata aparecendo por baixo do smoking.
Sem resposta, o homem começou a analisar Mary mais atentamente, até ela arrumar a postura e o lançar um olhar raivoso e ofendido. Mesmo com fome, Quione se postou ao lado dela e começou a rosnar. O homem não pareceu se incomodar muito, até seu olhar parar no machucado no tronco da garota.
– Meu Deus! — Ele disse, meio cambaleando em direção à Mary. A loba rosnou mais firme, e a Caçadora segurou o cabo de sua espada, que ainda estava presa ao cinto. O homem recuou, alarmado com a expressão das duas.
– Mary, deixe-o ajudar você. — Ela escutou Percy falar. Ele parecia alarmado. — Annie, ela só escuta você. Fale para ela.
– Mary... — Disse a garota, se aproximando da Caçadora. — Ele vai ajudar. Acredite em mim. É nosso tutor.
Os sentidos de Mary lutavam entre si. O espírito de Caçadora dizia que homens não eram nada confiáveis, mas o espírito de necessidade falava que ela iria desmaiar se não o deixasse ajudar. Relutante, ela soltou a mão do cabo da espada.
– Quione, junto.
A loba rosnou mais um pouco para o homem e foi se postar ao lado esquerdo da dona, onde a espada não estava pendurada. O tutor olhou para Quione, com um pouco de até medo nos olhos cinzas, e arrumou a postura.
– Que falta de educação a minha. Me chamo Gil Grissom. Qual seu nome mocinha?
Mary conteve a vontade de rir. Mocinha? Se ele soubesse que ela realmente era, sairia correndo e chamando pela mãe. Ela respondeu, seca.
– Me chame de Mary. Você tem alguma comida para ela? — E gesticulou na direção da mascote, tentando tirar alguma culpa dos ombros.
O tutor olhou pensativo, com a mão no queixo.
– John, leve a loba para comer alguma coisa. Creio que na cozinha tenha carne.
John parecia ter levado um tapa na cara.
– Eu? Por que? Não é culpa minha a mudana estar aqui! E não vou levar esse bicho até a cozinha! Ele vai me comer!
– Seria melhor então ela fazer isso aqui mesmo — disse Mary, sem poder conter a raiva.
Ele lançou um olhar de raiva para Mary, mas ela nem se importou. Não abriu a máscara dura que usava, uma máscara calmamente irritada.
– Eu mesmo faço isso. Me mostre o caminho — ela disse.
– Preciso falar com você antes — o tutor, Gil Grissom, disse. — Dê permissão à loba de ir com ele e não o comer no caminho.
Ela olhou com raiva para o tutor. Homens, pensou com raiva. Todos iguais. O tutor parecia inflexível. Ela deu um suspiro de raiva, e se abaixou na altura da loba.
– Quione, vá com ele. Mas se ele fizer qualquer coisa estranha, ataque-o como se fosse um prato de bife. — Depois olhou para John, que estava com a testa franzida de raiva. — melhor, não faça isso. Ele deve ter um gosto horrível.
E com um quase sorriso, se levantou, olhando para John. Ele saiu da sala bravo e ao mesmo tempo graciosamente. Depois que ele fechou a porta e Quione o seguiu, Mary não tinha mais motivo para fingir. Ela se curvou para a frente, e teria caído se não fosse pelas fortes mãos de Annie e Percy, que a pegaram pelos ombros. Eles a carregaram para o sofá, onde a repousaram deitada.
Ela podia ver vultos, e escutava muito mal. Era tudo como um chiado, e sua cabeça parecia latejar. Grissom a olhava preocupado, apesar da visão de Mary estar péssima, desfocada e escura. Ela pode ver a movimentação de Annie e Percy, e escutar passos apressados sair e deixar a porta escancarada. Depois disso, sua visão escureceu.
Notas finais
E o próximo capítulo vai sair em breve! Eu acho .-.
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