A Casa dos Gritos

1 Capítulo 01: Prólogo da Sarah.


Sentiu uma palpitação. Seus olhos ainda estavam fechados, mas conseguia notar algum brilho externo diferente do reflexo da janela do seu quarto. Sua cabeça doía, doía muito. Sentia seus braços e pernas pesados, no entanto conseguia movê-los livremente. Enfim a moça parda abriu os olhos.

Não conseguia comentar nada, apenas reconhecia que aquele não era o seu quarto, muito menos a sua casa. Girou o corpo, percebeu que estava agachada no chão de uma aparente sala de alguma casa. Casa não, mansão.

Uma enorme mesa de madeira cobria à sua esquerda, e sobre ela encontravam-se dos mais variados alimentos e pratos de comida à abóboras macabras de halloween e outros tipos de decorações espantosas. Algumas flores, quadros e plantas ao redor das paredes, nos cantos tinham pequenos armários. Luminárias iluminavam aquele ambiente estranho com cores tensas, vermelhas, roxas e verdes.

A loira se levantou, sentindo seu corpo tremulo. Sua cabeça ainda latejava, e quando tentava se relembrar de como chegou até ali, pulsava ainda mais a chegar ao ponto de arder. A moça então limpou os olhos e revirou seu corpo. Estava com um blazer preto, reconhecia-o porquê usava-o alguns dias no jornal onde era repórter. Suas joias e pulseiras repousavam em seus braços e pescoço. Tudo o que lhe faltava era... a sua bolsa.

Rodando mais uma vez, a mulher dos olhos pretos e lábios carnudos pôde notar, abalada, quatro corpos caídos no chão, a alguns metros dela. Pareciam respirar, ou não, e como tinha uma fobia aterradora de defuntos, preferiu nem chegar perto. Agora sim, falou:

– Onde é que eu estou?

Teve como resposta o próprio silêncio. Passou os braços em sua roupa, limpando-se da poeira que impregnava a mansão. Notou um cartão no seu peito, era algum tipo de crachá, porém não era do seu jornal.

Jogadora 03.

Nome: Sarah Bryelle.

Idade: 27 anos.

Profissão: Jornalista.

Ambição: Ficar milionária.

Seja bem-vinda A Casa dos Gritos.

– O que significa isso? – Sarah realmente reconheceu seu nome e seus demais dados, até mesmo a sua ambição estava perfeitamente correta. Entretanto, não se lembrava de ter se inscrito em algum tipo de programa de terror. – A Casa dos Gritos?

Tocou levemente em seu cartão, deixando um papel dobrado cair no chão. Agachou-se o pegou curioso, abrindo-o e percebendo que era como um típico mapa, no entanto, uma seta preta indicava prossiga para 08. Leu o que dizia no título: Seu status foi ativo, você foi aceito(a) como participante dos jogos. Caro jogador, se conseguir passar a noite nesta mansão e encontrar o seu cheque, poderá levá-lo para casa.

Os olhos da loira se esbugalharam quando se encontraram com o valor 2.000.000,00. Ela olhou em volta novamente, aquele cenário não parecia ser algo simples como uma pegadinha, e aquelas pessoas poderiam ser seus rivais... Rapidamente, acompanhou a numeração das muitas portas que cercavam aquela sala, oito no total.

– Porta oito, aqui vou eu!

Seus saltos iniciaram gruídos ocos quando passaram a colidir insistentemente contra o piso duro como concreto. Entrou no pequeno corredor desolado da porta oito, mas antes observou que perto do número, na fachada da porta, encontrava-se um pequeno sinal elétrico, como o raio do flash.

Nas paredes laterais, via quadros, velas, mais luminárias que refletiam luzes avermelhadas, que tornavam o clima um pouco mais que horrível. Ironicamente, Sarah não dava a mínima para as luzes, nem para o clima e muito menos para os fantoches que começaram a aparecer como pequenos manequins encostados nos cantos. Aquilo era peixe pequeno para a repórter que conseguiu entrar e sair da casa mais assombrada dos EUA, há exatamente um ano.

Trombou-se numa porta em meio a suas lembranças e acordou novamente. A loira tentou girar a maçaneta, mas a fechadura queria algo a mais para se abrir, como um cartão. Olhando se lado para o seu crachá, Sarah o arrancou do peito e passou-o na fechadura, que emitiu um pequeno chio de destrave.

A porta se abriu e a parda entrou, tendo uma visão privilegiada de uma piscina que se expandia por todo o cômodo, deixando apenas uma margem de concreto antes e depois. A água na mesma estava encardida, avermelhada e pesada, escura e densa, e repleta de pequenos farelos de coisas que ela não conseguia reconhecer. Uma prancha de madeira passava no meio correto da piscina, atravessando-a até o outro lado. E num pequeno murmuro de choque, a repórter percebera um papel retangular, quadriculado e visivelmente parecido com um cheque, pendurado na parede do outro lado.

– Ótimo, espero que isso não veja brincadeira. – Disse risonha, aproximando-se da tábua. – Só preciso atravessar sem cair nessa água fedida, pegar aquele cheque e sair da casa... Simples e, talvez, simples até demais. – Ela então olhou ao redor mais uma vez. – Sinto cheiro de pegadinha, mas...

Sarah deu o primeiro passo. Sentiu que o pedaço de madeira gemeu, mas continuou. Pregado na parede da piscina atrás da loira, jazia uma placa com sinal de eletricidade, apontando para a água, coisa que ela não viu. Já estava bem no finzinho, num baque, a tábua se quebrou parcialmente e a garota quase caiu, conseguindo escorar-se por pouco na beirada da piscina.

Lutou com suas forças para não deixar seu corpo recuar para a água, mas sentiu que seu pé esquerdo acabava de colidir contra o líquido. Repentinamente, algo atordoante percorreu cada parte do seu corpo, como uma corrente elétrica. Aquilo queimou-a por dentro, ardeu-a e a fez subir depressa para a outra margem.

– Essa água está com... choque? – Balbuciou, virando-se para o líquido negro e tocando com a ponta dos dedos, tendo a mesma reação de novo. – Ai.

Sarah não tinha ideia de como voltaria dali, já que sua única alternativa havia se rachado em pedaços. Todavia, recordou-se que tinha, pelo menos, assegurado sua riqueza naquele pedaço de papel pouco acima de si. Se levantou, pegou-o e sorriu miraculosamente quando reconheceu o cheque e seu valor de dois milhões de dólares. Até mesmo o seu nome estava escrito nele.

– Ótimo. Agora como é que eu saio daqui?

Ao se virar, a pálida acompanhou confusa a saída de algum tipo de mão do meio da piscina. Junto daquela palma com os cinco dedos, logo vieram dois braços, uma cabeça e metade de um corpo totalmente coberto pelo líquido. A repórter vira aquele rosto e não segurou um sussurro de terror, dando um passo para trás. Com olhos negros, uma boca extremamente grande com um sorriso perverso e as garras afiadas.

– O que é... – Antes de chegar a concluir, Sarah viu aquela coisa disparar-se contra a sua direção num urro grave de horror. – AHHH!

Ela não sentiu nada, nada além de um puxão no braço, que levou todo o seu corpo de volta para dentro daquela perpétua prisão elétrica, no interior da piscina de sangue. Logo, a única coisa notável na sala era o cheque da moça, repousado sobre o meio da piscina, manchando-se cada vez mais de vermelho.

Notas finais
:D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.