A Casa do...
1 Bem-vindo
Notas iniciais
Em algum lugar entre a Puta que Pariu, a Baixa da Égua e o Quinto dos Infernos, está a Casa do Caralho.
Bem depois de onde Judas perdeu as Botas, em um lugar onde não se pode mais Catar Coquinhos, pois lá não há muitos coqueiros. A vegetação é rasteira, meio amarelada, e constantemente inclinada pela força confortável do vento. Uma relva que cresce pacífica, e protege em sua pequena clareira uma cabana de madeira crua onde uma cadeira de balanço bambeia suave na varanda.
Essa é a Casa do Caralho. E apesar do nome, não há nenhum caralho morando nela.
Está constantemente vazia, pois, apesar de muita gente ser mandada diariamente para aquele lugar, poucos são os que estão de fato dispostos a procurar. Talvez seja pelo nome pouco agradável, talvez pela distância, ou talvez pelo trânsito imenso que se daria pela estrada caso todos decidissem seguir esse conselho. O que no fim acaba sendo uma boa notícia, pois assim a Casa do Caralho pode permanecer calma e pacífica em seu tranquilo desconhecimento.
É preciso alcançar um certo nível de enchimento de saco para que a estrada até lá possa ser reconhecida — e um nível ainda maior de "foda-se essa merda" para que apareça a vontade de percorrê-la. Porém a jornada árdua é sempre bem recompensada: a cabana te acolhe com o silêncio dos deuses, um capim para palitar os dentes, e uma cafeteira sempre ligada prestes a entregar sua próxima xícara de café recém-passado.
O tempo se arrasta, mas ninguém quer mesmo vê-lo passar. São sempre quatro da tarde, o sol brilha no canto do céu, as nuvens são poucas, e a temperatura permanece amena. Um sino preso à soleira da porta anuncia o próximo visitante, por mais que este demore a vir. A certeza é uma só: ele vai demorar a querer ir embora. E se foi você quem encontrou a estrada, talvez esteja precisando mais do que possa imaginar.
Seja, portanto, sempre bem-vindo à Casa do Caralho. Limpe os pés na porra do carpete antes de entrar.
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